Justice/Los Campesinos
Ao Vivo/Electronic/Indie
http://www.myspace.com/etjusticepourtous
http://www.loscampesinos.com/
Por Allan Assis

Discos ao vivo costumam receber pouca atenção da mídia especializada, já que geralmente são vistos como um mero intervalo entre trabalhos de estúdio – local onde são preparadas as ‘verdadeiras’ inovações. Servem então, como uma revisão do que de mais interessante foi apresentado por um artista até o momento, uma espécie de checklist que fecha a etapa de trabalhos anteriores e prepara o terreno para os próximos álbuns de inéditas. Access All Arenas (2013, Ed Banger), segundo registro ao vivo do Justice, muda ligeiramente o propósito dos apanhados de canções gravadas com participação do público. Gaspard Augé e Xavier de Rosnay dominam essa técnica como ninguém, haja visto o impacto causado na audiência de que acompanhou o festival Sonar 2012, em São Paulo, ou teve oportunidade de assistir ao DVD A Cross the Universe (2008), registro da última turnê internacional, mais um curto documentário sobre o duo.
Aos que não puderam fazer parte das centenas de vozes que se juntam aos sintetizadores marcantes do house com inspiração rock tocado nessas ocasiões, surge agora a chance de verificá-los neste segundo trabalho ao vivo. Composto por 14 faixas, que dão maior vazão a interpretações e experimentações calcadas em † (2007), e pontuado por alguns dos maiores hits do não tão bem recebido Audio, Video, Disco (2011). Access é basicamente um longo setlist eletrônico, onde as músicas se emendam transformando faixas em remixes que conversam entre si. Exemplos são Canon, e D.A.N.C.E, hit desacelerado no palco para servir de intervalo de descanso pro corpo, enquanto os pulmões bradam a letra. Aliás, a participação das vozes da audiência representa importante papel no show dos franceses. Os gritos de garotas histéricas espalhadas pelo Arena de Nimes, histórico anfiteatro em Roma – local onde o álbum foi gravado – se fazem sentir por toda a extensão do disco, ajudando a traduzir um pouco da comoção que toma de assalto as apresentações do duo que recebe tratamento de astros do rock.
Brincando com as expectativas de quem os assiste, e mantendo elementos reconhecíveis de seus maiores sucessos, mas adicionando novidades, como o ocorrido com We Are Your Friends, parceria dos franceses com a finada banda inglesa Simian, transformada em apenas uma ideia que derrama o forte refrão através de Civilization, New Lands e Waters of Nazareth. O elemento surpresa e o desapego em transmutar suas canções confere relances de ineditismo em algumas faixas, além de evitar o óbvio das apresentações ao vivo que tem o eletrônico como tema: o velho truque do dj set com efeitos e músicas pré-selecionadas que engessam apresentações sem deixar espaço para o inesperado. Vimos em Audio, Video, Disco que o Justice pode ter perdido um pouco a mão nas dosagens de seu eletrônico com temas rock, mas fica mais do que provado que os franceses sabem muito bem como agradar diante da devota legião de fãs em carne e osso.
Enquanto o Justice passa com facilidade pela prova do live álbum, os britânicos do Los Campesinos! encontram o tom aos percalços. A Good Night for Fistfight (2013, Independente), primeiro disco ao vivo do sexteto, acaba por se mostrar um desfile do encantador apanhado de composições da banda ao longo dos poucos, mas frutíferos, anos de carreira, que deram origem a quatro álbuns e dois EP’s. Deixando um agridoce tom de despedida – já que esta é a última apresentação do grupo ao lado da baixista Ellen Waddell -, o álbum é marcado por derramar as já conhecidas lamúrias de Gareth Campesinos. Em conjunto à rica instrumentação com ares anos 90, que tanto poderia ser inspirada nos versos delicados dos escoceses do Belle and Sebastian, o trabalho segue em orientação dolorosa. Continuar lendo








