Ainda que filmado antes do acidente que interrompeu a turnê e quase tirou a vida dos membros do Baroness no último ano, o vídeo de March To The Sea é uma espécie de recado, anunciando o retorno do grupo aos palcos. Facilmente uma das melhores composições do último ano e de toda a discografia do grupo, a faixa consumida pela melancolia e que trata abertamente sobre a morte conta agora com um vídeo que conseguiu captar parte da atuação do grupo nos palos e nos bastidores antes do fatídico acidente. A canção faz parte de um dos trabalhos mais completos do último ano, Yellow & Green, terceiro (e quarto) álbum da carreira do grupo norte-americano e registro que se posiciona em 16º lugar na nossa lista dos 50 melhores discos internacionais de 2012.
Para o clipe de Take My Bones Away, a banda norte-americana Baroness resolveu se distanciar do universo magistral que permeia o recente álbum da banda – o duplo e excelente Yellow & Green-, para se relacionar diretamente com a crueza de uma apresentação ao vivo. Com direção de Jimmy Hubbard, o vídeo deixa visível toda a força do quarteto, que entrelaça sem exageros acordes diretos com batidas sempre projetadas de forma épica. Um dos momentos mais comerciais da obra, a canção traz imagens do grupo durante uma turnê pelos Estados Unidos, o que nos faz perguntar: quando a banda vem ao Brasil?
A obra do Baroness sempre esteve envolta em conceitos próprios e temáticas instrumentais bem definidas. Desde a chegada do primeiro álbum da banda em setembro de 2007 que a proposta do grupo de Savannah, Georgia sempre foi de oposição ao que até então definia o Heavy Metal em suas inúmeras formas. Por vezes comparados a grupos como Mastodon e Kylesa, a banda chega ao terceiro (e quarto) álbum de posse de uma estrutura musical ainda mais ampla e bem definida. Entregues a uma proposta que por vezes abraça o Baroque Pop inaugurado em findos da década de 1960, absorvendo o que há de mais rico nos exageros do rock progressivo dos anos 70 até se encontrar com o Sludge Metal do novo século, a banda transforma o duplo Yellow & Green em um registro que sintetiza todos os inventos e até novos artifícios do grupo.
Concebido como uma obra única de dois atos, mesmo definido como um registro de caráter fechado, cada metade do trabalho passeia por universos distintos e bem definidos. A começar por Yellow, temos uma exata continuação de tudo que a banda promoveu com os dois registros anteriores – Red Album (2007) e Blue Album (2009) -, incorporando guitarras naturalmente pesadas, vozes fortes e batidas que muito os classificam como um grupo de Sludge Metal tradicional. A diferença está na maneira como o ritmo ascendente e os versos que por vezes beiram o pop garantem novo significado ao trabalho do grupo. Dos versos lamuriosos que definem a delicada March to the Sea ao desespero que caracteriza Eula, cada fração do registro aproxima a banda de um resultado pouco convencional dentro do gênero.
Seja pelos acordes detalhados que se derramam ao longo do trabalho (e ainda duram até o seguinte disco), ou pela forma acessível como os versos se aglomeram no miolo das faixas, nada faz lembrar os anteriores ou mesmo outros lançamentos do mesmo estilo. Em alguns momentos o álbum soa como se o Fleet Foxes do álbum Helplessness Blues acrescentasse uma dose extra de guitarras, ou talvez se o Mastodon do disco Blood Mountain se entregasse à calmaria e dialogasse com o Radiohead da fase OK Computer. Ao mesmo tempo em que a proposta deve afastar seguidores do grupo que esperam por um trabalho mais “convencional”, a produção primorosa e o toque melódico que se espalha pelo disco deve apresentar o grupo a um novo segmento de ouvintes. Yellow, assim como o registro irmão, é um trabalho distinto mesmo dentro da inventiva discografia do grupo.
Se o primeiro disco simboliza a leveza e os momentos mais acessíveis de toda a recente história da banda, então Green aponta para um resultado de oposição e experimento. Parcela mais complexa de toda a trajetória do quarteto, o registro concentra nas nove faixas que o definem os momentos mais inventivos e de vanguarda dos estadunidenses, que se afastam das preferências ao sludge para incorporar uma série de elementos que vão do rock progressivo em formas mais convencionais, até cruzamentos eletrônicos que em uma primeira audição causam apenas estranhamento. Enquanto o primeiro álbum é um disco “mais Baroness”, o segundo torna visível a influência do produtor John Congleton (Modest Mouse, Okkervil River), que encaminha a banda para uma proposta menos óbvia. Da suavidade sintética que absorve Collapse à calmaria folk que se estende ao longo da adorável Stretchmarker, cada espaço do segundo disco incorpora uma série de artifícios talvez impensados quando voltamos novamente os ouvidos para o primeiro álbum da banda lançado há meia década. Continuar lendo →
Um dos registros que mais esperamos ver lançado no próximo mês é Yellow & Green, terceiro (e quarto?) álbum da banda norte-americana Baroness. Planejado como um registro duplo, o trabalho deve manter a mesma força dos anteriores lançamentos do quarteto, um dos mais inventivos da atual safra de representantes do Sludge Metal. Depois da excelente e melódica Take My Bones Away, apresentada em meados do mês passado, o grupo volta com uma faixa ainda mais surpreendente. Com versos marcantes e uma sonoridade primorosa, March To The Sea anuncia que teremos mais um grande disco por vir.