Thee Oh Sees
Garage Rock/Lo-Fi/Psychedelic
http://www.theeohsees.com/
Por: Cleber Facchi

Ainda que determinados grupos rompam com essa lógica, a música californiana parece caracterizada pela atuação criativa de indivíduos, e não de coletivos. Propósito que Ty Segall, Tim Presley (White Fence) e John Dwyer (Thee Oh Sees) vêm desenvolvendo em uma das sequências mais produtivas da história recente do rock norte-americano. Responsáveis por projetos de nítida aproximação, a tríade promove desde o final da década passada uma sucessão de obras que brincam com a psicodelia dentro de uma embalagem que passeia pelo Garage Rock de forma descompromissada e caseira. São registros de pequenas experiências lisérgicas capazes de dançar pela mente insana de cada um de seus representantes.
Mais recente lançamento de Dwyer pelo Thee Oh Sees, Floating Coffin (2013, Castle Face) usa de elementos bastante característicos para exaltar o que há mais de uma década orienta as produções do músico de São Francisco, Califórnia. Canções capazes de trilhar pela sonoridade praiana da década de 1960, encontrar elementos do rock clássico dos anos 1970, as cores da psicodelia, a aceleração do punk, até alcançar o clima raivoso (ainda que bem humorado) do rock de garagem para resultar em uma massa de sons camuflados pelo toque sempre caseiro dos ruídos.
Colagens absorvidas pela capacidade do músico em produzir um som que mesmo referencial, encontra na maturidade pop das letras um rumo distinto. Enquanto Segall, Presley e outros representantes da cena californiana parecem tratar de cada álbum como uma representação dos próprios surtos, exageros psicóticos e pequenas esquizofrenias de forma particular, Dwyer consegue ir além, firmando identidade com o ouvinte. Mesmo que as composições do norte-americano permaneçam dentro de um mesmo cenário de exageros, a maneira como o artista trata disso com melodias de forte proposta vendável e guitarras que brincam com entalhes acessíveis impulsionam o álbum para um novo propósito.
Contradizendo a estética cinza e os sons quase amargos do álbum anterior, Putrifiers II (2012), ao alcançar o novo disco do Thee Oh Sees, Dwyer restabelece a sequência que havia iniciado há dois anos. Sustentado pelas mesmas experiências instrumentais que abasteceram cada espaço de Castlemania e Carrion Crawler/The Dream, ambos registros de 2011, o presente disco traz no uso orquestrados das guitarras um exercício de estimulo para manter o ouvinte atento durante toda a obra. Seja pelo uso de sons mais sérios (Night Crawler) ao uso de canções que brincam com a psicodelia em moldes “convencionais” (Strawberries One & Two), a maquinação das distorções e ruídos flui como a linha guia de todo o trabalho. Continuar lendo









