TV On The Radio
Experimental/Indie/Alternative
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Por: Cleber Facchi

A julgar pela manifestação inexata dos sons que o TV On The Radio vinha promovendo desde o começo da carreira, era só questão de tempo até que o grupo nova-iorquino explodisse em um universo próprio de experimentos e invenções musicais. Como se fossem meros preparativos para esse possível ponto de colisão, com o lançamento de OK Calculator (2002) e Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2004) o grupo conseguiu de forma cuidadosa solidificar as experiências calcadas no Funk, Art Rock, R&B e Avant-Garde. Bases para o resultado esperado que culminou em 2006 no lançamento do ainda hoje complexo Return To Cookie Mountain (2006, Interscope).
Concentrado instrumental do que o coletivo – na época formado por Tunde Adebimpe, David Sitek, Kyp Malone, Jaleel Bunton e Gerard Smith – vinha desenvolvendo, o álbum não é apenas a manifestação coesa do universo particular do quinteto, mas uma exposição sublime do que alimentava a produção estadunidense naquele instante. Dissolvido em mais de 50 minutos de duração, o álbum funciona como um encontro excêntrico entre as orquestrações do Arcade Fire em Funeral (2004), a sensualidade exótica de Prince em Purple Rain (1984) e lampejos da amargura que costurou o rock alternativo nos anos 1990.
Colagens instrumentais, líricas e conceitos em um propósito de constante perversão do estágio inicial da obra, assim borbulha a matéria que preenche o disco. Da abertura em meio a samples de Massive Attack, passando pela colagem saturada de batidas, vozes e pianos que resultam na dolorosa I Was a Lover, tudo é pensado de forma a transformar a natureza do registro em segundos. Assim, antes mesmo do encerramento da terceira música, Province, é como se a discografia de uma centena de bandas fosse dissecada e traduzida na linguagem do quinteto. Lamentos musicados, descrições amargas do cotidiano e a sensação de que o chão desaparece em cada nova música.
Se por um lado a sobreposição de camadas e referências deu vida ao que parecia ser um imenso reaproveitamento de ideias, por outro aspecto a presença ativa de cada integrante vem como um ponto de equilíbrio constante para a obra. Enquanto Malone e Adebimpe se revezam com extrema beleza e ferocidade nos vocais, Bunton e Smith extraem o máximo de cada efeito percussivo ou harmonia encontrada no trabalho. Entretanto, é na presença constante de David Andrew Sitek que o álbum se constrói. Produtor responsável pelo disco, o multi-instrumentista passeia atento aos detalhes, ocupando cada lacuna com guitarras, samples ou mínimas orquestrações que fazem do registro um dos mais exuberantes da última década. Continuar lendo








