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Brazilian/Instrumental/Afrobeat
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Por: Cleber Facchi
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Tupi Novo Mundo (2013, Independente) é um trabalho que se conecta com dois momentos distintos da história da música – tanto a nacional como a estrangeira. O primeiro se manifesta de forma quase óbvia nas sonorizações típicas da década de 1970, marca instrumental traduzida na confessa relação da banda mineira com os inventos aplicados ao longo de todo o período. Seja pelos sons ensolarados e dançantes assinados por Fela Kuti ou mesmo Miles Davis em seus trabalhos menos climáticos e naturalmente experimentais, o passado é o que orienta o grupo no presente. A apropriação dos ritmos africanos bem como o casamento com a música negra surgida em solo norte-americano no mesmo período estimula e fornece ritmo a todo o trabalho, reproduzindo um disco que dança entre o suingue das guitarras e a batida forte da percussão.
É possível ainda voltar um pouco mais no tempo, encontrando no trabalho de artistas brasileiros como Pedro Santos (e seu clássico redescoberto, Krishnanda de 1968), ou mesmo na obra de Hermeto Pascoal condimentos que atraem o grupo ao experimento. A temática do coletivo de 11 integrantes, entretanto, não se concentra especificamente no passado, mas no presente – pelo menos no que tange as referências nacionais. Com aproximações que vão dos blocos instrumentais marcados na obra do Bixiga 70 ao resgate recente da obra dos Novos Baianos, Tupi Novo Mundo é um registro que cresce justamente em cima da nostalgia não vivenciada de seus jovens compositores, resultado que tira o coletivo dos exageros marcados e prováveis vícios que tanto embalam repetitivos álbuns do gênero.
Em alguma medida, cada instante do pequeno disco se coloca dentro de um aspecto muito próximo do que guia o grupo Amplexos em sua última grande obra, A Música da Alma (2012). Enquanto a banda fluminense lida com o reggae e o dub sem esbarrar nos redundantes exageros de tantos veteranos da mesma cena, algo similar acontece com o trabalho do grupo de Belo Horizonte, que brinca com o Afrobeat, sem tentar ser exatamente isso. Talvez pela curta duração do álbum, ou quem sabe pela forma como as canções são espontaneamente posicionadas, tudo se dissolve em uma medida de descompromisso e bom humor, como se uma aura de domingo à tarde fosse derramada em cada melodia cuidadosa que cresce pelo trabalho. Continuar lendo










