Arquivos da Tag: Soul

Pequenos Clássicos Modernos

TV On The Radio
Experimental/Indie/Alternative
https://www.facebook.com/TvOnTheRadio

 

Por: Cleber Facchi

TV On The Radio

A julgar pela manifestação inexata dos sons que o TV On The Radio vinha promovendo desde o começo da carreira, era só questão de tempo até que o grupo nova-iorquino explodisse em um universo próprio de experimentos e invenções musicais. Como se fossem meros preparativos para esse possível ponto de colisão, com o lançamento de OK Calculator (2002) e Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2004) o grupo conseguiu de forma cuidadosa solidificar as experiências calcadas no Funk, Art Rock, R&B e Avant-Garde. Bases para o resultado esperado que culminou em 2006 no lançamento do ainda hoje complexo Return To Cookie Mountain (2006, Interscope).

Concentrado instrumental do que o coletivo – na época formado por Tunde Adebimpe, David Sitek, Kyp Malone, Jaleel Bunton e Gerard Smith – vinha desenvolvendo, o álbum não é apenas a manifestação coesa do universo particular do quinteto, mas uma exposição sublime do que alimentava a produção estadunidense naquele instante. Dissolvido em mais de 50 minutos de duração, o álbum funciona como um encontro excêntrico entre as orquestrações do Arcade Fire em Funeral (2004), a sensualidade exótica de Prince em Purple Rain (1984) e lampejos da amargura que costurou o rock alternativo nos anos 1990.

Colagens instrumentais, líricas e conceitos em um propósito de constante perversão do estágio inicial da obra, assim borbulha a matéria que preenche  o disco. Da abertura em meio a samples de Massive Attack, passando pela colagem saturada de batidas, vozes e pianos que resultam na dolorosa I Was a Lover, tudo é pensado de forma a transformar a natureza do registro em segundos. Assim, antes mesmo do encerramento da terceira música, Province, é como se a discografia de uma centena de bandas fosse dissecada e traduzida na linguagem do quinteto. Lamentos musicados, descrições amargas do cotidiano e a sensação de que o chão desaparece em cada nova música.

Se por um lado a sobreposição de camadas e referências deu vida ao que parecia ser um imenso reaproveitamento de ideias, por outro aspecto a presença ativa de cada integrante vem como um ponto de equilíbrio constante para a obra. Enquanto Malone e Adebimpe se revezam com extrema beleza e ferocidade nos vocais, Bunton e Smith extraem o máximo de cada efeito percussivo ou harmonia encontrada no trabalho. Entretanto, é na presença constante de David Andrew Sitek que o álbum se constrói. Produtor responsável pelo disco, o multi-instrumentista passeia atento aos detalhes, ocupando cada lacuna com guitarras, samples ou mínimas orquestrações que fazem do registro um dos mais exuberantes da última década. Continuar lendo

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Lauryn Hill: “Neurotic Society”

Lauryn Hill

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Poucos artistas tem permissão para entrar em um hiato de 15 anos e regressar a hora que bem entenderem. Lauryn Hill é um desses casos raros. Sem nenhum registro de inéditas desde o lançamento do bem sucedido The Miseducation of Lauryn Hill, em 1998, a norte-americana continua passeando pelo Hip-Hop e a música negra de forma geral com a estreia de Neurotic Society, primeiro exemplar da cantora em anos. Conduzida por uma medida furtiva de rimas, sintetizadores e batidas, a canção aparece pedindo espaço, empurrando para os lados Azealia Banks, Angel Haze ou qualquer outra novata que tenha encontrado apoio nas rimas velozes da artista. Lançada às pressas por obrigação da gravadora, a faixa abre caminho para o que pode resultado no próximo registro em estúdio de Hill.

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Lauryn Hill – Neurotic Society

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Chance The Rapper: “Acid Rap”

Acidrap

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Grande aposta do Rap/Soul estadunidense, Chance The Rapper passou os últimos meses em busca de pequenas colaborações com nomes diversos da cena alternativa, tudo isso para finalizar a mais nova e bem sucedida empreitada de sua carreira: Acidrap. Coleção de encontros e pequenas parceriam que incluem Ab-Soul, Ciara, Action Bronson e Childish Gambino, a mixtape concentra em 13 faixas um dos registros mais cuidadosos que o Hip-Hop norte-americano proporcionou recentemente. R&B se encontra com o pop, eletrônica dança ao som do R&B enquanto as rimas seguem firmes e exóticas até os últimos instantes do trabalho. O melhor de tudo é saber que o álbum pode ser baixado gratuitamente aqui ou ser apreciado na lista do Soundcloud logo abaixo.

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Chance The Rapper – Acid Rap

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Disco: “Dear Miss Lonelyhearts”, Cold War Kids

Cold War Kids
Indie Rock/Alternative/Soul
http://www.coldwarkids.com/

 

Por: Allan Assis

Cold War Kids

Nathan Willet e os parceiros de banda têm pago o preço alto por tentar fugir da estrada mais óbvia de sua discografia. Ainda hoje, com quatro registros em estúdio, recebem saraivadas de críticas baseadas na comparação entre seus últimos registros e o primeiro Robbers & Cowards (2006). Bem sucedido, o trabalho surge como  espelho de alguns álbuns do início da década passada, projetos que aliavam as guitarras do blues à solos ruidosos que cortavam músicas ao meio, acrescentando curvas ao reto caminho do rock de singles que se vendem sozinhos – à exemplo de We Used to Vacation e Hang me up to Dry.

O segundo álbum e o EP que o seguiram um ano depois, acabaram implodindo ante a expectativa de uma sequência do que foi produzido em 2006. Loyalty to Loyalty (2008) e Be Yourself EP (2009) respectivamente, foram malhados sem dó pelos que esperavam hits fáceis e riffs pulsantes, quando os californianos resolveram enveredar pelo caminho da experimentação, mergulhando de vez no sempre cuidadoso e evoluído instrumental que promovem. Produziram assim, feitos rapidamente esquecidos pela grande mídia que em sua maioria acreditava que de bandas indie com retoque pop já estávamos bem servidos. A verdade no entanto, é que o Cold War Kids estava procurando diferentes maneiras de desenvolver um som, algo que não precisasse necessariamente se provar bom pela posição que ocupa nas listas dos principais sites e revistas.

No presente Dear Miss LonelyHearts (2013, V2), entretanto, há uma certa ponte com a fase mais comercial do quarteto, algo bem representado nas “porradas” em piano que sustentam Miracle Miles, não à toa escolhida como primeiro single. A faixa tem vocação pra grudar na memória e rivaliza com outros clássicos da banda. Em um primeiro momento, a veia pop sobressai e o flerte com uma sonoridade mais dançante vai ficando cada vez mais evidente, como em Loner Phase. Perfeita amostra do que um pouco de ousadia faria aos discos de Mark Foster, a faixa surge como um ótimo apanhado de sintetizadores que embora reconhecíveis caminham por linhas menos óbvias.

 

À medida em que o disco avança, os sintetizadores e a voz de Willet em eco baixam volume para que as guitarras tomem frente nas composições. Como exemplo, Fear & Trembling, amostra da aproximação de uma atmosfera sombria, com mais peso nos acordes de Matt Maust e pulsações graves de um piano em jeito de órgão. Durante a transição que à passos lentos sai do pop e caminha ao encontro do rock mais calcado no soul encontra-se um preocupante apelo épico. É o lado Coldplay dos norte-americanos querendo aflorar em Water & Power, uma canção irmã de qualquer música grandiosa do U2, ou B-side esquecida de Strangeland, último de inéditas do Keane. Continuar lendo

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Janelle Monáe: “Q.U.E.E.N.” (Feat. Erykah Badu)

Janelle Monáe

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Três anos depois e o cenário robótico de Janelle Monáe começa lentamente a ser desmontado. Uma das responsáveis pelo regresso ao Soul/R&B e dona do épico The ArchAndroid (2010), uma das estreias mais bem sucedidas dos últimos anos, a norte-americana está de volta com o primeiro exemplar de sua próxima empreitada artística: Q.U.E.E.N. Parceria com a veterana e clara influência Erykah Badu, a canção abre espaço para a chegada de The Electric Lady, segundo registro em estúdio de Monáe e trabalho que deve aparecer por completo até o final de 2013. Ainda íntima das mesmas experiências musicais que acompanham desde o começo de carreira, a nova faixa serve para distanciar a cantora do clima da década de 1970, mergulhando os vocais, batidas e sons dentro de um propósito que se relaciona com a sonoridade dos anos 1990.

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Janelle Monáe – Q.U.E.E.N. (Feat. Erykah Badu)

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Kyan Kuatois: “Perfect Crime”

 Kyan Kuatois

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Cansado do rumo sombrio e melancólico que o R&B tem assumido? Então Kyan Kuatois talvez seja a solução para os seus problemas. Íntimo dos mesmos sons que abasteceram a carreira de Michael Jackson a partir de Off the Wall (1979) e consciente dos rumos que a musica negra assumiu recentemente, o cantor faz do recém-lançado novo single, Perfect Crime, um caminho seguro para uma carreira que parece prestes a alcançar o grande público. Suingada, dançante e dona de um refrão grudento, a canção surge como um ponto de ruptura na carreira do artista, até então relacionado de forma desgastante com a música pop. São pouco mais de três minutos de vozes entrelaçadas em batidas eletrônicas, sintetizadores que até lembram Passion Pit e uma solução instrumental que bota as mesmas heranças de Frank Ocean para dançar. Viciante.

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Kyan Kuatois – Perfect Crime

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Disco: “Woman”, Rhye

Rhye
R&B/Indie/Soul
http://www.rhyemusic.com/

 

Por: Cleber Facchi

Rhye

O lançamento de Coexist (2012), segundo registro em estúdio do The XX pareceu dividir os seguidores do trio inglês. De um lado, àqueles que conseguiram entender a necessidade da banda e buscar pela novidade – ainda que irregular no resultado final do disco. No outro oposto, os saudosistas, público que parecia encontrar em cada ruído sintético ou tendência ao Dream Pop uma barreira para aceitar a nova proposta da banda. Talvez a medida de calmaria, erotismo e melancolia que os velhos ouvintes estavam em busca tenha se escondido no recém-lançado primeiro disco do grupo californiano Rhye, Woman (2013, Republic/Innovative Leisure). Continuação menos tímida do que a banda inglesa conquistou com XX em 2009, o disco trata do mesmo minimalismo assumido pela tríade além-mar, substituindo o medo e a dor por certa dose de malícia.

Espécie de Portishead sem roupas, o disco se ausenta das batidas eletrônicas de Geoff Barrow para manter apenas os vocais (em uma versão jovial) de Beth Gibbons e as guitarras sedutoras de Adrian Utley. De implicações quase eróticas, Woman é a trilha-sonora para um jantar à luz de velas que inevitavelmente terá seu desfecho na cama. Se por um lado as letras de forte incorporação sombria tendem ao clima sorumbático, por outro lado o ritmo envolvente cultivado por guitarras suaves, vozes e teclados empurram o projeto para um outro direcionamento. O mesmo tipo de estrutura que marca que marca grandes obras do R&B/Soul. De Marvin Gaye à Sade, passando por toda a nova safra de representantes do mesmo gênero, a dor para o Rhye também conta com um fundinho de prazer.

Contrário a outros trabalhos de composição volumosa, o recente álbum é um registro que foge dos excessos cotidianos e carece de tempo até ser inteiramente absorvido. É necessário entrega para mergulhar no erotismo em preto e branco que a banda esculpe lentamente com o passar da obra, marca que possibilita o aflorar do jazz em One of Those Summer Days e até é capaz de brincar com o synthpop e a Disco Music de forma renovada nos instantes que marcam a adorável 3 Days. Uma variedade de sons e diferentes marcas sonoras que se fossem corrompidos pelo clima épico resultariam na mesma temática de Devotion, estreia de Jessie Ware, ou se caíssem nos abusos químicos poderiam facilmente dar vida ao primeiro álbum do Hercules and Love Affair. Tudo é questão de controle.

 

Acomodado confortavelmente em uma cama de sonorizações brandas, o álbum até consegue se passar por um registro de razões minimalistas aos ouvidos despreparados, porém, está longe de representar apenas isso. O disco é apenas um trabalho comportado, recheado por arranjos de alcance amplo, mas que se mantém dentro de uma atmosfera doce, quase silenciosa. Exemplar mais coeso de todo esse resultado, Open se movimenta dentro de um jogo de soluções musicais que até parecem voltadas à grandiosidade dos atos (vide os arranjos de cordas ao fundo da canção), mas em poucos instantes declina e volta ao formato original de plena timidez. Continuar lendo

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Disco: “Jamie Lidell”, Jamie Lidell

Jamie Lidell
R&B/Soul/Pop
http://www.jamielidell.com/

Por: Cleber Facchi

Jamie Lidell

Um ano antes de Amy Winehouse transformar Back To Black (2006) em um marco do Neo-Soul e de toda a reformulação que ocuparia a música britânica – até então consumida pelo revival Pós-Punk -, Jamie Lidell lançaria uma obra de valor similar ou talvez até maior. Longe dos dramas comerciais e livre dos mesmos excessos que acompanhariam a cantora até os últimos instantes de vida, Multiply (2005) acabou acolhido por uma parcela reduzida do público, ouvintes que encontraram no trabalho do cantor e produtor inglês uma alternativa renovada ao gênero e um espaço de transformação muito mais rico do que se derramava nos versos e na sonoridade de faixas como Rehab.

Entre passagens pela eletrônica, pop e até aproximações coerentes com o soul-funk da década de 1980, Lidell faz do autointitulado novo álbum uma honesta conexão com o passado – o dele ou mesmo o de outros músicos. Se há oito anos o bem sucedido registro serviria para influenciar toda uma nova geração de entusiastas do R&B (Justin Timberlake entre eles), hoje o músico parece acrescentar um toque extra de bom humor e suingue no soul macambúzio que se apodera da música “alternativa”. É como se do meio do agregado de batidas densas, sons amargos e letras dolorosas que vão de Frank Ocean a Jessie Ware, Lidell transformasse o novo álbum em um convite para a dança.

Mesmo que a tristeza esteja diluída em parte expressiva do que garante movimento às 11 inéditas composições do novo disco, assim como nos trabalhos anteriores o britânico supre a dor com base em um registro de nítido apelo comercial. Vozes, batidas, teclados, guitarras e, principalmente, as linhas de baixo, tudo é explorado de forma a cativar o ouvinte em uma seleção de versos que se encaixam deliciosamente em camadas límpidas de uma produção bem resolvida. Nada que outros produtores, ou mesmo o próprio Lidell, já não tenham aproveitado anteriormente, porém, um acumulado de sons tão grudentos que basta uma única audição para sair dançando ou cantarolando os versos de qualquer faixa do trabalho.


Coerente com o passado, mas sem abandonar em nenhum instante as experimentações eletrônicas que o situam de forma definitiva no presente, o produtor faz do novo álbum um tratado de encontros constantes. Enquanto Blaming Something parece ser a melhor música jamais composta por Prince, Do Yourself A Faver apresenta o trabalho de Mayer Hawthorne e Breakbot ao verdadeiro clima da década de 1970, não como uma simples referência, mas um resultado que parece de fato vivenciado. Um disco capaz de pular do pop descartável dos anos 2000, para a fase mais rica de Michael Jackson sem se desligar da herança de Sly & The Family Stone e outros gigantes da música negra. Continuar lendo

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Jamie Lidell: “Jamie Lidell”

Jamie Lidell
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Na lista dos trabalhos mais aguardados de 2013, o autointitulado novo disco do britânico Jamie Lidell já pode ser ouvido na íntegra. Misto de Soul, Eletrônica, R&B, Rock e Pop, o presente disco chega com o intuito de superar os excelentes Multiply (2005) e Jim (2008), dois dos melhores lançamentos do músicao até agora, além de superar a proposta mediana inserida em Compass, de 2010. Com produção assinada pelo próprio Lidell, o álbum condensa uma sequência de 11 composições que passeiam pela dança, o romantismo e outras experiências pessoais que conduzem a vida do cantor. Além das já conhecidas why_ya_why, What a Shame e You Naked, o registro, disponível para audição gratuita no novo My Space, traz as ótimas Big Love e Do Yourself a Favor. Abaixo você ouve algumas das canções já lançadas, ou aqui, o disco novo.

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Jamie Lidell – why_ya_why
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Jamie Lidell – What a Shame

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James Blake: “Retrograde”

James Blake

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James Blake finalmente conseguiu aperfeiçoar o que vem experimentando há mais de três anos. Outrora fascinado pela eletrônica tramada de forma matemática pelos encaixes certeiros do dubstep, o cantor e produtor britânico fez da relação com o R&B/Soul uma possibilidade de transformação para sua obra – assim como para o próprio gênero. Colecionando referências distintas de cada um de seus trabalhos anteriores, Retrograde, como o título já aponta, passa pelo looping hipnótico de CYMK, dança ao som dos teclados crescentes de Love What Happened Here até valorizar cada nuance intimista do que o artista acomodou no lançamento do primeiro disco solo em 2011.

Como resultado, a faixa cresce em uma medida que vai do brando ao sedutor em instante, explodindo em um refrão que pesca sem dificuldades logo na primeira audição. Com essa proposta de forte apelo vocal, a música naturalmente firma Blake como um soulman de força incontestável, um dos grandes da nova geração. Melancólica e grandiosa na mesma intensidade, a nova faixa surge para anunciar a chegada do segundo álbum do músico, Overgrown, trabalho que será oficialmente lançado no dia oito de Abril e deve continuar o que o artista iniciou no clima sorumbático do elogiado debut.

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Retrograde

James Blake – Retrograde

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