Sigur Rós
Experimental/Post-Rock/Alternative
http://www.sigur-ros.co.uk/
Por: Cleber Facchi

Com base em uma discografia coesa e pelo menos três grandes obras carregadas de conceitos particulares – Ágætis byrjun (1999), ( ) (2002) e Takk… (2005) -, ao longo dos anos o Sigur Rós conquistou uma natural fama de “banda intocável”. Pequenos semi-deuses brincando com sons que não entendemos e versos que poucos compreendem, o grupo liderado por Jónsi Birgisson passou os últimos 15 anos em meio a inventos sonoros que ultrapassam o efeito natural de qualquer música, lidando de maneira significativa com sentimentos que convencem de maneira quase inexplicável. Entretanto, o que muitos talvez esquecem é que mesmo isolados no místico solo da Islândia, o (hoje) trio de Reykjavík ainda é uma banda como qualquer outra, de influência e histórico criativo talvez maior, porém, jamais impassível de erros.
Em nítida queda criativa desde o lançamento de Með suð í eyrum við spilum endalaust (2008) e agora desfalcado do multi-instrumentista Kjartan Sveinsson, a banda alcança com recém-lançado Kveikur (2013, XL) um trabalho que clama desesperado pela transformação. Depois de passar o último ano arrastando Valtari (2012) como um disco que só parecia completo em aproximação com a série de vídeos The Valtari Mystery Film Experiment, cada passo dado pelo recente álbum incorpora na rigidez dos sons um rompimento com o que foi apresentado pelo grupo há mais de uma década. Os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico, porém tratados dentro de uma agressividade que beira o rock em moldes insustentáveis.
É formidável observar as tramas ambientais proclamadas por Jónsi dentro de um invento possivelmente novo, sombrio, refletindo em estúdio aspectos do que foi definido há dois anos com registro ao vivo INNI (2011). Entretanto, é preciso levar em conta que mesmo as supostas invenções tratadas com novidade pelo grupo ecoam atrasados, com mais de uma década se levarmos em conta a sonoridade deveras aproximada imposta pelos dinamarqueses do Mew pós-Frengers (2003). Um misto de buscar por novidade sem abandonar a essência que não dá certo, transformando Kveikur em um registro de tentativas que se perde em erros.
Há um esforço eufórico na atuação da banda durante o eixo inicial da obra, o que até convence em alguns aspectos. Ao brincar de maneira atrativa com a percussão, faixas como Hrafntinna trazem de volta boa parte dos elementos implantados no disco de 2008, recheando o disco com pequenos atos capazes de refletir a criatividade do trio remanescente. O mesmo acontece durante a construção de Ísjaki, faixa que encontra uma relação homogênea entre as experimentações orquestrais e o eixo comercial, exercício concebido pelo grupo em 2005, quando Glósóli e Hoppípolla apresentaram de forma definitiva o trabalho da banda a toda uma nova parcela do público. Entretanto, contrário ao título da canção – do islandês, Iceberg -, Ísjaki é apenas a ponta de um trabalho sustentado em nada. Continuar lendo








