Marcado com Grimes

MØ: “Waste Of Time”

MØ

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A cantora e compositora dinamarquesa Karen Marie Ørsted, mais conhecida como MØ, parece inclinada a provocar o espectador em todas suas composições. Assim como nos lançamentos anteriores, em Waste Of Time a artista usa dos vocais, sons e imagens para prender o ouvinte em um cenário tomado pelo encontro entre o pop e a experimentação eletrônica. Partidária dos mesmos inventos de Grimes (em uma medida menos etérea, claro), a cantora faz de cada instante dos três minutos da nova música um alimento para um cenário excêntrico e ainda assim pegajoso. Recentemente MØ assinou contrato com uma gravadora, o que deve resultar no primeiro registro em estúdio da artista muito em breve.

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MØ – Waste Of Time

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Grimes: “Venus In Fleurs”

Grimes

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Ao que tudo indica, a canadense Grimes já está e processo de construção daquele que será o sucessor de Visions (2012), seu último registro em estúdio. Enquanto nenhuma novidade é anunciada, a norte-americana faz do resgate de composições esquecidas do primeiro disco um exercício para acalmar os fãs. Depois de alguns remixes preparados para o bem sucedido Geidi Primes (2010), chega a vez de Venus In Fleurs, uma das 11 faixas do registro ser transformada em clipe. Com direção assinada por Video Marsh, o trabalho se aproveita de imagens de animais e um ambiente acinzentado, perfeito para a composição excêntrica que dança suavemente pelo trabalho da cantora.

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Grimes – Venus In Fleurs

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Braids: “Amends”

Braids

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Assim como no começo da década passada, a produção canadense se apresenta como um dos grandes focos de novidade do cenário musical. Em meio a boa repercussão de nomes como Grimes, Purity Ring, Majical Cloudz e outras centenas de artistas, quem anuncia o retorno são os membros do Braids. Responsável por um dos grandes álbuns de 2011, Native Speaker, o coletivo que conta com os vocais de Raphaelle Standell-Preston (Blue Hawaii) faz da etérea Amends uma continuação experimental e ainda mais delicada de tudo o que o grupo alcançou há dois anos. Sobreposições vocais, batidas moderadas e todo um clima sutil que se esparrama confortavelmente nos mais de seis minutos da nova canção. A canção estará no próximo disco da banda, ainda sem data de lançamento, mas previsto para 2013.

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Braids – Amends

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Disco: “S EP”, SZA

SZA
R&B/Experimental/Lo-Fi
https://soundcloud.com/justsza

 

Por: Cleber Facchi

SZA

SZA representa boa parte do que identifica a música negra atual. São colagens assumidas de sons, gêneros e diferentes conceitos sonoros, eixo que a norte-americana representa tanto na capa colorida de S EP (2013, Independente), como na sonoridade vasta que se derrama ao longo de toda a obra. Construído como uma composição de três atos – uma para cada letra do “nome” da cantora -, o trabalho concentra no primeiro exemplar um resultado abertamente voltado ao etéreo. Enquanto batidas são agrupadas lentamente, os vocais puxam o ouvinte para um universo que mesmo tratado com nostalgia, preza pela novidade.

Livre da limpidez de um registro em estúdio, SZA e produtores como Felix Snow e Patrick Lukens encontram no clima caseiro de uma mixtape a ambientação perfeita para representar toda a intimidade da artista. Fã do coletivo de Hip-Hop Wu-Tang Clan – o próprio nome é uma brincadeira com o produtor RZA -, a cantora comprime as batidas típicas do gênero com letargia, fazendo dos vocais arrastados um brinde à nova safra do R&B. É como se Jessie Ware e Aluna Francis transitassem por uma versão Lo-Fi do que Beyoncé alcançou no álbum 4 (2011), derramando nas confissões dolorosas e românticas um exercício de identidade para a presente obra.

Embora a relação com a música negra seja a engrenagem que movimenta o trabalho, tal marca está longe de representar a peça mais importante que sustenta o novo projeto da norte-americana. Como dito, a proposta de SZA se constrói inteiramente na colagem de elementos líricos e sonoros de diferentes fontes e épocas. Um efeito que a cantora manifesta de maneira bem aproveitada tanto na estética Lo-Fi do EP como nos experimentos etéreos que orientam a música recente - principalmente o que vem de terras canadenses.


Mesmo a relação com o presente musical é instável. Por mais que ecos de Grimes e até batidas próximas das testadas pela dupla Purity Ring sejam despejadas pelo disco, muito de S EP parece saltar diretamente da década de 1990. Exemplo mais expressivo disso está na maneira como a cantora se aproveita dos vocais, resgatando aspectos que há duas décadas apresentaram Björk ao público. De fato, a presença da islandesa surge como um instrumento assertivo ao longo da obra, marca que a novata trata de administrar em uma versão particular, menos sintética e, claro, muito mais próxima da música negra. Continuar lendo

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Jaloo: “Couve EP”

Jaloo

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Jaloo já foi Pop, já foi brega, agora ele quer ser Couve. Isso mesmo, Couve, este é o título do mais novo lançamento do produtor paraense, que depois de dar vida à ótima coletânea Female & Brega, no último ano, regressa com mais um registro curto de oito faixas com suas incursões pela música pop – nacional ou estrangeira. Apoiado pelo clima caloroso do Technobrega, o jovem produtor antecipa que este é um ponto de ruptura em sua carreira, agora focado em uma proposta muito mais autoral. Além de remixes e versões para músicas já conhecidas, como I Follow Rivers de Lykke Li ou Oblivion de Grimes, Jaloo entrega algumas novidades, como a versão para Baby (eternizada na voz de Gal Costa) e um clipe místico para a faixa Diamonds, original na voz de Rihanna. Para baixar o trabalho, basta clicar aqui.

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Jaloo – Couve EP

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Disco: “True Romance”, Charli XCX

Charli XCX
Pop/Electronic/Synthpop
http://charlixcxmusic.com/

 

Por: Cleber Facchi

Charli XCX

A britânica Charlotte Aitchison sempre teve tudo para se transformar em uma típica representante da música pop, como boa voz, parceiros influentes e a capacidade de produzir composições pegajosas. Além, claro de um atributo extra: A beleza. Felizmente ela resolveu ir além. Sob o nome de Charli XCX, a cantora de Hertfordshire, Inglaterra já acumula meia década de composições tomadas pelo encontro melódico entre a eletrônica e o pop, marca que ela só conseguiu aprimorar de fato há pouco menos de dois anos, quando Stay Away e a grudenta Nuclear Seasons a apresentaram de vez ao público. Ora brincando com o Hip-Hop, ora íntima dos sintetizadores sombrios da década de 1980, a artista alcança o primeiro álbum solo com a sobriedade de quem sabe onde pisa e ainda insiste em ir além.

Praticamente um catálogo de tudo o que XCX vem desenvolvendo desde o começo de 2011, o recente True Romance (2013, Asylum) costura todos os grandes lançamentos da cantora de forma a alimentar um cenário funcional apenas dentro dos vocais inexatos e batidas não lineares que a cantora (e um time de produtores) vem construindo. Faixas que dançam pelas referências de Robyn, navegam pela onda de artistas da cena Small Pop, vão até a década de 1980, voltam para a Chillwave e tratam o R&B com um toque de Witch House. Referências obviamente instáveis, mas que parecem alimentar de forma eficiente o rico catálogo que se acomoda com exatidão na mente da britânica.

Mesmo com boa parte das faixas já conhecidas do público, o posicionamento exato e uma “segunda mão de tinta” na produção tratam de presentear o álbum em completude com um toque de novo. Mais do que amarrar cada faixa dentro de uma sonoridade exata e conceitualmente íntima, Charli movimenta pelo disco velhas conhecidas, como You’re The One, ou faixas mais recentes, à exemplo de You (Ha Ha Ha), de forma que tudo faça parte de um mesmo plano musical. É como se aquela composição lançada há dois anos seguisse o mesmo roteiro lírico-musical do tudo o que a britânica tem construído desde o começo do presente ano, o que de fato acontece.


Revelando composições inclinadas à confissão, Aitchison trata de cada faixa como um mecanismo natural de visita ao passado – muitas vezes recente e extremamente doloroso. Ainda que composições mais antigas já explorem isso com acerto (vide o caso de Nuclear Seasons e a bem sucedida Stay Away), é na seleção de músicas realmente inéditas que Charli surpreende. Sempre orientadas pelas metáforas, Black Roses, por exemplo, vai até a década de 1980 (ou seriam os primeiros discos do The Knife?) para destilar as emoções mais sombrias da artista. O mesmo acontece com How Can I, música que transforma as dores de XCX em uma matéria-prima volátil. Continuar lendo

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Kendrick Lamar: “Swimming Pools” (Blood Diamonds Remix)

Blood Diamonds

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Desde que começou a se destacar com Phone Sex (parceria com Grimes) e Ritual no último ano, a produção de Blood Diamonds tem crescido bastante. Entre parcerias com outros produtores (a maioria canadenses) e remixes, Michael Diamond resolveu agora investir no mesmo universo criativo que flutua pela mente de Kendrick Lamar, garantindo novo acabamento a uma das melhores composições do rapper: Swimming Pools. Parte relevante do clássico imediato Good Kid, M.A.A.d City (2012), a canção ganha uma dose extra de interferências eletrônicas, mantendo no uso dos vocais remodelados a principal base para a “nova” composição.

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Kendrick Lamar – Swimming Pools (Blood Diamonds Remix)

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Elite Gymnastics: “私たちのもの ( O U R S )” (Taylor Swift/Justin Bieber Cover)

Elite Gymnastics

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O que mais agrada na nova safra de projetos canadenses não está na capacidade de artistas como Grimes, Purity Ring ou TOPS lidarem de maneira curiosa com a música experimental/eletrônica, mas na completa entrega desses mesmos artistas aos sons mais pegajosos da música pop. Clair Boucher, por exemplo, fez um ótimo texto no começo de fevereiro defendendo nomes como Carly Rae Japesen, PSY e até Justin Bieber, tratando-os como artistas tão relevantes, quanto tudo o que há de mais “inventivo” no experimentalismo pop. Não por acaso James Brooks, parceiro de longa data e responsável pelo Elite Gymnastics presenteou a amiga em seu aniversário (17 de Março) com uma ótima versão da faixa Ours, de Taylor Swift, além de uma pitada de Beauty and a Beat de Justin Bieber. Para ouvir ou baixar a música, basta clicar na imagem abaixo:

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Elite Gymnastics

Elite Gymnastics: “私たちのもの ( O U R S )” (Taylor Swift/Justin Bieber Cover)

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Moon King: “Appel”

Moon King

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Daniel Benjamin e Maddy Wilde são os dois responsáveis por cada passo dado pelo Moon King, projeto de eletrônica, shoegaze e pop experimental que se relaciona diretamente com a atual fase da música canadense. Passeando pelo trabalho de grupos como The Jesus and Mary Chain, The Cure, My Bloody Valentine e demais inventos que tiveram início ao longo dos anos 1980, o casal brinca com os ruídos de forma que inevitavelmente tende ao pop em um rumo dançante e acessível. Algo muito próximo daquilo que Grimes e Doldrums incorporam em seus próprios registros, porém, sem o mesmo detalhamento etéreo. Com algumas composições nas mãos, o casal faz de Appel o mais novo e convincente single.

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Moon King – Appel

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Evenings: “Friend (Lover)”

Evenings

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Imagine um cenário em que Gold Panda, Grimes e as experimentações climáticas do Grouper partilham de uma sonoridade harmoniosa e mágica. Tudo isso reside nos pouco mais de quatro minutos que Nathan Broadus dissolve no mais novo single do Evenings, Friend (Lover). Lançada logo depois do produtor norte-americano ter assinado com o selo Friends of Friends, a faixa anuncia a chegada do primeiro registro oficial do músico, Yore, previsto para o dia 16 de Abril. Metade psicodélica, metade ambiental, a canção brinca com a eletrônica de maneira climática, espalhando uma variedade de referências que tranquilizam e convidam o ouvinte para um passeio pelo etéreo.

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Evenings – Friend (Lover)

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