Quadron
R&B/Soul/Pop
http://www.quadronmusic.com/
Por: Fernanda Blammer

Robin Hannibal é um confesso interessado nos sons que abastecem a música negra desde o fim da década de 1950. Inclinado aos inventos climáticos do Jazz, o romantismo natural do R&B e a dor que escorre desmedida de grandes obras do Soul, o músico dinamarquês faz de cada projeto que leva seu nome um resgate involuntário de todo esse colosso de referências líricas e, principalmente, sonoras. Foi assim com o lançamento de Woman (2013), trabalho de estreia do Rhye - parceria com o também entusiasta Mike Milosh -, há alguns meses, e um efeito que se repete agora com Avalanche (2013, Epic), segundo disco do Quadron e uma representação comercial dos interesses musicais do artista.
Tendo nos vocais da parceira Coco O o principal instrumento de movimentação para o trabalho, Hannibal usa do novo disco como um catálogo involuntário de resgates antigos e recentes da música negra. Um conjunto bem produzido de composições vendáveis, capazes de mergulhar no Jazz (Befriend), brincar com o R&B da década de 1990 (It’s Gonna Get You) e até se apegar ao Hip-Hop (Better Off ) em uma medida leve, radiofônica e de forte interesse ao grande público. Se em Woman o músico parecia inclinado ao hermetismo natural dos sons e vocais, com Avalanche temos um trabalho que valoriza o oposto.
Aproveitando de boa parte dos sons iniciados em 2009 com o autointitulado primeiro disco da dupla, Hannibal passeia pelo presente álbum circundando a voz da parceira sem timidez e com pleno detalhismo. Com uma valorização maior das guitarras, o músico estabelece uma imensa e cuidadosa tapeçaria sonora, acinzentada em momentos, porém de efeito convincente. Por vezes grandioso em relação ao disco anterior, Avalanche nunca foge dos limites da banda, que mesmo beirando o pop em Hey Love e um propósito dançante em Favorite Star declina o tempo todo, ambientando o disco em um universo de esforço sutil e acolhedor.
Colecionando referências que encontram Aaliyah, Beyoncé e até Jessie Ware, Coco O é quem dita de fato os rumos do trabalho. Quando se entrega à sensualidade em LFT, por exemplo, é de Hannibal a responsabilidade de ditar linhas de baixo vistosas e sons compactos que crescem pela canção. Um completo oposto de quando a cantora expande os vocais em Hey Love, faixa que mais parece uma versão menos eletrônica dos inventos recentes de Katy B. Há desde suspiros em Sea Salt, melancolia confessional em Crush e até candura com Befriend, reflexo da versatilidade da cantora em brincar com a voz durante todo o desenvolvimento do disco. Continuar lendo







