Quem acompanha o blog sabe que anualmente o bloco de desenhos Adult Swim lança uma coletânea de singles que exploram aspectos diversos da música alternativa. No último ano artistas como Death Grips, Flying Lotus e Wavves foram convidados para integrar o especial, que em 2013 conta com uma edição extra. Com foco no garage rock e no rock alternativo, Garage Swim entrega ao público 15 composições inéditas com alguns dos nomes de maior destaque da cena norte-americana. Black Lips, King Tuff, Thee Oh Sees e Weekend são alguns dos convidados, que garantem pouco mais de 50 minutos de vocais rasgados e guitarras enquadradas em uma estética Lo-Fi. Além de ouvir o registro na íntegra (abaixo) o ouvinte pode se deliciar baixando a coletânea gratuitamente.
Diga adeus ao sedentarismo, faça alguns alongamentos e corra para a academia, afinal, agora você tem 10 Discos para se Exercitar. De registros para principiantes a obras perfeitas para quem já está acostumado com exercícios pesados, cada álbum da lista valoriza aspectos específicos do universo das academias, pistas de corrida ou espaços para pedalar. Começou hoje? Sem problemas, Cut Copy e Friendly Fires vão te incentivar com leveza e ritmo. Quer dar uma volta de bicicleta pelo parque? Então que tal ao som de Kraftwerk ou ainda LCD Soundsystem se você prefere correr por alguns minutos. Embora pensados dentro de aspectos focados na eletrônica, todos os dez álbuns selecionados revelam sonoridades bastante específicas, indo do Hip-Hop à World Music, passando pelo Noise Pop até o Synthpop. Ouça, dance e se exercite. Continuar lendo →
Mesmo distante do velho parceiro e produtor Zach Hill – totalmente focado em seu trabalho com o Death Grips -, Marnie Stern conseguiu transformar o quarto e mais novo álbum da carreira em uma sequência inegável de acertos. São faixas carregadas pelas guitarras aceleradas e esquizofrênicas daquela que é uma das maiores guitarristas de todos os tempos. Melódico e experimental, The Chronicles of Marnia é a casa de composições aos moldes de Immortals, composição escolhida para se transformar no mais novo clipe da artista. Como se funcionasse de acordo com a instrumentação, cada imagem acelera e diminui de acordo com as orquestrações de Stern. A direção do vídeo é de Allie Avital Tsypin.
Depois de uma série de pequenos vídeos divulgados desde a última semana – todos como parte da série “No Hands” -, finalmente o Death Grips revela o motivo de todo esse mistério: o vídeo de Lock Your Doors. Utilizando do Google Glass para captar as imagens (vem daí a expressão “sem as mãos”), a “banda de Hip-Hop” entrega mais um vídeo do polêmico NO LOVE DEEP WEB(2012). Com um visual naturalmente sombrio e experimental (típico dos demais lançamentos do grupo), a canção filmada ao vivo durante a passagem do grupo pelo último SXSW entra com destaque para o conjunto de vídeos nunca óbvios assinados pelo coletivo. Assim como os trabalhos anteriores, a canção reforça a boa fase dos californianos, que ao lançar The Money Store e NO LOVE DEEP WEB no último ano conseguiram uma das obras mais complexas do rap atual.
Fisicamente, pela forma como se veste e talvez até por conta dos sons açucarados, Marnie Stern sempre pareceu como uma versão alternativa (ou estranha) de Elle Woods, a estrela do filme Legalmente Loira. Entretanto, enquanto a cômica personagem interpretada por Reese Whiterspoon se acomoda em um mundo acolchoado pelo rosa, compras e histórias de amor, a cantora e compositora nova-iorquina rompe com esse mesmo universo, sobrecarregando guitarras distorcidas como uma versão recente de Liz Phair (na fase Exile in Guyville) ou quem sabe uma Yoko Ono menos excêntrica. Stern parece sempre próxima de mergulhar na música pop, mas as guitarras mais uma vez a trazem de volta.
Com uma proposta que mantém as mesmas diretrizes firmadas no disco In Advance of the Broken Arm, de 2007, The Chronicles of Marnia (2013, Kill Rock Stars) parece aproximar Battles e Katy Perry em um mesmo universo. Enquanto as guitarras assinadas pela norte-americana parecem atravessar décadas de referências variadas até estacionar nos experimentos que construíram o Math Rock ao longo da década de 1990, os vocais açucarados puxam o disco para um novo fluxo. Uma dicotomia curiosa, não mais inédita se levarmos em conta os discos passados, porém seguramente assertiva na execução de todo o quarto registro da artista.
Primeiro trabalho assinado dos versos à produção por Stern – Zach Hill, produtor dos últimos discos, parceiro de longa data e também baterista da cantora tem se dedicado integralmente ao trabalho com o Death Grips -, o álbum não decepciona, porém peca em se tratando de novidade. Mesmo que o lançamento do autointitulado disco de 2010 tenha surpreendido, desde o ápice com This Is It and I Am It and You Are It… (o título original é imenso) em 2008, a obra da nova-iorquina se mantém dentro de um mesmo propósito. Um conjunto sempre bem resolvido de letras melódicas, guitarras tratadas de forma não óbvia e os vocais “instrumentais” da cantora.
Talvez como forma de “combater” a ausência de ineditismo que orienta a obra, Marnie acaba por rechear o álbum com uma carga extra de guitarras. Enquanto o bloco inicial de composições – que incluem Year Of The Glad, Noonan e Nothing Is Easy – possibilitam o crescimento do lado mais alegre da artista (um meio termo entre Tune-Yards e Dirty Projectors), a segunda metade e, principalmente, o bloco final de canções trazem o oposto. Com uma proposta mais climática em alguns pontos e naturalmente experimental, Proof Of Life e Hell Yes, por exemplo, driblam o clima festivo para embarcar em um tom sério, como se as cores do começo do disco fossem aos poucos ficando acinzentadas. Continuar lendo →
Lana Del Rey não poderia ter escolhido um parceiro mais adequado do que A$ap Rocky quando deu vida ao clipe de National Anthem no último ano. De fato, o colaborador nova-iorquino (que interpreta John F. Kennedy no vídeo da canção) parece flutuar dentro do mesmo universo de excessos, exageros nacionalistas e até da mesma sonoridade que tanto define o trabalho da cantora. É como se ao transitar musicalmente por batidas sempre carregadas pela densidade, além do louvor constante à bandeira dos Estados Unidos, o rapper alcançasse o mesmo panorama conceitual que caracteriza (por vezes de maneira negativa) a carreira recente de Del Rey, invertendo as cores desgastadas por filtros vintage pela “simplicidade” (ou seria crueza?) em Preto e Branco.
De posse do primeiro registro oficial, Long.Live.A$ap (2013, Polo Grounds/RCA), o norte-americano expande ainda mais as preferências assumidas há dois anos, bem como a própria relação com Del Rey, substitindo o clima caseiro da mixtape LiveLoveA$AP(2011) pela impecabilidade de uma grande produção. Ainda que parte essencial da melancolia contemporânea que se encontrava no decorrer da obra seja posta de lado, a transposição do rapper para o campo cercado pelos holofotes se faz de maneira segura. A exemplo de Frank Ocean, Death Grips e outros nomes de destaque que brilharam no hip-hop/R&B do último ano, Rocky abraça de forma confessa o mainstream sem em nenhum momento se afastar das climatizações artesanais que o acompanhavam quando independente.
Provavelmente a mais nítida transformação entre os primeiros lançamentos e a atual fase do rapper está na incorporação de um som mais abrangente. Por mais ricas e experimentais as texturas incrementadas por Clams Casino na mixtape de 2011, além dos outros produtores que mantiveram a mesma fórmula, a excessiva aproximação entre as músicas parecia limitar a atuação de A$ap. Um registro de versos naturalmente ricos, mas de sonoridade hermética. Agora acompanhado de um novo time de produtores (incluindo Danger Mouse, T-Minus e até um Clams Casino menos sombrio), Rocky alimenta a própria obra com um resultado que ultrapassa limites prévios e o amadurece de maneira natural não apenas para o presente disco, mas para os próximos que pode vir a aprimorar.
Parte fundamental do que tira A$ap da zona de conforto previamente estabelecida está na busca por uma sonoridade mais acessível e menos acinzentada, resultado que se consolida em uma série de parcerias espalhadas pela obra. Além da já tradicional colaboração com uma variedade de representantes do hip-hop contemporâneo – incluindo os badalados Kendrick Lamar, Danny Brown e Schoolboy Q -, o entrelace musical com representantes de outras frentes musicais apresentam o rapper a um novo público, servindo como um incentivo para transitar por uma nova sonoridade. É o caso do inusitado (e curiosamente bem estabelecido) encontro com Skrillex em Wild for the Night ou mesmo Hell, colaboração com Santigold que renova a atuação de ambos. Continuar lendo →
O ano de 2012 serviu para consolidar de maneira definitiva a curta, porém, explosiva carreira do Death Grips. Com dois excelentes discos em mãos – The Money Store e NO LOVE, DEEP WEB -, o grupo californiano deixa fluir mais um instante de esquizofrenia com o curta-metragem Come Up and Get Me. Faixa de abertura do último registro da “banda”, a canção se estende por mais de 12 minutos em imagens filmadas em preto e branco, além de desníveis de áudio que flutuam entre ruídos e instantes de silêncio. A exemplo de outros trabalhos, o vídeo foi dirigido pelo próprio DG, que vai preparando o terreno até que a composição original tome destaque nos instantes finais do vídeo.
Há um ano prever o que seria definido dentro do Hip-Hop parecia ser uma tarefa fácil para quem acompanhava a cena estadunidense. Tendo como base os samples obscuros que serviam de sustentação aos trabalhos de Tyler, The Creator, A$ap Rocky e Death Grips, tudo indicava que o rap mergulharia de vez no experimento. Parecia que todos seriam Shabbaz Palaces e rimar seria apenas um fator aleatório, visto que a sonoridade parecia ser maior dos que os versos. Quem apostou nessa proposta irregular e no encaminhamento até então “previsível” ao estilo não apenas se enganou, como deixou passar o pequeno cenário que começava a ser planejado. Um imenso retrocesso conceitual incorporado até por quem insistia no experimento e que traria de volta toda a variedade de referências pop/comerciais que definiram o hip-hop no começo dos anos 2000 ou até mesmo antes disso.
Espécie de aviso do que seria firmado dali alguns meses, quandoHabits & Contradictions foi lançado em janeiro deste ano Schoolboy Q não apenas trouxe de volta todas as melodias tradicionais do hip-hop entalhado por Jay-Z, OutKast e Snoop Dogg, como parecia apresentar o elenco que reformularia todos os acontecimentos que viriam pela frente. Lançado pelo selo independente Top Dawg Entertainment (TDE), o disco estabelecia as bases para o que Jay Rock, Ab-Soul, além do próprio Q pareciam inclinados a promover: um som descompromissado, recheado por samples de músicas parcialmente conhecidas e versos prontos para grudar nos ouvidos do espectador. Nada das experimentações trabalhadas no último ano. Apenas a fumaça do baseado subindo pelo quarto, rimas sobre garotas de biquíni, álcool e o cotidiano sombrio que acompanha cada rapper.
Também membro do mesmo coletivo e presente em cada um dos trabalhos lançados pelos parceiros de selo, Kendrick Lamar sempre pareceu o representante mais consciente do pequeno grupo. Profundo interessado em expandir o mesmo encaminhamento melódico que circulava pelos trabalhos dos conterrâneos – sem jamais abandonar os versos temperados pela origem humilde que o acompanha -, o rapper transformou o debut Section.80 em um aperitivo – ainda que inconsciente – para o que é entregue agora com a chegada do possivelmente histórico Good Kid, M.A.A.D City (2012, Interscope/Aftermath/Top Dawg). Retorno não apenas ao que fora consolidado há uma década, o álbum traz de volta toda a verve de experiências que tingiram a década de 1990, transitando em uma medida particular pelos versos do clássico Illmatic (1994) de Nas ao mesmo tempo em que encontra sustento nas batidas de The Chronic (1992), do parceiro de produção Dr. Dre.
Com o subtítulo de A Short Film by Kendrick Lamar, o álbum torna claro logo na capa que temos em mãos um registro de encaminhamentos e definições totalmente bibliográficas. Concentrado de forma integral na vida do rapper – iniciando aos 17 anos até alcançar o presente instante -, o disco mantém na utilização constante de diálogos e versos quase narrados (bem representados em Sing About Me, I’m Dying Of Thirst) uma definição clara do que passeia por todo o trabalho. Além do universo particular do rapper, que em diversos momentos se perde entre montes de cocaína e tiros, outro elemento surge como um ingrediente necessário ao disco: a família. Da capa – com Kendrick ainda bebê nos braços dos tios – aos diálogos espalhados de maneira quase cinematográfica por todo álbum, a herança (cultural e religiosa) dos familiares é uma ferramenta necessária ao desempenho do disco, como se o rapper lembrasse cada membro da família em todo verso que surge de maneira firme pelo registro. Continuar lendo →
Parceria entre Death Grips e diretor/animador Galen Pehrson, True Vulture traz um pouco de cor ao universo em preto e branco que acompanha as sombrias composições do coletivo californiano. Embora tenha ficado de fora do disco The Money Story ou do recente (e polêmico) NO LOVE DEEP WEB, a canção se relaciona abertamente com tudo que o grupo vem desenvolvendo nos últimos meses, como as letras repletas de crueza, as batidas desconcertantes e até mesmo as imagens confusas, que se relacionam diretamente com a proposta esquizofrênica do DG. A canção/vídeo conta ainda com uma participação da atriz Jena Malone (Into The Wild), que dupla uma personagem na abertura do clipe.