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Disco: “Welcome Sucker to Candyland”, Gru

Gru
Brazilian/Indie Rock/Alternative
http://www.gabilima.com/gru/

 

Por: Cleber Facchi

Gru

O pop, quando bem explorado, assume percursos instáveis e de resultado satisfatório, ou pelo menos tem sido assim desde que a gaúcha Gabi Lima apresentou ao público o último registro em estúdio do Gru. Ponte inevitável para a década de 1990, quando lançado há quatro anos Kitchen Door (2009) parecia acumular tanto as guitarras de J Mascis como o clima pegajoso que envolvia o trabalho do Hansons da fase Mmmbop. Um encaminhamento estranho para um registro do gênero, porém confortável na sonoridade mezzo açucarada, mezzo raivosa que a cantora estende agora com a chegada de Welcome Sucker to Candyland (2013, Loop Discos).

Nitidamente menos ponderado que o último álbum, com o novo registro Lima parece satisfeita em brincar com as melodias instrumentais e de vozes. Movido por um acerto comercial que provavelmente o transformaria em clássico se lançado há duas décadas, o disco talvez seja o melhor exemplar de um encontro imaginário entre a boa fase de Liz Phair e o rico catálogo do rock indie do começo dos anos 2000 – algo entre The Pornographers e a estreia do Rilo Kiley. De encaminhamento agridoce, como o título logo atesta, o álbum abre (mais uma vez) uma passagem temporária para o ambiente fantástico-realista que parece circundar o cotidiano de sua criadora.

Da mesma forma que no registro lançado há quatro anos, as guitarras servem como o principal componente para o trabalho do Gru. Dançando em uma medida que raspa no Pavement do álbum Crooked Rain, Crooked Rain (1994) e vai até o Teenage Funclub pós-Bandwagonesque, o disco se apega aos clássicos como quem encontra um incentivo para esbanjar personalidade. Ecos do que abasteceu os anos 90 estão por todas as etapas do registro, não em uma medida copiosa ou pouco criativa, mas como um prelúdio para a formação de algo próprio. Poderia ser Mascis, Phair ou Malkmus, mas é acima de tudo a manifestação pessoal de Gabi Lima.


Parceiro desde o último álbum, John Ulhoa (Pato Fu) separa o Gru da atmosfera caseira que abastecia Kitchen Door, apresentando ao ouvinte a um cenário marcado pela complexidade e coerência dos sons. Enquanto os vocais andróginos surgem límpidos e acessíveis por toda a obra, guitarras e batidas exatas cobrem cada mínimo espaço do trabalho. Seja no acerto tímido da acústica The Sweetest ou no Power Pop de Bad Plot (que mais parece uma canção perdida da extinta Video Hits), todas as etapas do registro brilham em uma medida radiofônica que parece típica do rock gaúcho, mas que parece ir além dele. Lima e Ulhoa encontraram no pop um princípio para algo ainda maior. Continuar lendo

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Disco: “MCII”, Mikal Cronin

Mikal Cronin
Indie Rock/Garage Rock/Alternative
http://mikalcronin.bandcamp.com/

 

Por: Cleber Facchi

Mikal Cronin

Há dois anos quando Mikal Cronin apresentou ao público o primeiro registro em carreira solo, a cena californiana parecia lentamente esculpida pelo peso do Garage Rock. Parceiro de Ty Segall, Thee Oh Sees e outros artistas de enorme relevância dentro da nova safra norte-americana, Cronin fez do uso quase exaustivo de guitarras ruidosas e vozes caóticas um princípio para um trabalho que parece solucionado em totalidade agora. Intitulado MCII (2013, Merge), o recente projeto não é apenas o resultado de meses de preparação de seu criador, mas o ponto final de aprimoramento do que define boa parte do rock estadunidense atual.

Fazendo uso de uma sonoridade totalmente reformulada e em oposição ao que fora testado em 2011, Cronin parte do princípio de que guitarras saturadas de fuzz e batidas rápidas são aproveitados como meros complementos para um trabalho de se sustenta inteiro nas melodias. Contrariando o propósito agressivo que fora testado em músicas como Is It Alright e Slow Down, cada etapa do novo disco possibilita o aprimoramento dos sons e principalmente das vozes. Um tipo de tratamento evidente logo na abertura do álbum, em que as harmonias de piano espalhadas pela ensolarada Weight indicam o novo sustento instrumental do músico.

Entretanto, é preciso levar em conta que mesmo próximo de um som mais “brando”, Cronin em nenhum momento se distancia daquilo que propunha até pouco tempo. Responsável por auxiliar Ty Segall na construção cacofônica de Slaughterhouse (2011), o músico parte exatamente do que vinha construindo há alguns meses, sustentando no acréscimo de instrumentos e referências marcadas pelo detalhe a formatação de todo um novo contexto musical. São as mesmas guitarras, uma temática lírica que não foge do comum e os já tradicionais vocais ásperos, a diferença está nos mínimos pigmentos coloridos que ocupam o esboço acinzentado de outrora.


Como já havia revelado no decorrer do primeiro disco solo, Cronin é um confesso interessado em resgatar marcas específicas do rock alternativo. Ao passo de que centenas de músicos conterrâneos parecem cada vez mais influenciados pela essência de J Mascis e outros veteranos que definiram a música da década de 1990, Mikal parece ir além. São guitarras tingidas pela suavidade do Power Pop, vocais capazes de cobrir todas as prováveis lacunas da obra e letras que simplesmente dançam pelos ouvidos. Entre memórias instrumentais que apresentaram bandas como Big Star e até elementos vocais que remetem ao The Beach Boys, o músico consegue ir além do que impulsiona a quase totalidade do rock presente. Continuar lendo

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Disco: “Cruise Your Illusion”, Milk Music

Milk Music
Rock/Alternative/Garage Rock
https://www.facebook.com/pages/MILK-MUSIC/

 

Por: Cleber Facchi

Milk Music

Há tempos o rock norte-americano não vivia uma fase tão rica quanto a atual. Mesmo com a retomada dos sons garageiros no começo da década passada – encabeçado por grupos como The Strokes, The White Stripes e outros representantes da cena -, nunca antes houve uma variedade tão grande de trabalhos movidos pela sujeira assertiva dos sons e o peso envolvente das guitarras. Um efeito que cresceu de forma nítida no último ano, quando Cloud Nothings, Japandroids, TY Segall e demais grupos trataram de apresentar alguns dos registros mais barulhentos e ainda assim cativantes da cena alternativa . Marca que, ao que tudo indica, não deve ser rompido tão cedo, ou pelo menos é o que os novatos do Milk Music comprovam com o mais novo e bem sucedido disco de estúdio.

Rock”, a palavra parece simplesmente brilhar no cérebro do ouvinte assim que Cruise Your Illusion (2013, Fat Possum), recente álbum da banda de Washington tem início. Misto de guitarras embrutecidas e sons ágeis que dançam de acordo com os vocais de Alex Coxen, a estreia do grupo parece assumir uma marca própria em relação ao que alimenta a recente música estadunidense. Uma individualidade que mesmo distante consegue se manter firme com os demais trabalhos lançados nos últimos meses – principalmente dentro do universo musical californiano. “Rock”, um som que se sustenta abertamente por marcas talvez esquecidas dentro da variedade de tendências que alimentam a cena musical presente, mas que encontram nessa diversidade um claro ponto de ineditismo e possíveis transformações.

Assim como bem estabeleceu o trio California X no decorrer do primeiro disco há alguns meses, ao entregar o primeiro álbum os garotos do Milk Music parecem movidos pela necessidade de resgatar marcas específicas do passado. São os paredões de guitarras de J Mascis (de longe a personalidade mais influente da atual geração), a aceleração raivosa dos primeiros álbuns do Black Flag, a dureza melódica das canções de Bob Mould (seja como Hüsker Dü ou Sugar) e até o arsenal de distorções do Sonic Youth. Elementos que há décadas circulam pela produção estadunidense, mas nunca antes dentro de um contexto tão motivado, intenso e, de fato, prazeroso de ser ouvido.


Alex Coxen e os parceiros Joe Rutter, Dave Harris e Charles Warring, sabem que os sons que eles fazem podem ser encontrados no trabalho de qualquer outro grupo de garagem. A diferença está em como isso é apresentado ao público. Por mais redundantes (e até toscas) que sejam as canções da banda, o uso exato de riffs pretensiosos, solos épicos e berros pouco moderados acabam convencendo. Aquele tipo de energia que estimula senhores de cabelo branco ou mesmo adolescentes recém iniciados a afirmar que o “bom rock” já morreu. Mesmo as líricas, até bastante convincentes, que se acomodam no decorrer da obra não parecem ser o ponto principal do disco, um trabalho que concentra na ruptura constante da calmaria e até na melancolia raivosa dos sons um ponto fundamental para a grandeza e a orquestração do trabalho. Continuar lendo

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Dinosaur Jr.: “Entertainment” (Phoenix Cover/Remix)

Dinosaur Jr.

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Não gostou daquilo que você encontrou em Bankrupt!, quinto e mais novo álbum do Phoenix? Sem problemas, J Mascis e os parceiros do Dinosaur Jr. dão um bom motivo para mudar de ideia. Convidados pelos próprios membros do grupo francês para produzir um remix para a faixa Entertainment, a banda veterana do rock alternativo norte-americano deu formas a uma das melhores versões já feitas até hoje. Esqueça os sintetizadores, a aceleração, o pop e tudo aquilo que você encontra na versão original da música. Ao longo de três minutos, solos de guitarras e os vocais envelhecidos de Mascis garantem novo sentido à composição. Ironicamente apresentada como um remix, a faixa consegue soar melhor, muito melhor do que qualquer coisa que o Phoenix apresenta no decorrer do novo álbum.

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Dinosaur Jr. – Entertainment (Phoenix Cover)

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Disco: “I Bet On Sky”, Dinosaur Jr.

Dinosaur Jr.
Alternative Rock/Indie/Rock
http://www.dinosaurjr.com/

Por: Fernanda Blammer

Em meados da década de 1960 o médico canadense Elliott Jaques cunhou um termo que até hoje reverbera nos ouvidos de alguns indivíduos com mais de 40 ou 50 anos de vida: a famigerada crise de meia-idade. Com base em padrões observados em uma série de pacientes, o norte-americano constatou que a partir de determinada idade algumas pessoas assumiam uma postura de libertação e reformulação total de suas vidas, reflexo da maior aproximação com a perda de familiares, noção constante de envelhecimento e diversas outras transformações biológicas que involuntariamente acabavam arrastando os homens para esse processo de acertos e incontáveis exageros.

Talvez de forma ainda controlada, mas claramente explícita, ao final de 2005 quando J Mascis, Lou Barlow e Murph resolveram reviver a trajetória do Dinosaur Jr. de forma jovial e intensa, uma pequena dose dessa suposta crise começou a se manifestar. O primeiro resultado dessa crescente transformação veio dois anos depois, com a chegada do sujo e acelerado Beyond, oitavo registro em estúdio da banda e uma prova transparente de que todo o esforço incorporado pelo grupo ao final da década de 1980 e em parte dos anos seguintes estava de volta. Repleto de elementos que passeavam pela crueza instrumental e a densidade dos versos, o disco surgiu como uma espécie de recomeço, firmando uma conexão com o que o grupo havia promovido em clássicos como You’re Living All Over Me e nos preparando para o que viria ali dois anos.

Mais completo registro desde que a banda lançou em fevereiro de 1991 o ruidoso Green Mind, Farm (2009) parecia não apenas (re)introduzir o trio britânico às novas gerações, como garantia a banda de Massachusetts uma sonoridade melhorada, densa e perfumada pela intensa inclusão de guitarras tomadas pela distorção. Percepção que se estendia da abertura sólida de Pieces a construções monumentais como a imensa I Don’t Wanna Go There (com mais de oito minutos de duração), a nova tonalidade assumida pela banda de alguma forma tornavam o trabalho da tríade norte-americana tão relevante quanto fora no passado, assumindo a mesma postura incorporada por grupos como Sonic Youth, Radiohead, R.E.M. e outros artistas que na época ainda mantinham uma produção tão intensa ou até maior do que quando estrearam.

Agora de posse do décimo registro em estúdio, I Bet On Sky (2012, Jagjaguwar), o trio inverte novamente as particularidades instrumentais de outrora, assumindo o lançamento de um disco rápido, verdadeiramente cru e que mais uma vez converte os acertos do passado em algo novo e competente com o que ecoa no cenário alternativo recente. Com um catálogo de referências que ultrapassam os limites de bandas novas como Yuck, Cloud Nothings, Male Bonding e tantas outras que surgiram nos últimos cinco anos, o grupo vai da faixa de abertura ao encerramento percorrendo um caminho de vias tortuosas e sujas, transformando as guitarras sempre versáteis de Mascis uma espécie de linha guia para bem situar os novos e velhos ouvintes dos trabalhos da banda. Continuar lendo

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Dinosaur Jr: “Watch the Corners”

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Desde o retorno da formação original do trio Dinosaur Jr na segunda metade da década passada que a banda vem revelando uma sucessão de faixas assertivas e trabalhos sempre competentes, resultado que deve se repetir do próximo disco do grupo, I Bet On Sky . Com previsão de lançamento para o dia 17 de setembro, o álbum acaba de ter a primeira música lançada, trata-se de Watch the Corners, mais uma sucessão assombrosa de guitarras sujas, paredões colossais de distorção e os versos sempre melódicos de J Mascis. O disco contará ainda com outras nove canções que devem repetir o mesmo peso e acerto do presente lançamento.

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As Melhores Capas de 2011

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Não se deve julgar um livro pela capa correto, mas e um disco? Em um ano de lançamentos medianos – tudo bem, alguns discos excelentes – o que aprendemos é que um bom álbum, sempre vem acompanhado de uma ótima capa, pelo menos é o que Wado, M83, Toro Y Moi, entre outros nos ensinaram. Para ampliar nossas listinhas de final de ano selecionamos 20 capas de disco que chamaram as atenções ao longo do ano, imagens capazes de definirem todo o conteúdo dos trabalhos ou de simplesmente comover os espectadores.

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J Mascis: “I’ve Been Thinking”

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Não é à toa que J Mascis é um dos maiores figurões do rock alternativo. Em férias de sua grande banda, o memorável Dinosaur Jr, o músico norte-americano aproveitou para descansar suas estrondosas guitarras para se entregar ao conforto dos violões, transformando seu novo registro solo – Several Shades Of Why – em um dos grandes trabalhos do ano. Como “férias” para o músico tem um significado completamente oposto, Mascis reaparece apresentando uma nova composição, I’ve Been Thinking, música que dialoga de maneira formidável com o que fora apresentado em seu recente trabalho.

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J Mascis – I’ve Been Thinking

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J Mascis: “Is It Done”

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Para aumentar ainda mais o clima lírico de Several Shades of Why (2011), novo trabalho solo de J Mascis (Dinosaur Jr), o músico se posiciona à frente de uma diversidade de cenários enquanto embala o público com a melancolia de Is It Done. O clima do vídeo é todo relaciona ao uso de tintas e pinturas, com o próprio músico se transformando em desenho posteriormente, ou se transformando em um quadro animado, através da constante troca de painéis coloridos.

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J Mascis: “Not Enough”

 

Se alguém não imaginava ver J Mascis livre de seus paredões de guitarras, o novo trabalho solo do músico torna isso possivel. Vinda diretamente desse recente álbum Not Enough mostra o bom e velho Mascis só que de maneira acústica. Para ilustrar tal faixa o músico chega com essa belíssima animação.

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