Marcado com Rap

Terra Preta: “Disposição”

Terra Preta

.

Enquanto o R&B reassume posições graças ao trabalho de Miguel, Frank Ocean e uma centena de novos artistas, no Brasil o gênero ainda caminha a passos lentos. Na contramão do que torna acinzentado o Rap nacional, Terra Preta dá continuidade aos mesmos sons testados no excelente Homem Figa Vol.1 – 10º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012. Recém-lançada, Disposição abre espaço para a chegada da Mixtape Milionário Em Treinamento Vol. 2, próximo trabalho do rapper que ainda conta com um clipe agendado para a próxima semana. Quem desconhece o trabalho do rapper, encontra toda a discografia para download na página do artista.

.

Terra Preta – Disposição

.

Terra Preta – Homem Figa Vol.1

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Gilbere Forte: “Nolita” (ft. Active Child)

Nolita

.

Rimas e harpas tomam conta do mais novo single de Gilbere Forte. Contrariando os lançamentos anteriores do californiano e preparando o terreno para a chegada de Pray, próximo registro em estúdio do artista, Nolita traz no contraste o principal alimento para o que deve sustentar o novo e ainda inédito trabalho de Forte. Acompanhado por ninguém menos do que Patrick James Grossi, músico nos comandos do Active Child, o rapper deixa fluir uma composição que mais parece uma sobra inusitada do álbum You Are All You See (2011). A relação entre o Hip-Hop e outras composições de apelo orquestral não param aí, visto que Pray, faixa que dá título ao novo disco traz samples de Fiona Apple. As duas músicas você ouve logo abaixo:

.

Gilbere Forte – Nolita (ft. Active Child)

.

Gilbere Forte – PRAY

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Tree: “No Faces” (ft. Danny Brown)

Danny Brown

.

Danny Brown talvez seja o rapper mais inquieto e produtivo da cena norte-americana recente. Desde o lançamento de XXX (2011) há dois anos, uma seleção instável de colaborações ou faixas particulares surgem quase que semanalmente pela rede. E para esta semana, claro que temos novidade. Dessa vez Brown foi convidado para esparramar suas rimas e vocais característicos no mais novo lançamento do conterrâneo Tree, No Faces. Com uma sonoridade que até se aproxima dos próprios trabalhos de Danny, a canção faz parte do novo lançamento de Tree, Sunday School II: When Church Lets Out, previsto para 15 de Maio.

.

Tree – No Faces (ft. Danny Brown)

Etiquetado , , , , , , , ,

Disco: “Acid Rap”, Chance The Rapper

Chance the Rapper
Hip-Hop/Rap/R&B
http://chanceraps.com/

 

Por: Cleber Facchi

Acid Rap

Ainda que Andre 3000 e Big Boi jamais sejam capazes de regressar ao cenário colorido de Aquemini (1998), Stankonia (2000) e outros registros que marcaram a fase mais inventiva do Outkast, uma centena de artistas recentes se provam aptos para assumir o mesmo espaço e sonoridade. Trilhando um percurso maduro e de nítido apelo pop, Chance The Rapper faz da nova mixtape uma manifestação sublime do que construiu a carreira da dupla e consequentemente o Rap estadunidense na última década. Um catálogo de colagens e apropriações particulares do que gigantes do gênero alcançaram previamente, porém em um plano de completo descompromisso e novas aproximações com o público.

Na contramão do que aprofunda com sobriedade a obra de Kendrick Lamar, além de encarar o R&B de Miguel e Frank Ocean sem as mesmas lamentações, Chance faz da presente Acid Rap (2013, Independente) um trabalho que borbulha criativo nos ouvidos. Conjunto bem estabelecido de composições que passeiam de forma semi-convencional pelo rap, soul ou mesmo pela música pop, o rapper cria no distanciamento de padrões o ambiente exato para a formatação de um trabalho que parece tentado a brincar com a nostalgia. É como se ao encontrar sustento em referências esquecidas de Kanye West (em começo de carreira), ou na própria obra do Outkast, o rapper firmasse um som de propriedades únicas.

Como o título e a própria capa do registro logo apontam, a nova mixtape de Chancelor Bennett brinca com faixas de apelo lisérgico e pequenas doses de nonsense. Distante do propósito obscuro de good kid, m.A.A.d city, R.A.P. Music e outros registros de peso que sustentaram a produção no último ano, o trabalho percorre um fluxo colorido, proporcionando no uso melódico das rimas e sons pegajosos um respiro ao que reverbera na música recente. Todavia, ao mesmo tempo em que deixa crescer uma obra que se entrega ao pop sem preconceitos, Chance parece longe dos mesmos exageros de Wiz Khalifa e outros conterrâneos, afinal, o pop que circula pela obra é um mero complemento ou princípio, nunca o todo.


Acompanhado por Action Bronson, Childish Gambino, Ab-Soul e outros figurões de distintos campos do novo rap estadunidense, Chance faz do enquadramento versátil um ponto de identidade para a obra. Dividido constantemente entre a seriedade das rimas e o apelo cênico, o artista acaba transformando Acid Rap em uma obra tão ampla, que classificá-la em uma primeira audição é um exercício quase impossível de ser concretizado. Ao fragmentar o registro em gêneros ou blocos específicos de som, o rapper parece confortável em lidar com o “romantismo” (na pacata Lost) da mesma forma que brinca sem pudor com a temática das drogas (como em Smoke Again). Uma leveza natural que praticamente substitui o ambiente cinza criado por A$ap Rocky em Long.Live.A$AP. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Lauryn Hill: “Neurotic Society”

Lauryn Hill

.

Poucos artistas tem permissão para entrar em um hiato de 15 anos e regressar a hora que bem entenderem. Lauryn Hill é um desses casos raros. Sem nenhum registro de inéditas desde o lançamento do bem sucedido The Miseducation of Lauryn Hill, em 1998, a norte-americana continua passeando pelo Hip-Hop e a música negra de forma geral com a estreia de Neurotic Society, primeiro exemplar da cantora em anos. Conduzida por uma medida furtiva de rimas, sintetizadores e batidas, a canção aparece pedindo espaço, empurrando para os lados Azealia Banks, Angel Haze ou qualquer outra novata que tenha encontrado apoio nas rimas velozes da artista. Lançada às pressas por obrigação da gravadora, a faixa abre caminho para o que pode resultado no próximo registro em estúdio de Hill.

.


Lauryn Hill – Neurotic Society

Etiquetado , , , , , , , , ,

Dizzee Rascal: “H-Town”

Dizzee Rascal

.

Ainda que os trabalhos de Dizzee Rascal tenham decaído com o tempo, vez ou outra o rapper britânico surge com algum achado que dança pelo rap e a eletrônica. Caso mais recente disso está em H-Town, single lançado em parceria com Bun B & Trae e que traz a produção do cada vez mais requisitado A-Trak. Desde 2009 sem o lançamento de nenhum novo disco – o último trabalho do artista atende pelo título de Tongue n’ Cheek -, Rascal faz da nova música um aperitivo para o que deve entregar em breve com The Fifth, obviamente quinto registro em estúdio do artista e o fim de um hiato de quatro anos sem um registro completo.

.


Dizzee Rascal – H-Town

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Chance The Rapper: “Acid Rap”

Acidrap

.

Grande aposta do Rap/Soul estadunidense, Chance The Rapper passou os últimos meses em busca de pequenas colaborações com nomes diversos da cena alternativa, tudo isso para finalizar a mais nova e bem sucedida empreitada de sua carreira: Acidrap. Coleção de encontros e pequenas parceriam que incluem Ab-Soul, Ciara, Action Bronson e Childish Gambino, a mixtape concentra em 13 faixas um dos registros mais cuidadosos que o Hip-Hop norte-americano proporcionou recentemente. R&B se encontra com o pop, eletrônica dança ao som do R&B enquanto as rimas seguem firmes e exóticas até os últimos instantes do trabalho. O melhor de tudo é saber que o álbum pode ser baixado gratuitamente aqui ou ser apreciado na lista do Soundcloud logo abaixo.

.

Chance The Rapper – Acid Rap

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , ,

Emicida: “Zoião”

Emicida

.

Desde o lançamento do EP Doozicabraba e a Revolução Silenciosa em 2011 que os rumos de Emicida apontam para uma nova direção. Não que as rimas do paulistano tenham perdido a seriedade e o acerto conquistado com as duas principais obras do rapper, Pra quem já mordeu um cachorro por comida… (2009) e Emicídio (2010), mas instrumentalmente o trabalho segue um rumo distinto. Exemplo mais recente disse está no lançamento de Zoião, faixa que não apenas partilha de uma instrumentação apurada  da atual fase, como distancia as rimas do artista da crueza que o apresentou. Trata-se de uma faixa que lida com a inveja e o “zoião” alheio de quem não aceita a felicidade dos outros, um tema já discutido previamente pelo rapper, mas encaminhado dentro de uma formatação muito mais acessível e até comercial. Lançada como single, a canção faz crescer a expectativa para um novo registro em estúdio do paulistano, por enquanto, sem qualquer previsão de lançamento.

.


Emicida – Zoião

Etiquetado , , , , , , , ,

Disco: “Indicud”, Kid Cudi

Kid Cudi
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.kidcudi.com/

 

Por: Cleber Facchi

Kid Cudi

Desde o começo de carreira Kid Cudi foi encarado como uma promessa automática dentro do rap norte-americano. Discípulo confesso de Kanye West e interessado na relação amigável entre o Hip-Hop e o Pop, o rapper fez dos dois primeiros álbuns uma manifestação autobigráfica sobre abusos com as drogas, festas, melancolias e principalmente aspectos dolorosos da solidão. Faixas imersas em um contexto noturno e diluídas em instantes dicotômicos de calma e exaltação constante, proposta que naturalmente dividiu as opiniões em torno do trabalho do artista. Talvez por isso, ao alcançar o terceiro registro em estúdio, Indicud (2013, Republic), o rapper traga novamente na expectativa o principal instrumento de sustento e erro para a obra.

Intervalo antes do bloco final que conclui a trilogia Man on the Moon (prevista para ser encerrada em 2014), o novo disco até se projeta de forma a romper com a atmosfera chapada dos projetos anteriores, entretanto, parece longe de alcançar tal feito. Com base nas rimas e na forma como as batidas se sustentam no decorrer da obra, Cudi parece seguir exatamente de onde parou há três anos, antecipando o que pode concluir em breve com o aguardado ponto final de sua epopeia. Apenas reciclagem de sons e temas que diferente do trabalho passado, não se aproximam em nenhum instante de qualquer teor de novidade.

Como já tornava evidente durante a execução do último álbum, o rapper parece se sustentar dentro de um propósito engessado, cada vez mais distante das canções épicas e comerciais que o apresentaram em início de carreira. O egocentrismo exagerado e faixas monótonas que discorrem textos autobiográficos sufocam Cudi e o ouvinte em uma atmosfera penosa. Cada música parece se conectar de forma irrelevante na canção seguinte, resultando em um exercício de difícil superação e que faz do trabalho um álbum praticamente intransponível. São sintetizadores acinzentados em paralelo a rimas quase cantadas, um propósito distante das melodias plásticas que ainda hoje brilham em Soundtrack 2 My Life e outros grandes inventos do artista.


Se existe um “culpado” pela obra, Kid Cudi assume toda essa responsabilidade. Contrário ao exercício firmado desde o primeiro álbum, o rapper acaba assumindo por completo a figura de produtor do registro. De fato, das 18 composições que recheiam Indicud, apenas Red Eye é dividida com o produtor Hit Boy, que surge de forma irrelevante e pouco se distancia da temática inicial que sustenta o registro do princípio ao fim. Tudo é pensado dentro de um exercício arrastado e monocromático, completo oposto dos caminhos diversos que aproximavam o rapper tanto do rock (vide as colaborações com o Ratatat) como de outros elementos não convencionais para o Rap. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “RockaByeBaby”, Cassie

Cassie
Pop/R&B/Hip-Hop
http://www.cassiesuper.com/

 

Por: Cleber Facchi

Cassie

Cassie Ventura parece pouco interessada em seguir a mesma repetição de temas e estratégias testadas por boa parte das cantoras norte-americanas. Desde 2006 sem lançar nenhum registro oficial de inéditas, a bela de New London, Connecticut, encontra na medida própria de tempo – aproveitada ainda com o trabalho de modelo e atriz – um percurso irregular dentro da música Pop. Sem exageros, parcos singles e uma carreira que se movimenta quase desinteressada na mesma medida das batidas letárgicas que acompanham a artista, Cassie rompe o hiato com o lançamento da primeira mixtepe da carreira: RockaByeBaby (2013, Bad Boy).

Quem esperava pelo segundo registro solo da cantora – ainda sem título e agendado para 2013 – vai ter de esperar. Uma demora que passa longe de se manifestar como um problema quando temos em mãos o novo e bem sucedido projeto da artista. Com quase 40 minutos de duração, a Mixtape passa longe de assumir um resultado pouco convincente ou de moldes caseiros – algo típico em trabalhos do gênero. Partindo dos mesmos acertos que apresentaram Rihanna no começo de carreira, Cassie e um time imenso de produtores dão formas a um Rap leve, cadenciado pela melancolia comportadas do R&B e trazendo nos pequenos realces sampleados uma forma de aproximação agradável com o pop.

Depois de sete anos parcialmente distante do público, a cantora (ou seja lá quem atua ao lado dela) não poderia ter escolhido uma estratégia mais convincente para regressar à cena. Espécie de aquecimento para o que Ventura deve apresentar em completude nos próximos meses, a mixtape distribui pequenos hits como um chamariz curioso para quem anseia pela entrega do novo disco. São composições que dançam confortáveis, amenizam a ansiedade gerada e provam que a cantora pode se estabelecer com plenitude em um ambiente instrumental que vá além do que fora testado no pegajoso single King of Hearts, de 2012.

 

Por se tratar de uma obra pensada para “preparar o terreno”, em RockaByeBaby Cassie atiça, mas nunca entrega o ouro. Acomodado em sons compactos, o álbum flui em uma proposta livre de exageros, fazendo de Bad Bitches (parceria com Ester Dean) talvez o ponto mais comercial e dançante do trabalho. No restante, apenas canções banhadas por uma sonoridade densa e versos pensados de maneira controlada, feito que alimenta de forma semi-dramática as batidas e a lírica de Addiction, uma das grandes músicas do disco. Sobra ainda a melancolia de I Love It e o R&B amargo de Turn Up, músicas que dão conta de reforçar o disco – sempre mantendo o limite entre a grandiosidade de um registro de estúdio e a “simplicidade” de uma mixtape. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 4.774 other followers