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Africa Hitech
93 Million Miles (Warp)
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De um lado o produtor australiano Mark Pritchard, responsável por uma série de trabalhos (sempre com foco na música eletrônica) pelos quatro cantos do planeta. Do outro lado Steve Spacek, britânico, produtor e músico em uma série de projetos também relacionados com a música eletrônica. No meio desse colapso de beats, programações e ruídos sintéticos está o Africa Hitech, projeto relacionado ao selo inglês Warp Records e que foca o trabalho dos dois produtores no pós-dubstep. Entre batidas sincopadas, samples encorpados de maneira quente e todo um manancial de referências vão aos poucos dando forma ao imenso 93 Million Miles, álbum que realça todas as habilidades da dupla de produtores através de um resultado incrivelmente dançante e capaz de movimentar quaisquer pistas. Entre faixas como Out In The Streets e Our Luv, o duo vai desenvolvendo um trabalho sério e que carece de audição urgente. (Resenha)
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Cloud Nothings
Cloud Nothings (Wichita/Carpark)
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Indie rock cru e despretensioso, com essa medida o jovem Dylan Baldi fez nascer um dos trabalhos mais radiantes e empolgados do ano, um registro que em pouco menos de 30 minutos parece feito para movimentar todos os músculos do corpo em uma dança frenética enquanto as cordas vocais se rompem em meio a gritos entusiasmados. Estreia definitiva do músico de Cleveland, Ohio, que desde muito novo vem produzindo um rock caseiro em seu próprio quarto, o homônimo álbum do Cloud Nothings é uma explosão de vozes e guitarras do princípio ao fim. Explorando letras que ressaltam justamente o aspecto jovial do músico e amarrando tudo em guitarras que vão do rock alternativo ao Punk, Baldi se assume de maneira definitiva como um dos grandes nomes da cena independente norte-americana, feito que ele justifica tanto nos momentos mais explosivos de sua obra (Understand At All), como nos momentos de melancolia (Forget You All The Time).(Resenha)
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Dirty Beaches
Badlands (Zoo)
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Preso em um universo paralelo onde os anos 50 não se extinguiram e o rockabilly ainda é a grande sensação de garotas adolescentes com vestidos de bolinhas e meninos trajando jaquetas de couro, Alex Zhang Hungtai usa de todos os esforços para mandar desse estranho ambiente uma única mensagem: Badlands. Entretanto, ao atravessar dimensões a suposta gravação feita pelo músico norte-americano, filho de pais chineses, acabou sofrendo danos em virtude de fortes interferências magnéticas, tendo seu resultado final praticamente oculto em meio a densas camadas de distorção, sequências inteiras de ruídos densos e vocais que de tão abafados tornam praticamente indecifrável a mensagem enviada pelo artista. Se ainda assim alguém estiver interessado em buscar compreender a mensagem repassada Hungtai, as oito faixas do registro ainda permanecem em aberto. (Resenha)
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Drake
Take Care (Cash Money/Young Money/Universal Republic)
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Continuação melhorada do que havia provado em 2010 com Thank Me Later, Drake transforma o segundo registro em estúdio em um retrato melancólico de si próprio, preenchendo todas as lacunas do disco com uma sucessão de batidas lentas, pianos e efeitos eletrônicos que o transformam em um dos grandes nomes da R&B. Acompanhado por personagens distintos da cena norte-americana – incluindo Rihanna, The Weeknd e Steve Wonder -, o canadense vai desenvolvendo um registro volátil, capaz de posicionar o hip-hop que o cerca em um produto diversificado e heterogêneo. Costurando versos tomados por uma linearidade obscura (e muitas vezes incrivelmente romântica), o rapper faz nascer um trabalho honesto, envolvente e que figura (e figurará) com destaque entre os grandes lançamentos que a Black music pôde fornecer em 2011. (Resenha)
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Gal Costa
Recanto (Universal)
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Há tempos presa a uma fórmula fácil, redundante e lucrativa para sua carreira, Gal Costa resolveu em 2011 abandonar os artifícios garantidos de outrora para experimentar. Acompanhada do eterno parceiro Caetano Veloso (que assume as letras de todas as canções do disco), Costa surge em um altar de sons eletrônicos, batidas quebradas e elementos integralmente sintéticos revelando um projeto que rompe com qualquer obviedade que perpassa a carreira da baiana. Sob um véu de efeitos artificiais, Gal passeia única com sua voz inconfundível (e até robotizada), ora acertando brilhantemente (Autotune Auterotico e Neguinho), ora constrangendo de maneira visível (Miami Maculele), mas acima de tudo inovando, não se permitindo cair em velhas tentações e apresentando o melhor trabalho de sua carreira em décadas. (Resenha)
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High Places
Original Colours (Thrill Jockey)
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Depois de um trabalho fraquíssimo lançado no ano passado, Rob Barber e Mary Pearson resolveram alterar os rumos do High Places, feito que eles reforçam através da psicodelia eletrônica de Original Colours, terceiro álbum da dupla e melhor registro apresentado pelo casal até agora. Menos etéreo que os dois discos anteriores, mas ainda assim marcado por uma aura flutuante e mágica, o álbum apresenta uma soma de criações complexas e viajantes, faixas como a mística The Pull, a pop (e pegajosa) Sonora ou mesmo a experimentação moderada de Banksia, revelando um trabalho conscientemente amplo e rico em texturas. Enquanto Barber constrói as bases, Pearson passeia delicadamente com os vocais, resultando em um projeto que parece se dissolver nos ouvidos do espectador. (Resenha)
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Jamie XX
We’re New Here/Far Nearer (XL/Young Turks)
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A temporada de férias do The XX parece ter rendido muito para Jamie Smith. Enquanto os demais parceiros da banda seguem aproveitando os louros acumulados durante a turnê de divulgação do primeiro álbum, o jovem londrino resolveu se afundar no desenvolvimento de batidas e programações eletrônicas com um foco no UK Garage. Primeiro proporcionando novo resultado ao último álbum do falecido Gil Scott-Heron, apresentando sua própria versão da herança do músico em We’re New Here, depois revelando o primeiro single inédito em carreira solo, Far Nearer. Em ambos os projetos Smith transparece inventividade e habilidade única na hora de cobrir cada canção com uma fina tapeçaria eletrônica que parece conhecida apenas pelo britânico. Se por infelicidade o The XX nunca mais retornasse, Smith já teria um futuro mais do que garantido dentro desse segmento. (Resenha/Resenha)
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Lenine
Chão (Universal)
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Não seria de se estranhar que passados mais de 20 anos de carreira Lenine resolvesse se acomodar, transformando cada novo álbum em apenas um simples registro para faturar alguma grana extra ou apenas um mecanismo para que o público lembrasse que ele ainda estava vivo. Entretanto, este não é o músico recifense que desde meados dos anos 80 vem proporcionando novo resultado à música popular brasileira, rótulo que ele parece perverter por completo em Chão, oitavo registro oficial da carreira do artista e projeto mais revolucionário de toda sua carreira. Utilizando de samples e ruídos naturais, Lenine vai dando formas a um trabalho escuro, denso e em diversos momentos sufocante, utilizando da temática do chão (e tudo que nele brota) a grande força utilizada para movimentar todas as canções presentes no trabalho. (Resenha)
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Pipo Pegoraro
Taxi Imã (YB Music)
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Quando lançou o primeiro álbum em 2008 – Intro -, Pipo Pegoraro parecia interessado em assumir todos os níveis do registro de maneira individual, gravando, compondo, cantando e tocando tudo de forma solitária, aspecto que acaba se refletindo em cada uma das 11 canções do disco, que mesmo agradável, acabou ficando aquém de um resultado verdadeiramente satisfatório. Agora acompanhado de um novo número de colaboradores – que posteriormente foram dar vida ao Bixiga 70 -, o paulistano converte Taxi Imã em um disco de acertos, convertendo cada composição do trabalho em um som visivelmente colaborativo e rico. Parte da nova safra de músicos paulistanos que desde o ano passado tem modificado o cenário musical paulista, Pegoraro dialoga com Gilberto Gil e Fela Kuti no interior da obra, ao mesmo tempo em que utiliza do vasto número de colaboradores um mecanismo para estabelecer um som próprio e marcante. (Resenha)
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Youth Lagoon
The Year of Hibernation (Fat Possum)
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O ano de 2011 parece ter sido o escolhido pela imprensa, público e até pelas próprias bandas para a redescoberta do Lo-Fi. Nunca antes uma quantidade tão absurda de lançamentos caseiros e ruidosos figurou com tamanho destaque pelo cenário mundial quanto ao longo deste ano – até o Brasil teve sua cota de participantes. Exemplo relevante do que foram todas essas aparições está no primeiro álbum do jovem Trevor Powers, que através do projeto Youth Lagoon transformou o delicado The Year Of Hibernation em um dos lançamentos mais comentados dos últimos meses. Embora não seja nada revolucionário e transpareça claramente as dificuldades (e erros) do iniciantes músico, o trabalho preza pela naturalidade íntegra das canções, que mesmo limitadas não conseguem esconder uma série de versos satisfatórios, bem como uma instrumentação delicada e envolvente, transformando o desconhecido Powers em uma figura para observamos futuramente com atenção. (Resenha)
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