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Disco: “Mature Themes”, Ariel Pink’s Haunted Graffiti

Ariel Pink’s Haunted Graffiti
Lo-Fi/Indie/Psychedelic Pop
http://www.arielpink.com/

Por: Cleber Facchi

Diferente de uma boa parcela de bandas e artistas jovens, Ariel Rosenberg – ou Ariel Pink como a maioria o conhece – precisou de mais de dez anos para aperfeiçoar uma fórmula musical e uma sonoridade de fato própria. Embora venha desde a segunda metade da década de 1990 se aventurando na construção de uma infinidade de registros caseiros e experimentais, foi só quando lançou o pop e esquizofrênico Before Today em 2010 que o músico realmente foi apresentado ao público. Ouvintes que encontraram nas invenções do álbum todo o conjunto de referências que tanto sintetizam a complexa obra de Pink, naquele instante dissolvida em uma tonalidade mais ampla, quase capaz de dialogar com as massas – como o hit Round And Round chegou bem perto de alcançar.

Ao mesmo tempo em que explora um tratado sonoro acessível e até comercial dependendo do ponto de vista, Rosenberg definiu um trabalho que brinca com os riscos. Embora fosse naturalmente voltado para a uma estrutura mais pop e melódica, o álbum em nenhum instante se desprende dos experimentos que acompanham o músico desde os primeiros trabalhos no começo dos anos 2000. Dentro dessa proposta diversificada, com o norte-americano transitando tanto por vias fáceis como outras mais complexas, Rosenberg e os sempre mutáveis parceiros de banda encontraram o acerto instrumental que mais uma vez se repete no recente Mature Themes (2012, 4AD), novo álbum do Ariel Pink’s Haunted Graffiti e prova incontestável da durabilidade que acompanha a tão almejada fórmula da recente fase do músico.

A exemplo do que a dupla Beach House alcançou com o lançamento do clássico Teen Dream em 2010 e posteriormente resultou no florescimento do ótimo Bloom, com o novo disco Pink extrapola os limites dos acertos e fórmulas previamente estabelecidas para mais uma vez inovar. Embora se concentre nas mesmas preferências testadas há dois anos, o novo disco se conecta diretamente aos primeiros inventos do cantor, quando álbuns como House Arrest (2002) e The Doldrums (2004) pareciam meros esboços perto da grandiosidade que hoje delimita a obra do norte-americano. Dentro dessa proposta, o artista californiano faz crescer um trabalho tão anárquico quanto em outras épocas, tendência visível não apenas na psicodelia pop que perfuma o álbum, mas na infinidade de samples, ruídos e novas temáticas que lentamente se revelam com o passar da obra.

Muito mais “eletrônico” que o trabalho passado, Mature Themes incorpora uma série de peças que incluem sintetizadores matemáticos, vozes robóticas que remetem ao Kraftwerk (basta ouvir Symphony of the Nymph) e até inclusões sonoras que dialogam com o Hip-Hop, como fica definido em Is This The Best Spot?. Dentro dessa proposta de quebras constantes e reformulações necessárias, Rosenberg faz com que a fórmula alcançada no último disco seja aproveitada de forma inédita. É como se o músico acrescentasse uma dose extra de inovação ao já competente catálogo de sons organizado por ele, impedindo que o novo disco funcione como uma mera continuação, mas como uma sequência de sons ainda mais assertivos do que o resultado exposto há dois anos. Continuar lendo

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Puro Instinct: “Dream Lover”

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Ao que tudo indica o pop nostálgico da dupla Piper e Skylar Kaplan do Puro Instinct deve ter continuidade. Depois de um primeiro disco estranho e envolvente na mesma medida – o ótimo Headbangers In Ecstacy, de 2011 -, as irmãs dão continuidade ao mesmo som esvoaçante que tanto preencheu o primeiro álbum lançando novas e ainda mais apaixonantes faixas. Em Dream Lover, mais recente lançamento da dupla russo-estadunidense temos o mesmo som encantador que nos aproximou do trabalho delas no último ano, proposta que se estende das vozes leves à instrumentação despretensiosa que cresce ao longo da música.

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Puro Instinct – Dream Lover

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Steve Strip e Puro Instinct: “Astral Projection”

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Headbangers In Ecstacy, o primeiro álbum das irmãs Piper e Skylar Kaplan do Puro Instinct foi sem dúvidas uma das estreias mais estranhas e encantadoras do último ano. Seguindo as orientações dadas por Ariel Pink no excelente Before Today, a dupla californiana trouxe um adorável catálogo de faixas enevoadas, vozes desengonçadas e guitarras que flutuam por toda a parte. Se ao menos por enquanto a dupla parece não dar sinais de que um novo registro está por vir, a parceria com o experimental Steve Strip revela uma nova e talvez antes imperceptível face das irmãs: a de brincar brilhantemente com a música pop. Com pouco mais de três minutos, o vídeo de Astral Projection não apenas revive as experiências do primeiro álbum da dupla, como entrega toda uma carga de novas possibilidades.

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Puro Instinct: “Stilyagi”

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Pop psicodélico cantado em russo, uma mistura demasiada excêntrica para você? Pois saiba que é exatamente isso que a dupla de irmãs Piper e Skylar Kaplan vêm desenvolvendo há alguns meses através de sua banda, a Puro Instinct. Donas de um dos melhores discos do ano – Headbangers in Ecstasy lançado no começo do ano -, as californianas trazem agora seu novo clipe, que para resultar em algo ainda mais estranho conta com a presença de ninguém menos do que Ariel Pink. Cantada em idioma russo, Stilyagi conta com um vasto apanhado de imagens sobrepostas e um clima psicodélico que combina bem com o som da dupla.

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Disco: “Headbangers In Ecstacy “, Puro Instinct

Puro Instinct
Dream Pop/Lo-Fi/Female Vocalists
http://www.myspace.com/puroinstinct

Por: Cleber Facchi

Depois do pop praieiro da dupla Tennis, da esquisitice claustrofóbica de Lady Lazarus com seu debut Mantic e da gritaria adolescente no primeiro disco do Cloud Nothings, chega a vez das irmãs Piper e Skylar Kaplan brilharem com seu álbum de estreia: Headbangers In Ecstacy (2011). Uma bela coletânea de canções pop sujas e embaladas pelos vocais pudicos das duas garotas que juntas atuam sobre o nome de Puro Instinct.

Autodidatas, as duas irmãs vindas da cidade de Los Angeles na Califórnia brincam com composições divertidas cantadas em inglês e em russo (!). Enquanto Piper completou há pouco os vinte anos de idade, a irmã Skylar acaba de alcançar os quinze. Contudo, idade não é fator de julgamento para o ótimo álbum das duas. Até 2009 o projeto familiar era chamado de Pearl Harbor, nome que foi abandonado após o lançamento do segundo EP da dupla. Sejamos sinceros: Puro Instinct traduz com muito mais propriedade o som proposto pelas californianas.

As faixas são embaladas por uma instrumentação lo-fi que vai dando as bases para a construção de ótimas pérolas da música pop. Some boas doses de teclados que se sobrepõem em inúmeras camadas de som, alguns arranjos de sopro, guitarras moderadas com um pé na psicodelia e pronto, você tem a sonoridade da dupla entregue.

Quem achar o álbum parecido com o que foi lançado pelo Ariel Pink no decorrer de sua discografia não está nem um pouco errado. O próprio Pink faz uma participação mais do que interessante na faixa Stilyagi, o primeiro single do disco. Headbangers In Ecstacy tem de fato muita coisa sugada de Before Today, trabalho lançado pelo Ariel Pink’s Haunted Graffiti em 2010. Porém, toda a carga nostálgica e referencial encontrada dentro de cada pequena composição do álbum vem reproduzida em menor escala na estreia do Puro Instinct.

No Mames é o momento em que o pop psicodélico da dupla Kaplan encontra seu melhor momento. Guitarras new wave desengonçadas e irritantes vão acompanhando os vocais em coro das duas garotas, o que acaba criando uma composição estranha e ainda assim acessível. Toda essa profusão de sons se intensifica nos minutos finais da faixa, quando um solo de guitarras e teclados se entrelaça em uma massa sonora de pura esquizofrenia pop. Seguindo a modinha de bandas californianas influenciadas pela surf music o duo entrega Vapor Girls. Repleta de vocais quase etéreos e pequenos acréscimos de delicadeza a composição mostra que ainda é possível trazer algo novo para dentro de uma temática tão em batida nos últimos meses.

Headbangers In Ecstacy é ainda entrecortado pela inclusão de pequenas vinhetas, que dão um caráter de programa de rádio obscuro ao disco. Embora sejam as irmãs Kaplan que tomam conta do álbum, as garotas contam com a participação de Cody Porter, Jessie Clavin, Mike Baum e Crazy Murray tanto na gravação das faixas como nas apresentações ao vivo. Mesmo sendo possível comparar a estreia do Puro Instinct com um número grandioso de outros lançamentos, nada ali soa artificial. Piper e Skylar Kaplan acreditam no seu instinto e fazem uma das melhores estreias até agora já lançadas.

Headbangers In Ecstacy (2011)

Nota: 7.9
Para quem gosta de: Ariel Pink’s Haunted Grafitti, Tennis e Lady Lazarus
Ouça: No Mames


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