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Disco: “Drifters/Love Is The Devil”, Dirty Beaches

Dirty Beaches
Experimental/Lo-Fi/Garage Rock

http://dirtybeaches.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Dirty Beaches

Embora conte com uma extensa e continua produção desde a segunda metade dos anos 2000, foi só com o lançamento de Badlands, em 2011, que Alex Zhang Hungtai conseguiu firmar um universo próprio para o Dirty Beaches. Habitante de um plano excêntrico e que parece resgatar marcas específicas rock da década de 1950 dentro de um invento totalmente acinzentado, o cantor e compositor canadense alcança o segundo registro da carreira mergulhando mais uma vez nesse mesmo ambiente. Longe de se acomodar em possíveis redundâncias, Hungtai trata do novo álbum como um trabalho ainda mais complexo e desafiador – para ele e principalmente para o ouvinte.

Dividido em duas partes bem definidas, Drifters/Love Is The Devil (2013, Zoo Music) assume em cada metade uma aspecto específico daquilo que o músico sustentou de maneira experimental há dois anos. Os mesmo sons ruidosos, tramas Lo-Fi e vocais submersos que pareciam transportar o ouvinte para o fim dos anos 50. Mesmo parte de um composto único, o trabalho assume em cada porção um conjunto de particularidades distintas, expandindo o cenário proposto por Hungtai no trabalho anterior e alcançando um projeto que vai da ambientação sombria do Drone ao Rockabilly em uma proposta de funções heterogêneas.

Espécie de registro irmão daquilo que o músico propôs em 2011, Drifters concentra nos vocais e letras tomadas pela melancolia um percurso seguro para aqueles que já estavam habituados ao propósito de Badlands. Mais uma vez se apresentando como um Elvis Presley zumbi, o cantor utiliza dos vocais graves e empoeirados como único elemento guia dentro do cenário claustrofóbico e mutável da obra. Enquanto guitarras desmedidas e até batidas eletrônicas se espalham em uma movimentação levemente aterrorizante, as vozes fantasmagóricas de Alex parecem apontar a direção no decorrer da obra. Dessa forma, é possível firmar uma curiosa relação entre o Garage Rock de I Dream In Neon e o rock eletrônico de ELLI, como se a voz obscura do músico servisse como uma luz fraca que tremula essencial por todo o registro.

Muito mais arriscado do que o trabalho anterior, Drifters pode até manter na formatação peculiar uma forte relação com o último disco, entretanto, a diferença está nos rumos que Hungtai assume no decorrer da obra. Ainda que as batidas sintéticas (exploradas com timidez há dois anos) sejam o principal diferencial do álbum, é no próprio manuseio das guitarras que o músico sustenta a composição de todo o disco. Enquanto Mirage Hall (com quase dez minutos de duração) dança em um ambiente próximo da psicodelia, faixas como Casino Lisboa deixam fluir a agressividade que envolve o trabalho do músico. Sobram ainda exaltações sintetizadas como as de Belgrade e até inventos atmosféricos em Landscapes In The Mist, fazendo com o universo definido em Badlands seja atentamente explorado e manuseado pelo músico. Continuar lendo

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Disco: “Innocence Is Kinky”, Jenny Hval

Jenny Hval
Norwegian/Experimental/Female Vocalists

http://jennyhval.com/

 

Por: Cleber Facchi

Jenny Hval

Lascivo e provocante, não existem palavras que melhor definam o novo trabalho de Jenny Hval, Innocence Is Kinky (2013, Rune Grammofon). Transitando pelo mesmo plano instrumental testado em Viscera (2011), a musicista norueguesa traz na densidade das palavras um complemento necessário para canções que mergulham em experimentos sombrios. Discutindo medo e amargura em um propósito de extrema sexualidade, Hval dá vida a um registro que dança pela crueza de forma imoderada. Se posicionando como o ponto central de uma obra que traz na instabilidade a única certeza para o ouvinte, a cantora se converte em uma matéria-prima desconcertante, capaz de revelar o lado mais obscuro do ouvinte em meio a descrições de seu próprio cotidiano.

Poderia ser Björk, PJ Harvey ou qualquer outra compositora que deu voz aos sentimentos mais honestos do universo feminino, entretanto, ao assumir cada instante do álbum com extrema honestidade e até certa dose de crueza, Hval cria um domínio próprio. “That night, I watch people fucking on my computer”, sussurra a artista nos primeiros instantes da faixa que dá título ao registro, trabalho este que mergulha em uma atmosfera capaz de se relacionar com Dummy (1994) do Portishead, ao mesmo tempo em que se derrama em despudores conhecidos apenas pela norueguesa. Provocações, lamentos e um orgasmo que parece administrado em doses durante toda a obra.

Fazendo de cada faixa um recorte isolado, Hval assume uma temática que se ausenta da homogeneidade “katebushniana” de boa parte das novas compositoras. Na contramão daquilo que Juliana Barwick, Grouper, Julia Holter e tantas outras artistas vêm aprimorando, Jenny parece interessada em provar de cada referência, seja ela voltada ao rock ou à eletrônica. Tudo é pensado em um propósito irregular, como se fosse natural à artista mergulhar em um universo de guitarras para a construção de I Called (que mais parece algum invento do St. Vincent), e logo depois se acomodar na ambient music de Oslo Oedipus. Altos e baixos instrumentais que mais parecem a trilha sonora para o atrito entre os corpos.

Da capa aos versos, cada espaço do trabalho parece pensado de forma a provocar o ouvinte. Enquanto as composições se esbarram em uma orquestração desconexa, Hval sussurra, grita, canta ou simplesmente dialoga com o ouvinte sem qualquer pretensão. É como se a cantora partilhasse do mesmo propósito de Holly Herndon em Movement (2012), porém dentro de uma medida muito mais anárquica. Nem os vocais parecem lidar com qualquer tentativa de aproximação no decorrer da obra. Se Mephisto In The Water é a manifestação sublime do que seria Joanna Newsom longe da atmosfera barroca, I Got No Strings pula para as temáticas quase irritantes de Laurel Halo em Quarantine (2012), transformando a obra em um imenso mosaico de sons, vozes e experiências. Continuar lendo

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Dirty Beaches: “Landscapes In The Mist”

Dirty beaches

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Alex Zhang Hungtai tem feito mistério em torno de sua nova obra, Drifters/Love Is the Devil. Registro duplo agendado para o dia 20 de Maio, o novo álbum do músico canadense parece cada vez mais distante daquilo que fora proposto em 2011, durante o lançamento do obscuro Badlands estreia do Dirty Beaches. Enquanto há dois anos o artista parecia interessado em reviver marcas específicas da década de 1960 dentro de um contexto sombrio – algo como um Elvis Presley mergulhado no Garage Rock -, hoje a busca por um som essencialmente experimental e voltado a Drone é o que predomina. Assim como havia testado em Love Is The Devil no final de janeiro, com Landscapes In The Mist Hungtai se concentra na produção de um som atmosférico, manejando sua guitarra como se dialogasse com artistas como Grouper ou outros habitantes desse mesmo plano soturno.

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Dirty Beaches –  Landscapes In The Mist

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James Blake: “And Holy Ghost”

James Blake

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James Blake parece ter percorrido um longo caminho até alcançar a massa sonora que alimenta Overgrown, segundo e ainda inédito registro em estúdio do produtor britânico. Depois de revisitar a própria carreira na crescente Retrograde e de mergulhar fundo na experimentação eletrônica de Digital Lion (parceria com Brian Eno), Blake volta agora com mais uma inédita e curiosa invenção: And Holy Ghost. Climática e naturalmente voltada ao Drone, a canção aproxima os ensinamentos de Eno do mesmo invento acinzentado que marca a carreira de Tim Hecker e Grouper. Originalmente a composição será lançada como B-Side da versão Dub de Voyeur, apresentada na última semana. O novo disco tem previsão de lançamento para o dia oito de Abril.

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James Blake - And Holy Ghost

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Evenings: “Friend (Lover)”

Evenings

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Imagine um cenário em que Gold Panda, Grimes e as experimentações climáticas do Grouper partilham de uma sonoridade harmoniosa e mágica. Tudo isso reside nos pouco mais de quatro minutos que Nathan Broadus dissolve no mais novo single do Evenings, Friend (Lover). Lançada logo depois do produtor norte-americano ter assinado com o selo Friends of Friends, a faixa anuncia a chegada do primeiro registro oficial do músico, Yore, previsto para o dia 16 de Abril. Metade psicodélica, metade ambiental, a canção brinca com a eletrônica de maneira climática, espalhando uma variedade de referências que tranquilizam e convidam o ouvinte para um passeio pelo etéreo.

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Evenings – Friend (Lover)

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Disco: “The Man Who Died In His Boat”, Grouper

Grouper
Experimental/Drone/Ambient

Por: Cleber Facchi

Grouper

As capas em tons acinzentados que ilustram cada novo trabalho do Grouper têm um objetivo bastante simples dentro da proposta assinada por Liz Harris: Separar a nossa realidade da dela. Desde que deu formas aos primeiros lançamentos relacionados ao projeto em meados da década passada, Harris tem se aventurado de forma solitária na execução de longos e inventivos tratados experimentais, registro em que a sobreposição de texturas denses servem de engrenagem para ambientar o espectador. Um cenário que parece representar de forma intimista a mente soturna de sua realizadora, mas que pouco à pouco se abre para a passagem ou quem sabe a morada de qualquer ouvinte ambientado ao mesmo tipo de experimento.

Dando continuidade àquela que é a maior obra (em todos os sentidos) de sua carreira, o duplo A I A : Alien Observer / Dream Loss de 2011, Harris abandona as prováveis redundâncias ou sustento em cima de uma fórmula pronta para novamente confundir a mente do ouvinte. Embalado pelo encaixe climático de vozes, ruídos e bases instrumentais que jamais se aproximam do exagero, The Man Who Died In His Boat (2013, Kranky) é um registro que rompe com a formatação conceitual de outrora, sendo ao mesmo tempo uma revitalização na obra recente da artista e um passeio pelas iniciais composições do Grouper.

Pela primeira vez em mais de meia década de experimentos inusitados, a invasão de referências externas contribuem para aproximar e trazer novidade ao que por vezes é deixado de lado na sempre padronizada obra da compositora. Trata-se de uma maior relação com o uso de elementos acústicos, resposta natural ao que a artista desenvolveu ao longo de 2012 durante a parceria com Jesy Fortino (Tiny Vipers). Imersa no panorama atmosférico de Foreign Body, primeiro e talvez único registro do projeto Mirroring, Harris utiliza do registro como influência fundamental para o que circula nas massas de sons que movimentam o recente lançamento.

 

Ainda que uma primeira audição (e principalmente o bloco inicial de composições) reforce as tendências climáticas que outrora direcionavam o trabalho da norte-americana, do meio para o fim de The Man Who Died In His Boat Harris parte em busca de renovação. Em faixas como Cover the Long Way, por exemplo, a sobreposição das texturas sintetizadas e cinzas que sinalizam os demais trabalhos da artista dão lugar a uma linha caseira de violões, instrumento que transita livremente enquanto os vocais são diluídos de forma etérea. Por mais comum que pareça a estratégia para quem acompanha as transições paralelas de Liz, dentro do Grouper e em relação ao que foi construído no duplo A I A, tal proposta é absorvida como renovação. Continuar lendo

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Grouper: “Vital”

Grouper

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Vital é uma verdadeira pérola na vasta seleção de músicas conquistadas por Liz Harris dentro do Grouper. Inédita, a canção estará no próximo registro da compositora, The Man Who Died in His Boat, que ainda lançará uma coletânea formada apenas por composições de estúdio que ficaram de fora dos anteriores trabalhos. Com um acabamento que praticamente aproxima a canção dos primeiros registros em estúdio de Harris, a faixa se contrapõe aos inventos testados no último grande álbum da artista, o duplo e excelente A I A: Alien Observer/A I A: Dream Loss. O novo disco tem previsão de lançamento para 13 de fevereiro.

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Grouper – Vital

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Disco: “Foreign Body”, Mirroring

Mirroring
Experimental/Ambient/Drone

http://www.myspace.com/tinyvipersss

http://www.myspace.com/grouperrepuorg

Por: Cleber Facchi

Liz Harris é uma verdadeira artesão quando se trata de mexer com as formas sonoras ambientais, ruídos sutis e exaltações suaves típicas da música drone. Ativa entusiasta do estilo desde que começou com suas produções na segunda metade da década passada, a artista passou os últimos anos se revezando na construção de projetos tomados por uma sutileza ruidosa e formas sombrias que transformaram o Grouper, projeto comandado por ela, em um dos mais elogiados e inventivos do gênero. Ao mesmo tempo em que ocupa boa parte do tempo com lançamentos contínuos, a musicista de Portland, Oregon aproveita para investir em algumas parcerias, colaborações sempre conceituais, mas que em nenhum momento superam o recente encontro entre ela e a conterrânea Jesy Fortino.

Dona de uma produção tão individual quanto Harris, Fortino assume todos os comandos dentro do Tiny Vipers, projeto em que interage por meio de construções acústicas sempre climáticas, utilizando dos vocais como uma espécie de instrumento extra para as sempre etéreas projeções por ela arquitetadas. Todavia, enquanto com o Grouper Harris alcança um trabalho sombrio e noturno, algo visível nos sintetizadores climáticos e sujos que percorrem as composições, em carreira solo Jesy transita por um universo matinal, resultando em uma sonoridade de quase oposição. Dentro desse caráter dicotômico surge o Mirroring, colaboração entre as duas artistas que fazem do recente Foreign Body (2012, Kranky) um ameno crepúsculo, um encontro entre as experiências levemente ensolaradas de uma, com o toque noturno da outra.

Ora voltado aos encantos angelicais promovidos por Julianna Barwick no também climático The Magic Place, ora flutuando nas mesmas emanações projetadas por Julia Holter no ainda recente Ekstasis, a dupla parece a todo momento partilhar referências de maneira que elas se completem. Enquanto Harris ocupa todos os espaços do álbum com teclados monumentais e densos, Fortino deixa que os vocais escorram agradáveis, temperando as canções com acordes controlados de violão, elementos que embora partilhem de uma sonoridade muito próxima do que cada uma explora em carreira solo, ecoam distintos com o passar da obra.

Se a princípio o registro abre banhado pela luz fraca do final de tarde, algo bem expresso nos sintetizadores de Fell Sound ou no violão solitário que passeia pela agradável Silent From Above, à medida que nos aproximamos do fechamento do álbum, mais o ouvinte é tragados para um universo de sonorizações escuras e amarguradas. O que antes era distinto e marcado por pequenos contrastes – vocais ou sonoros -, agora surge em meio a ruídos homogêneos, algo que os quase nove minutos da faixa Mine traduzem com vocais alongados, sintetizadores etéreos e um fino toque noturno que pende para o Grouper nos momentos mais épicos. Continuar lendo

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Disco: “A I A: Alien Observer/A I A: Dream Loss”, Grouper

Grouper
Ambient/Drone/Experimental

http://www.myspace.com/grouperrepuorg

Por: Cleber Facchi

 

Liz Harris não parece ser uma criatura deste planeta. Desde que os primeiros trabalhos sob o nome de Grouper começaram a aparecer em meados da década passada que a cantora – talvez essa não seja o melhor título à figura da norte-americana – vem se revezando solitária no lançamento de uma sucessão de registros obscuros, trabalhos profundamente mergulhados na estética Drone e que transformam a obra da musicista em uma espécie de portal para um universo completamente alheio ao nosso.

Se distante da nossa realidade está a obra de Harris, com o duplo e ainda recente A I A talvez as propostas musicais da artista comecem de vez a se aproximar do nosso próprio mundo. Dividido em duas partes, o álbum mantém as mesmas características musicais das anteriores obras da artista – quase todos trabalhos lançados de forma caseira ou através de selos independentes tão obscuros quanto as próprias composições da americana -, embora utilize de algumas aberturas visíveis, uma espécie de estratégia consciente para conectar a realidade de Harris com a nossa.

Mais expressiva das duas metades é A I A : Alien Observer, trabalho que concentra as criações mais extensas da musicista e também obra que mais nos aproxima do estranho universo que parece se formar na cabeça de Liz. Movimentando-se de maneira obviamente letárgica, o disco se preenche com teclados obscuros, guitarras liquefeitas e até alguns raros acordes que se desvencilham das projeções densas que orientam de forma imutável trabalhos desse gênero. Além de toda essa somatória, o álbum cresce graça as um elemento essencial para o projeto: a voz.

Tão suaves e obscuros quanto os sons esbanjados ao longo do trabalho, os vocais parecem se manifestar como um ponto de apoio ao ouvinte, o único mecanismo capaz de manter firmes os laços com a nossa realidade e a da artista. Diferente de outro trabalho muito similar, The Magic Place da conterrânea Julianna Barwick, em Alien Observer a voz não é o todo, mas um complemento, um elemento facilitador e um guia, como se fosse adicionado posteriormente, passadas as construções musicais de Harris.

Se na primeira metade de A I A a cantora parece desenvolver um trabalho puramente intimista, com a segunda parte, Dream Loss temos um quase oposto disso. Menos denso, o álbum possibilita que a artista navegue em um oceano de distorções e ruídos menos compactados, possibilitando que Grouper nos apresente o que seria o lado caótico desse estranho ambiente que ela promove. Com composições mais curtas – a duração dos dois discos é a mesma -, torna-se perceptível a imersão da artista em um som ainda mais experimental, delimitado pela ambient music, porém muito mais amplo e intenso – claro, dentro dos limites do disco.

Distintos em seus conteúdos, os dois trabalhos acabam se complementando, fazendo com que a musicista alcance um resultado muito mais satisfatório (e vasto) do que o proposto em 2008 com o sombrio Dragging a Dead Deer Up a Hill. Se A I A é uma chave para entendermos a mente de Liz Harris, é somente quando as duas metades do trabalho se encontram, abrindo de maneira definitiva todas as portas desse estranho e complexo ambiente.

Grouper

A I A : Alien Observer/ A I A : Dream Loss (2011, Yellowelectric)

Nota: 8.2/8.0
Para quem gosta de: Julianna Barwick, Sleep ∞ Over e Tim Hacker
Ouça: Vapor Trails e I Saw A Ray

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