Arquivos da Tag: Japandroids

Disco: “MCII”, Mikal Cronin

Mikal Cronin
Indie Rock/Garage Rock/Alternative

http://mikalcronin.bandcamp.com/

 

Por: Cleber Facchi

Mikal Cronin

Há dois anos quando Mikal Cronin apresentou ao público o primeiro registro em carreira solo, a cena californiana parecia lentamente esculpida pelo peso do Garage Rock. Parceiro de Ty Segall, Thee Oh Sees e outros artistas de enorme relevância dentro da nova safra norte-americana, Cronin fez do uso quase exaustivo de guitarras ruidosas e vozes caóticas um princípio para um trabalho que parece solucionado em totalidade agora. Intitulado MCII (2013, Merge), o recente projeto não é apenas o resultado de meses de preparação de seu criador, mas o ponto final de aprimoramento do que define boa parte do rock estadunidense atual.

Fazendo uso de uma sonoridade totalmente reformulada e em oposição ao que fora testado em 2011, Cronin parte do princípio de que guitarras saturadas de fuzz e batidas rápidas são aproveitados como meros complementos para um trabalho de se sustenta inteiro nas melodias. Contrariando o propósito agressivo que fora testado em músicas como Is It Alright e Slow Down, cada etapa do novo disco possibilita o aprimoramento dos sons e principalmente das vozes. Um tipo de tratamento evidente logo na abertura do álbum, em que as harmonias de piano espalhadas pela ensolarada Weight indicam o novo sustento instrumental do músico.

Entretanto, é preciso levar em conta que mesmo próximo de um som mais “brando”, Cronin em nenhum momento se distancia daquilo que propunha até pouco tempo. Responsável por auxiliar Ty Segall na construção cacofônica de Slaughterhouse (2011), o músico parte exatamente do que vinha construindo há alguns meses, sustentando no acréscimo de instrumentos e referências marcadas pelo detalhe a formatação de todo um novo contexto musical. São as mesmas guitarras, uma temática lírica que não foge do comum e os já tradicionais vocais ásperos, a diferença está nos mínimos pigmentos coloridos que ocupam o esboço acinzentado de outrora.


Como já havia revelado no decorrer do primeiro disco solo, Cronin é um confesso interessado em resgatar marcas específicas do rock alternativo. Ao passo de que centenas de músicos conterrâneos parecem cada vez mais influenciados pela essência de J Mascis e outros veteranos que definiram a música da década de 1990, Mikal parece ir além. São guitarras tingidas pela suavidade do Power Pop, vocais capazes de cobrir todas as prováveis lacunas da obra e letras que simplesmente dançam pelos ouvidos. Entre memórias instrumentais que apresentaram bandas como Big Star e até elementos vocais que remetem ao The Beach Boys, o músico consegue ir além do que impulsiona a quase totalidade do rock presente. Continuar lendo

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Black Flag: “Down In the Dirt”

Black Flag

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Definitivamente 2013 é o ano do retorno. Depois de David Bowie, My Bloody Valentine, Fleetwood Mac e uma sequência de retornos musicais, chega a vez dos veteranos do Black Flag voltarem à ativa. Grupo responsável por influenciar boa parte dos lançamentos recentes voltados ao rock alternativo – indo de Japandroids à California X -, o quarteto norte-americano faz da inédita Down In the Dirt um verdadeiro presente para quem não conta com um registro de inéditas desde 1985, quando a banda encerrou a carreira com In My Head. Capaz de incorporar referências antigas do grupo, e ainda assim permanecer atual, a composição abre espaço para o que pode resultar no primeiro disco da banda em mais de 25 anos de espera.

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Black Flag – Down In the Dirt

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Disco: “Cruise Your Illusion”, Milk Music

Milk Music
Rock/Alternative/Garage Rock

https://www.facebook.com/pages/MILK-MUSIC/

 

Por: Cleber Facchi

Milk Music

Há tempos o rock norte-americano não vivia uma fase tão rica quanto a atual. Mesmo com a retomada dos sons garageiros no começo da década passada – encabeçado por grupos como The Strokes, The White Stripes e outros representantes da cena -, nunca antes houve uma variedade tão grande de trabalhos movidos pela sujeira assertiva dos sons e o peso envolvente das guitarras. Um efeito que cresceu de forma nítida no último ano, quando Cloud Nothings, Japandroids, TY Segall e demais grupos trataram de apresentar alguns dos registros mais barulhentos e ainda assim cativantes da cena alternativa . Marca que, ao que tudo indica, não deve ser rompido tão cedo, ou pelo menos é o que os novatos do Milk Music comprovam com o mais novo e bem sucedido disco de estúdio.

Rock”, a palavra parece simplesmente brilhar no cérebro do ouvinte assim que Cruise Your Illusion (2013, Fat Possum), recente álbum da banda de Washington tem início. Misto de guitarras embrutecidas e sons ágeis que dançam de acordo com os vocais de Alex Coxen, a estreia do grupo parece assumir uma marca própria em relação ao que alimenta a recente música estadunidense. Uma individualidade que mesmo distante consegue se manter firme com os demais trabalhos lançados nos últimos meses – principalmente dentro do universo musical californiano. “Rock”, um som que se sustenta abertamente por marcas talvez esquecidas dentro da variedade de tendências que alimentam a cena musical presente, mas que encontram nessa diversidade um claro ponto de ineditismo e possíveis transformações.

Assim como bem estabeleceu o trio California X no decorrer do primeiro disco há alguns meses, ao entregar o primeiro álbum os garotos do Milk Music parecem movidos pela necessidade de resgatar marcas específicas do passado. São os paredões de guitarras de J Mascis (de longe a personalidade mais influente da atual geração), a aceleração raivosa dos primeiros álbuns do Black Flag, a dureza melódica das canções de Bob Mould (seja como Hüsker Dü ou Sugar) e até o arsenal de distorções do Sonic Youth. Elementos que há décadas circulam pela produção estadunidense, mas nunca antes dentro de um contexto tão motivado, intenso e, de fato, prazeroso de ser ouvido.


Alex Coxen e os parceiros Joe Rutter, Dave Harris e Charles Warring, sabem que os sons que eles fazem podem ser encontrados no trabalho de qualquer outro grupo de garagem. A diferença está em como isso é apresentado ao público. Por mais redundantes (e até toscas) que sejam as canções da banda, o uso exato de riffs pretensiosos, solos épicos e berros pouco moderados acabam convencendo. Aquele tipo de energia que estimula senhores de cabelo branco ou mesmo adolescentes recém iniciados a afirmar que o “bom rock” já morreu. Mesmo as líricas, até bastante convincentes, que se acomodam no decorrer da obra não parecem ser o ponto principal do disco, um trabalho que concentra na ruptura constante da calmaria e até na melancolia raivosa dos sons um ponto fundamental para a grandeza e a orquestração do trabalho. Continuar lendo

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Disco: “Honeys”, Pissed Jeans

Pissed Jeans
Punk/Noise/Rock

https://www.facebook.com/pages/Pissed-Jeans/

Por: Fernanda Blammer

Pissed Jeans

Talvez se tivesse ouvido Shallow (2005), primeiro registro em estúdio da banda Pissed Jeans pela primeira vez hoje, provavelmente teria dito que o grupo não seria capaz de sustentar por um ou mais discos. Entretanto, bastam os instantes iniciais de Honeys (2013, Sub Pop) para perceber que o grupo ainda tem uma longa carreira pela frente. No ápice da inventividade (ou seria ainda o começo), a banda de Allentown, Pennsylvania faz do recente álbum uma coleção de berros e guitarradas tão ferozes quanto em começo de carreira. Uma sequência de catarses que se arrastam em meio a ruídos desgovernados, prontos para explodir os tímpanos mais sensíveis.

De proposta jovial, o novo álbum mantém de forma decidida a mesma sequência de sons acinzentados e gritarias não maquiadas que outrora definiram o começo de carreira do grupo. Desse ponto, é possível observar o trabalho do quarteto norte-americano de duas formas: primeiro como uma banda madura e que soube como aproveitar o que há de mais assertivo ao longo dos anos, segundo como um grupo de pós-adolescentes que mantém o mesmo exagero cômico do passado. Uma proposta que tende ao descartável em diversos instantes, ao mesmo tempo em que transforma o trabalho da banda em um registro de clara longevidade.

Contrariando parte expressiva do que conceitua a cena norte-americana em dois grupos bem delimitados de artistas – aqueles que se envolve com o “punk sério”, introspectivo e político, contra quem lida com o “punk diversão” de apelo descartável -, Honeys incorpora ao longo de 12 faixas uma multiplicidade que naturalmente engrandece a proposta do grupo. É como se o quarteto fosse capaz de manter um meio termo entre a maturidade sombria que envolve os trabalhos do Converge – principalmente All We Love We Leave Behind – e The Men, enquanto a mesma energia crua (e drogada) imposta no trabalho do Trash Talk se revela na mesma intensidade.


Partindo desse princípio, cada faixa no decorrer do álbum se apresenta como uma forte surpresa. Enquanto a inaugural Bathroom Laughter evidencia toda a agilidade e a capacidade da banda em soar próxima do público, Chain Worker que chega logo em seguida rompe abertamente com isso. Suja e experimental, a composição intensifica o que já vinha sendo explorado desde os primeiros trabalhos da banda, marca que se materializa também na construção da rapidinha, porém instigante, Something About Mrs. Johnson. Quase um aperitivo para o que chega logo em sequência com o corpo final de canções, a música brinca com o que há de mais estranho no universo do Pissed Jeans, provando que mesmo depois de quatro discos, a banda mantém a boa forma. Continuar lendo

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Os Melhores de 2012

Os Melhores de 2012

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Pelas próximas semanas nossa lista de melhores do ano – nacionais e Internacionais – deve tomar formas. Enquanto isso é hora de apresentar os eleitos por nossos colaboradores, blogs parceiros, amigos e membros do Miojo Indie como os registros que mais chamaram a atenção durante o ano. Assim como fizemos em 2011, cada um dos convidados tem direito de escolher um álbum (ou mais álbuns), explicando os motivos que transformaram tal registro num dos melhores discos de 2012 – independente da aceitação ou não nos textos do blog. Diretamente do Rio de Janeiro, Tomás Pinheiro do site PartyBusters e do blog Entretenedor conta qual é o disco favorito dele em 2012. Continuar lendo

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Disco: “Metz”, Metz

METZ
Rock/Indie/Alternative Rock

http://www.metzztem.com/

Por: Cleber Facchi

Existe um contraste gigantesco entre o lançamento de Attack On Memory, segundo álbum do Cloud Nothings e a recente estreia do trio canadense Metz. Enquanto Dylan Baldi representa a materialização da juventude, observando a música da década de 1990 de forma atenta e tramando um composto ruidoso que se apega ao pop de forma descompromissada, Alex Edkins, Hayden Menzies e Chris Slorach, todos na faixa dos 30 anos, tratam da mesma proposta de outra maneira. Distantes da melodia suja de bandas como Nirvana ou Dinosaur Jr e se apoiando em cima de um composto instrumental que por vezes raspa o Heavy Metal, o grupo firma a existência de um resultado sóbrio, adulto e que observa a mesma geração que tanto agrada ao jovem Baldi, porém, por outro ponto de vista.

Incorporando um nível de caos e distorção que nem mesmo o veterano J Mascis parece ser capaz de alcançar no ápice de fase You’re Living All Over Me, a tríade vai de encontro ao que serviu de base para a construção do “Lado B” do rock alternativo norte-americano. Surgem assim inevitáveis associações ao trabalho de bandas como The Jesus Lizard (os acertos com o pós-hardcore do álbum Goat estão por todos os lados), Mudhoney, Nirvana (pré-Nevermind) e até Pixies (dos versos berrados às linhas de baixo, tudo se aproxima do clássico Doolittle em uma extensão menos comercial), resultando em uma massa de ruídos claustrofóbicos que guiam o trabalho dos canadenses.

Longe de assumir a mesma exposição nostálgica que movimenta o trabalho de bandas como The Pains of Being Pure At Heart, Yuck, Wild Nothings e tantos outros apaixonados pela sonoridade cravada há duas décadas, ao entregar o primeiro disco o trio usa de tais referências como bases singelas para o que se expande de forma nítida no decorrer da obra. Dentro do mesmo universo de desconstrução que marca a obra de bandas como Male Bonding e The Men, o Metz assume tais experiências dentro de um jogo próprio de exposições instáveis, edificando a construção de um disco rápido na maneira como as guitarras, vozes e batidas tomam formas, mas imenso na forma como velhas referências se desdobram em novos percursos e encaminhamentos agressivos.

Assumidamente distantes de qualquer encaminhamento que puxe a banda aos conceitos da música Lo-Fi, o disco e as 11 faixas arquitetadas no interior dele mantém até o último instante a limpidez do áudio, feito que mais uma vez distancia o Metz das demais bandas que circulam pelo recente cenário norte-americano. A estratégia (ou simples escolha) possibilita que mesmo em momentos de pura distorção, como na faixa Get Off e até em alguns lances experimentais, estrutura presente na música –))–, seja possível captar cada mínima nuance do registro, que entre paredes imensas de ruídos, mantém constante a capacidade de presentear o ouvinte com cada nota, acorde ou particularidade vocal. A qualidade sonora do disco é tamanha que mesmo os sons intencionalmente disformes da curtinha Nausea passam despercebidos, prevalecendo a qualidade e a simetria do restante das canções. Continuar lendo

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Japandroids: “The House That Heaven Built”

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Brian King e David Prowse representam o que há de mais intenso no rock alternativo atual. Donos do projeto canadense Japandroids, a dupla lançou em maio deste ano Celebration Rock, um álbum em que ruídos, batidas secas e vozes berradas conduzem toda a extensão da obra de oito intensas composições. Com o novo disco, entretanto, há uma clara aproximação da dupla com um som mais “pop” e intencionalmente melódico, algo que os vocais em coro e as guitarras abertas de The House That Heaven Built expõem em poucos segundos. Lançada agora em clipe, a canção mantém o clima enérgico que tanto define a produção da banda. Confira:

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Miojo Indie Mixtape “Rock” Edition

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Depois de passear suavemente pelo mundo dos sonhos em nossa última e adorável mixtape – Ethereal Edition -, chegou a hora de voltarmos com tudo para o chão em nossa coletânea especial para o dia mundial do rock. Diferente da última edição da Miojo Indie Mixtape “Rock” Edition, agora selecionamos apenas composições recentes e faixas lançadas nos últimos meses, deixando alguns clássicos do rock apenas para a seleção passada. Do garage rock do Japandroids, passando pela jovialidade do Cloud Nothings ao Sludge Metal do Baroness, o que não faltam são variações aos amantes do novo e velho rock. Mixtape altamente recomendada para aquele tiozão que insiste em dizer que o bom e velho rock’n'roll “já morreu”.

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#01. King Tuff – Alone & Stoned

O tom descompromissado e o bom humor marcam todo o primeiro disco da banda norte-americana King Tuff. Com guitarras que passeiam pelo garage rock e a cena alternativa que explodiu ao longo dos anos 90, o álbum trouxe uma sucessão de faixas viciantes e que prendem o ouvinte logo na primeira audição. Exemplo mais intenso da boa forma do registro está em Alone & Stoned, música que agrupa guitarras dançantes com uma soma de vozes brandas e versos fáceis que logo encantam o espectador. Sem dúvidas não há nada mais indicado para abrir nossa coletânea.

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#02. Single Parents – Stop Waiting (For Me Now)

O rock alternativo fala mais alto no interior do primeiro disco da Single Parents. Banda paulistana fundada em meados da década passada, o trio alcança no decorrer do primeiro álbum – Unrest – uma sonoridade invejável e que em nada fica devendo quando comparada a outros lançamentos internacionais. Composição que melhor sintetiza todos os acertos do grupo no decorrer do disco, Stop Waiting (For Me Now) traz guitarras temperadas pela crueza e vozes que se agrupam de forma a prender mesmo os mais exigentes ouvidos.

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#03. Japandroids – The House That Heaven Built

Do título aos primeiros acordes, cada instante de Celebration Rock funciona como uma imensa homenagem ao rock em suas formas mais convencionais. Segundo e mais novo álbum da dupla canadense Japandroids, o registro concentra uma série de faixas rápidas, todas marcadas por vocais intensos e guitarras que explodem a todo o instante. Entre as principais músicas que caracterizam o registro The House That Heaven Built é a que mais aposta no uso de versos melódicos e uma instrumentação ascendente, elementos que contribuem para o crescimento da faixa e do próprio registro como um todo.

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#04. Cloud Nothings – Stay Useless

Poucos artistas cresceram tanto em tão pouco tempo quanto o jovem Dylan Baldi. Responsável pelo projeto Cloud Nothings, o músico deu um salto incrível no decorrer do segundo e mais novo disco de sua carreira, o ótimo Attack On Memory. Lançado no começo do ano, o álbum trouxe uma sequência de boas e sempre enérgicas faixas, canções como a acelerada Stay Useless, que bem define toda a urgência que caracteriza o registro, de longe, um dos melhores trabalhos de 2012.

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#05. Yuck – Chew

O primeiro álbum do Yuck trouxe uma proposta bem definida: visitar diversos acertos e características que definiram o rock dos anos 90. Por todos os lados do álbum o que se vê é uma singela homenagem a nomes como Pavement, My Bloody Valentine e Dinosaur Jr, referências que ainda hoje definem e influenciam as composições da banda. Maior prova disso está no último lançamento do grupo, Chew música que traz em poucos minutos todos os mesmos elementos que tanto definiram o trabalho da banda no ano passado.

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#06. Jack White – I’m Shakin’

Um dos grandes acertos de Jack White ao lançar o primeiro disco solo há alguns meses está em reviver uma série de temáticas e preferências que alimentaram os primeiros álbuns à frente do The White Stripes. Exemplo mais forte disso está na crueza de I’m Shakin’, música que traz todo o peso e a vivacidade das guitarras de White, que flutua tanto pelo blues como pelo rock de garagem. Com um riff pegajoso e versos que colam nos ouvidos, a canção é de longe um dos melhores exemplares do bem sucedido Blunderbuss.

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#07. St. Vincent – Krokodil

Annie Erin Clark (St. Vincent) não é um dos maiores nomes do indie rock à toa. Empunhando guitarras sempre firmes e marcadas pela distorção, a norte-americana lançou no último ano o excelente Strange Mercy, um dos projetos mais completos e surpreendentes da recente fase do rock alternativo. Espécie de continuação exata do que fora testado ao longo do disco, o single Krokodil traz a mesma intensidade que tanto definiu a atuação da cantora e compositora, algo que os acordes sujos definem logo nos instantes iniciais da canção.

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#08. The Men – Animal

Há quem insista em dizer que o “bom e velho rock’n’roll já morreu”. Quem assume essa posição provavelmente não deve ter ouvido Open Your Heart, segundo e mais novo álbum da banda nova-iorquina The Men. Fino exemplo do punk rock da presente safra, o registro concentra uma soma generosa de guitarras sujas e batidas que praticamente sufocam o espectador, proposta que acaba por definir todas as canções do álbum. Sempre intenso, o disco contribui para que faixas como Animal possam crescer de forma ruidosa ao longo do trabalho, revelando todo o acerto da banda.

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#09. Eternal Summers – Wonder

Se pouco foi aproveitado do primeiro álbum da dupla Eternal Summers (lançado há dois anos), então com o recente Correct Behavior temos um efeito inverso. Cada mínima fração do registro deixa visível a evolução do casal Nicole Yun e Daniel Cundiff, dupla que mais uma vez nos arrasta para o garage rock praiano que tanto define a atuação da banda. Se a faixa Millions é o carro chefe e música de preparação para quem experimenta pela primeira vez o trabalho, então Wonder é a faixa que de fato mostra a que veio o disco, com o casal acertando tanto na instrumentação como nos versos.

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#10. Sleigh Bells – Born To Die

O rock parece fluir de maneira não convencional nas mãos da dupla nova-iorquina Sleigh Bells. Enquanto uma bateria eletrônica pesadíssima arma o terreno para que a voz doce de Alexis Krauss possa se anunciar, Derek E. Miller destila toda sua agressividade através de acordes densos e sujos de guitarra. Com elementos que vão do Metal ao Noise, o trabalho esquizofrênico da dupla faz nascer faixas como a explosiva Born To Lose, canção que resume toda a atuação do casal no recente disco Reign Of Terror.

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#11. The Walkmen – Heartbreaker

Heaven é um trabalho que se esquiva o tempo todo de músicas mais agressivas ou que remetam aos iniciais e acelerados lançamentos do The Walkmen. Mesmo que a necessidade de promover um som mais brando seja a principal marca do presente registro, não são poucos os momentos em que as guitarras falam mais alto, percepção que se estende durante toda a execução de Heartbreaker, um dos momentos mais “sujos” do novo álbum do quinteto.

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#12. Lotus Plaza – Monoliths

De maneira geral Spooky Action At A Distance, novo álbum do Lotus Plaza, se divide em dois grupos de composições bem específicas. Enquanto algumas canções realçam uma sonoridade mais etérea e voltada ao shoegaze psicodélico, a outra metade valoriza o uso de composições menos leves e naturalmente mais “hostis”. Parte desse segundo grupo de músicas, Monoliths realça com propriedade as guitarras distorcidas de Lockett Pundt, figura que utiliza do recente álbum para tornar pública sua evolução tanto como instrumentista como compositor.

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#13. Baroness – March To The Sea

Facilmente uma das melhores músicas já lançadas em 2012, March To The Sea transparece toda a evolução do grupo Baroness. Composição mais comercial e melódica do recente álbum do quarteto, o duplo Yellow & Green, a canção mistura o peso do Sludge Metal com doses de uma calmaria Folk que inevitavelmente surpreende. Com uma letra amargurada, a canção conduz o ouvinte por um universo de guitarras densas e versos tomados pela melancolia, tendência que bem define as recentes invenções da banda.

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Disco: “Holograms”, Holograms

Holograms
Swedish/Indie/Punk

https://www.facebook.com/Holograms

Por: Fernanda Blammer

Muito pouco parece ter sobrevivido do Punk/Pós-Punk anunciado por um bom número de artistas britânicos no final da década de 1970. Das guitarras sóbrias, passando pelos vocais obscuros e letras densas, em mais de três décadas de expansão do gênero, não foram poucos os nomes que trataram de inventar ou acrescentar nova carga de renovação ao estilo. Seja pela estreia épica do Interpol com o clássico Turn on the Bright Lights (2002) há dez anos ou com os recentes inventos praianos do primeiro disco do The Drums em 2010, muitos são os que trataram de agregar valores e garantir novos rumos ao gênero, que insiste em se modificar.

Há, entretanto, quem ainda seja favorável a manter grande parte das mesmas bases e influências que tanto definiram o estilo nos anos iniciais. Proposta de um número reduzido de artistas, a temática ganhou formas mais bem definidas com o lançamento de New Brigade no último ano. Primeiro álbum oficial da banda dinamarquesa Iceage, o trabalho que não apenas foi de encontro aos ensinamentos deixados por nomes como Joy Division, The Fall e Public Image Ltd, como absorveu uma série de referências anteriores a isso. Recortes que vão do Proto-Punk que definiu a década de 1960 ao niilismo que definiu parte do movimento punk ao final da década seguinte.

Partidários do mesmo princípio instrumental e “filosófico”, o quarteto sueco Holograms assume ao longo do autointitulado primeiro disco a mesma crueza e o diálogo com os sons do passado que tanto definiram a estreia do Iceage. Donos de um som lo-fi por questões estritamente técnicas (e financeiras) do que por interesse em si, o grupo vindo de Estocolmo traz na colaboração entre Andreas Lagerström, Anton Strandberg, Anton Spetze e Filip Spetze a soma de elementos necessários para um disco que soa ao mesmo tempo nostálgico e inovador em cada uma das 12 composições que o definem.

Se a nostalgia vem diretamente dos vocais firmes que comandam as canções, bem como das guitarras herméticas e solos raros que se apoderam do trabalho da primeira à última faixa, então a inovação surge quando posicionamos o álbum em relação aos mais recentes discos do gênero lançados no decorrer dos últimos anos. Diferente de grande parte dos trabalhos que diariamente se apoderam do atual cenário britânico (principal casa do estilo) ou mesmo mundial, a estreia do Holograms passa longe de resultado plástico e dançante, proposta que se revela logo nos ruídos crescentes da faixa de abertura Monolith ou posteriormente no toque garageiro que bem define as guitarras de Fever. Continuar lendo

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