Marcado com Mils Crianças

Disco: “Mils Crianças”, Hurtmold

Hurtmold
Brazilian/Post-Rock/Instrumental
https://www.facebook.com/pages/Hurtmold/

Por: Sylvia Tamie

Hurtmold

Cinco anos depois do primeiro álbum puramente instrumental, o Hurtmold resolveu bagunçar todas as listas de melhores discos do ano lançando agora em dezembro o esperado Mils Crianças (2012, Submarine). Em um ano particularmente bom para a música instrumental brasileira – Macaco Bong, Elma foram alguns dos que lançaram discos por aqui -, esse não deixa de ser um trabalho empolgante, cuidadosamente elaborado e coeso nos seus elementos rítmicos e sonoros, proposta que agrada e ao mesmo tempo surpreende os ouvintes do álbum anterior.

Como o registro de 2007, Mils Crianças tem como linha condutora o uso da percussão em suas várias possibilidades: da bateria que pontua o tema math-rock de Beli a instrumentos como o agogô e o caxixi, que marcam o início e a finalização de Tomele Tomele, passando pelo vibrafone, que contribui para suavizar certos momentos como SNP e a acrescentar elementos novos em outros, como em Hervi. Em torno desta linha, os demais instrumentos vão acrescentando elementos novos e dialogando através de sons precisamente encaixados, em que se percebe a preocupação maior com o desenho cuidadoso do conjunto do que com o vôo individual da improvisação. Encaminhamento que tenciona o álbum inteiro a se desenvolver quase como uma faixa única, num caminho sonoro claro do início até o fim.

Os temas deste disco parecem menos densos e fechados em si mesmos, mais suaves e acessíveis ao ouvinte. Ao contrário do que se tem afirmado, não se trata de um disco com canções mais fáceis, nem que se aproximam da música pop, mas de canções com ideias muito mais claras, que precisam de caminhos menos tortuosos para se exprimirem. Dessa forma, os músicos tem a possibilidade de mudar de direção sem perder o rumo – o que acontece em várias faixas, a começar pela primeira, Naca – e transitar por vários estilos, do dub de Tomele Tomele ao hard-rock de Pigarro, em uma trama bem urdida em que os músicos se alternam e se encontram constantemente.

Em comparação ainda mais distante com os primeiros álbuns, em que havia ainda a presença de vocais, o grupo parece se afastar radicalmente de qualquer necessidade de expressão verbal. A formatação essencialmente abstrata contribui para que o coletivo apresente um disco inteiro em que, desde o próprio disco às faixas, nenhum título parece ter um significado definido, atraindo apenas pela sonoridade ou limitando-se a iniciais – como se os músicos se expressassem ainda mais puramente através do som. Continuar lendo

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Hurtmold: “Chavera”

Hurtmold

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Quatro anos e muitos projetos paralelos depois, a Hurtmold está de volta com novo disco. Intitulado Mils Crianças, o novo registro em estúdio do coletivo paulistano deve manter a mesma proposta instrumental do registro anterior, o autointitulado disco de 2008 que praticamente reapresentou a banda para um novo mundo de ouvintes. Chavera, primeira canção a ser apresentada do novo disco traz um complemento sonoro que por vezes distancia o grupo da proposta original: a música pop. Talvez pelos xilofones e a composição doce, a faixa se relaciona diretamente com as colaborações com Marcelo Camelo, músico que utilizou da banda para construir a sonoridade dos dois últimos discos. Com previsão de lançamento para o dia 15 de dezembro – com show no SESC Pompeia em São Paulo, o disco deve alterar inevitavelmente algumas das listas de melhores do ano. Para ouvir a faixa, clique na imagem:

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Hurtmold

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