Depois da boa repercussão em torno de Settle(2013), trabalho de estreia da dupla Disclosure, espere por uma nova onda de artistas capazes de brincar com a mesma sonoridade nostálgica e repleta de frescor que fornece sustento ao trabalho do duo inglês. Recomendado recentemente pelos próprios irmãos Lawrance, o britânico Dornik Leigh parece o principal candidato a este posto. Brincando com o mesmo R&B envolvente que circula pelo trabalho de Miguel, mas sem se distanciar da camada sintética que ocupa a eletrônica inglesa recente, o músico apresenta ao público a comportada e naturalmente sexy Something About You, primeiro single da carreira. São quase quatro minutos de vocais em falsete e batidas que parecem preparar o território para o sexo.
Originalmente lançada no último ano como parte de True EP(2012) – melhor trabalho de Solange Knowles até agora -, Look Good with Trouble ganha um tempero extra em nova versão. Além do R&B suavizado que se derrama pela versão original da faixa, quem aparece para colaborar com a cantora é Kendrick Lamar. Seguindo o mesmo propósito que o testado em How Many Drinks?, parceria com Miguel, a canção se esparrama em um composto melancólico, inicialmente tramado nos versos dolorosos de Solange e posteriormente seguidos nas rimas comportadas de Lamar. Ao que tudo indica a irmã de Beyoncé deve apresentar até o fim de 2013 o aguardado terceiro registro em estúdio, seguindo (ou não) o acabamento testado no último EP.
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Solange – Look Good with Trouble (Ft. Kendrick Lamar)
Ao que tudo indica, Kaleidoscope Dream (2012) foi apenas a primeira parte do plano que deve transformar Miguel em um dos nomes de maior destaque da cena recente. Depois da nova versão de How Many Drinks?(agora uma parceria com Kendrick Lamar), chega a vez do clipe em parceria com Mariah Carrey ser apresentado ao público. Intitulada #Beautiful, a canção originalmente lançada no começo da semana traz na simplicidade a proposta para abastecer as imagens do trabalho. Filmado em dois diferentes cenários, o trabalho até ecoa vergonha alheia em algumas cenas do casal andando de moto. O que salva é realmente a ótima música.
Enquanto o R&B reassume posições graças ao trabalho de Miguel, Frank Ocean e uma centena de novos artistas, no Brasil o gênero ainda caminha a passos lentos. Na contramão do que torna acinzentado o Rap nacional, Terra Preta dá continuidade aos mesmos sons testados no excelente Homem Figa Vol.1 – 10º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012. Recém-lançada, Disposição abre espaço para a chegada da Mixtape Milionário Em Treinamento Vol. 2, próximo trabalho do rapper que ainda conta com um clipe agendado para a próxima semana. Quem desconhece o trabalho do rapper, encontra toda a discografia para download na página do artista.
Ainda que Andre 3000 e Big Boi jamais sejam capazes de regressar ao cenário colorido de Aquemini (1998), Stankonia(2000) e outros registros que marcaram a fase mais inventiva do Outkast, uma centena de artistas recentes se provam aptos para assumir o mesmo espaço e sonoridade. Trilhando um percurso maduro e de nítido apelo pop, Chance The Rapper faz da nova mixtape uma manifestação sublime do que construiu a carreira da dupla e consequentemente o Rap estadunidense na última década. Um catálogo de colagens e apropriações particulares do que gigantes do gênero alcançaram previamente, porém em um plano de completo descompromisso e novas aproximações com o público.
Na contramão do que aprofunda com sobriedade a obra de Kendrick Lamar, além de encarar o R&B de Miguel e Frank Ocean sem as mesmas lamentações, Chance faz da presente Acid Rap (2013, Independente) um trabalho que borbulha criativo nos ouvidos. Conjunto bem estabelecido de composições que passeiam de forma semi-convencional pelo rap, soul ou mesmo pela música pop, o rapper cria no distanciamento de padrões o ambiente exato para a formatação de um trabalho que parece tentado a brincar com a nostalgia. É como se ao encontrar sustento em referências esquecidas de Kanye West (em começo de carreira), ou na própria obra do Outkast, o rapper firmasse um som de propriedades únicas.
Como o título e a própria capa do registro logo apontam, a nova mixtape de Chancelor Bennett brinca com faixas de apelo lisérgico e pequenas doses de nonsense. Distante do propósito obscuro de good kid, m.A.A.d city, R.A.P. Music e outros registros de peso que sustentaram a produção no último ano, o trabalho percorre um fluxo colorido, proporcionando no uso melódico das rimas e sons pegajosos um respiro ao que reverbera na música recente. Todavia, ao mesmo tempo em que deixa crescer uma obra que se entrega ao pop sem preconceitos, Chance parece longe dos mesmos exageros de Wiz Khalifa e outros conterrâneos, afinal, o pop que circula pela obra é um mero complemento ou princípio, nunca o todo.
Acompanhado por Action Bronson, Childish Gambino, Ab-Soul e outros figurões de distintos campos do novo rap estadunidense, Chance faz do enquadramento versátil um ponto de identidade para a obra. Dividido constantemente entre a seriedade das rimas e o apelo cênico, o artista acaba transformando Acid Rap em uma obra tão ampla, que classificá-la em uma primeira audição é um exercício quase impossível de ser concretizado. Ao fragmentar o registro em gêneros ou blocos específicos de som, o rapper parece confortável em lidar com o “romantismo” (na pacata Lost) da mesma forma que brinca sem pudor com a temática das drogas (como em Smoke Again). Uma leveza natural que praticamente substitui o ambiente cinza criado por A$ap Rocky em Long.Live.A$AP. Continuar lendo →
Miguel é o novo queridinho da música norte-americana. Capa de uma centena de revistas e outras publicações, o cantor continua acumulando elogios por conta do bem sucedido Kaleidoscope Dream (2012). Segundo registro em estúdio do músico, o álbum vai além do próprio limite, tanto que para a construção de #Beautiful, parceria entre Mariah Carey e Miguel o destaque não fica por conta dela, mas dos vocais dele, que abrem e preenchem a composição. Com direito ao uso de vocais descomunais e um passeio descompromissado pela música pop, a canção parece ser o primeiro passo de uma série de colaborações que devem acontecer entre o músico e outros representantes do R&B estadunidense.
Kendrick Lamar e Miguel são os grandes nomes da música negra atual. Ao lado de Frank Ocean e um time cada vez maior de mulheres, os dois artistas assumem a dianteira no resgate de sons e referências típicas do soul, rap e R&B da década de 1990, eixo que conduz as recentes obras da dupla. Originalmente assumida aos comandos solitários de Miguel, How Many Drinks? (peça importante do álbum Kaleidoscope Dream, 2012) aparece agora reconfigurada, trazendo em uma rápida passagem de Lamar um complemento essencial. Não por acaso foi justamente a nova versão a escolhida para se transformar no mais novo clipe do cantor, revelando um aspecto ainda mais doloroso do que a versão original.
Desde a estreia com o primeiro EP no último ano, S O H N tem dado vida a experimentos cada vez mais suntuosos dentro do R&B. Utilizando dos vocais como a principal ferramenta para encantar o ouvinte, o produtor austríaco encontra uma incorporação particular aos mesmos sons que circulam pela obra de Miguel e, principalmente, daquilo que Tom Krell (How To Dress Well) vem desenvolvendo. São canções climáticas que lentamente mergulham em um lado de experiências sintéticas, feito que naturalmente transforma Bloodflows, novo single do produtor, em mais um grande invento. Inicialmente entregue ao clima hermético dos primeiros singles, a faixa explode em passagens eletrônicas, trazendo no vídeo assinado pelo italiano Christian Pitschl um complemento para os sons assinados pelo músico.
O que acontece quando você une os responsáveis por alguns dos melhores discos de 2012? Ouça How Many Drinks? e tire a própria conclusão. Parte fundamental (e dolorosa) daquilo que o cantor Miguel construiu em Kaleidoscope Dream, a canção conta com o acréscimo fundamental do cada vez mais requisitado Kendrick Lamar, autor do excelente Good Kid, M.A.A.D City, um dos trabalhos mais importantes do último ano. Enquanto o primeiro trata de aprimorar a relação com o R&B, o segundo derrama certa dose de sobriedade, servindo como um contraponto para os vocais sofridos do colaborador. A parceria vem em tempo de celebrar a presença da dupla na capa da revista Vibe, especializada em R&B e Hip-Hop. A dupla também faz parte da nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012.
O lançamento de Coexist(2012), segundo registro em estúdio do The XX pareceu dividir os seguidores do trio inglês. De um lado, àqueles que conseguiram entender a necessidade da banda e buscar pela novidade – ainda que irregular no resultado final do disco. No outro oposto, os saudosistas, público que parecia encontrar em cada ruído sintético ou tendência ao Dream Pop uma barreira para aceitar a nova proposta da banda. Talvez a medida de calmaria, erotismo e melancolia que os velhos ouvintes estavam em busca tenha se escondido no recém-lançado primeiro disco do grupo californiano Rhye, Woman (2013, Republic/Innovative Leisure). Continuação menos tímida do que a banda inglesa conquistou com XXem 2009, o disco trata do mesmo minimalismo assumido pela tríade além-mar, substituindo o medo e a dor por certa dose de malícia.
Espécie de Portishead sem roupas, o disco se ausenta das batidas eletrônicas de Geoff Barrow para manter apenas os vocais (em uma versão jovial) de Beth Gibbons e as guitarras sedutoras de Adrian Utley. De implicações quase eróticas, Woman é a trilha-sonora para um jantar à luz de velas que inevitavelmente terá seu desfecho na cama. Se por um lado as letras de forte incorporação sombria tendem ao clima sorumbático, por outro lado o ritmo envolvente cultivado por guitarras suaves, vozes e teclados empurram o projeto para um outro direcionamento. O mesmo tipo de estrutura que marca que marca grandes obras do R&B/Soul. De Marvin Gaye à Sade, passando por toda a nova safra de representantes do mesmo gênero, a dor para o Rhye também conta com um fundinho de prazer.
Contrário a outros trabalhos de composição volumosa, o recente álbum é um registro que foge dos excessos cotidianos e carece de tempo até ser inteiramente absorvido. É necessário entrega para mergulhar no erotismo em preto e branco que a banda esculpe lentamente com o passar da obra, marca que possibilita o aflorar do jazz em One of Those Summer Days e até é capaz de brincar com o synthpop e a Disco Music de forma renovada nos instantes que marcam a adorável 3 Days. Uma variedade de sons e diferentes marcas sonoras que se fossem corrompidos pelo clima épico resultariam na mesma temática de Devotion, estreia de Jessie Ware, ou se caíssem nos abusos químicos poderiam facilmente dar vida ao primeiro álbum do Hercules and Love Affair. Tudo é questão de controle.
Acomodado confortavelmente em uma cama de sonorizações brandas, o álbum até consegue se passar por um registro de razões minimalistas aos ouvidos despreparados, porém, está longe de representar apenas isso. O disco é apenas um trabalho comportado, recheado por arranjos de alcance amplo, mas que se mantém dentro de uma atmosfera doce, quase silenciosa. Exemplar mais coeso de todo esse resultado, Open se movimenta dentro de um jogo de soluções musicais que até parecem voltadas à grandiosidade dos atos (vide os arranjos de cordas ao fundo da canção), mas em poucos instantes declina e volta ao formato original de plena timidez. Continuar lendo →