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Disco: “Behind The Green Door EP”, Laurel Halo

Laurel Halo
Experimental/Electronic/Alternative
http://www.laurelhalo.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Laurel Halo

A mutação é parte fundamental do trabalho de Laurel Halo. Aproveitando de cada nova composição como um exercício de verdadeiro experimento e excentricidade, a cantora e produtora norte-americana alcança o mais novo registro da carreira com o mesmo propósito que movimentou seus anteriores lançamentos: a perversão constante das próprias ideias. Contrariando o cenário desesperador e quase silencioso firmado em Quarantine (2012), a artista regressa aos planos eletrônicos do começo de carreira, transformando mesmo a curta duração de Behind The Green Door (2013, Hyperdub) em mais uma obra de força essencialmente perturbadora.

Espécie de anúncio para tudo o que Halo solidifica agora, Sunlight on the Faded, lançada ao final de 2012 parece se encaixar com perfeição naquilo que a produtora sustenta no bloco rápido de quatro composições do novo EP. Dissolvida em poucos minutos, a canção se manifesta como um reforço etéreo para aquilo que a artista tende a promover de forma sintética no presente registro. Enquanto a faixa lançada no último dezembro parecia pulsar em uma medida ensolarada, como se marcasse a ruptura do universo delimitado em Quarantine, com o atual projeto Laurel traz de volta aspectos específicos do que fora testado em Hour Logic EP ao mesmo tempo em que reforça a carreira paralela como King Felix. Entretanto, mesmo a relação com a própria obra parece instável durante todo o tempo do registro.

Halo parece inclinada a brincar com a reformulação de conceitos próprios, trazendo logo nos sintetizadores redundantes e batidas secas de Throw um princípio para essa estratégia. Brincando com elementos específicos daquilo que Daniel Lopatin construiu tanto com o Oneohtrix Point Never como dentro da parceria com Joel Ford (Ford & Lopatin), a produtora desce até idos da década de 1980 para encontrar boa parte do reforço para o novo álbum. Contudo, à medida que o projeto se desenvolve, Laurel deixa de seguir por um campo linear, trazendo no acumulo de ideias, referências e ruídos um complemento funcional para o trabalho. Lentamente reforços instrumentais que esbarram na música Techno, Trip-Hop e até outras estranhas exaltações são agregados, ampliando o cardápio da artista e o universo do pequeno EP. Continuar lendo

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Disco: “Rumor EP”, Chlöe Howl

Chlöe Howl
Pop/Electronic/Indie
http://www.chloehowl.com/

 

Por: Cleber Facchi

Chlöe Howl

Protegido por uma atmosfera de composições simples, despretensiosas e feitas para apenas divertir, Alright, Still (2006) talvez seja o registro pop mais influente de toda a produção inglesa dos anos 2000. Quase um contraponto aos exageros dramáticos que firmariam Amy Winehouse meses depois, com o lançamento de Back to Black, o primeiro registro em estúdio de Lily Allen permanece vivo mesmo que o caráter plástico de It’s Not Me, It’s You (2009) tenha soterrado a figura bem humorada da cantora e compositora. Nitidamente impulsionada pela mesma proposta da conterrânea, a jovem Chlöe Howl faz do primeiro EP a provável continuação do que Allen abandonou depois do primeiro disco, ou talvez aquilo que esperávamos depois de um álbum tão pegajoso.

Menos voltada aos passeios pelo Ska/Reggae que tanto influenciaram Lily Allen e lidando com uma mutação pop dos mesmos sons eletrônicos alcançados por La Roux, Howl transforma Rumor EP (2013, Sony) em um jogo rápido de acertos incontestáveis. Composto de três composições naturalmente velozes – Rumor, No Strings e I Wish I Could Tell You -, a inglesinha consegue mergulhar uma variedade de cenários distintos que armam as bases para um trabalho maior. Mesmo que seja difícil prever o que a artista pode vir a desenvolver em um futuro próximo, pelo menos por enquanto a cantora sabe bem o que procura: “composições simples, despretensiosas e feitas para apenas divertir”, estímulo que ela mantém mesmo no ponto mais entristecido da obra.


Consciente de todas as transformações que abastecem a música inglesa atual, Howl não se deixa influenciar pelo óbvio, transformando a faixa-título em um passeio por diferentes camadas instrumentais. Enquanto as batidas (calcadas no Grime) são típicas do trabalho de Katy B (principalmente do EP Danger, 2012), a aceleração incorpora o mesmo espírito da estreia do La Roux. Um composto sintético que se distancia do tradicional por arremessar a cantora para cima do pop da já mencionada Lily Allen. Enérgica, a canção se conecta diretamente com o clima convidativo de No Strings, música que parece mergulhar Katy B e Foster The People no mesmo universo – sem qualquer tipo de estranheza ou possível exagero.   Continuar lendo

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Disco: “Laid Out EP”, Shlohmo

Shlohmo
Experimental/Electronic/Glitch-Hop
http://shlohmo.com/

 

Por: Cleber Facchi

Shlohmo

De maneira intencional ou não, a música de Shlohmo sempre pareceu voltada para o canto. Cada ruído, batida irregular ou mínima associação instrumental firmada no debut Bad Vibes (2011) parecia impulsionar o trabalho do californiano como uma “simples” base para a entrada de algum rapper imaginário ou possível vocalista. Não por acaso ao mergulhar nas construções musicais do recém-lançado Laid Out EP (2013, Friends of Friends/Wedidit), Henry Laufer usa de cada instante da obra como um caminho ainda mais seguro para o uso dos vocais – sejam eles complementos esquizofrênicos ao som assinado pelo produtor ou vozes tão límpidas que chegam a soar inimagináveis quando voltamos os ouvidos para os primeiros lançamentos do artista.

Menos irregular em relação ao disco de 2011, Shlohmo faz das cinco faixas que delimitam o novo álbum composições próximas. Enquanto Bad Vibes parecia flutuar em um oceano de experiências sempre distintas – como se o produtor estivesse em busca de uma sonoridade própria -, o novo projeto mantém constante a relação entre as batidas e pequenas bases eletrônicas, resultando em uma medida climática e naturalmente crescente que jamais tende ao exagero. Dentro dessa proposta, Laufer amarra todas as possíveis pontas para que os vocais finalmente sejam encaixados de maneira funcional. Entretanto, a ausência de redundância e previsibilidade se mantém constante dentro da obra do produtor, dessa forma, mesmo os vocais não poderiam ser apresentados em contornos simplistas.


Ainda que a colaboração com Tom Krell (How To Dress Well) em Don’t Say No, econômica e sentimental faixa de abertura, até aproxime o artista de um som confortavelmente comum, à medida que as canções ganham forma, Shlohmo tinge o disco com novidade e experimentação. É como se os vocais acessíveis da música que abre o EP fossem sujos de maneira gradativa, proposta que transforma faixa seguinte, Out Of Hand, em uma quase oposição ao que o produtor desenvolve no começo do disco. Os vocais liquefeitos praticamente se esparramam pela obra, alcançando o ápice da complexidade durante a construção de Later, faixa que praticamente usa dos vocais como um instrumento.   Continuar lendo

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Chlöe Howl: “No Strings”

Chlöe Howl

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A inglesinha Chlöe Howl nem bem lançou o vídeo da faixa Rumor e já está de volta com novo clipe. A escolhida obviamente foi No Strings, composição que apresentou o trabalho da cantora aqui no Miojo Indie em Dezembro de 2012. Com uma sonoridade que une Foster The People e Katy B em um mesmo universo, a canção parece não escapar do cenário conduzido por Howl no último vídeo. Enquanto no trabalho passado a cantora apostava em um fundo verde, versos da composição flutuando pela tela e um toque de timidez, com o novo clipe o amarelo toma formas, e a britânica parece um pouco mais solta. As duas composições fazem parte do primeiro registro da jovem, Rumor EP, trabalho que pode ser baixado gratuitamente aqui.

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Chlöe Howl – No Strings

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Major Lazer: “Lazer Strikes Back Vol. 2″

Major Lazer

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Na lista dos registros mais esperados de 2013, Free The Universe do Major Lazer já conta com um ponto positivo: fez com que Diplo gerasse uma carga absurda de composições nos últimos meses, tudo para divulgar o inédito disco. Além da variedade de faixas avulsas e outras mixtapes assinadas pelo produtor, o segundo álbum da “Cartoon Band” vem acompanhado pela trilogia de EPs Lazer Strikes Back. Depois da primeira edição apresentada ao final de Fevereiro, chega a vez do Volume 2 ser entregue ao público. Tão quente quanto o trabalho anterior, o registro concentra em quatro composições a mesma variedade de ritmos que acompanha o trabalho do norte-americano desde o começo da década passada, misturando ritmos periféricos com batidas eletrônicas que bem devem acompanhar o disco previsto para o dia 15 de Abril.

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Major Lazer – Lazer Strikes Back Vol. 2

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Disco: “Valsa e Vapor EP”, Phill Veras

Phill Veras
Brazilian/Indie/Singer-Songwriter
https://www.facebook.com/PhillVeras

Por: Allan Assis

Phill Veras

Maranhense de vinte e poucos anos, representante de uma MPB que admira The Strokes, Phill Veras anuncia sua carreira solo após o fim de sua banda Nova Bossa, com o lançamento do EP Valsa e Vapor (2013, Independente). Composto por cinco músicas que polvilham açúcar sob uma atmosfera calma e delicada, o registro faz uma ponte com uma sonoridade conhecida por quem tem acompanhado os álbuns nacionais: cuidadosos acordes de violão e uma voz sem sobressaltos – sutilmente versando sobre amor e melancolia.

Abre o registro Dia Dois, canção com cara de surf music, pronta para com sons de uma guitarra havaiana e dedilhados de banjo que levam o ouvinte a se espreguiçar numa rede em fim de tarde, o tipo de música incapaz de se desgostar. Como nos meus sonhos tem letra abstrata e a voz do compositor se sobrepõem aos arranjos mais discretos, permitindo que se evidencie a estranha semelhança entre o timbre de Veras e Hélio Flanders (Vanguart), com a diferença das notas de agressividade e catarse presentes na do segundo. Vício é candidata a melhor do EP. A composição toma emprestado algumas das experimentações quase fofas testadas por grupos como Pato Fu nos anos 90, reforço que abraça a melancólica letra de Phill e o aproxima de outro compositor que se deu bem louvando o abandono: Cícero.

 Phill Veras

É justamente nas referências que moram os acertos e também os pontos fracos do trabalho. Ao se aproximar de uma sonoridade leve que embala a tristeza de Cícero e um Marcelo Camelo, só declarações de amor em sua fase pós-Los Hermanos, Phill se curva demais ao ressaltar seus elementos calmo, impedindo que se crie uma identidade musical para seu trabalho, em suma, o doce disco fica com gosto de mais do mesmo em alguns instantes. Depois de escancarar as portas das confessas declarações de amor Camelo, Mallu Magalhães e Marcelo Jeneci, abriram caminho para que outros artistas, com menos talento no campo das composições, se integrassem a essa MPB de fácil assimilação – o mesmo tipo que lota unidades do SESC ao redor da capital paulistana. Como sempre, o tempo trata de fazer a triagem entre os músicos que apenas acompanham uma cena musical em crescimento e artistas que conseguem se sobressair em meio às vozes que fazem o popular coro de fim de faixa. Phill Veras se apresenta tocando seu violão afinado e cantarolando amor e melancolia muito bem, mas ainda não consegue se tornar essencial dentro dessa estética. Continuar lendo

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Disco: “Silver Cloud EP”, Actress

Actress
Electronic/Experimental/Techno
https://www.facebook.com/pages/Actress/

Por: Allan Assis

ACTRESS

Depois da intensa viagem sonora formada em sua maioria por ruídos e estática envolta numa fina camada de nebulosidade, David  Cunningham, cabeça do projeto Actress dá depois de seu elogiado R.I.P (2012),  segundo álbum da carreira do produtor inglês e um dos melhores trabalhos do último ano. O EP Silver Cloud, lançamento com três músicas, entretanto, aponta para novas direções, o que seria no mínimo questionável já que criar um universo inteiro para seu último álbum tendo pé em artistas como Aphex Twin e Autechre, mas ainda assim sustentando uma identidade própria não parece ter sido das tarefas mais fáceis. Cunningham não chega a virar a página em seu novo trabalho, mas já começa a apontar para novos interesses, provavelmente uma prévia do que veremos em breve em um próximo registro maior.

Tal qual o lançamento anterior, ainda há lugar para o som descentralizado e hipnótico, preenchido por batidas matematicamente calculadas e nuvens de pixels, claro; a inovação fica a cargo de uma faceta cada vez mais sombria que começa a se destacar nas novas músicas. Desse ponto de vista Silver Cloud foge um pouco da fórmula empregada até o momento no Actress, desaparecem os instantes de delicadezas e a suavidade, entram em campo verdadeira paredes de som.

 

Voodoo Posse Chronic Illusion abre caminho de forma quase agressiva: mais de 11 minutos de uma faixa pautada num mergulho a uma enfileirada métrica de beats que se repete por quase toda extensão da composição. Mas é preciso, claro, calma pra entender tudo que David propõem ao ouvinte aqui, um verdadeiro universo escondido por trás dessa aparente e impenetrável base. As sutilezas do som do britânico ainda se fazem presentes, mas quase imperceptíveis numa primeira audição, como a abandonada percussão que pontua por vezes a música. Continuar lendo

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Disco: “Tupi Novo Mundo”, Iconili

liIconi
Brazilian/Instrumental/Afrobeat
http://iconili.tumblr.com/

Por: Cleber Facchi

Iconili

Tupi Novo Mundo (2013, Independente) é um trabalho que se conecta com dois momentos distintos da história da música – tanto a nacional como a estrangeira. O primeiro se manifesta de forma quase óbvia nas sonorizações típicas da década de 1970, marca instrumental traduzida na confessa relação da banda mineira com os inventos aplicados ao longo de todo o período. Seja pelos sons ensolarados e dançantes assinados por Fela Kuti ou mesmo Miles Davis em seus trabalhos menos climáticos e naturalmente experimentais, o passado é o que orienta o grupo no presente. A apropriação dos ritmos africanos bem como o casamento com a música negra surgida em solo norte-americano no mesmo período estimula e fornece ritmo a todo o trabalho, reproduzindo um disco que dança entre o suingue das guitarras e a batida forte da percussão.

É possível ainda voltar um pouco mais no tempo, encontrando no trabalho de artistas brasileiros como Pedro Santos (e seu clássico redescoberto, Krishnanda de 1968), ou mesmo na obra de Hermeto Pascoal condimentos que atraem o grupo ao experimento. A temática do coletivo de 11 integrantes, entretanto, não  se concentra especificamente no passado, mas no presente – pelo menos no que tange as referências nacionais. Com aproximações que vão dos blocos instrumentais marcados na obra do Bixiga 70 ao resgate recente da obra dos Novos Baianos, Tupi Novo Mundo é um registro que cresce justamente em cima da nostalgia não vivenciada de seus jovens compositores, resultado que tira o coletivo dos exageros marcados e prováveis vícios que tanto embalam repetitivos álbuns do gênero.

 

Em alguma medida, cada instante do pequeno disco se coloca dentro de um aspecto muito próximo do que guia o grupo Amplexos em sua última grande obra, A Música da Alma (2012). Enquanto a banda fluminense lida com o reggae e o dub sem esbarrar nos redundantes exageros de tantos veteranos da mesma cena, algo similar acontece com o trabalho do grupo de Belo Horizonte, que brinca com o Afrobeat, sem tentar ser exatamente isso. Talvez pela curta duração do álbum, ou quem sabe pela forma como as canções são espontaneamente posicionadas, tudo se dissolve em uma medida de descompromisso e bom humor, como se uma aura de domingo à tarde fosse derramada em cada melodia cuidadosa que cresce pelo trabalho. Continuar lendo

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Disco: “Trust EP”, Gold Panda

Gold Panda
British/Electronic/Glo-Fi
http://www.iamgoldpanda.com/

 

Por: Cleber Facchi

Gold Panda

Parte da natural surpresa em torno da obra de Gold Panda sempre esteve relacionada com a maneira encontrada pelo produtor britânico para diluir os sons e samples caseiros dentro de uma proposta autêntica. Do recorte orgânico de velhas fitas VHS, sons cotidianos e uma curiosa relação com a sonoridade oriental, a variação constante de referências caseiras sempre se estabeleceram como uma diretriz para guiar toda e qualquer composição assinada pelo artista. Talvez por conta desse rompimento com os sons nostálgicos de outrora, visitar a obra recente de Panda em Trust EP (2013, Ghostly International), se transforme em um exercício inicialmente difícil de ser apreciado.

Contrariando as marcas analógicas estabelecidas no cada vez mais distante Lucky Shiner (2010), o britânico deixa de lado a proposta de visitar referências externas e sonorizações distintas para se enclausurar nas fórmulas matemáticas de um estúdio – entenda como um quarto e um computador. Mesmo que logo na abertura do curto álbum o uso de um diálogo cinematográfico busque proporcionar continuidade ao que o produtor testou há três anos, tão logo as batidas ganham destaque, Gold Panda evidencia sua habilidade em fabricar sons. Sintético até os últimos instantes, o álbum abandona a formatação radiante de outrora para fixar uma relação com um composto cinza e hermético, quase uma transcrição musical do que se materializa visualmente na capa do EP.


A nova formatação instrumental aproxima o produtor de maneira involuntária do que Burial e outros gigantes da cena inglesa vêm construindo desde o final da década passada. Por vezes raspando nas mesmas exaltações eletrônicas que identificam a recente fase de Four Tet e até brincando com os planos oníricos que marcam a obra de Flying Lotus, o registro, e mais especificamente a faixa que dá nome ao disco amortecem o espectador em uma camada simplista de sobreposições que tendem ao previsível. Mesmo nos instantes mais criativos e amplos da obra, a incorporação de uma sonoridade marcada ajuda a identificar o que parece uma nova proposta na atuação do artista, ou talvez um passatempo antes de um regresso aos inventos que marcaram o passado recente do britânico. Continuar lendo

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Disco: “True EP”, Solange

Solange
Pop/R&B/Indie Pop
http://www.solangemusic.com/

Por: Cleber Facchi

Solange

Recentemente a jornalista Carrie Battan publicou na página da Pitchfork um artigo que analisa, caracteriza e define um pequeno grupo de artistas norte-americanos e britânicos como membros de uma suposta onda carinhosamente compreendida como small pop. Um flutuar constante entre os entalhes melódicos e comerciais típicos do Mainstream, e a pluralidade de experimentos que ainda mantém tais artistas intimamente relacionados ao meio independente. Uma espécie de subgênero natural sob o qual podemos enquadrar nomes como Sky Ferreira, Toro Y Moi, Charli XCX, Passion Pit e a mais “recente” deles Solange.

Mais conhecida como a irmã caçula de Beyoncé, e por vezes lembrada como colaboradora do Of Montreal na faixa Sex Karma (do álbum False Priest, de 2010), Solange Knowles rompe com as comparações e a natural relação com outros artistas já conhecidos para brilhar individualmente. Longe da superprodução dos trabalhos anteriores, a artista de Houston, Texas apresenta o compacto e inventivo True EP (2012, Terrible), um passeio doce no que há de mais inovador na nova safra de artistas relacionados com a música pop. Delimitado em torno de sete rápidas composições, o disco transporta Knowles para um novo cenário, agora banhado pela luz e palas melodias cantaroláveis.

Mesmo rodeado pelos acertos, é preciso entender True como um aperitivo. Rápido, o registro distancia a artista da proposta excessivamente trabalhada em cima do sucesso da irmã, para incluir Solange em um universo próprio e naturalmente comercial em sua própria medida, assim, preparando terreno para o álbum que será apresentado no próximo ano. Por mais que restem traços do que fora promovido dentro do trabalho anterior da artista – Sol-Angel and the Hadley St. Dreams (2008) –, nas sete faixas pensadas no decorrer do recente disco temos um novo encaminhamento, com a cantora se relacionando com a mesma proposta lírico-instrumental abordada nas obras de tantos artistas independentes com quem manteve convívio ao longo dos últimos anos.

O próprio R&B – gênero amplamente explorado nos últimos meses e íntimo da família da artista – passa por uma clara transformação ao longo do curto trabalho. Pensado de forma leve e até se aproveitando de alguns toques “experimentais”, o estilo flui suave e romântico sem em nenhum momento parecer demasiado doloroso – típico de trabalhos do gênero. Mesmo nos versos amargurados de Lovers In the Parking Lot e Don’t Let Me Down fica claro que o distanciamento entre o que ecoa na obra de outras artistas passa longe da proposta de Knowles, cantora que encontra uma espécie de “face ensolarada” da mesma proposta obscura firmada por Beyoncé dentro do ótimo 4 (2011). Continuar lendo

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