Arquivos da Tag: Cidadão Instigado

Céu: “Caravana Sereia Bloom” Remixes

Céu

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O universo de Caravana Sereia Bloom não parece limitado ao cenário nostálgico que se derrama pelo terceiro registro em estúdio de Céu. Pouco à pouco o bem sucedido álbum – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012 – deve ganhar uma versão recheada por remixes, proposta inicialmente assumida por Dustan Gallas (Cidadão Instigado) e Pupillo (Nação Zumbi). Enquanto o primeiro deixa um pouco mais acelerada a versão original de Street Bloom, o segundo assume a responsabilidade de preencher a calmaria de Chegar em Mim com uma dose extra de batidas e condimentos eletrônicos. Segundo Alexandre Matias, outras versões devem surgir em breve.

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Céu – Chegar em Mim (Pupillo Remix)

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Céu – Street Bloom (Dustan Gallas Remix)

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Experimente: Carne Doce

Carne Doce

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Somos uma banda de Goiânia, criada por um casal”, você não precisa saber além disso para se encantar pelo projeto da dupla Carne Doce. Sustentados por referências que vão dor rock nacional da década de 1970, passando pelo clima brega-chique dos anos 1980 até estacionar nos experimentos da música recente, Salma Jô e o parceiro Macloys encontram em Dos Namorados EP um exercício de confissões diversas. São declarações – românticas ou não – que circulam de forma natural pelo cotidiano do dupla. Um simples “bom dia”, carícias, uma briga, tapas e beijos. Tudo em um ambiente que parece desvendado por completo apenas pelo casal.

Carne Doce

Poderia ser Pepeu e Baby, Rita e Roberto ou o casal Letuce, mas não é. Trata-se de algo que pertence apenas à jovem dupla, consciente de cada mínima porção de esquizofrenia (poética e instrumental) que se esparrama pela obra. Quem acompanha o trabalho de Tulipa Ruiz e Céu não vai encontrar qualquer dificuldade em transitar pela curiosa obra de seis faixas. Enquanto as guitarras soam como qualquer composição abençoada pelos membros do Cidadão Instigado, os vocais dançam por entre épocas sem jamais se fixar em nada. Experimento em prol de um invento pop, caseiro como a dupla aponta, mas que lentamente se aproxima da realidade do ouvinte – esteja ele acompanhado ou não.

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Carne Doce – Dos Namorados EP

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Disco: “É O Que Temos”, Bárbara Eugênia

Bárbara Eugênia
Brazilian/Female Vocalists/MPB
http://www.barbaraeugenia.com/

 

Por: Cleber Facchi

Bárbara Eugênia

Bárbara Eugênia foge à regra quando próxima de vozes recentes ou mesmo veteranas da música popular brasileira. Sem o descontrole lírico (e emocional) de Karina Buhr, distante dos gracejos pop de Tulipa Ruiz e raspando de leve na psicodelia nostálgica de Céu, a cantora traz nos vocais a principal arma para se apresentar e consequentemente seduzir o público. Com o acerto de quem pensa no trabalho de estúdio já visualizando o o cenário Ao Vivo, a artista carioca situada em São Paulo alcança o segundo registro solo aprimorando as experiências iniciadas há três anos. São composições que abandonam o ambiente à meia-luz de Journal de BAD (2010) para mergulhar o trabalho em um plano levemente ensolarado e às vezes até excêntrico.

Prosseguindo de onde Céu parece ter estacionado no último álbum, Caravana Sereia Bloom (2012), a artista encontra na produção fracionada entre Edgard Scandurra e Clayton Martins (da banda Cidadão Instigado) um caminho seguro para transitar por diferentes estágios e épocas da música. Ora apoiada em conceitos do rock psicodélico nacional da década de 1970, ora íntima de todo o erotismo derramado por Serge Gainsbourg no decorrer do mesmo período – extensão do que promove com Scandurra dentro do projeto Les Provocateurs -, Bárbara dança em um misto constante de provocação e sofrimento. Uma dicotomia que circula e abastece cada instante das 11 composições que se abrigam no disco.

Intitulado É O Que Temos (2013, Oi Music), o novo registro partilha de um conceito bastante específico: a sedução. Ciente do caráter voluptuoso da própria obra, Eugênia passeia pela essência de Gainsbourg e outros símbolos do erotismo musical, encontrando nas guitarras versáteis de Scandurra um apoio para reproduzir composições que naturalmente hipnotizam. Menos tímido que o antecessor, o novo disco traz no clima setentista da faixa de abertura boa parte dos engenhos que tratam de alimentar o restante do álbum. Composições movidas por uma estética econômica, solos alongados e que servem para destacar exclusivamente os vocais cada vez mais polidos e bem explorados da cantora.


Até a construção da sexta faixa do álbum, Sozinha (Me Sinto Solo), Bárbara e os parceiros de banda tratam de afundar o ouvinte em um mar quase infinito de sofrimento. Um trabalho que beira o desespero, mas nunca mergulha por completo nele. São composições amargas e que beiram o mesmo romantismo brega que o paulistano Pélico tratou de acertar no hoje clássico Que Isso Fique Entre Nós (2011). Por falar no músico, é ele o responsável por acrescentar beleza (e uma dose extra de melancolia) aos vocais de Roupa Suja, canção que engata a mesma medida de comoção e pós-relacionamento do clássico Por Que Brigamos, faixa eternizada pela carioca Diana em 1972 e agora regravada por Eugênia. Continuar lendo

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Cidadão Instigado: “O Cabeção”

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Lá se vão longos três anos desde que Fernando Catatau e os parceiros do Cidadão Instigado apresentaram ao público o excelente Uhuuu!, terceiro registro em estúdio da banda de Fortaleza, Ceará e um dos trabalho mais surpreendentes da recente fase do rock nacional. Com o sucessor já em andamento – boatos de que o novo álbum seria lançado ainda em 2012 -, a banda retorna ao que fora apresentado em um passado recente para entregar ao público o clipe de O Cabeção, uma das músicas que integram o já clássico registro. Experimental pela forma como foi concebido, o clipe costura diversas apresentações ao vivo do grupo, tentando acertar o tempo exato da canção.

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Cidadão Instigado – O Cabeção from renan on Vimeo.

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Disco: “Lembra?”, Rafael Castro

Rafael Castro
Brazilian/Indie/Singer-Songwriter
http://rafaelcastro.com.br/

Por: Cleber Facchi

Talvez seja pelo excesso de trabalhos ou a vasta gama de percursos instrumentais e poéticos, Rafael Castro sempre me assustou. Ainda hoje me pergunto “por onde começar?” em uma discografia que beira uma dezena de lançamentos – todos registros independentes, mezzo caseiros, mezzo profissionais. A resposta mais indicada para essa pergunta talvez esteja no interior do oitavo e mais recente lançamento do músico paulistano, Lembra? (2012, Inependente). Menos irregular e bem estruturado registro de toda a carreira do artista, o novo disco expande os horizontes do compositor, que se distancia de forma assertiva do rock hippie de outrora e aparece apostando em uma sonoridade urbana, por vezes comercial, e naturalmente muito mais atrativa.

Como se partilhassem de um mesmo propósito, cada uma das 14 faixas encontradas no decorrer do presente disco puxam Castro (e o ouvinte) para uma solução de versos cotidianos, como se o disco todo se desenvolvesse ao longo de um só dia. Dentro dessa funcionalidade e concisão constante o músico se esforça para a produção de um registro que desce fácil pelos ouvidos, partilhando em diversos momentos a mesma singeleza confessional que decide os rumos dos iniciais discos de Arnaldo Baptista (Mutantes) em carreira solo. É possível até observar o álbum como uma manifestação mais simples do que flutua nos versos menos experimentais de Fernando Catatau – imagine uma versão mais “pop” de Uhuuu! (2009).

Brincando com as metáforas e ironias nos versos de cada faixa, flertando abertamente com o amor (e a falta dele), além de se desvencilhar a todo o instante do bom humor tradicional que guiava grande parte das composições anteriores, o músico finaliza aquele que parece ser o mais coerente a atrativo trabalho desde que iniciou suas gravações em meados da década passada. Não importa a direção, por todos os cantos do disco ecoam criações capazes de percorrer a psicodelia de maneira experimental (Os Meus Doces São Meus Doces) e o romantismo brega de forma renovada (Lembra?), com o músico estabelecendo uma visão particular do que há trinta anos ocupava a produção musical brasileira.

Mais surpreendente do que notar a capacidade de Castro em nos manter atentos e confortavelmente instalados durante toda a extensão do álbum é descobrir que cada pequena porção instrumental do disco é fruto único do multi-instrumentista. Oposto do que fora proposto nos registros passados, da primeira à última faixa o trabalho se mantém atrativo de maneira hipnótica, com o músico posicionando sem medo o uso de teclados nostálgicos (Você Sabe Como É) e guitarras bem delineadas (Surdo-Mudo) capazes de se entregar ao que há de mais marcante no rock nacional da década de 1970. A medida afasta o músico do desempenho Lo-Fi, tornando curioso perceber a limpidez das formas sonoras de um trabalho gravado no estúdio que o músico mantém na casa dos pais. Continuar lendo

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Disco: “A Mágica Deriva Dos Elefantes”, Supercordas

Supercordas
Brazilian/Psychedelic/Experimental
http://bandasupercordas.tumblr.com/

Por: Cleber Facchi

Como um bloco rígido (e em alguns instantes colorido) de concreto surge o segundo e mais novo álbum da banda carioca Supercordas, A Mágica Deriva Dos Elefantes (2012, Midsummer Madness). Primeiro lançamento do grupo depois de um longo hiato de seis anos, o álbum rompe de forma decisiva com o que fora testado em idos de 2006, quando Seres verdes ao redor: música para samambaias, animais rastejantes e anfíbios marcianos parecia surgir do meio da mata e e nos arrastar para algum terreno pantanoso e rico em particularidades instrumentais vivas. O longo silêncio da banda, entretanto, trouxe mudanças mais do que significativas, transformações que se revelam renovadas durante a extensão cinza do aguardado e finalmente lançado segundo disco.

Quem esperava por algum tipo de continuação exata do que fora testado há seis anos provavelmente se surpreenda com as novas propostas que caracterizam a obra do grupo formado por Bonifrate (voz, guitarra e violão), Kauê Ravaneda (guitarra), Digital Ameríndio (bateria), Filipe Giraknob (guitarra e efeitos), Diogo Valentino (baixo) e Gabriel Ares (teclado). Nem mesmo as predisposições ao folk-psicodélico que tanto marcam a recente fase solo do líder Bonifrate se fazem presentes no decorrer da obra. Tudo ecoa novidade, acertos urbanos e uma variedade de formas que ampliam de maneira significativa todos os limites da banda. Esqueça a psicodelia bucólica que antes tingia com musgo cada nova pérola musical lançada pela banda. Aqui as guitarras, a cidade e até certa dose de esquizofrenia falam mais alto.

Enquanto Seres Verdes Ao Redor estava mais para o que fora testado pelo Clube da Esquina e todos os elementos da psicodelia rural que afloraram no rock brasileiro da década de 1970, hoje as predisposições que definem a obra da banda carioca são completamente outras. Talvez por conta dos experimentos épicos e o caráter “urbano” do álbum, as aproximações com os sons testados pelo Pink Floyd em álbuns como Meddle (1971) e Wish You Were Here (1975) imprimam marcas mais do que significativas no decorrer do disco. Tudo se reconfigura de maneira séria dentro do achado de guitarras densas e picotados encaixes de ruídos, marcas que em nenhum momento se assemelham aos acertos psicodélicos e esverdeados de outrora.

Do princípio ao fim A Mágica… é um trabalho que propicia o crescimento dos mais variados e sujos experimentos com as guitarras. Enquanto no debut o instrumento aparecia de maneira sutil, esvoaçando acordes de maneira doce e climática, aqui as guitarras comandam toda a extensão do disco, que tem nas letras e os demais elementos sonoros detalhes posicionados em um segundo plano. Dentro dessa proposta não é difícil perceber a construção de músicas naturalmente complexas e ruidosas feito À Minha Estrela Bailarina, Asclépius e a lisérgica Ninguém Conquista a Noiva Dançando. Faixas que distanciam a psicodelia nostálgica dos anos 60 para incorporar uma série de funções típicas de artistas recentes como Cidadão Instigado (do álbum Uhuuu!) e The Flaming Lips (nos melhores ruídos do poderoso Embryonic). Continuar lendo

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Pequenos Clássicos Modernos

Cidadão Instigado
Brazilian/Psychedelic/Experimental
http://www.myspace.com/cidadaoinstigado
http://www.cidadaoinstigado.com/

Por: Cleber Facchi

Não restavam dúvidas de que o Cidadão Instigado pudesse produzir um trabalho tão excêntrico e criativo quando o fundamental E O Método Túfo de Experiências (2005). Entretanto, o que ninguém imaginava era que o grupo cearense pudesse construir algo ainda mais alucinado do que o proposto em seu segundo trabalho de estúdio. Menos experimental e realçando as frequências ligadas à psicodelia e ao lado brega do grupo, Uhuuu! (2009) expõe a banda de Fortaleza dentro de um universo de romantismos, delírios e fórmulas nada convencionais de se fazer música.

A temática alcançada por Fernando Catatau e seus parceiros nos trabalhos anteriores – O Ciclo da Dê.Cadência (2002) e O Método Túfo… (2005) – parece dentro deste terceiro disco cuidadosamente organizada, ressaltando o que havia de melhor nas composições do grupo. A psicodelia ecoando os anos de glória do Pink Floyd e diversas referências aos grupos do rock nacional dos anos 70 envolve-se de forma amigável com todo o reduto da música brega que passou a brotar no mesmo período, desenvolvendo o cerne instrumental e poético da banda.

Ao contrário do álbum de 2005, em Uhuuu! o grupo se distancia visivelmente das excentricidades e composições nada fáceis que trouxeram a eles certo reconhecimento na imprensa musical, fazendo com que o trabalho não apenas ganhe contornos acessíveis, mas chegue bem próximo de um genuíno disco pop. Contando Estrelas é o momento que mais evidencia isso, tanto pelo despretensioso arranjo instrumental, quanto pela letra que segue pela mesma fluidez despojada, algo que se repete ainda em Dói e Escolher Pra Quê.

Claro que as experimentações da banda seguem à todo vapor, embora se abram para que os não iniciados nesse tipo de música possam se “habituar” aos sons da banda. É o caso de faixas como Doido (com participação de Arnaldo Antunes), A Radiação na Terra ou Deus é uma viagem, que trajam uma couraça instrumental acessível, misturando toques de Tropicália com Odair José, mas que mantém em seu interior (principalmente através das letras) as mesmas resoluções exploradas nos primeiros álbuns do grupo.

Se em O Pobre dos Dentes de Ouro, Os Urubus Só Pensam em Te Comer ou O verdadeiro Conceito de um Preconceito, todas composições vindas dos primeiros trabalhos e que manifestavam um aspecto bruto, rebuscado em sua concepção, porém não menos brilhantes, com o terceiro disco há uma espécie de plasticidade tomando conta das canções. As guitarras de Catatau soam muito mais claras, assim como os teclados, antes utilizados de forma climática, mas agora assumindo longos solos, invadindo as músicas e trazendo ainda mais beleza aos sons dos cearenses.

Se após o lançamento de O Método Túfo… o Cidadão Instigado se revelava para um bom número de indivíduos em busca de novidades em solo brasileiro, com Uhuuu! a banda se firma categórica no topo dos maiores artistas da atual geração. A boa recepção do álbum acabou abrindo as portas para que grande parcela dos integrantes da banda levassem suas intervenções ao trabalho de outros artistas, como Otto ou Arnaldo Antunes, deixando que as raízes do grupo esticassem até alcançar distintos tipos de solos.

Uhuuu! (2009)

Nota: 9.8
Para quem gosta de: Otto, Wado e Curumin
Ouça: Contando Estrelas

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Pequenos Clássicos Modernos

Cidadão Instigado
Brazilian/Alternative/Experimental
http://www.myspace.com/cidadaoinstigado

Por: Cleber Facchi

Estranho, brega, romântico, experimental e genial, o que não faltaram foram adjetivos para essa pequena obra que é o segundo disco de estúdio da banda de Fortaleza Cidadão Instigado. Denominado E O Método Túfo de Experiências (2005), todas as sutilezas e o brilhantismo de Fernando Catatau, líder do grupo, se encontram de maneira excepcional dentro desse registro, com o músico reinventando décadas de música durante os pouco mais de 50 minutos do álbum, seja pelo emprego de sua guitarra criativa ou seus vocais excêntricos e a instrumentação inconstante.

Toda a excelência desse disco não viria obviamente da noite para o dia, seriam necessários anos de alquimia até que Catatau pudesse finalmente fazer um metal menos nobre virar ouro. Fundada em 1994 na capital cearense, a banda trazia elementos de diversas épocas como o rock psicodélico e a música brega dos anos 70, do mesmo baú vinham também elementos da cultura nordestina, além de um pé bem firme na música experimental. A soma desses resultados todos viria ainda em 94 com um EP, mas de maneira mais satisfatória em 2002, com o lançamento do primeiro álbum da banda, O Ciclo da Dê.Cadência.

Com esse álbum, Catatau e os demais integrantes do grupo – Regis Damasceno (guitarra, violão e voz), Rian Batista (baixo e voz), Dustan Gallas (teclado) e Clayton Martin (bateria) – aprontariam todos os ingredientes e dariam início ao cozimento dos sons do Cidadão Instigado. Faixas como Lá Fora Têm… e O verdadeiro conceito de um preconceito já indicavam os rumos que se seguiriam no trabalho posterior.

Além de todos os distintos elementos de seu trabalho de estreia, a banda acrescentaria ao seu enorme caldeirão de referências uma pitada de música pop, feito que daria ao segundo disco um toque de acessibilidade sem jamais perder seu brilhantismo. O resultado final se compreende nas dez composições do álbum, que passeiam a todo o momento por uma musicalidade melancólica, série, crítica e quase bizarra.

Há espaço para composições puramente emocionais como a brega Te Encontra Logo…, o experimentalismo de Silêncio na Multidão além da confessional O Tempo, que carregam todo o peso de compositores nordestinos como Wando sempre dentro de uma sonoridade viajada e conceitual. Entretanto é no esquisito e na experimentação que a banda se revela, como em O Pinto de Peitos (com a voz fanha e desafinada de Catatau fluindo de maneira convincente) ou ainda Os Urubus Só Pensam Em Te Comer com um show a parte de guitarras e programações.

É raro encontrar alguém que se oponha ao trabalho excepcional. A vivacidade com que o quinteto explora cada tonalidade do álbum serviu indubitavelmente como um sopro de criatividade para a música brasileira daquele momento. O álbum abriria também as portas para que todos os integrantes contribuíssem ou na produção ou na instrumentação de outros discos de artistas daquele período. E a criatividade da banda ainda não se encerraria, quatro anos separavam a banda de seu terceiro e também esplêndido trabalho, o Uhuuu! (2009).

E O Método Túfo de Experiências (2005)

Nota: 9.5
Para quem gosta de: Wado, Otto e Curumin
Ouça: O Tempo

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