James Blake
British/Electronic/R&B
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Por: Gabriel Picanço

Quem ouviu o disco de estreia de James Blake, em 2011, ou até mesmo seus EP‘s anteriores, se surpreendeu com a fórmula simples e altamente eficaz apresentada pelo rapaz. Explorando uma variação mais lenta e espaçada da batida do dubstep, pianos, vocais em loop e linhas poderosas de baixo que preenchiam todas as faixas, Blake criou ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Sendo sempre o mais simples possível, até mesmo em suas apresentações ao vivo, o resultado que conseguia era continuamente incrível. Por isso, como é de se esperar que aconteça com qualquer artista que tenha chamado tanta atenção em sua estreia, aos poucos foi crescendo o interesse pelo o que viria a seguir. Em seu EP Enough Thunder, também de 2011, Blake já se mostrava mais confortável para experimentações. Mas, o lançamento acima de tudo serviu para assegurar que, sim, James Blake tinha condições de superar o hype e se firmar no time dos bons produtores de música eletrônica da atualidade. Agora, com Overgrown (2013, Republic), o britânico se qualifica para algo muito maior.
Primeiramente, Overgrown é um disco deslumbrante e tecnicamente impecável. É curioso notar como cada detalhe, de cada música, está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada faixa sejam sentidas mais facilmente. Considerando que Blake poderia ter escolhido um caminho mais fácil, como insistir no post-dubstep, ele avançou e muito. Continuam, é claro, algumas das características principais já ouvidas antes, mas cada detalhe parece estar um nível acima. Até mesmo as letras, que nunca foram dos aspectos mais importantes de sua produção, aqui surgem aperfeiçoadas, intensificando o efeito da cada música. Em sua maioria, bem como acontece no primeiro disco, as faixas são melancólicas, carregadas de uma dramaticidade que mantem firme ao longo do álbum.
A elegância e fragilidade característica dos vocais, bem como a utilização de frases que se repetem em loop, são novamente exploradas, complementadas sempre pelas frequências muito graves das linhas de baixo as e batidas criativas que evidenciam o aprimoramento do soul eletrônico de Blake – bem mais eletrônico do que soul agora. Blake apresenta algo diferente a cada faixa. Logo na abertura, Overgrown, uma nota aguda surge ao longe e cresce lentamente ate o refrão, trazendo por fim, elementos que transformam a delicada canção em algo muito mais forte. Fica claro logo no início que o recente álbum será uma viajem bem mais intensa do que foi o primeiro trabalho. Em I Am Sold, por exemplo, apesar da introdução calma, a mudança para uma batida mais dura e a voz ecoada a partir do refrão transportam a música para um ambiente bem mais sombrio e obscuro, resultado estendido em outras canções do disco.
Temas como o sofrimento, a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registro, assim como a beleza delicada e a fragilidade características das melodias e da voz de Blake. Até mesmo em Our Love Comes Back, uma das músicas mais calmas do disco, os ruídos desequilibram um pouco a tranquilidade que a faixa poderia trazer. Take A Fall For Me, com a participação do rapper RZA, é um apelo desesperado, onde a eminencia da perda está mais uma vez presente. Já Retrograde, onde o artista se aproxima mais do R&B, um loop vocal anuncia: “We’re alone now”. Porém, o clima melancólico não arrasta o álbum para baixo, uma vez que a harmonia entre cada detalhe da obra acaba por ser uma característica mais proeminente. Continuar lendo










