Arquivos da Tag: Cloud Nothings

Disco: “Cruise Your Illusion”, Milk Music

Milk Music
Rock/Alternative/Garage Rock
https://www.facebook.com/pages/MILK-MUSIC/

 

Por: Cleber Facchi

Milk Music

Há tempos o rock norte-americano não vivia uma fase tão rica quanto a atual. Mesmo com a retomada dos sons garageiros no começo da década passada – encabeçado por grupos como The Strokes, The White Stripes e outros representantes da cena -, nunca antes houve uma variedade tão grande de trabalhos movidos pela sujeira assertiva dos sons e o peso envolvente das guitarras. Um efeito que cresceu de forma nítida no último ano, quando Cloud Nothings, Japandroids, TY Segall e demais grupos trataram de apresentar alguns dos registros mais barulhentos e ainda assim cativantes da cena alternativa . Marca que, ao que tudo indica, não deve ser rompido tão cedo, ou pelo menos é o que os novatos do Milk Music comprovam com o mais novo e bem sucedido disco de estúdio.

Rock”, a palavra parece simplesmente brilhar no cérebro do ouvinte assim que Cruise Your Illusion (2013, Fat Possum), recente álbum da banda de Washington tem início. Misto de guitarras embrutecidas e sons ágeis que dançam de acordo com os vocais de Alex Coxen, a estreia do grupo parece assumir uma marca própria em relação ao que alimenta a recente música estadunidense. Uma individualidade que mesmo distante consegue se manter firme com os demais trabalhos lançados nos últimos meses – principalmente dentro do universo musical californiano. “Rock”, um som que se sustenta abertamente por marcas talvez esquecidas dentro da variedade de tendências que alimentam a cena musical presente, mas que encontram nessa diversidade um claro ponto de ineditismo e possíveis transformações.

Assim como bem estabeleceu o trio California X no decorrer do primeiro disco há alguns meses, ao entregar o primeiro álbum os garotos do Milk Music parecem movidos pela necessidade de resgatar marcas específicas do passado. São os paredões de guitarras de J Mascis (de longe a personalidade mais influente da atual geração), a aceleração raivosa dos primeiros álbuns do Black Flag, a dureza melódica das canções de Bob Mould (seja como Hüsker Dü ou Sugar) e até o arsenal de distorções do Sonic Youth. Elementos que há décadas circulam pela produção estadunidense, mas nunca antes dentro de um contexto tão motivado, intenso e, de fato, prazeroso de ser ouvido.


Alex Coxen e os parceiros Joe Rutter, Dave Harris e Charles Warring, sabem que os sons que eles fazem podem ser encontrados no trabalho de qualquer outro grupo de garagem. A diferença está em como isso é apresentado ao público. Por mais redundantes (e até toscas) que sejam as canções da banda, o uso exato de riffs pretensiosos, solos épicos e berros pouco moderados acabam convencendo. Aquele tipo de energia que estimula senhores de cabelo branco ou mesmo adolescentes recém iniciados a afirmar que o “bom rock” já morreu. Mesmo as líricas, até bastante convincentes, que se acomodam no decorrer da obra não parecem ser o ponto principal do disco, um trabalho que concentra na ruptura constante da calmaria e até na melancolia raivosa dos sons um ponto fundamental para a grandeza e a orquestração do trabalho. Continuar lendo

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Disco: “California X”, California X

California X
Indie/Garage Rock/Alternative
http://californiax.bandcamp.com/

 

Por: Cleber Facchi

California X

É surpreendente a forma como as guitarras simplesmente deslizam nos ouvidos durante os mais de 30 minutos de duração que sustentam o primeiro álbum do Califonia X. Próximo e ao mesmo tempo distante de diversas marcas que predominam no rock clássico ou mesmo na cena alternativa recente, o autointitulado disco do grupo de Amherst, Massachusetts é praticamente um convite para um cenário semi-desértico, motocicletas e doses imoderadas de cerveja. Canções que praticamente se transformam na trilha sonora alternativa de um filme B da década de 1970 e ainda assim mantém firme a relação com o presente. Um som nostálgico, raro, mas que não deixa em nenhum momento de ser atual.

Por conta da movimentação crescente de trabalhos íntimos da eletrônica ou mesmo de registros sustentados de forma leve dentro da proposta do rock, ao ouvir o primeiro álbum do California X é como se deparar com uma obra impregnada pelo frescor. Cada riff, batida exata de bateria ou vocal firme corresponde ao que gigantes do meio desenvolvem desde o fim da década de 1960. São faixas rápidas que mergulham na herança do Black Flag, tropeçam no Punk nova-iorquino, até se acomodar de maneira decidida no rock alternativo e em tudo o que foi construído desde o final dos anos 1980. Um pouco das guitarras do Dinosaur Jr, doses consideráveis das linhas de baixo do Nirvana, e, claro, a capacidade do grupo em transformar velhas referências em algo totalmente novo.

Assumindo o mesmo caráter áspero que orienta o trio METZ no decorrer do primeiro disco de estúdio, a banda ganha notoriedade por trabalhar as guitarras não apenas dentro de uma medida de peso e agressividade, mas por saber como lidar com as melodias. Não por acaso, quanto mais tempo passamos dentro do cenário que cheira a óleo diesel, cerveja e mulheres, mais encontramos semelhanças com assertividade que orienta o Japandroids no enérgico Celebration Rock (2012). São composições que se agarram de forma intencional aos maiores clichês do rock clássico e ainda assim conseguem parecer inéditas, mesmo aos ouvidos experientes.

Assim como aconteceu com a dupla canadense no último ano (ou mesmo no debut Post-Nothing, de 2009), logo que a banda abre as portas do trabalho com a densa Sucker, a mesma proposta instrumental se estende até a execução do acorde final do disco. A estratégia firma uniformidade ao álbum, que contrário a muitos lançamentos do gênero, não se orienta por ressaltar diferentes marcas do rock alternativo através de cada nova faixa, mas por aglutinar todas as marcas de diferentes épocas como um todo. Dessa forma, tanto Spider X no meio do álbum, como Mummy no fechamento do disco partilham de um mesmo composto raivoso e crescente. Continuar lendo

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Disco: “Metz”, Metz

METZ
Rock/Indie/Alternative Rock
http://www.metzztem.com/

Por: Cleber Facchi

Existe um contraste gigantesco entre o lançamento de Attack On Memory, segundo álbum do Cloud Nothings e a recente estreia do trio canadense Metz. Enquanto Dylan Baldi representa a materialização da juventude, observando a música da década de 1990 de forma atenta e tramando um composto ruidoso que se apega ao pop de forma descompromissada, Alex Edkins, Hayden Menzies e Chris Slorach, todos na faixa dos 30 anos, tratam da mesma proposta de outra maneira. Distantes da melodia suja de bandas como Nirvana ou Dinosaur Jr e se apoiando em cima de um composto instrumental que por vezes raspa o Heavy Metal, o grupo firma a existência de um resultado sóbrio, adulto e que observa a mesma geração que tanto agrada ao jovem Baldi, porém, por outro ponto de vista.

Incorporando um nível de caos e distorção que nem mesmo o veterano J Mascis parece ser capaz de alcançar no ápice de fase You’re Living All Over Me, a tríade vai de encontro ao que serviu de base para a construção do “Lado B” do rock alternativo norte-americano. Surgem assim inevitáveis associações ao trabalho de bandas como The Jesus Lizard (os acertos com o pós-hardcore do álbum Goat estão por todos os lados), Mudhoney, Nirvana (pré-Nevermind) e até Pixies (dos versos berrados às linhas de baixo, tudo se aproxima do clássico Doolittle em uma extensão menos comercial), resultando em uma massa de ruídos claustrofóbicos que guiam o trabalho dos canadenses.

Longe de assumir a mesma exposição nostálgica que movimenta o trabalho de bandas como The Pains of Being Pure At Heart, Yuck, Wild Nothings e tantos outros apaixonados pela sonoridade cravada há duas décadas, ao entregar o primeiro disco o trio usa de tais referências como bases singelas para o que se expande de forma nítida no decorrer da obra. Dentro do mesmo universo de desconstrução que marca a obra de bandas como Male Bonding e The Men, o Metz assume tais experiências dentro de um jogo próprio de exposições instáveis, edificando a construção de um disco rápido na maneira como as guitarras, vozes e batidas tomam formas, mas imenso na forma como velhas referências se desdobram em novos percursos e encaminhamentos agressivos.

Assumidamente distantes de qualquer encaminhamento que puxe a banda aos conceitos da música Lo-Fi, o disco e as 11 faixas arquitetadas no interior dele mantém até o último instante a limpidez do áudio, feito que mais uma vez distancia o Metz das demais bandas que circulam pelo recente cenário norte-americano. A estratégia (ou simples escolha) possibilita que mesmo em momentos de pura distorção, como na faixa Get Off e até em alguns lances experimentais, estrutura presente na música –))–, seja possível captar cada mínima nuance do registro, que entre paredes imensas de ruídos, mantém constante a capacidade de presentear o ouvinte com cada nota, acorde ou particularidade vocal. A qualidade sonora do disco é tamanha que mesmo os sons intencionalmente disformes da curtinha Nausea passam despercebidos, prevalecendo a qualidade e a simetria do restante das canções. Continuar lendo

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Cloud Nothings: “Fall In”

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Com o lançamento de Attack On Memory, o Cloud Nothings passou a incorporar uma postura mais série e firme em relação ao registro de estreia da banda, entregue um ano antes. Embora a medida tenha se revelado um acerto, encaminhando o jovem Dylan Baldi para se transformar em um dos grandes novos nomes do rock alternativo, em alguns momentos é possível encontrar o mesmo rock leve e fácil que circulava ao longo do bem explorado debut. Melhor e mais coerente registro disso está nos versos e nas melodias de Fall In, canção que se aproxima diretamente do pop-punk que impregnava (de forma positiva) todo o primeiro disco. Lançada agora em clipe, a faixa aposta em um resultado curioso, com Dylan e a banda se apoiando no cinema clássico. Confira:

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Miojo Indie Mixtape “Rock” Edition

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Depois de passear suavemente pelo mundo dos sonhos em nossa última e adorável mixtape – Ethereal Edition -, chegou a hora de voltarmos com tudo para o chão em nossa coletânea especial para o dia mundial do rock. Diferente da última edição da Miojo Indie Mixtape “Rock” Edition, agora selecionamos apenas composições recentes e faixas lançadas nos últimos meses, deixando alguns clássicos do rock apenas para a seleção passada. Do garage rock do Japandroids, passando pela jovialidade do Cloud Nothings ao Sludge Metal do Baroness, o que não faltam são variações aos amantes do novo e velho rock. Mixtape altamente recomendada para aquele tiozão que insiste em dizer que o bom e velho rock’n'roll “já morreu”.

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#01. King Tuff – Alone & Stoned

O tom descompromissado e o bom humor marcam todo o primeiro disco da banda norte-americana King Tuff. Com guitarras que passeiam pelo garage rock e a cena alternativa que explodiu ao longo dos anos 90, o álbum trouxe uma sucessão de faixas viciantes e que prendem o ouvinte logo na primeira audição. Exemplo mais intenso da boa forma do registro está em Alone & Stoned, música que agrupa guitarras dançantes com uma soma de vozes brandas e versos fáceis que logo encantam o espectador. Sem dúvidas não há nada mais indicado para abrir nossa coletânea.

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#02. Single Parents – Stop Waiting (For Me Now)

O rock alternativo fala mais alto no interior do primeiro disco da Single Parents. Banda paulistana fundada em meados da década passada, o trio alcança no decorrer do primeiro álbum – Unrest – uma sonoridade invejável e que em nada fica devendo quando comparada a outros lançamentos internacionais. Composição que melhor sintetiza todos os acertos do grupo no decorrer do disco, Stop Waiting (For Me Now) traz guitarras temperadas pela crueza e vozes que se agrupam de forma a prender mesmo os mais exigentes ouvidos.

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#03. Japandroids – The House That Heaven Built

Do título aos primeiros acordes, cada instante de Celebration Rock funciona como uma imensa homenagem ao rock em suas formas mais convencionais. Segundo e mais novo álbum da dupla canadense Japandroids, o registro concentra uma série de faixas rápidas, todas marcadas por vocais intensos e guitarras que explodem a todo o instante. Entre as principais músicas que caracterizam o registro The House That Heaven Built é a que mais aposta no uso de versos melódicos e uma instrumentação ascendente, elementos que contribuem para o crescimento da faixa e do próprio registro como um todo.

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#04. Cloud Nothings – Stay Useless

Poucos artistas cresceram tanto em tão pouco tempo quanto o jovem Dylan Baldi. Responsável pelo projeto Cloud Nothings, o músico deu um salto incrível no decorrer do segundo e mais novo disco de sua carreira, o ótimo Attack On Memory. Lançado no começo do ano, o álbum trouxe uma sequência de boas e sempre enérgicas faixas, canções como a acelerada Stay Useless, que bem define toda a urgência que caracteriza o registro, de longe, um dos melhores trabalhos de 2012.

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#05. Yuck – Chew

O primeiro álbum do Yuck trouxe uma proposta bem definida: visitar diversos acertos e características que definiram o rock dos anos 90. Por todos os lados do álbum o que se vê é uma singela homenagem a nomes como Pavement, My Bloody Valentine e Dinosaur Jr, referências que ainda hoje definem e influenciam as composições da banda. Maior prova disso está no último lançamento do grupo, Chew música que traz em poucos minutos todos os mesmos elementos que tanto definiram o trabalho da banda no ano passado.

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#06. Jack White – I’m Shakin’

Um dos grandes acertos de Jack White ao lançar o primeiro disco solo há alguns meses está em reviver uma série de temáticas e preferências que alimentaram os primeiros álbuns à frente do The White Stripes. Exemplo mais forte disso está na crueza de I’m Shakin’, música que traz todo o peso e a vivacidade das guitarras de White, que flutua tanto pelo blues como pelo rock de garagem. Com um riff pegajoso e versos que colam nos ouvidos, a canção é de longe um dos melhores exemplares do bem sucedido Blunderbuss.

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#07. St. Vincent – Krokodil

Annie Erin Clark (St. Vincent) não é um dos maiores nomes do indie rock à toa. Empunhando guitarras sempre firmes e marcadas pela distorção, a norte-americana lançou no último ano o excelente Strange Mercy, um dos projetos mais completos e surpreendentes da recente fase do rock alternativo. Espécie de continuação exata do que fora testado ao longo do disco, o single Krokodil traz a mesma intensidade que tanto definiu a atuação da cantora e compositora, algo que os acordes sujos definem logo nos instantes iniciais da canção.

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#08. The Men – Animal

Há quem insista em dizer que o “bom e velho rock’n’roll já morreu”. Quem assume essa posição provavelmente não deve ter ouvido Open Your Heart, segundo e mais novo álbum da banda nova-iorquina The Men. Fino exemplo do punk rock da presente safra, o registro concentra uma soma generosa de guitarras sujas e batidas que praticamente sufocam o espectador, proposta que acaba por definir todas as canções do álbum. Sempre intenso, o disco contribui para que faixas como Animal possam crescer de forma ruidosa ao longo do trabalho, revelando todo o acerto da banda.

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#09. Eternal Summers – Wonder

Se pouco foi aproveitado do primeiro álbum da dupla Eternal Summers (lançado há dois anos), então com o recente Correct Behavior temos um efeito inverso. Cada mínima fração do registro deixa visível a evolução do casal Nicole Yun e Daniel Cundiff, dupla que mais uma vez nos arrasta para o garage rock praiano que tanto define a atuação da banda. Se a faixa Millions é o carro chefe e música de preparação para quem experimenta pela primeira vez o trabalho, então Wonder é a faixa que de fato mostra a que veio o disco, com o casal acertando tanto na instrumentação como nos versos.

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#10. Sleigh Bells – Born To Die

O rock parece fluir de maneira não convencional nas mãos da dupla nova-iorquina Sleigh Bells. Enquanto uma bateria eletrônica pesadíssima arma o terreno para que a voz doce de Alexis Krauss possa se anunciar, Derek E. Miller destila toda sua agressividade através de acordes densos e sujos de guitarra. Com elementos que vão do Metal ao Noise, o trabalho esquizofrênico da dupla faz nascer faixas como a explosiva Born To Lose, canção que resume toda a atuação do casal no recente disco Reign Of Terror.

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#11. The Walkmen – Heartbreaker

Heaven é um trabalho que se esquiva o tempo todo de músicas mais agressivas ou que remetam aos iniciais e acelerados lançamentos do The Walkmen. Mesmo que a necessidade de promover um som mais brando seja a principal marca do presente registro, não são poucos os momentos em que as guitarras falam mais alto, percepção que se estende durante toda a execução de Heartbreaker, um dos momentos mais “sujos” do novo álbum do quinteto.

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#12. Lotus Plaza – Monoliths

De maneira geral Spooky Action At A Distance, novo álbum do Lotus Plaza, se divide em dois grupos de composições bem específicas. Enquanto algumas canções realçam uma sonoridade mais etérea e voltada ao shoegaze psicodélico, a outra metade valoriza o uso de composições menos leves e naturalmente mais “hostis”. Parte desse segundo grupo de músicas, Monoliths realça com propriedade as guitarras distorcidas de Lockett Pundt, figura que utiliza do recente álbum para tornar pública sua evolução tanto como instrumentista como compositor.

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#13. Baroness – March To The Sea

Facilmente uma das melhores músicas já lançadas em 2012, March To The Sea transparece toda a evolução do grupo Baroness. Composição mais comercial e melódica do recente álbum do quarteto, o duplo Yellow & Green, a canção mistura o peso do Sludge Metal com doses de uma calmaria Folk que inevitavelmente surpreende. Com uma letra amargurada, a canção conduz o ouvinte por um universo de guitarras densas e versos tomados pela melancolia, tendência que bem define as recentes invenções da banda.

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20 discos que você deveria ter ouvido em 2012

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Assim como já fizemos anteriormente, com o ano pela metade é hora de rever o que vale à pena e merece de fato ser ouvido. Pensando nisso montamos nossa seleção com 20 Discos que você deveria ter ouvido em 2012 (até agora), um resumo com alguns dos melhores e mais importantes registros musicais que foram lançados entre janeiro e junho deste ano. Sem uma ordem de preferência – isso vai ficar para nossa lista no fim de dezembro -, selecionamos 20 títulos em ordem alfabética que trazem como única característica a relevância no cenário atual. Com diferentes gêneros e propostas diferentes, a lista conta com 10 álbuns nacionais e outra dezena de registros estrangeiros, trabalhos que independente da origem acertam pela originalidade, beleza e boa produção. Se você discorda da lista ou acha que algum disco ficou de fora, os comentários estão abertos para isso. Caso ainda não conheça alguns dos álbuns citados, corra, ainda temos meio ano pela frente para você aproveitar cada um dos discos listados.

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Cloud Nothings: “Stay Usless”

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Mesmo que com o lançamento de Attack on Memory no começo deste ano o lado punk e adolescente do Cloud Nothings tenha ficado para trás – ou mais especificamente no homônimo disco lançado em 2011 -, ainda é possível encontrar alguns traços da agressividade e guitarras aceleradas que compuseram as primeiras criações da banda. Stay Usless é provavelmente a composição que melhor traduza isso, tanto que para o clipe da música o diretor Jack Kubizne se aproveitou de referências bem típicas do primeiro álbum, transformando em animação os mesmos anseios que escorrem das letras do vocalista Dylan Baldi.

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Cloud Nothings: “No Future/No Past”

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Já apontado como um dos grandes lançamentos musicais de 2012 – se não o melhor disco apresentado até agora -, Attack On Memory segundo álbum do Cloud Nothings acaba de ganhar um formidável e desconcertante clipe. Dirigido por John Ryan Manning, o vídeo ilustra com imagens a faixa No Future/No Past e mostra um senhor de meia idade sendo arrastado pelo chão, resultando em uma constante sensação de apreensão. Com pouco mais de cinco minutos, a canção demonstra toda a evolução do jovem Dylan Baldi, principal mente por trás da banda e figura que amadureceu profundamente em um curtíssimo espaço de tempo.

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Cloud Nothings – “No Future / No Past” Official Video from Urban Outfitters on Vimeo.

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Os Melhores Discos de 2011: Menções Honrosas

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Africa Hitech
93 Million Miles (Warp)

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De um lado o produtor australiano Mark Pritchard, responsável por uma série de trabalhos (sempre com foco na música eletrônica) pelos quatro cantos do planeta. Do outro lado Steve Spacek, britânico, produtor e músico em uma série de projetos também relacionados com a música eletrônica. No meio desse colapso de beats, programações e ruídos sintéticos está o Africa Hitech, projeto relacionado ao selo inglês Warp Records e que foca o trabalho dos dois produtores no pós-dubstep. Entre batidas sincopadas, samples encorpados de maneira quente e todo um manancial de referências vão aos poucos dando forma ao imenso 93 Million Miles, álbum que realça todas as habilidades da dupla de produtores através de um resultado incrivelmente dançante e capaz de movimentar quaisquer pistas. Entre faixas como Out In The Streets e Our Luv, o duo vai desenvolvendo um trabalho sério e que carece de audição urgente. (Resenha)

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Cloud Nothings
Cloud Nothings (Wichita/Carpark)

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Indie rock cru e despretensioso, com essa medida o jovem Dylan Baldi fez nascer um dos trabalhos mais radiantes e empolgados do ano, um registro que em pouco menos de 30 minutos parece feito para movimentar todos os músculos do corpo em uma dança frenética enquanto as cordas vocais se rompem em meio a gritos entusiasmados. Estreia definitiva do músico de Cleveland, Ohio, que desde muito novo vem produzindo um rock caseiro em seu próprio quarto, o homônimo álbum do Cloud Nothings é uma explosão de vozes e guitarras do princípio ao fim. Explorando letras que ressaltam justamente o aspecto jovial do músico e amarrando tudo em guitarras que vão do rock alternativo ao Punk, Baldi se assume de maneira definitiva como um dos grandes nomes da cena independente norte-americana, feito que ele justifica tanto nos momentos mais explosivos de sua obra (Understand At All), como nos momentos de melancolia (Forget You All The Time).(Resenha)

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Dirty Beaches
Badlands (Zoo)

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Preso em um universo paralelo onde os anos 50 não se extinguiram e o rockabilly ainda é a grande sensação de garotas adolescentes com vestidos de bolinhas e meninos trajando jaquetas de couro, Alex Zhang Hungtai usa de todos os esforços para mandar desse estranho ambiente uma única mensagem: Badlands. Entretanto, ao atravessar dimensões a suposta gravação feita pelo músico norte-americano, filho de pais chineses, acabou sofrendo danos em virtude de fortes interferências magnéticas, tendo seu resultado final praticamente oculto em meio a densas camadas de distorção, sequências inteiras de ruídos densos e vocais que de tão abafados tornam praticamente indecifrável a mensagem enviada pelo artista. Se ainda assim alguém estiver interessado em buscar compreender a mensagem repassada Hungtai, as oito faixas do registro ainda permanecem em aberto. (Resenha)

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Drake
Take Care (Cash Money/Young Money/Universal Republic)

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Continuação melhorada do que havia provado em 2010 com Thank Me Later, Drake transforma o segundo registro em estúdio em um retrato melancólico de si próprio, preenchendo todas as lacunas do disco com uma sucessão de batidas lentas, pianos e efeitos eletrônicos que o transformam em um dos grandes nomes da R&B. Acompanhado por personagens distintos da cena norte-americana – incluindo Rihanna, The Weeknd e Steve Wonder -, o canadense vai desenvolvendo um registro volátil, capaz de posicionar o hip-hop que o cerca em um produto diversificado e heterogêneo. Costurando versos tomados por uma linearidade obscura (e muitas vezes incrivelmente romântica), o rapper faz nascer um trabalho honesto, envolvente e que figura (e figurará) com destaque entre os grandes lançamentos que a Black music pôde fornecer em 2011. (Resenha)

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Gal Costa
Recanto (Universal)

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Há tempos presa a uma fórmula fácil, redundante e lucrativa para sua carreira, Gal Costa resolveu em 2011 abandonar os artifícios garantidos de outrora para experimentar. Acompanhada do eterno parceiro Caetano Veloso (que assume as letras de todas as canções do disco), Costa surge em um altar de sons eletrônicos, batidas quebradas e elementos integralmente sintéticos revelando um projeto que rompe com qualquer obviedade que perpassa a carreira da baiana. Sob um véu de efeitos artificiais, Gal passeia única com sua voz inconfundível (e até robotizada), ora acertando brilhantemente (Autotune Auterotico e Neguinho), ora constrangendo de maneira visível (Miami Maculele), mas acima de tudo inovando, não se permitindo cair em velhas tentações e apresentando o melhor trabalho de sua carreira em décadas. (Resenha)

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High Places
Original Colours (Thrill Jockey)

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Depois de um trabalho fraquíssimo lançado no ano passado, Rob Barber e Mary Pearson resolveram alterar os rumos do High Places, feito que eles reforçam através da psicodelia eletrônica de Original Colours, terceiro álbum da dupla e melhor registro apresentado pelo casal até agora. Menos etéreo que os dois discos anteriores, mas ainda assim marcado por uma aura flutuante e mágica, o álbum apresenta uma soma de criações complexas e viajantes, faixas como a mística The Pull, a pop (e pegajosa) Sonora ou mesmo a experimentação moderada de Banksia, revelando um trabalho conscientemente amplo e rico em texturas. Enquanto Barber constrói as bases, Pearson passeia delicadamente com os vocais, resultando em um projeto que parece se dissolver nos ouvidos do espectador. (Resenha)

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Jamie XX
We’re New Here/Far Nearer (XL/Young Turks)

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A temporada de férias do The XX parece ter rendido muito para Jamie Smith. Enquanto os demais parceiros da banda seguem aproveitando os louros acumulados durante a turnê de divulgação do primeiro álbum, o jovem londrino resolveu se afundar no desenvolvimento de batidas e programações eletrônicas com um foco no UK Garage. Primeiro proporcionando novo resultado ao último álbum do falecido Gil Scott-Heron, apresentando sua própria versão da herança do músico em We’re New Here, depois revelando o primeiro single inédito em carreira solo, Far Nearer. Em ambos os projetos Smith transparece inventividade e habilidade única na hora de cobrir cada canção com uma fina tapeçaria eletrônica que parece conhecida apenas pelo britânico. Se por infelicidade o The XX nunca mais retornasse, Smith já teria um futuro mais do que garantido dentro desse segmento. (Resenha/Resenha)

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Lenine
Chão (Universal)

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Não seria de se estranhar que passados mais de 20 anos de carreira Lenine resolvesse se acomodar, transformando cada novo álbum em apenas um simples registro para faturar alguma grana extra ou apenas um mecanismo para que o público lembrasse que ele ainda estava vivo. Entretanto, este não é o músico recifense que desde meados dos anos 80 vem proporcionando novo resultado à música popular brasileira, rótulo que ele parece perverter por completo em Chão, oitavo registro oficial da carreira do artista e projeto mais revolucionário de toda sua carreira. Utilizando de samples e ruídos naturais, Lenine vai dando formas a um trabalho escuro, denso e em diversos momentos sufocante, utilizando da temática do chão (e tudo que nele brota) a grande força utilizada para movimentar todas as canções presentes no trabalho. (Resenha)

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Pipo Pegoraro
Taxi Imã (YB Music)

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Quando lançou o primeiro álbum em 2008 – Intro -, Pipo Pegoraro parecia interessado em assumir todos os níveis do registro de maneira individual, gravando, compondo, cantando e tocando tudo de forma solitária, aspecto que acaba se refletindo em cada uma das 11 canções do disco, que mesmo agradável, acabou ficando aquém de um resultado verdadeiramente satisfatório. Agora acompanhado de um novo número de colaboradores – que posteriormente foram dar vida ao Bixiga 70 -, o paulistano converte Taxi Imã em um disco de acertos, convertendo cada composição do trabalho em um som visivelmente colaborativo e rico. Parte da nova safra de músicos paulistanos que desde o ano passado tem modificado o cenário musical paulista, Pegoraro dialoga com Gilberto Gil e Fela Kuti no interior da obra, ao mesmo tempo em que utiliza do vasto número de colaboradores um mecanismo para estabelecer um som próprio e marcante. (Resenha)

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Youth Lagoon
The Year of Hibernation (Fat Possum)

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O ano de 2011 parece ter sido o escolhido pela imprensa, público e até pelas próprias bandas para a redescoberta do Lo-Fi. Nunca antes uma quantidade tão absurda de lançamentos caseiros e ruidosos figurou com tamanho destaque pelo cenário mundial quanto ao longo deste ano – até o Brasil teve sua cota de participantes. Exemplo relevante do que foram todas essas aparições está no primeiro álbum do jovem Trevor Powers, que através do projeto Youth Lagoon transformou o delicado The Year Of Hibernation em um dos lançamentos mais comentados dos últimos meses. Embora não seja nada revolucionário e transpareça claramente as dificuldades (e erros) do iniciantes músico, o trabalho preza pela naturalidade íntegra das canções, que mesmo limitadas não conseguem esconder uma série de versos satisfatórios, bem como uma instrumentação delicada e envolvente, transformando o desconhecido Powers em uma figura para observamos futuramente com atenção. (Resenha)

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