Arquivos da Tag: Frank Ocean

The Weeknd: “Kiss Land”

The Weeknd

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Abel Tesfaye parece pronto para caminhar pelo cenário obscuro firmado com a trilogia inicial do The Weeknd mais uma vez. Depois de transformar House Of Balloons, Thursday e Echoes Of Silence em uma das estreias mais surpreendentes dos últimos anos, o cantor e produtor canadense mergulha no R&B sombrio que lhe concedeu vida para revelar o ambiente também doloroso de Kiss Land. Quarto registro em estúdio, o trabalho parece se ausentar dos limites caseiros definidos nos três primeiros álbuns, trazendo no propósito épico (em uma medida muito próxima de Frank Ocean) e pequenas experimentações (capazes de invocar Autre Ne Veut) as bases para o que deve orientar o próximo lançamento de Tesfaye. Dividida em dois atos, a canção que dá título ao disco arrasta quase oito minutos de batidas climáticas, vozes e samples em uma medida de novidade e nostalgia, como se ao final de Echoes Of Silence o produtor emendasse na composição.

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The Weeknd – Kiss Land

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Terra Preta: “Disposição”

Terra Preta

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Enquanto o R&B reassume posições graças ao trabalho de Miguel, Frank Ocean e uma centena de novos artistas, no Brasil o gênero ainda caminha a passos lentos. Na contramão do que torna acinzentado o Rap nacional, Terra Preta dá continuidade aos mesmos sons testados no excelente Homem Figa Vol.1 – 10º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012. Recém-lançada, Disposição abre espaço para a chegada da Mixtape Milionário Em Treinamento Vol. 2, próximo trabalho do rapper que ainda conta com um clipe agendado para a próxima semana. Quem desconhece o trabalho do rapper, encontra toda a discografia para download na página do artista.

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Terra Preta – Disposição

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Terra Preta – Homem Figa Vol.1

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Disco: “Acid Rap”, Chance The Rapper

Chance the Rapper
Hip-Hop/Rap/R&B
http://chanceraps.com/

 

Por: Cleber Facchi

Acid Rap

Ainda que Andre 3000 e Big Boi jamais sejam capazes de regressar ao cenário colorido de Aquemini (1998), Stankonia (2000) e outros registros que marcaram a fase mais inventiva do Outkast, uma centena de artistas recentes se provam aptos para assumir o mesmo espaço e sonoridade. Trilhando um percurso maduro e de nítido apelo pop, Chance The Rapper faz da nova mixtape uma manifestação sublime do que construiu a carreira da dupla e consequentemente o Rap estadunidense na última década. Um catálogo de colagens e apropriações particulares do que gigantes do gênero alcançaram previamente, porém em um plano de completo descompromisso e novas aproximações com o público.

Na contramão do que aprofunda com sobriedade a obra de Kendrick Lamar, além de encarar o R&B de Miguel e Frank Ocean sem as mesmas lamentações, Chance faz da presente Acid Rap (2013, Independente) um trabalho que borbulha criativo nos ouvidos. Conjunto bem estabelecido de composições que passeiam de forma semi-convencional pelo rap, soul ou mesmo pela música pop, o rapper cria no distanciamento de padrões o ambiente exato para a formatação de um trabalho que parece tentado a brincar com a nostalgia. É como se ao encontrar sustento em referências esquecidas de Kanye West (em começo de carreira), ou na própria obra do Outkast, o rapper firmasse um som de propriedades únicas.

Como o título e a própria capa do registro logo apontam, a nova mixtape de Chancelor Bennett brinca com faixas de apelo lisérgico e pequenas doses de nonsense. Distante do propósito obscuro de good kid, m.A.A.d city, R.A.P. Music e outros registros de peso que sustentaram a produção no último ano, o trabalho percorre um fluxo colorido, proporcionando no uso melódico das rimas e sons pegajosos um respiro ao que reverbera na música recente. Todavia, ao mesmo tempo em que deixa crescer uma obra que se entrega ao pop sem preconceitos, Chance parece longe dos mesmos exageros de Wiz Khalifa e outros conterrâneos, afinal, o pop que circula pela obra é um mero complemento ou princípio, nunca o todo.


Acompanhado por Action Bronson, Childish Gambino, Ab-Soul e outros figurões de distintos campos do novo rap estadunidense, Chance faz do enquadramento versátil um ponto de identidade para a obra. Dividido constantemente entre a seriedade das rimas e o apelo cênico, o artista acaba transformando Acid Rap em uma obra tão ampla, que classificá-la em uma primeira audição é um exercício quase impossível de ser concretizado. Ao fragmentar o registro em gêneros ou blocos específicos de som, o rapper parece confortável em lidar com o “romantismo” (na pacata Lost) da mesma forma que brinca sem pudor com a temática das drogas (como em Smoke Again). Uma leveza natural que praticamente substitui o ambiente cinza criado por A$ap Rocky em Long.Live.A$AP. Continuar lendo

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Miguel: “How Many Drinks?” (ft. Kendrick Lamar)

Miguel

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Kendrick Lamar e Miguel são os grandes nomes da música negra atual. Ao lado de Frank Ocean e um time cada vez maior de mulheres, os dois artistas assumem a dianteira no resgate de sons e referências típicas do soul, rap e R&B da década de 1990, eixo que conduz as recentes obras da dupla. Originalmente assumida aos comandos solitários de Miguel, How Many Drinks? (peça importante do álbum Kaleidoscope Dream, 2012) aparece agora reconfigurada, trazendo em uma rápida passagem de Lamar um complemento essencial. Não por acaso foi justamente a nova versão a escolhida para se transformar no mais novo clipe do cantor, revelando um aspecto ainda mais doloroso do que a versão original.

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Miguel – How Many Drinks? (ft. Kendrick Lamar)

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Kyan Kuatois: “Perfect Crime”

 Kyan Kuatois

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Cansado do rumo sombrio e melancólico que o R&B tem assumido? Então Kyan Kuatois talvez seja a solução para os seus problemas. Íntimo dos mesmos sons que abasteceram a carreira de Michael Jackson a partir de Off the Wall (1979) e consciente dos rumos que a musica negra assumiu recentemente, o cantor faz do recém-lançado novo single, Perfect Crime, um caminho seguro para uma carreira que parece prestes a alcançar o grande público. Suingada, dançante e dona de um refrão grudento, a canção surge como um ponto de ruptura na carreira do artista, até então relacionado de forma desgastante com a música pop. São pouco mais de três minutos de vozes entrelaçadas em batidas eletrônicas, sintetizadores que até lembram Passion Pit e uma solução instrumental que bota as mesmas heranças de Frank Ocean para dançar. Viciante.

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Kyan Kuatois – Perfect Crime

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Frank Ocean: “Lost”

Frank Ocean

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Primeiro lugar na nossa lista dos 50 Melhore Discos Internacionais de 2012, Channel Orange de Frank Ocean parece melhor a cada nova audição. Recheado por 17 composições (incluindo as vinhetas, claro), o registro que circula pelo R&B, Rap, Eletrônica, Soul e música pop ainda deve garantir material suficiente para que o rapper/cantor circule com destaque pela música norte-americana – pelo menos até a chegada de um novo disco. Dentre as boas composições que circulam pelo disco está Lost, provavelmente o exemplar mais radiofônico de toda a obra. Com versos que descrevem a relação de um casal, drogas e viagens por “Miami, Amsterdam/Tokyo, Spain/Los Angeles, India“, o trabalho chega agora em clipe, utilizando de imagens do cotidiano de Ocean como uma ferramenta para abastecer o trabalho com imagens.
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Frank Ocean – Lost

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Disco: “Wolf”, Tyler, The Creator

Tyler, The Creator
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.oddfuture.com/

 

Por: Cleber Facchi

Tyler, The Creator

A máscara irônica e (por vezes) excessivamente dramática de Tyler, The Creator esconde um dos retratos mais sinceros da juventude norte-americana e, por que não, do resto do mundo. Autor de faixas consumidas pelo vazio, desespero, futilidade e abusos, a cada novo lançamento o rapper californiano mergulha o ouvinte de forma intencional em um universo de sorrisos forçados, instabilidade emocional e loucura. Não diferente parece ser a proposta que alimenta Wolf (2013, Odd Future), terceiro registro em estúdio do líder do coletivo Odd Future Wolf Gang Kill Them All (OFWGKTA) e obra que finaliza o arco sombrio iniciado em 2010 com o lançamento do quase desconhecido, porém, não menos inventivo Bastard.

Se há pouco menos de dois anos a esquizofrenia impulsionava o rapper a construir sua maior obra, Goblin (2011), com o novo álbum Tyler deixa crescer um cenário paralelo, garantindo continuidade aos mesmos temas sombrios/exitenciais que o acompanham desde o primeiro disco solo. São faixas musicalmente “alegres” (vide o caráter comercial do single Domo 23), porém, planejadas em cima de temáticas essencialmente obscuras e não convencionais para o gênero. Versos que circulam abertamente pela ausência paterna, o uso exagerado de drogas, agressão, medo, homofobia, morte e, pela primeira vez, as transformações impulsionadas pela fama.

Longe do ambiente claustrofóbico que se estende nos dois primeiros álbuns – cenário também compartilhado pelos demais integrantes do Odd Future -, Tyler parece lidar de forma decidida com o grande público, tudo isso sem abandonar as marcas que o tornaram conhecido. Influenciado de forma visível pela repercussão em torno Frank Ocean e do bem sucedido Channel Orange (2012), o rapper passeia pelo disco sem deixar de tratar sobre as críticas que recebeu da comunidade LGBT e em alguns instantes acuado com tamanha repercussão em torno de sua obra. Ao lançar o novo disco, Tyler parece pela primeira vez abandonar a sala cinza de psicanálise que firmou estrategicamente em Goblin para caminhar pelo “mundo real”.


Enquanto no primeiro álbum fomos apresentados ao Dr. TC e posteriormente imersos nos pesadelos confessos do “paciente” Goblin, hoje Tyler se apresenta sob a forma versátil de Wolf, também paciente de sua persona inicial. A proposta lírica que acompanha o rapper desde o primeiro álbum perde força no decorrer da presente obra, resultado que contraria a atuação prévia do californiano e se revela como um acerto para o conjunto de inéditas composições que surgem pelo disco. De maneira intencional ou não, “O Criador” deixa de se manifestar como um personagem único, transformando Wolf (o personagem) na manifestação sonora de inúmeras versões de si próprio, e não em apenas um, resultado que até “irrita” o analista na faixa de encerramento, Lone. Continuar lendo

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AlunaGeorge: “I Wanna Be Like You”

AlunaGeorge

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A dupla AlunaGeorge continua surpreendendo. Com o primeiro registro em estúdio à caminho (Body Music) e o clipe de Attracting Flies recentemente lançado, Aluna Francis e George Reid seguem em meio a pequenas apresentações ou passagens pelas rádios britânicas, caso da última aventura pela BBC Radio 1 que rendeu o inusitado cover de I Wanna Be Like You, do filme The Jungle Book, ou como é conhecido aqui no Brasil, Mogli – O menino lobo. Totalmente contraditória em relação a tudo o que o casal desenvolveu até agora, a faixa brinca com o R&B e boa parte das referências da década de 1960, resultando em uma medida pop e descompromissada. Essa não é a primeira vez que a dupla lança um cover conhecido, a anterior havia sido a ótima Thinkin’ Bout You de Frank Ocean.

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AlunaGeorge – I Wanna Be Like You

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Disco: “Woman”, Rhye

Rhye
R&B/Indie/Soul
http://www.rhyemusic.com/

 

Por: Cleber Facchi

Rhye

O lançamento de Coexist (2012), segundo registro em estúdio do The XX pareceu dividir os seguidores do trio inglês. De um lado, àqueles que conseguiram entender a necessidade da banda e buscar pela novidade – ainda que irregular no resultado final do disco. No outro oposto, os saudosistas, público que parecia encontrar em cada ruído sintético ou tendência ao Dream Pop uma barreira para aceitar a nova proposta da banda. Talvez a medida de calmaria, erotismo e melancolia que os velhos ouvintes estavam em busca tenha se escondido no recém-lançado primeiro disco do grupo californiano Rhye, Woman (2013, Republic/Innovative Leisure). Continuação menos tímida do que a banda inglesa conquistou com XX em 2009, o disco trata do mesmo minimalismo assumido pela tríade além-mar, substituindo o medo e a dor por certa dose de malícia.

Espécie de Portishead sem roupas, o disco se ausenta das batidas eletrônicas de Geoff Barrow para manter apenas os vocais (em uma versão jovial) de Beth Gibbons e as guitarras sedutoras de Adrian Utley. De implicações quase eróticas, Woman é a trilha-sonora para um jantar à luz de velas que inevitavelmente terá seu desfecho na cama. Se por um lado as letras de forte incorporação sombria tendem ao clima sorumbático, por outro lado o ritmo envolvente cultivado por guitarras suaves, vozes e teclados empurram o projeto para um outro direcionamento. O mesmo tipo de estrutura que marca que marca grandes obras do R&B/Soul. De Marvin Gaye à Sade, passando por toda a nova safra de representantes do mesmo gênero, a dor para o Rhye também conta com um fundinho de prazer.

Contrário a outros trabalhos de composição volumosa, o recente álbum é um registro que foge dos excessos cotidianos e carece de tempo até ser inteiramente absorvido. É necessário entrega para mergulhar no erotismo em preto e branco que a banda esculpe lentamente com o passar da obra, marca que possibilita o aflorar do jazz em One of Those Summer Days e até é capaz de brincar com o synthpop e a Disco Music de forma renovada nos instantes que marcam a adorável 3 Days. Uma variedade de sons e diferentes marcas sonoras que se fossem corrompidos pelo clima épico resultariam na mesma temática de Devotion, estreia de Jessie Ware, ou se caíssem nos abusos químicos poderiam facilmente dar vida ao primeiro álbum do Hercules and Love Affair. Tudo é questão de controle.

 

Acomodado confortavelmente em uma cama de sonorizações brandas, o álbum até consegue se passar por um registro de razões minimalistas aos ouvidos despreparados, porém, está longe de representar apenas isso. O disco é apenas um trabalho comportado, recheado por arranjos de alcance amplo, mas que se mantém dentro de uma atmosfera doce, quase silenciosa. Exemplar mais coeso de todo esse resultado, Open se movimenta dentro de um jogo de soluções musicais que até parecem voltadas à grandiosidade dos atos (vide os arranjos de cordas ao fundo da canção), mas em poucos instantes declina e volta ao formato original de plena timidez. Continuar lendo

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Frank Ocean: “Eyes Like Sky”

Channel, Orange
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Sobra de estúdio de Channel Orange ou uma prévia do próximo álbum, não importa, Eyes Like Sky é a composição mais estranha e comercial já produzida por Frank Ocean. Com batidas leves que se entrelaçam com um violão caseiro, a faixa se mantém em um meio termo entre Taylor Swift e Bruno Mars, como se o R&B sintético do norte-americano fosse acrescido de uma dose extra de música pop. Não chega a ser ruim, mas está longe de representar o mesmo acerto que tomou conta do último trabalho de Ocean. Em estúdio gravando o próximo álbum, Frank já anunciou que tem entre “10 e 11” composições finalizadas, trabalho que inclusive deve contar com a presença do veterano Dave Gahan, vocalista do Depeche Mode.

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Frank Ocean – Eyes Like Star

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