Queens Of The Stone Age
Rock/Stoner Rock/Alternative
http://www.likeclockwork.tv/
Por: Gustavo Sumares

São poucas as bandas de rock atualmente que mantém viva a tradição das guitarras barulhentas e pesadamente distorcidas, e o Queens Of The Stone Age talvez seja o melhor exemplo disso. Ao longo de toda a carreira do grupo, Josh Homme nunca abriu mão de riffs intensos e volumes altos, honrando seu passado metaleiro com o Kyuss. Ainda assim, os álbuns da banda costumavam incluir uma ou outra canção mais pop, como a Make It With Chu (de Era Vulgaris) e I Never Came (em Lullabies to Paralyze), que destoavam um pouco do resto. Em …Like Clockwork (2013, Matador), sexto disco do grupo, essas tendências pop estão mais diluídas. Nenhuma das canções dá a impressão de ser propositalmente mais acessível e, ainda assim, o disco é o mais imediatamente recomendável da banda.
Isso não significa que Homme e companhia tenham caído de vez no estilo do rádio. Keep Your Eyes Peeled, por exemplo, que abre o disco, já deixa claro que o peso da distorção ainda é essencial no som do conjunto, através de um riff lento tocado numa guitarra afinada bem mais grave que o normal. Mas a maioria das faixas, como a divertida I Sat By The Ocean e Fairweather Friends (que conta com ninguém menos que Sir Elton John no piano), são diretas, objetivas, e têm refrões memoráveis. Ainda assim, são as belas linhas de guitarra que dominam as canções, e a bateria de mão pesada do Dave Grohl ajuda a eliminar qualquer dúvida de que o QOTSA ainda é, antes de mais nada, uma banda de rock.
Essa capacidade que a banda apresenta de unir traços de música pop ao seu estilo pesado já é por si só impressionante. Mas, além disso, o álbum tem também uma enorme amplitude de volumes e andamentos. The Vampyre Of Time And Memory, a terceira faixa, é talvez a mais silenciosa e reflexiva da carreira da banda, uma balada bonita conduzida pelo piano até que, ao final, um belo solo de guitarra a eleva a outro nível. A seguinte, If I Had a Tail, já traz de volta os ritmos bem marcados e as guitarras barulhentas mais características do grupo. Com isso, o disco oferece uma grande diversidade entre as músicas, deixando o ouvinte ansioso pra saber como será a próxima faixa.
Como se isso não fosse suficiente, porém, Homme também consegue incluir, em várias das canções surpresas entalhadas pela criatividade. É o caso dos instrumentos de percussão que aparecem ao longo da maravilhosa tijolada na orelha My God Is The Sun, e que ajudam a dar a ela um clima meio western bem adequado ao deserto e ao sol evocados pela letra. É o caso também dos enquadramentos delicados que pontuam as partes mais silenciosas da Kalopsia – e do ruidoso feedback que marca a transição entre as partes, que pega o ouvinte completamente despreparado. A guitarra slide que entra no final de I Appear Missing também se encaixa nessa categoria de surpresas espalhadas pela obra, e torna a faixa ainda mais impressionante: com seis minutos de duração e um ritmo lento e arrastado, a canção consegue se manter interessante mesmo sem mudar sua harmonia, graças ao grande número de condimentos sonoros que a banda inclui. Continuar lendo








