Jenny Hval
Norwegian/Experimental/Female Vocalists
http://jennyhval.com/
Por: Cleber Facchi

Lascivo e provocante, não existem palavras que melhor definam o novo trabalho de Jenny Hval, Innocence Is Kinky (2013, Rune Grammofon). Transitando pelo mesmo plano instrumental testado em Viscera (2011), a musicista norueguesa traz na densidade das palavras um complemento necessário para canções que mergulham em experimentos sombrios. Discutindo medo e amargura em um propósito de extrema sexualidade, Hval dá vida a um registro que dança pela crueza de forma imoderada. Se posicionando como o ponto central de uma obra que traz na instabilidade a única certeza para o ouvinte, a cantora se converte em uma matéria-prima desconcertante, capaz de revelar o lado mais obscuro do ouvinte em meio a descrições de seu próprio cotidiano.
Poderia ser Björk, PJ Harvey ou qualquer outra compositora que deu voz aos sentimentos mais honestos do universo feminino, entretanto, ao assumir cada instante do álbum com extrema honestidade e até certa dose de crueza, Hval cria um domínio próprio. “That night, I watch people fucking on my computer”, sussurra a artista nos primeiros instantes da faixa que dá título ao registro, trabalho este que mergulha em uma atmosfera capaz de se relacionar com Dummy (1994) do Portishead, ao mesmo tempo em que se derrama em despudores conhecidos apenas pela norueguesa. Provocações, lamentos e um orgasmo que parece administrado em doses durante toda a obra.
Fazendo de cada faixa um recorte isolado, Hval assume uma temática que se ausenta da homogeneidade “katebushniana” de boa parte das novas compositoras. Na contramão daquilo que Juliana Barwick, Grouper, Julia Holter e tantas outras artistas vêm aprimorando, Jenny parece interessada em provar de cada referência, seja ela voltada ao rock ou à eletrônica. Tudo é pensado em um propósito irregular, como se fosse natural à artista mergulhar em um universo de guitarras para a construção de I Called (que mais parece algum invento do St. Vincent), e logo depois se acomodar na ambient music de Oslo Oedipus. Altos e baixos instrumentais que mais parecem a trilha sonora para o atrito entre os corpos.
Da capa aos versos, cada espaço do trabalho parece pensado de forma a provocar o ouvinte. Enquanto as composições se esbarram em uma orquestração desconexa, Hval sussurra, grita, canta ou simplesmente dialoga com o ouvinte sem qualquer pretensão. É como se a cantora partilhasse do mesmo propósito de Holly Herndon em Movement (2012), porém dentro de uma medida muito mais anárquica. Nem os vocais parecem lidar com qualquer tentativa de aproximação no decorrer da obra. Se Mephisto In The Water é a manifestação sublime do que seria Joanna Newsom longe da atmosfera barroca, I Got No Strings pula para as temáticas quase irritantes de Laurel Halo em Quarantine (2012), transformando a obra em um imenso mosaico de sons, vozes e experiências. Continuar lendo








