O recente Worship está muito longe de ser um trabalho de sucesso dentro da discografia suja da banda nova-iorquina A Place To Bury Strangers. Todavia, é graças ao álbum que temos acesso ao mais recente e um dos melhores clipes já feitos pelo grupo: And I’m Up. Utilizando de brinquedos em chamas, carrinhos de controle que atacam cachorros robóticos e bonecos de ação derretendo, o clipe define os rumos do que parece ser uma verdadeira guerra dos brinquedos. Com direção assumida por Karl Ackermann, a cada novo quadro é possível sentir o cheiro de plástico queimado, perceber o sangue e as lágrimas derramadas pelos pobres brinquedos.
A limpidez das formas sonoras nunca foi uma proposta clara aos grupos de rock nova-iorquinos. Desde o surgimento do The Velvet Underground na década de 1960, que as guitarras soam de maneira estridente por lá, agregando camadas de distorção bem como ruídos entalhados de forma a encantar (ou instigar) o espectador. Com o trio A Place To Bury Strangers, que nasceu na região do Brooklyn em princípios da década passada, essa mesma proposta se torna ainda mais evidente. Confessos interessados pelas formas distorcidas e sujas, a banda mantém no terceiro disco a mesma ruidosa estratégia testada há quase dez anos, proposta que define cada uma das novas composições apresentadas pelo grupo.
Donos de uma sonoridade cada vez mais “plástica” – postura assumida dentro do disco Exploding Head, de 2009 – a tríade formada por Oliver Ackermann, Dion Lunadon e Jason “Jay Space” Weilmeister faz do recente Worship (2012, Dead Oceans) uma espécie de exata continuação do que fora testado há três anos. Mesmo imersos na construção e deformação constante das formas sonoras, a banda acaba por transformar o novo álbum em um registro comercialmente acessível, proposta já testada, mas que se intensifica ativamente com o passar do presente registro.
Ao mesmo tempo em que se abre para a aproximação com novos públicos, a banda parece esquecer da boa forma assumida há alguns anos, não lembrando, inclusive, que muitas das canções e propostas testadas no atual registro já foram amplamente executadas, principalmente no homônimo disco de estreia em 2007. Como resultado os nova-iorquinos estabelecem um disco que até agrada em alguns momentos, mas nada que consiga superar o bom desempenho e a inventividade de outrora. Até quando as guitarras surgem urgentes e sujas em músicas como Leaving Tomorrow o resultado pouco satisfaz, como se a banda propusesse um álbum em que o foco está em desmotivar o ouvinte.
Essa incapacidade da banda em apresentar uma proposta renovada e se entregar às exaltações sonoras vindas de outras fontes já estava bastante visível durante a execução do álbum anterior. É como se o APTBS, ao buscar por um som mais sério e conceitual – postura assumida em 2009 com Exploding Head – deixasse de lado o brilho e a crueza jovial do registro de estreia. Mesmo que algumas faixas como You Are The One e Why I Can’t Cry Anymore até consigam cativar e arrastar o ouvinte para o mesmo universo de distorções proclamadas em 2007, aos poucos Worship se transforma em um disco cansativo e extremamente pleonástico, com o trio batendo na mesma tecla – ou nos mesmos sujos acordes – do princípio ao fim do disco. Continuar lendo →