Quem acompanha o blog sabe que anualmente o bloco de desenhos Adult Swim lança uma coletânea de singles que exploram aspectos diversos da música alternativa. No último ano artistas como Death Grips, Flying Lotus e Wavves foram convidados para integrar o especial, que em 2013 conta com uma edição extra. Com foco no garage rock e no rock alternativo, Garage Swim entrega ao público 15 composições inéditas com alguns dos nomes de maior destaque da cena norte-americana. Black Lips, King Tuff, Thee Oh Sees e Weekend são alguns dos convidados, que garantem pouco mais de 50 minutos de vocais rasgados e guitarras enquadradas em uma estética Lo-Fi. Além de ouvir o registro na íntegra (abaixo) o ouvinte pode se deliciar baixando a coletânea gratuitamente.
É surpreendente a forma como as guitarras simplesmente deslizam nos ouvidos durante os mais de 30 minutos de duração que sustentam o primeiro álbum do Califonia X. Próximo e ao mesmo tempo distante de diversas marcas que predominam no rock clássico ou mesmo na cena alternativa recente, o autointitulado disco do grupo de Amherst, Massachusetts é praticamente um convite para um cenário semi-desértico, motocicletas e doses imoderadas de cerveja. Canções que praticamente se transformam na trilha sonora alternativa de um filme B da década de 1970 e ainda assim mantém firme a relação com o presente. Um som nostálgico, raro, mas que não deixa em nenhum momento de ser atual.
Por conta da movimentação crescente de trabalhos íntimos da eletrônica ou mesmo de registros sustentados de forma leve dentro da proposta do rock, ao ouvir o primeiro álbum do California X é como se deparar com uma obra impregnada pelo frescor. Cada riff, batida exata de bateria ou vocal firme corresponde ao que gigantes do meio desenvolvem desde o fim da década de 1960. São faixas rápidas que mergulham na herança do Black Flag, tropeçam no Punk nova-iorquino, até se acomodar de maneira decidida no rock alternativo e em tudo o que foi construído desde o final dos anos 1980. Um pouco das guitarras do Dinosaur Jr, doses consideráveis das linhas de baixo do Nirvana, e, claro, a capacidade do grupo em transformar velhas referências em algo totalmente novo.
Assumindo o mesmo caráter áspero que orienta o trio METZ no decorrer do primeiro disco de estúdio, a banda ganha notoriedade por trabalhar as guitarras não apenas dentro de uma medida de peso e agressividade, mas por saber como lidar com as melodias. Não por acaso, quanto mais tempo passamos dentro do cenário que cheira a óleo diesel, cerveja e mulheres, mais encontramos semelhanças com assertividade que orienta o Japandroids no enérgico Celebration Rock (2012). São composições que se agarram de forma intencional aos maiores clichês do rock clássico e ainda assim conseguem parecer inéditas, mesmo aos ouvidos experientes.
Assim como aconteceu com a dupla canadense no último ano (ou mesmo no debut Post-Nothing, de 2009), logo que a banda abre as portas do trabalho com a densa Sucker, a mesma proposta instrumental se estende até a execução do acorde final do disco. A estratégia firma uniformidade ao álbum, que contrário a muitos lançamentos do gênero, não se orienta por ressaltar diferentes marcas do rock alternativo através de cada nova faixa, mas por aglutinar todas as marcas de diferentes épocas como um todo. Dessa forma, tanto Spider X no meio do álbum, como Mummy no fechamento do disco partilham de um mesmo composto raivoso e crescente. Continuar lendo →
O lançamento de King Of The Beach em 2010 serviu como um ponto de transformação para a carreira do jovem Nathan Williams. Enquanto os dois primeiros trabalhos do músico californiano à frente do Wavves pareciam lidar com as experimentações sujas do Noise Pop e Surf Music em uma embalagem totalmente caseira e íntima do Lo-Fi, com a chegada do terceiro álbum o apelo pop tomou conta de cada música assinada pelo sempre chapado compositor. São faixas aceleradas em cima de guitarras grudentas, vocais berrados e essencialmente melódicos, além de todo um jogo de acertos que de uma forma ou outra se relacionaram com a temática veranil que ocupou a música norte-americana naquele mesmo ano. As ondas estava apenas se aproximando da praia.
Consciente das escolhas que deu início há três anos, Williams não somente parte de onde parou conceitualmente, como faz do recente Afraid of Heights (2013, Mom & Pop) uma extensão melhorada dos mesmos sons, temáticas e instrumentos formatados com o último disco. Mais do que isso, o novo álbum não despreza as transições pelo rock alternativo que alimentaram o bom Life Sux EP(2011), sugando uma variedade riquíssima de referências que caracterizaram a construção do maior e mais cômico hit do músico até agora: I Wanna Meet Dave Grohl. Como se buscasse encontrar uma versão litorânea dos trabalhos do Foo Fighters na década de 1990, o californiano mantém firme o uso das guitarras, sem jamais se desligar do caráter melódico e da acessibilidade em torno de cada uma das composições
Diferente de todos os lançamentos anteriores de Williams – inclusive do bem sucedido King Of The Beach -, o novo álbum entrega ao público um verdadeiro cardápio de composições radiofônicas e musicalmente vendáveis. Da sutileza inicial de Sail to the Sun, à grudenta Demon to Lean On, passando pela explosão de bateria de Lounge Forward ao clima leve da faixa-título até a arriscada Gimme a Knife, tudo é feito para grudar nos ouvidos sem qualquer esforço. Contrário do trabalho anterior, que ainda alimentava faixas como Mickey Mouse e Post Acid com a mesma sujeira dos dois primeiros discos, Afraid of Heights opta pelo novo. É uma obra de base fundamentada na pop, porém, acrescida de guitarras, ruídos e toda a gritaria ocasional que passeia pelas heranças da banda.
Quem acompanha o rock californiano atual, ou mais especificamente o trabalho de Ty Segall, White Fance e The Oh Sees sabe do misto constante entre as distorções e a psicodelia suja que estes grupos desenvolvem, proposta que bem alimentou obras como Slaughterhouseno último ano. Williams parece caminhar em uma direção contrária. Como dito, a proximidade com o pop garante ao disco um brilho raro, inexistente em outros registros que circulam pela cena local. Muito do que conduz o trabalho do músico parece vir diretamente da relação com Bethany Cosentino, o que faz com que Afraid Of Heighs seja o trabalho que a dupla Best Coast tenha buscado alcançar com The Only Place (2012). Continuar lendo →
Em 2010 Nathan Williams deu vida a um dos melhores discos daquele ano, King Of The Beach, o terceiro registro em estúdio do Wavves. Menos experimental e até mais límpido do que os dois primeiros álbuns do músico, o trabalho parece continuar exatamente de onde parou com o lançamento de Afraid of Heights, quarto e mais recente lançamento da banda californiana. Disponível para audição gratuita (basta clicar na imagem abaixo), o novo disco incorpora ao longo de 42 minutos uma sequência de vocais melódicos e guitarras tão aceleradas quanto as que acompanharam o trabalho passado. São 14 faixas que passeiam pela Surf Music, brincam com o Garage Rock e até trazem a participação da veterana Jenny Lewis. Abaixo você ouve como aperitivo Demon To Lean On e Sail To The Sun, dois pequenos aperitivos lançados pela banda anteriormente.
O relacionamento entre Bethany Cosentino e Nathan Williams trouxe bons frutos para o trabalho do Wavves. Ainda que interessado em aprimorar o uso das melodias desde o lançamento de King of the Beach (2010), o músico californiano parece ter encontrado na acessibilidade que envolve o trabalho da parceira um mecanismo para impulsionar o ainda inédito Afraid of Heights. Previsto para o dia 26 de março, o registro traz na execução assertiva de Demon to Lean On (disponível desde janeiro) seu melhor exemplar – pelo menos por enquanto. Utilizando versos pegajosos e guitarras sujas, a canção prossegue de onde a banda parou com Sail To The Sun, acrescentando certa dose de melancolia e bom humor na mesma intensidade. Recém-lançada em vídeo, a música transporta um garoto para uma espécie de cenário paralelo ambientado dentro de um lixão.
Em 26 de março Afraid of Heights deve definir (ou não) se o Wavves conseguiu superar o bom resultado alcançado em 2010 com o disco King Of The Beach. Mais novo registro em estúdio do grupo californiano comandado por Nathan Williams, o álbum deve manifestar uma sonoridade muito mais pesada e menos jovial que a expressa há três anos, resultado tanto no expresso no single Sail To The Sun como na recente Demon To Lean On. Ainda tão melódica quanto as antigas músicas da banda, a nova faixa aumenta o peso das guitarras, lembrando uma versão litorânea dos momentos mais amenos do Foo Fighters em começo de carreira.
Depois de se autoproclamar o “Rei da Praia” em 2010, Nathan Williams e seu Wavves devem voltar em 2013 para mais uma sequência de guitarras chapadas e versos rápidos. Previsto para o primeiro semestre, o novo disco – que conta com produção de John Hill (Rihanna, M.I.A., Santigold) – deve expandir o universo litorâneo criado no último álbum do músico, reforço que se torna evidente no bem humorado clipe de Sail To The Sun, mais novo single da banda. Bem humorado, o vídeo traz em pouco mais de três minutos a vida dupla de um padre boa vida, que longe dos fieis se diverte em um mundo de drogas, abusos e prostituição.
Em 2010 Big Boi conseguiu comprovar sua relevância mesmo longe do parceiro de OutKast Andre 3000. Com Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty o norte-americano alcançou um dos trabalhos mais importantes do hip-hop atual, feito que deve se repetir com a chegada de Vicious Lies and Dangerous Rumors, segundo disco solo do artista previsto para 11 de dezembro. Além dos versos naturalmente enquadrados dentro do gênero, Big Boi aproveita para flertar com o Pop, Rock e R&B, resultado evidente no clipe a na sonoridade que compõem Mama Told Me, canção que estará na próximo disco e ótima parceria com a cantora Kelly Rowland. O novo álbum ainda virá com participações de Kid Cudi, Little Dragon, Wavves, A$ap Rocky e uma boa soma de outros colaboradores.
Para o fechamento do projeto anual de singles lançados pelo bloco de desenhos Adult Swim, o trio nova-iorquino Liars assume essa função com honra e muitos ruídos. Em Point Your Pistols to the Sigh a banda dá exata continuação ao que fora projetado no disco WIXIW há alguns meses, amarrando guitarras quase matemáticas com uma camada extra de efeitos eletrônicos e sintetizadores que beiram o dançante. Com uma forte pegada eletrônica, a canção é um prato cheio aos seguidores do trio e um fechamento adequado ao trabalho que trouxe ótimas músicas de bandas e artistas como Wavves, Flying Lotus e Elite Gymnastics.
Enquanto não lança nenhum novo disco, toda nova surpresa do Wavves é sempre bem vinda. Mais nova composição do grupo californiano comandado por Nathan Williams, Hippis Is Punks deixa visível o afastamento da banda com os sons praianos de outrora. Com um enquadramento menos festivo e certo toque de “anos 90”, a faixa concentra guitarras mais pesadas e vocais que partilham do mesmo espírito despretensioso testado no último EP da banda, Life Sux. A canção faz parte do especial montado pelo bloco de desenhos Adult Swim que todo ano lança uma coletânea apenas com músicas inéditas vindas dos mais variados artistas.