Phill Veras
Brazilian/Indie/Singer-Songwriter
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Por: Allan Assis

Maranhense de vinte e poucos anos, representante de uma MPB que admira The Strokes, Phill Veras anuncia sua carreira solo após o fim de sua banda Nova Bossa, com o lançamento do EP Valsa e Vapor (2013, Independente). Composto por cinco músicas que polvilham açúcar sob uma atmosfera calma e delicada, o registro faz uma ponte com uma sonoridade conhecida por quem tem acompanhado os álbuns nacionais: cuidadosos acordes de violão e uma voz sem sobressaltos – sutilmente versando sobre amor e melancolia.
Abre o registro Dia Dois, canção com cara de surf music, pronta para com sons de uma guitarra havaiana e dedilhados de banjo que levam o ouvinte a se espreguiçar numa rede em fim de tarde, o tipo de música incapaz de se desgostar. Como nos meus sonhos tem letra abstrata e a voz do compositor se sobrepõem aos arranjos mais discretos, permitindo que se evidencie a estranha semelhança entre o timbre de Veras e Hélio Flanders (Vanguart), com a diferença das notas de agressividade e catarse presentes na do segundo. Vício é candidata a melhor do EP. A composição toma emprestado algumas das experimentações quase fofas testadas por grupos como Pato Fu nos anos 90, reforço que abraça a melancólica letra de Phill e o aproxima de outro compositor que se deu bem louvando o abandono: Cícero.

É justamente nas referências que moram os acertos e também os pontos fracos do trabalho. Ao se aproximar de uma sonoridade leve que embala a tristeza de Cícero e um Marcelo Camelo, só declarações de amor em sua fase pós-Los Hermanos, Phill se curva demais ao ressaltar seus elementos calmo, impedindo que se crie uma identidade musical para seu trabalho, em suma, o doce disco fica com gosto de mais do mesmo em alguns instantes. Depois de escancarar as portas das confessas declarações de amor Camelo, Mallu Magalhães e Marcelo Jeneci, abriram caminho para que outros artistas, com menos talento no campo das composições, se integrassem a essa MPB de fácil assimilação – o mesmo tipo que lota unidades do SESC ao redor da capital paulistana. Como sempre, o tempo trata de fazer a triagem entre os músicos que apenas acompanham uma cena musical em crescimento e artistas que conseguem se sobressair em meio às vozes que fazem o popular coro de fim de faixa. Phill Veras se apresenta tocando seu violão afinado e cantarolando amor e melancolia muito bem, mas ainda não consegue se tornar essencial dentro dessa estética. Continuar lendo










