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#90. Mundo Livre S/A
Carnaval na Obra (1998, Abril Music)
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Após o resultado irregular apresentado em Guentando a Ôia – segundo trabalho do Mundo Livre S/A lançado em 1996 – seria de se esperar que o grupo recifense proporcionasse um trabalho que fosse capaz de igualar a mesma criatividade e as mesmas experimentações de sua conceitual estreia, Samba Esquema Noise (1994). Com o lançamento de Carnaval na Obra em 1998, o grupo retornava aos trilhos e brindava o público com um projeto de excepcional sonoridade, passeando pelas mesmas frequências do samba, sem deixar de lado todo o manancial de influências que se acumulavam através do manguebeat. Com produção de Carlos Eduardo Miranda, Edu K, Eduardo BiD e Mario Caldato, o disco apresenta o grupo comandado por Fred 04 em contornos renovados, mais experimental e tocando de leve a psicodelia, algo que se ressalta logo na faixa de abertura Alice Williams, ou em faixas como A Expressão Exata e Meu Quinto Elemento, mostrando não haver limites para o trabalho do grupo pernambucano.
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#89. Wilco
Being There (1996, Reprise)
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Com o lançamento de A.M em 1995, Jeff Tweedy propunha uma espécie de continuação daquilo que ele já vinha desenvolvendo através de sua anterior banda, o Uncle Tupelo, entretanto, ao lançar o segundo álbum ao lado do Wilco, o músico não apenas garantiria identidade, como lançaria um dos trabalhos mais influentes do Alt. Country naquele período. Dividido em dois álbuns, Being There pode ser de fato considerado como o primeiro trabalho do grupo de Chicago, afinal é nele que Tweedy acompanhado de um bom número de instrumentistas desenvolve faz chover composições memoráveis, faixas que a princípio trouxeram desconforto aos já encaminhados através da música country de raíz, mas que agradaram (e muito) aos amantes do rock alternativo ou de diversas outras áreas da música. Mesmo vendendo pouco, o disco contou com total apoio da crítica, identificando o registro como um dos mais memoráveis em seu ano de lançamento e um álbum simplesmente essencial para quem busca se aventurar pelas sempre fundamentais composições do Wilco.
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#88. Rage Against The Machine
Rage Against The Machine (1992, Epic Records)
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Se no começo da década de 1990 o mundo todo se curvava em direção à Seattle, na esperança de que algum outro grupo apresentasse um novo Nevermind, com a estreia do Rage Against the Machine em 1992 todos mudaram seu foco em direção à California. Unindo rifes de guitarras que exaltavam ao Heavy Metal, rap e letras tomadas de conteúdo político, um então desconhecido grupo formado por Zack de la Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk fez de seu brilhante debut um dos registros mais politizados e agressivos da época. Através de faixas como Bombtrack, Freedom e Killing In The Name, a banda californiana levaria seu discurso politizado e esquerdista através de boa parte do território norte-americano, fazendo com que suas composições inflamassem a mentalidade de um número mais do que relevante de ouvintes, em sua maioria jovens que rapidamente absorveriam o conteúdo proposto pelo grupo. Wake Up!
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#87. Cat Power
Moon Pix (1998, Matador)
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Em 1998 Charlyn Marie Marshall, ou Cat Power como era conhecida parecia interessada em quebrar todos os limites de sua música. Distante da música folk confessional e hermética que havia elaborado em seus três anteriores álbuns, Marshall trouxe para dentro de seu quarto registro em estúdio uma musicalidade muito mais abrangente, além de um novo catálogo de sons dolorosos e encantadoramente amargos. Acompanhada por Mick Turner e Jim White da banda australiana Dirty Three, a cantora deu formas a um dos álbuns mais sofredores daquele ano, trafegando de maneira sorumbática por entre arranjos de sopro surpreendentemente coesos com sua guitarra estridente e essencialmente básica. Por todos os lados pintam verdadeiros épicos da melancolia, canções como a soturna Metal Heart ou a devastada Moonshiner, composições que situariam de forma definitiva a imagem de Marshall como um ícone dos corações partidos e dona da trilha sonora perfeita para qualquer um que se deparasse com uma separação. Embora surpreendente, o disco seria uma preparação para o que a norte-americana reservaria em seus futuros lançamentos.
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#86. Yo La Tengo
Painful (1993, Matador)
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Se em 1993 o que predominava era a construção de sons cada vez mais sujos e agressivos, tal lógica se tornava inválida pelas mãos do Yo La Tengo. Transformando guitarras distorcidas em um verdadeiro passeio por um universo etéreo o místico, o grupo de Nova Jersey faria de seu sexto registro em estúdio seu encontro com a maturidade, alavancando composições que bebiam tanto do shoegaze exaltado pelos grupos britânicos quanto pelo soft rock proposto pelos artistas norte-americanos da década de 80. Logo na faixa de abertura, Big Day Coming, a banda já deixa transparecer muito do que será encontrado no decorrer do disco, introduzindo o ouvinte em suas reverberações sublimes e adocicadas. Mesmo que algumas das canções fizessem o grupo trafegar por entre uma nuvem de sons aprazíveis, ainda assim é possível encontrar trechos de maior exaltação. Em Sudden Organ, por exemplo, mesmo que as densas camadas de guitarras ainda estejam por lá é a condução radiante que predomina, evidenciando um disco versátil e surpreendentemente encantador.
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[95-91] - [85-81]