Arquivos da Tag: Justice

Wannabe Jalva: “So Long, 2012″

So Long, 2012

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Uma das bandas mais legais do rock gaúcho atual, a Wannabe Jalva, resolveu aparecer com material novo. Ou quase isso. Trata-se de So Long, 2012, um single especial de fim de ano e um registro curto de duas faixas que conta com a já conhecida Full Of Grace, do álbum de estreia da banda, Welcome To Jalva, além de um curioso “Mashup”. Unindo nada mais e nada menos do que On’n'On da dupla Justice com Kashmir do Led Zepellin, a “nova” faixa da banda (divertidíssima por sinal) funciona tanto dentro como fora das pistas, resultado muito similar ao que encontramos no debut do grupo gaúcho. Para ouvir/baixas as músicas, basta clicar no coelho:

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Wannabe Jalva

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Wannabe Jalva – Full Of Grace

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Disco: “By Your Side”, Breakbot

Breakbot
Electronic/Dance/Disco
https://www.facebook.com/breakbot

Por: Cleber Facchi

Há quem insista em apontar as referências construídas ao longo da década de 1980 como de suma importância para a produção musical recente. Prefiro acreditar que os anos 1970 são muito mais relevantes. Do ápice do rock clássico, passando pelo Glam Rock aos realces magistrais do rock progressivo; dos primórdios da cena eletrônica até esbarrar na explosão do movimento punk, incontáveis são os acertos e desdobramentos que a música encontrou ao longo de toda a riquíssima década. Fanático pela produção estabelecida no período, o produtor francês Thibaut Berland encontra na Disco Music – talvez o movimento de maior alcance popular do período – o combustível necessário para movimentar e definir como dançante cada pequena exaltação dentro do projeto Breakbot.

Criada em meados de 2007 e logo seguida de um bem planejado primeiro EP – Happy Rabbit -, a banda de um homem só encontra no baixo pegajoso, vozes repletas de falsetes e guitarras que pendem para a dança um universo de possibilidades que acoplados à música eletrônica crescem visivelmente. Sem o compromisso de revolucionar ou estabelecer rupturas dentro da produção musical presente, Berland transforma o (aguardadíssimo) primeiro disco em um álbum recheado por nuances criativas, vozes que grudam mais do que chiclete e todo um assertivo corpo instrumental de acabamento invejável. Prepare a calça boca de sino, o brilho, ensaie bem os passos e não se esqueça de ouvir By Your Side (2012, Ed Banger).

Bastam os primeiros segundos da instrumental faixa de abertura para que um mundo de sonorizações ecoe cativante e colorida. Jacksons 5, Bee Gees, Donna Summer, ABBA e até John Travolta em sua icônica participação no clássico Os Embalos de Sábado à Noite surgem em nossa mente.  Berland, entretanto está longe de simplesmente brincar com a nostalgia do período como tantos outros já fizeram com o passar das décadas: o produtor encontra de forma quase milagrosa uma fina linha de novidade. Talvez pela maior aproximação com a eletrônica e até algumas passagens pelo que foi construído ao longo dos anos 1980, há na estrutura que conceitua o projeto um expressivo toque de novo.

Por mais que os créditos se voltem naturalmente ao bem elaborado trabalho do produtor – que provavelmente conseguiria resgatar a carreira de Michael Jackson se este ainda fosse vivo -, muito do que embeleza o bem arquitetado álbum vem das vozes e colaborações essenciais que o acompanham. Da faixa título ao primeiro grande single do francês, Baby I’m Yours, tudo cresce pela presença de colaboradores como Pacific!, Rickazoid e Irfane, artistas que impedem Berland de se fechar em um reduto essencialmente instrumental – ainda que curioso em músicas como Programme. By Your Side como grandes obras lançadas ao longo da década de 1970 é um registro que prima pela colaboração. Continuar lendo

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Justice: “New Land”

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New Land pode até não ser uma das melhores faixas que o Justice lançou até hoje, mas em se tratando do clipe montado para música, está facilmente entre os maiores. Mostrando o que parece ser uma mega competição futurística que integra diversos esportes dentro de um só – como futebol americano, motocross, rugby e Baseball – , o clipe traz um jogo acirrado entre duas equipes rivais. Com um visual que por vezes lembra os filmes dos anos 80, o vídeo traz desde manobras radicais a jogadores mortos, estabelecendo todo um clima de tensão. A faixa faz parte do último disco da dupla francesa, Audio Video Disco, de 2011.

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Sónar São Paulo 2012

Por: Cleber Facchi e Fernanda Blammer

Em sua terceira edição no Brasil, o Sónar mostra que tem tudo para se transformar em um tradicional evento no cada vez mais forte calendário de shows nacional. Com um foco na sonoridade eletrônica e investindo em artistas mais experimentais, o evento realizado entre os dias 11 e 12 de maio trouxe uma série de importantes nomes da música nacional e internacional, como Kraftwerk, Justice e Mogwai. Com uma estrutura bem explorada no Parque Anhembi, São Paulo, o evento conseguiu aliar boa música com uma organização acima da média. Com exceção da demora na retirada dos ingressos no primeiro dia – teve quem ficou mais de duas horas na desorganizada fila – e alguns problemas de som no palco SonarHall, o festival manteve um resultado linear e que deve se repetir pelos próximos anos. Veja como foi a apresentação de alguns artistas durante os dois dias do evento:

______________________________________1º dia (11/05)

Kraftwerk

Principal atração do primeiro dia do evento, a banda germânica Kraftwerk não decepcionou nem um pouco quem veio especialmente para prestigiar os veteranos da música eletrônica. Com um espetáculo focado na Turnê 3D que a banda vem promovendo ao redor do mundo, clássicos como The Man Machine, Tour de France e Die Roboter contaram com um novo acabamento, efeito que se multiplicava através das lentes dos óculos especiais distribuídos na entrada do evento. Menos inclinados a promover um show introspectivo e redundante – como fora a passagem pelo Brasil em 2009, ao lado do Radiohead -, o experiente Ralf Hütter e os colegas de banda souberam captar a proposta do evento, investindo em composições mais dançantes e convidativas ao grande público que se amontoava para a apresentação. Mesmo com um espetáculo entusiasmado, à medida que o show foi se aproximando do final o resultado decresceu visivelmente, com algumas canções soando mornas demais.

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DOOM

Salvo parcos espectadores, ninguém conhecia uma letra sequer do excêntrico rapper Daniel Dumile, ou como gosta de se apresentar, DOOM – entre muitas outras variações do mesmo nome. O raso conhecimento do público, entretanto, não impediu que a apresentação fosse intensa do princípio ao fim. Incandescida e participativa, a plateia foi à loucura com a metralhadora de versos disparadas pelo britânico e os parceiros de palco, que sempre protegidos por suas máscaras trataram de falar sobre sexo, mulheres e drogas, muitas drogas. Com um repertório focado em diversas passagens da carreira do rapper, o show seguiu de maneira firme, garantindo um espetáculo dançante e sempre intenso. Figura lendária do hip-hop underground, o rapper naturalizado estadunidense comandou durante quase cinquenta minutos o publico que se acomodava no espaço encarpetado do SonarVillage, provavelmente o melhor dos três palcos montados para o evento. Logo, a apresentação de DOOM não poderia ter sido mais coerente para o local.

Criolo

Poucos são os artistas nacionais capazes de promover um espetáculo musical tão grandioso, dinâmico e intenso quanto Criolo. Competindo com Kraftwerk e DOOM pela atenção do público, o rapper paulistano conseguiu lotar boa parte do SonarHall naquela que pode ser considerada uma das melhores performances do artista até hoje. Com um grupo grandioso de seguidores entusiasmado – e cantando todas as letras das músicas -, Criolo entregou parte do contagiante repertório do álbum Nó na Orelha (2011), além de faixas mais antigas e até uma versão de Cálice de Chico Buarque. Com uma banda competente e ensaiadíssma, o rapper não ficou devendo em nada, lançando uma apresentação que conseguiu bater de frente com outros artistas estrangeiros.

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Little Dragon

Com um público participativo – muitos vieram só para assistir a apresentação da banda – a primeira apresentação do Little Dragon em solo brasileiro decepcionou. O problema não estava na performance encantadora de Yukimi Nagano ou dos parceiros suecos que estampavam um sorriso na cara, mas no som do ambiente. A acústica do SonarHall pareceu não compactuar com as batidas ruidosas ou mesmo os teclados sempre ambientais que o grupo utiliza para promover o show. Por vezes a voz da cantora era inaudível, mascarada por doses de uma poeira acústica que apenas empobreciam a apresentação. Com músicas vindas dos três discos, o destaque ficou por conta de faixas retiradas do mais recente álbum da banda, Ritual Union (2011), em que canções como Shuffle a Dream e Nightlight contaram com um esforçado e melhorado enquadramento ao vivo. Tinham tudo para fazer um bom show, pena que não foi assim.

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DJ Zegon & Sonidos Unidos Sound System

Planejada como uma simples passagem entre a apresentação do rapper DOOM e o brasileiro Emicida, a performance do produtor brasileiro DJ Zagon (ex-Planet Hemp e atual N.A.S.A.) não apenas surpreendeu quem passava pelo espaço encarpetado do SonarVillage como botou todos que ali estavam para dançar. Primeira apresentação do projeto Sonidos Unidos Sound System – que visa agregar diversos Djs e demais colaboradores em uma única apresentação -, o show de quase uma hora de duração se destacou pela variedade de ritmos, passeando tanto por elementos vindos da música eletrônica norte-americana e europeia, como toques tipicamente brasileiros. Recheado de pequenas participações, o destaque ficou por conta da música de encerramento, ao lado do rapper paulistano Rashid, que como próprio Zegon avisou é “um dos MCs de São Paulo que mais admiro”.

Emicida

Emicida subiu ao palco com relativo atraso e cara de poucos amigos. A apresentação inicialmente fria foi se transformando com o passar das faixas, que ao alcançar a poderosa e gestual Dedo Na Ferida – “essa música é para aqueles pilantras de Brasília” – se mostrou como o ponto máximo de toda a apresentação. Entre faixas como E.M.I.C.I.D.A (Adoooro), Rua Augusta e outros sucessos, o rapper aproveitou o espaço para mais uma vez reviver Quero Te Encontrar de Claudinho e Buchecha, música que teve os versos cantados à plenos pulmões por todos os presentes. Rápida e sem grandes novidades, a passagem do paulistano pelo festival poderia ter sido muito ser melhor aproveitada, algo que ele já conseguiu demonstrar em outras ocasiões.

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Chromeo

Previsível, porém impactante. Assim foi a apresentação da dupla canadense Chromeo, que ao entregar apenas composições conhecidas do grande público fez um dos melhores shows da noite. Enquanto David Macklovitch (ou Dave 1) entregava riffs assertivos, quentes e ruidosos com sua guitarra, o parceiro Patrick Gemayel (P-Thugg) explorou todas as batidas e complementos que fizeram músicas como Fancy Footwork e Night By Night alguns dos pontos de destaque da bem sucedida apresentação. Sem concorrência, o duo conseguiu ocupar grande parte do amplo espaço do SonarClub, principal palco de evento. Bem humorados e entregando exatamente aquilo que o público queria, não houve quem não dançou ao som poderoso e quase ininterrupto da intensa performance.

Austra

Responsáveis por uma das melhores apresentações do primeiro dia do evento, a banda canadense mostrou ser muito maior do que aparenta em estúdio. Com um repertório inteiramente construído em cima do álbum Feel It Break de 2011, os norte-americanos encabeçados pela ótima Katie Stelmanis – com um vozeirão magistral – conseguiram não apenas cativar o pequeno público de seguidores, como hipnotizar os ouvintes que ali passavam com o misto de pós-punk, eletrônica e Dream Pop. Em alguns momentos o tom “místico” do show acabou lembrando a performance do Gang Gang Dance no Planeta Terra passado. Com o som corrigido em relação a anterior apresentação no mesmo palco, o grupo também composto por Maya Postepski e Dorian Wolf contou com uma ótima dupla de apoios vocais, alcançando um resultado ora essencialmente pop, ora encantadoramente etéreo. Mesmo quem desconhecia as letras da banda não tardou a se misturar a pequena massa na frente do palco, que dançava de acordo com os experimentos vocais de Stelmanis e seus parceiros.

Gui Boratto

Última atração do primeiro dia do evento, Gui Boratto comandou o imenso público que ainda se aglomerava no palco principal à seu favor. Sem concorrentes e fazendo uso de uma sonoridade essencialmente ambiental, o paulistano mostrou por que é ainda hoje um dos principais nomes da eletrônica mundial. Com músicas retiradas dos três registros de estúdio – Chromophobia (2007), Take My Breath Away (2009) e III (2011) –, o produtor tratou de converter as batidas minimalistas e mínimos ruídos eletrônicos em mecanismos para movimentar de forma grandiosa toda a apresentação, que mesmo sem grandes transformações ou momentos de grande destaque tratou de cativar quem ainda estava por lá.

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______________________________________2º dia (12/05)

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Psilosamples

Com mais de uma hora e meia de atraso, Zé Rolê, o responsável pelo Psilosamples já estava posicionado no palco e tocando quando as portas do SonarHall foram abertas. Por conta da sonoridade minimalista e delicada, somado ao fato da inexistente iluminação do palco, durante os primeiros minutos a apresentação do produtor mineiro passou praticamente despercebida. Foi só quando ele se apresentou – lá pela segunda ou terceira música – que o público finalmente se deu conta do que se tratava e timidamente entrou na dança. Misturando referências eletrônicas com doses de regionalismos nacionais, o artista fez uma performance inicialmente tímida, só entusiasmando de fato nos instantes finais. Com o tempo apertado, o produtor pouco conseguiu apresentar do recente Mental Surf, trabalho que apareceu fragmentado no decorrer de toda a curta apresentação.

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Gang do Eletro

Não há como resumir a apresentação da banda paraense Gang do Eletro com outra expressão se não surpresa. Sem qualquer anúncio quatro figuras coloridas com tintas fluorescentes subiram ao palco do espaço praticamente vazio do SonarVillage. A ausência de público, entretanto, foi passageira, visto que em poucos minutos o ambiente foi tomado por indivíduos que arriscavam passos tímidos e imprecisos, uma tentativa de imitar a bem humorada e caliente apresentação do quarteto. Uma das melhores representações da onda de artistas relacionadas ao Eletrobrega, a banda entregou uma série de composições sempre acalentadas e dançantes, animando o público que com um sorriso estampado no rosto improvisava de acordo com as ações das quatro coloridas figuras.

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Silva

Lúcio da Silva Souza há muito não é mais uma promessa e a performance nas primeiras horas do Sónar apenas comprovou isso. Com o tempo da apresentação reduzida em virtude dos atrasos no SonarHall, o músico capixaba acompanhado apenas de um baterista deu vida a um dos mais emocionantes espetáculos de todo o festival. Além das cinco adoráveis canções do elogiado primeiro EP lançado no último ano, o cantor entregou um pequeno conjunto de novas músicas, faixas também partidárias da mesma beleza e cuidado que envolvem o pequeno registro. Perdido em um universo de adocicadas colagens de vozes (no melhor estilo Youth Lagoon) e pequenos momentos épicos (que até lembram um Arcade Fire compactado), o cantor entregou aos presentes canções integralmente decoradas, como Imergir e Cansei, músicas sempre emolduradas de forma a emocionar o público.

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Pazes

Dos artistas nacionais que se apresentaram no Sónar, Pazes talvez fosse um dos menos conhecidos e aguardados do público. A ausência de expectativa em relação ao trabalho do brasiliense Lucas Febraro apenas contribuiu para que o público apreciasse as composições em choque, afinal, era difícil não se manter surpreso a cada nova pancada sonora que o produtor arremessava para cima dos presentes. Flutuando em algum lugar entre os primeiros álbuns do Flying Lotus, a nova cena do Hip-Hop instrumental e o dubstep climático do Burial, Pazes entregou uma apresentação competente. Alegre durante todo o tempo, o garoto pulou e dançou a cada nova música. O público, logicamente acompanhou.

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KTL

Com uma proposta de investir em atrações mais experimentais e conceituais, o espaço SonarHall trouxe para a noite do segundo dia do evento a apresentação do projeto KTL, parceria entre Stephen O’Malley do Sun O))) e o músico Peter Rehberg. Em pouco mais de quarenta minutos a dupla arrastou a pequena multidão presente para um universo obscuro, de texturas sujas e densas, passeando tanto pelo ambiente obscuro do Doom Drone, como os experimentos do Noise rock. Sempre específica de um determinado grupo de ouvintes, a atração contou com uma grande participação do público, que permaneceu imóvel até o fechamento da peculiar performance.

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Alva Noto & Ryuichi Sakamto

Um dos momentos mais emocionantes dos dois dias do festival está sem dúvidas relacionado a apresentação da dupla Alva Noto e Ryuichi Sakamto. Com uma proposta totalmente distinta em relação ao que ocupou as demais apresentações do evento, a dupla conduziu com delicadeza e parcimônia os mais de 50 minutos da performance, que misturou elementos da música clássica, minimalismo e projeções em uma única atuação. Com o espaço lotado do SonarHall, a dupla mezzo dinamarquesa, mezzo japonesa encontrou uma plateia respeitosamente quieta e atenta, que não abandonou a apresentação e acompanhou com surpresa cada pequeno detalhe projetado pela dupla de artistas.

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Tiger & Woods

Com exceção das grandes atrações do evento, como Justice e Chrome, nenhum outro artista conseguiu cativar tanto o público e arrastar quem quer que fosse para a dança quanto os cada vez menos incógnitos membros do Tiger & Woods. Um dos principais nomes entre os maiores representantes da famigerada cena Nu-Disco (que inclui artistas como Aeroplane, Tensnake, Azari & III e Hercules and Love Affair) , o duo fez uma atuação competente, animando a plateia durante os mais de 50 minutos da apresentação. Inspirada na música disco da década de 1970 e na house music dos anos 90, a dupla entregou um repertório inteiramente construído em cima de composições vindas do primeiro álbum de estúdio lançado no último ano, trabalho que pareceu se multiplicar durante a apresentação do duo, que mesmo em um horário ruim soube como aproveitar cada segundo.

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Rustie

Queridinho de uma série de sites e revistas especializados, o escocês Rustie não apenas correspondeu às expectativas lançadas sobre ele, como mostrou ser ainda maior do que aparenta ser no interior do disco Glass Swords, lançado no último ano. Com a apresentação atrasada em mais de uma hora, o jovem produtor subiu ao palco do SonarVillage com cara de poucos amigos e sem a mínima vontade de interagir com o público, algo que ele manteve até o fim da aparesentação. Seguindo o mesmo clima intenso que ainda ecoava da performance anterior – da dupla Tiger & Woods -, Rustie entregou faixas como Ultra Fizz, Surph e After Light, músicas repletas de frescor e movimento que entregam toda a habilidade do jovem produtor em incrementar o tradicional Dubstep com toques de Hip-Hop e uma aceleração que entusiasmou toda a plateia.

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Mogwai

Uma das atrações mais disputadas da noite, a apresentação da banda escocesa Mogwai está entre as que contaram com a maior participação do público. O espaço do SonarHall teve não apenas a área da pista lotada, como praticamente todas as cadeiras ocupadas por um público que assistiu admirado a performance do grupo europeu. Com um repertório que passeou pelos mais de 15 anos de carreira da banda, o destaque ficou por conta da valorização das guitarras e orquestrações ruidosas montadas pelo quinteto, elementos típicos do que se manifesta no interior do último disco da banda, o intenso Hardcore Will Never Die, But You Will (2011). Guitarrista e um dos principais compositores da banda, Stuart Braithwaite se manteve inquieto durante toda a apresentação, surpreendendo a todos com imensos paredões de guitarras e riffs tomados por uma crueza magistral.

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Cee Lo Green

De todos os grandes e principais nomes que compuseram a programação do festival, sem dúvidas a participação de Cee Lo Green foi a mais inexpressiva e decepcionante. Mesmo acompanhado de uma banda bem ensaiada e livre de quaisquer erros, o cantor não conseguiu convencer a plateia, que aos poucos foi abandonando o espaço do show. Mesmo aqueles que vieram exclusivamente para a apresentação do músico – ou apenas para assistir ao vivo o hit Fuck You – pareciam pouco à vontade com a atuação do cantor, que parecia o tempo todo mau humorado e ansioso pelo fim da apresentação. Sem grandes exaltações e relativamente curta, a passagem serviu para reviver alguns clássicos dos primeiros álbuns, embora parte maior do repertório viesse diretamente do último álbum de Green, The Lady Killer de 2010.

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Flying Lotus

Insana. Das mais de quarenta performances que ocuparam o Sónar durante os dias, nenhuma foi capaz de derrubar a apresentação do californiano Steven Ellison, o Flying Lotus. Bem humorado e brincando o tempo todo com o público, o norte-americano de Los Angeles reviveu faixas aleatórias dos três álbuns de sua carreira, músicas como Clock Catcher e Pickled! Que acabaram recortadas e espalhadas ao longo de toda a apresentação. O destaque, entretanto, ficou por conta dos inúmeros acréscimos e samples que o produtor foi inserindo com o passar das faixas. Entre trechos remodelados de Ideoteque do Radiohead, Yonkers do Tyler The Creator e Machine Gun do Portishead, Ellison aproveitou para soltar algumas rimas e até brincar com uma bateria de escola de samba. O público, incandescido pela atuação do produtor gritava, cantava e dançava a cada nova composição. Mesmo um erro no meio da apresentação não fui suficiente para desmerecer o trabalho do produtor.

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Justice

Digam o que quiserem, mas a melhor apresentação dos dois dias do evento foi sim a da dupla francesa Justice. Intensa, com um público verdadeiramente participativo e entusiasmado até os instantes finais, a performance montada por Gaspard Augé e Xavier de Rosnay não apenas levou quem estava lá à loucura, como estabeleceu um sentimento de esquizofrenia coletiva, com o público se arremessando para todos os lados – quem estava próximo da grade de segurança teve que se acostumar aos empurrões durante todo o show. O duo mostrou que sabe como investir no espetáculo, algo que cenário particular (com a tradicional cruz, símbolo da dupla) e a escolha assertiva das músicas (sempre próximas de um enquadramento épico) acabaram revelando. Com faixas vindas do álbum Cross (2007) e do ainda recente Audio, Video, Disco (2011), a dupla manteve o clima em ascensão constante, mostrando que enquanto o Daft Punk não volta de fato, eles podem assumir essa lacuna sem nenhum problema.

James Blake

Uma das grandes dúvidas em relação a apresentação do britânico James Blake estava relacionada ao fato de como ele faria para trazer ao público todo o clima intimista e melancólico do primeiro álbum solo. Transformando os sintetizadores que o cercavam na principal ferramenta do espetáculo, o músico foi aos poucos derrubando o silêncio do espaço SonarHall, tingindo o ambiente com suas composições entristecidas e vozes maquiadas, uma proposta que rapidamente transportou o público para dentro da mesma atmosfera dolorosa do registro em estúdio. Entre faixas como Wilhelms Scream, I Never Learnt To Share e Limit To Your Love (a mais aplaudida do espetáculo), o cantor e os dois parceiros de palco aproveitaram para reviver algumas composições mais antigas, vindas dos primeiros EPs, como a faixa CYMK, que ao vivo contou com um acabamento todo renovado. Com uma timidez essencial, Blake transformou qualquer dúvida que pairasse sobre a apresentação em algo doce e emocionante.

Four Tet

Kieran Hebden não é um dos maiores produtores musicais à toa. Em pouco menos de uma hora de apresentação o britânico desenvolveu uma performance grandiosa, passeando pela IDM, Jazz, experimentalismos e techno music de forma particular, única. Ao mesmo tempo em que as composições ecoavam sutis, as batidas não desanimavam, movimentando o público reduzido que não havia havia se movimentado para o palco principal durante toda a atuação. Quem correu para assistir Justice ou ficou até o fim do show de James Blake perdeu uma apresentação marcada pelo uso de texturas agradáveis, sons orgânicos e todo um conjunto de fórmulas e estratégias que tanto engrandecem os trabalhos do produtor. Quem esperava por uma apresentação repleta de hits e composições mais comerciais teve que se concentrar em um espetáculo orientado por músicas menos conhecidas, o que de forma alguma prejudicou a excelente atuação do Four Tet.

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John Talabot

Quem esperava por uma apresentação voltada ao recente (e ótimo) ƒin, primeiro álbum da carreira do produtor John Talabot, provavelmente se decepcionou com a apresentação insossa do artista vindo de Barcelona, Espanha. Desatento, Talabot deixou a mesa de som em diversos momentos, fazendo com que algumas músicas se perdessem em loopings exagerados e efeitos simplistas. Do trabalho oficial apenas alguns trechos costurados entre uma música e outra. Nem a forte participação do público a partir da metade da apresentação serviu para motivar o espanhol, que se manteve frio e desinteressado até a despedida.

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Squarepusher

Tom Jenkinson é um marketeiro de primeira. Para ocultar a série de músicas fracas e composições monótonas que ele desenvolve há mais de uma década foi necessário um imenso painel de luzes posicionado tanto na frente como na cabeça do produtor inglês. Uma estratégia até simples, mas que serviu em cheio para prender o público animado que aguardava pela última apresentação do SonarHall. Fazendo uso de uma sonoridade estritamente convencional, simples e montada quase exclusivamente para o espetáculo, Jenkinson conquistou os presentes como insetos que voam diretamente para a luz, encaixando batidas e efeitos luminosos de forma a hipnotizar o público. Queria ver se faria o mesmo sucesso sem todo o aparato tecnológico e chamativo.

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Totally Enormous Extinct Dinosaurs

Última atração do Sónar, Orlando Higginbottom mostrou que uma fantasia colorida e meia dúzia de músicas fáceis não são suficientes para prender o público. Com um repertório pouco conhecido – vindo de alguns singles, EPs e do ainda não lançado primeiro álbum -, o produtor britânico até tentou, mas não conseguiu entusiasmar em nenhum momento. A sonoridade excessivamente básica das canções e o tom morno que ocupavam os versos tímidos enaltecidos pelo rapaz fez da apresentação um espetáculo arrastado. Nem mesmo o alto nível de álcool e outros substâncias lisérgicas que circulavam no sangue de alguns dos presentes serviu para salvar a fraca apresentação. Ganhou quem resolveu ir embora mais cedo.

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Justice: “ON’N'ON”

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Através das lentes do diretor Alexandre Courtes ON’N’ON, mais novo single da dupla francesa Justice ganha um clipe que parece muito mais satisfatório que a fraca canção. Sexta faixa do raso Audio Video Disco, segundo trabalho da dupla, o vídeo parece estar diretamente ligado ao universo retratado na capa do disco, feito que o diretor reforça por meio do uso de imagens que incluem mulheres nuas, formas luminosas, espaço e diversos outros elementos repletos de grandeza e excentricidade. Para quem não gostou do disco, o vídeo até nos faz querer dar outra chance ao registro.

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As Melhores Capas de 2011

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Não se deve julgar um livro pela capa correto, mas e um disco? Em um ano de lançamentos medianos – tudo bem, alguns discos excelentes – o que aprendemos é que um bom álbum, sempre vem acompanhado de uma ótima capa, pelo menos é o que Wado, M83, Toro Y Moi, entre outros nos ensinaram. Para ampliar nossas listinhas de final de ano selecionamos 20 capas de disco que chamaram as atenções ao longo do ano, imagens capazes de definirem todo o conteúdo dos trabalhos ou de simplesmente comover os espectadores.

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Justice: “Hidden Track”

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Se com Audio, Video, Disco o Justice não conseguiu alcançar o mesmo nível e o acerto de seu primeiro e elogiado disco de estréia, o jeito é correr atrás do prejuízo e presentear o público com algum material inédito. Pelo menos é o que a dupla francesa tenta ao apresentar uma nova composição apresentada ao final do recente disco. Sem título, a composição evoca as mesmas sensações do EP Planisphère de 2008.

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Justice – Hidden Track

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Disco: “Audio, Video, Disco”, Justice

Justice
French/Electronic/Dance
http://www.myspace.com/etjusticepourtous

Por: Gabriel Picanço

Audio, Video, Disco, é o segundo LP de Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, os caras do Justice. Graças a essa dupla, em 2007, a cruz recebeu um novo significado. Já não fosse bastante o simbolismo que o objeto carrega, a cruz também virou sinônimo da melhor música eletrônica francesa desde muito tempo. A dupla produziu um álbum clássico que conquistou, mais do que fãs, seguidores. Aos poucos, a poeira levantada pelo disco assentou, mas até hoje as faixas de Cross, o primeiro álbum, permanecem vivas e capazes de por fogo em qualquer festa. O tempo foi passando, e o nome Justice era cada vez menos citado, mas nunca esquecido. Não lançavam nenhuma faixa nova e os remixes que a dupla soltava esporadicamente cessaram. A última música com aquele gostinho de Justice, um remix de Lenny Kravitz, é de 2009.

Até que, finalmente, em março de 2011, aimagem de uma cruz é postada na página oficial da dupla no Facebook. Era uma cruz diferente, mas todos sentiram que a espera estava próxima do fim. No mesmo mês, é lançada a poderosíssima Civilization, um pouco diferente do “velho” Justice, apesar dos mesmos efeitos, filtros e samples soando a rock progressivo italiano dos anos 70. Nessa faixa fica claro que a proposta havia mudado. Era cedo para saber se a mudança era para melhor ou para pior. E isso nem importava tanto. Depois de dois anos do último remix lançado, qualquer coisa com a tag “Justice” era motivo de comoção. Isso sem falar no vídeo da música, uma obra prima visual que segue a tradição de clipes memoráveis dos franceses. Logo veio a notícia que todos queriam ouvir: o álbum novo, Audio, Video, Disco estava a caminho.

Saber esperar é uma virtude, pena que muitas vezes não é bem recompensada. O segundo álbum do Justice não chega a ser um balde de água fria, nem uma panela de óleo quente, mas passa longe da emoção e dos olhos rasos d’água pelos quais Cross foi responsável. Nenhuma faixa de Audio, Video, Disco irá fazer os fãs repetirem os momentos de suor e loucura nas pistas de dança proporcionados por D.A.N.C.E, DVNO ou We Are Your Friends. Tudo bem que em 2007, ano de lançamento de Cross, o mundo era outro. Quase ninguém usava o Facebook, o Michael Jackson homenageado em D.A.N.C.E ainda estava vivo, o eletro maximal ainda era uma novidade. Muito mudou desde então, mas a essência de um disco divertido é atemporal e não está presente em Audio, Video, Disco.

Não era de se esperar que os produtores fizessem um álbum igual, a final, a experimentação é sempre bem-vinda. Mas podiam escolher mudanças e caminhos melhores. Audio, Video, Disco pode ser resumido como sendo um interminável, brega e maçante solo de guitarra. O peso das músicas arrastou a velocidade para baixo, deixando a coisa séria e dura demais. É impossível não sentir falta do clima sem vergonha e ofensivo, dos sintetizadores rasgados e do baixo destruidor e cheio de apelo sexual (sim, um baixo com apelo sexual) das faixas do primeiro disco. Justice ganhou peso, mas perdeu a potência. As músicas do álbum soam sem energia e muito sóbrias. Todas são muito bem compostas e produzidas, mas não é somente isso que se espera de uma banda como Justice.

Além do excesso das guitarras, outro elemento que incomoda durante Audio, Video, Disco são as cordas, que dão um tom muito sério e até pretensioso, como acontece em Hosrsepower, que abre o disco. Apesar de ser uma decepção no geral, o álbum é pontudo por alguns bons momentos, como a ótima Civilization. Outra faixa digna entre a confusão de guitarras arrastadas do álbum é On’n'On. Mas ela acaba sendo o triste retrato de um álbum (de french house, veja só) sem a mínima vocação para pista. A partir de Helix, faixa mais dançante, o trabalho dá sinais que ainda pode encontrar o caminho da salvação. Mas logo em seguida vem a bem composta e nada carismática faixa título, que encerra o segundo disco dos franceses.

Quem esperou tanto tempo, possivelmente não ficará satisfeito com o que foi entregue por Gaspard e Xavier. E não são as guitarras o que mais incomoda nesse disco, e sim a falta de frescor e energia, qualidades que faziam o Justice ser tão amado. Afinal, todos nós precisamos de alguma dose de música hedonista, e melhor ainda se for de qualidade. Audio, Video, Disco pode até ser um trabalho inspirado e bem realizado, mas não inspira quem ouve e muito menos faz transpirar

Audio, Video, Disco (2011, Ed Banger)

Nota: 6.0
Para quem gosta de: Daft Punk
Ouça: Civilization, Helix e Canon

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Justice: “Helix”

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Depois da razoável Civilization e da insossa Audio, Video, Disco, que já ganhou até clipe, outra composição do novo álbum da dupla francesa Justice acaba de aparecer. Dessa vez é a música Helix, que diferente das demais faixas já apresentadas pelo duo realmente se parecem com uma verdadeira música do projeto francês, ou pelo menos algo que ecoa os bons tempos da dupla, quando em 2007 lançaram ao mundo o surpreendente Cross.

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Justice – Helix

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Justice: “Audio,Video, Disco”

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Dividindo opiniões, Audio, Video, Disco, mais novo single do duo francês Justice – e música que dá nome ao próximo trabalho da dupla, previsto para o dia 25 de outubro – acaba de se transformar em clipe. Sem grandes revoluções, a faixa traz a dupla “em estúdio”, enquanto os versos em looping da composição (no melhor estilo Daft Punk) vão acompanhando as imagens que parecem se integrar através da atmosfera escura do vídeo.

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