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Ryan Hemsworth: “Still Awake”

Ryan Hemsworth

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Até o lançamento do primeiro registro oficial, Ryan Hemsworth deve continuar entregando pequenas mostras de sua obra em singles e esporádicos EPs. Depois de passar os últimos meses revelando um catálogo atento de composições tomadas pela leveza dos experimentos, o produtor canadense faz do recém-lançado Still Awake mais um cuidadoso registro. Primeiro EP do artista lançado em 2013 – só ano passado foram dois – o trabalho concentra em sete composições um pouco dos inventos de Hemsworth, que abandona os ruídos ocasionais para brincar com a sutileza das faixas. Trabalho mais melódico e encantador do norte-americano até aqui, a obra faz de Empty Thoughts Over A Shallow Ocean e (。◕‿◕。) (or, I Want To Stare At Your Face Until I Die) algumas das composições mais graciosas já fabricadas pelo músico.

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Ryan Hemsworth – Still Awake

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Disco: “Ultramarine”, Young Galaxy

Young Galaxy
Indie/Electronic/Dream Pop
http://younggalaxy.com/

 

Por: Gustavo Sumares

Young Galaxy

Em Shapeshifting (2011), o Young Galaxy consolidou a sua característica forma de composição. Um acerto que muitas bandas tentam, mas poucas conseguem com tanto sucesso: a união entre a concisão e objetividade de canções pop com os climas densos de certos estilos de música eletrônica. Assemelhando-se, de certa forma, a uma versão atualizada das bandas de synthpop dos anos 80 como os Eurythmics e The Human League, ou a uma versão mais madura e menos freaky do The Knife, a banda realizou perfeitamente o conceito estético de transmutação proposto no título. Ultramarine (2013, Paper Bag), seu sucessor, vê o grupo quebrando um pouco do gelo que envernizava as antigas canções e arranjos quase robóticos, sacrificando a rigidez para se tornar bem mais calorosa e acessível.

Se no disco anterior as letras tratavam de ideias e temas grandiosos, gerais e abstratos, aqui por outro lado elas falam de emoções, sensações e temas mais pessoais e concretos – sem perder a genialidade poética e o gracioso manejo das palavras. Essa mudança é acompanhada por uma organização ainda mais cuidadosa das ideias melódicas nas canções e pelo uso um pouco mais frequente de instrumentos com sons orgânicos. Esses fatores deixam o som da banda convidativo e mais fácil, para o ouvinte, mergulhar nos profundos e imersivos grooves que a ela cria. Em contrapartida, limitam um pouco as possibilidades da banda de explorar arranjos mais intrigantes e complexos: não há nada aqui que se assemelhe à exuberância e exoticidade da faixa-título do álbum anterior.

Essas mudanças são visíveis desde a primeira canção, Pretty Boy, que, com a bateria dançante que entra no final por cima das batidas eletrônicas, parece uma tentativa da banda de fazer uma faixa o mais descaradamente pop possível e que, ainda assim, não foge à estética do grupo. Igualmente divertida, Priviledged Poor também tem um refrão grudento, que bem que poderia vir mais cedo no disco. Outro exemplo da maior acessibilidade do disco é a bem estruturada What We Want, uma das raras faixas da banda em tempo composto, que fala das complexidades e paradoxos da vontade humana.


Out the Gate Backwards, por sua vez, é um exemplo da preferência da banda, nesse álbum, por sons mais orgânicos, com uma guitarrinha e uma linha de baixo bem funkeadas, refrões dançantes e um pós-refrão que poderia estar na trilha sonora do jogo Streets of Rage do Mega Drive. Outro exemplo disso é Fever, que com seu ritmo marcante e backing vocals misteriosos, cria um clima quase tribal. Algumas faixas, por outro lado, lembram a sonoridade mais friamente eletrônica e calculada do disco anterior, como In Fire, que queima lentamente, e a bela Fall For You – embora suas linhas vocais marcantes as permitam se encaixar confortavelmente entre as outras do disco. Continuar lendo

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Disco: “Lesser Evil”, Doldrums

Doldrums
Experimental/Electronic/Indie
https://www.facebook.com/pages/Doldrums/

Por: Cleber Facchi

Doldrums

Lesser Evil é de maneira bastante clara um passeio por diversos estágios e épocas distintas da música experimental. Enquanto a aproximação com os sons recentes tingem de forma estranha o brilho pop da produção musical canadense, os encaixes sintéticos e a busca pelo etéreo arremessam o ouvinte para uma variedade de outros mundos – muitos deles ainda não descobertos. Da herança quase assumida de Björk às aproximações com o trabalho da conterrânea Grimes, Airick Woodhead, responsável pelo Doldrums, afunda em um cenário que se parte em rumos inexatos, projeções sintetizadas e vozes que praticamente se liquefazem nos ouvidos do espectador. Um plano excêntrico em que o comum, o óbvio ou o tradicional, são obrigatoriamente deixados de lado.

Depois de uma sequência de composições banhadas pelos mais distintos aspectos da experimentação eletrônica, a exemplo de Egypt e She Is The Wave, ao alcançar o primeiro registro oficial, Woodhead mantém de forma constante a busca pela versatilidade musical. Cada faixa se transforma em um registro particular, quase um trabalho isolado dentro da grandiosidade da obra, absorvendo uma temática sonora que parece interessada em brincar com as mais variadas percepções do público. Tudo é estranho, sombrio e ainda assim atrativo ao ouvinte, tamanha a capacidade do produtor em lidar com a suavidade e a constante acessibilidade das melodias.

Por se tratar de um álbum voltado ao experimento, Lesser Evil usa de cada instante como um mecanismo de transformação com foco na capacidade de instigar. Nada é pensado de maneira convencional, reflexo que imediatamente brinca com a androginia dos vocais Woodhead. A curiosa referência é tratada de forma a decidir muito do que orienta as canções pelo álbum, aproximando o produtor do mesmo cenário eletrônico que se estabelece de maneira dançante e por vezes climática no conteúdo musical da obra. Dessa forma,  o canadense se materializa em uma espécie de instrumento complementar, um organismo que se dissolve na sobreposição instrumental que mantém firme a relação com a música pop da década de 1980 ou os inventos eletrônicos dos anos 1990.


Ainda que o álbum seja construído dentro de um acabamento voltado ao reflexo particular de cada faixa, não há como questionar a capacidade do músico em separar o disco em dois grupos bem delineados de canções. Woodhead, entretanto, mantém firme a proposta de desenvolver o álbum sem uma divisão exata, fazendo com que o disco flutue do princípio ao fim em blocos de canções ora atmosféricas, ora explosivas. O primeiro grupo parece bem representado pela ambientação de Singularity Acid Face e Lost In Everyone, composições que passeiam de forma regular pela climatização densa do Drone, investindo fortemente no uso dos sintetizadores e, principalmente, incorporando um direcionamento instrumental que se desprende ainda mais do uso da voz. Continuar lendo

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Disco: “Untogether”, Blue Hawaii

Blue Hawaii
Experimental/Dream Pop/Electronic
http://bluehawaii.bandcamp.com/
https://www.facebook.com/trubluhawaii

 

Por: Cleber Facchi

Blue Hawaii

O lançamento de Visions no último ano teve um papel significativo na transformação do panorama canadense. Mesmo que o segundo álbum de Grimes pareça se fechar dentro de um universo próprio, quase como uma materialização musical das estranhezas que habitam a mente de sua idealizadora, a mistura conceitual entre o pop e a eletrônica abre espaço para muito do que define a atual cena de onde veio a artista. Cercada por nomes como Blood Diamonds, Doldrums, Majical Cloudz, e demais amantes dos inventos eletrônicos, Claire Boucher parece dar inicio a maior transformação musical desde os temas orquestrais difundidos pelo Arcade Fire na década passada.

Também partidários da mesma proposta pop-experimental construída por Boucher e demais representantes da nova música canadense, Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston (ou Agor e Raph como costumam se apresentar) dão vida ao Blue Hawaii, projeto que encontra no uso de ambientações vocálicas a abertura para um mundo de inventos conceituais que jamais tendem ao óbvio. Mantendo a eletrônica como um estímulo leve para as cargas densas de vozes que se espalham na execução de Untogether (2013, Arbutus), o casal deixa crescer uma obra que prima essencialmente pelo minimalismo, estabelecendo um campo de atuação em que o detalhe e a sobreposição de elementos mínimos jamais abraçam o excesso.

Se a construção de Visions, Shrines ou demais projetos recentes se concentram na forma como sintetizadores e batidas são alinhados de forma a estimular a audição do ouvinte, em Untogether o gancho está na voz. Tratando da herança de Kate Bush, Björk ou mesmo de artistas recentes como Julianna Barwick, Raphaelle (que ainda é uma das integrantes do Braids) dança solitária enquanto o parceiro passeia ao seu redor, encaixando pequenas referências sintéticas de forma a adornar as suavizadas formas de som expressas pela artista. É como se a delicadeza de The Magic Place (2011) fosse engrandecida por pequenas doses de preferências eletrônicas que trazem distinção à obra. Entretanto, mesmo a mais sublime alteração, jamais altera o curso conciso do álbum, que até a última música fixa um encaminhamento de extrema proximidade entre as músicas.

 

Desde a primeira faixa impulsionado pela maneira como os vocais reverberam brandos e hipnóticos,o álbum vai ao longo de suas composições permitindo que pequenas referências instrumentais de gêneros diversos ganhem destaque. Enquanto In Two II absorve de maneira particular as vozes e o ritmo próprio do R&B, Daisy e as batidas matemáticas que envolvem a composição aproximam o disco de um novo resultado. Realçando os mesmos encaixes e batidas que se fragmentam na discografia do Four Tet, a canção abre espaço para que Cowan apareça com o mesmo destaque que a parceira, picotando os vocais de Standell-Preston de forma a transformá-los em um instrumento para a construção da faixa. Continuar lendo

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Disco: “III”, Crystal Castles

Crystal Castles
Canadian/Electronic/Experimental
https://www.facebook.com/ccrystalccastles

Por: Cleber Facchi

Desde o primeiro disco o Crystal Castles parecia uma banda fadada à redundância e a absorção constante da mesma proposta instrumental. A trama de ruídos computadorizados, as vozes sempre maquiadas de Alice Glass, as batidas minimalistas e esquizofrênicas de Ethan Kath, tudo parecia construído dentro de um período curto de validade, como se o suposto castelo de cristais que dá título aos trabalhos da dupla estivesse prestes a desabar. Contudo, quase dez anos depois do surgimento do casal canadense, a banda parece inclinada a tudo, menos a se repetir. Prova clara disso está no lançamento do autointitulado terceiro disco – também definido como III -, registro que perverte a proposta sintética dos anteriores lançamentos, apresentando novos percursos ao trabalho do sempre obscuro casal.

Com uma proposta naturalmente íntima do que o duo vinha desenvolvendo desde o primeiro álbum, em III Kath tira o pé do acelerador, evitando a construção de uma massa eletrônica similar ao composto pulsante que definiu a execução do último disco. Partindo dessa premissa, a dupla incorpora uma tonalidade muito mais densa e consequentemente experimental do que define a sonoridade do casal, rompendo de forma decisiva (e necessária) com o que parecia ser uma maior aproximação com a música pop. Resultado nítido logo na faixa de abertura do trabalho, a atmosférica Plague, quanto mais os canadenses mergulham no cenário sombrio da obra, mais hermética ela se torna, como se as faixas fossem se fechando em meio a volumosas ondas de ruídos.

Tocando de leve no Drone em alguns instantes – imagine uma versão dark dos primeiros lançamentos da dupla Fuck Buttons -, faixa após faixa o álbum segue mergulhando em uma solução fechada de sintetizadores que acabam por decidir de forma definitiva os rumos (quase sempre instáveis) do trabalho. Esqueça os pequenos pontos de distinção que se definiam no decorrer do trabalho anterior, mesmo nos momentos mais “comerciais” da obra, como no decorrer de Violent Youth ou no R&B Affection, há sempre a necessidade da dupla em se enclausurar em um cenário obscuro de vozes remodeladas, batidas não óbvias e teclados que cobrem o álbum como um imenso e abafado cobertor sintético.

Oposto do que o casal propunha até pouco tempo, em III é nítido o esforço em não produzir um registro dançante ou que se prenda aos comandos rítmicos de outrora. A proposta tende ao crescimento de um trabalho muito mais centrado, partidário de uma mesma arquitetura sonora, bem como de uma força instrumental que hipnotiza e mantém o ouvinte atento até o último segundo. A cada nova criação todo detalhe faz a diferença. Enquanto Kerosene faz das batidas matemáticas uma cama para os vocais reformulados que escorrem em doses ao fundo, Child I Will Hurt You, no fecho do álbum, quebra a estrutura natural que acompanha a dupla, arrastando Alice para um mundo de sonhos eletrônicos que contribuiriam e muito para um próximo álbum da também dupla Beach House. Continuar lendo

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Majical Cloudz: “Turns Turns Turns”

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Habitante do mesmo universo místico-bizarro da canadense Grimes, o projeto de Montreal Majical Cloudz apresenta mais uma inédita composição. Sob o título de Turns Turns Turns, a canção – e o clipe que a acompanha – passeia por uma sucessão de pequenos experimentos, mantendo firme a conexão com um som de realce etéreos. Para o vídeo, dirigido por Jason Harvey, imagens sobrepostas geram as cores necessárias para a canção, que de uma maneira ou outra se sustanta como uma espécie de mantra, hipnotizando o ouvinte. A canção ainda dá título ao próximo EP da banda, trabalho que será lançado oficialmente no dia três de dezembro. Assista, ou simplesmente ouça:

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Majical Cloudz – Turns Turns Turns

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d’Eon: “Music For Keyboards III”

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D’Eon é um desses artistas bizarros da nova safra de músicos canadenses. Parceiro de Grimes e outros pequenos gigantes que circulam por lá, o compositor aproveita do tempo livre para apresentar mais um capítulo da curiosa série Music For Keyboards – em bom português, “Música para teclados”. No terceiro fascículo da saga, o canadense nos presenteia com duas extensas composições, faixas que mantém o clima épico em alta até o último instante. Em alguma medida o curioso registro serve como sequência e complemento ao que d’Eon desenvolveu recentemente com o disco LP, mais novo registro de sua carreira. Quem se interessar pelo terceiro capítulo da série pode baixar o trabalho gratuitamente aqui.

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Disco: “‘Allelujah! Don’t Bend! Ascend!”, GY!BE

Godspeed You! Black Emperor
Experimental/Post-Rock/Instrumental
http://brainwashed.com/godspeed/

Por: Cleber Facchi

Quando o Godspeed You! Black Emperor encerrou as atividades no começo de 2003, o pós-rock e a sonoridade que definia a carreira da banda ainda parecia voltado para um público bastante específico. Ouvintes interessados apenas nos experimentos, na busca por percursos instrumentais não óbvios e acabamentos totalmente distantes da música pop. Um completo oposto do que hoje define o cenário voltado ao mesmo tipo de música, ou a o próprio público, que parece acompanhar tal sonoridade e outras distintas sem se importar com os contrastes. Passados dez anos desde que o último registro da banda foi apresentado ao público, Yanqui U.X.O. (2002), em ‘Allelujah! Don’t Bend! Ascend! (2012, Constellation) o grupo canadense não apenas entrega um trabalho para se restabelecer no cenário alternativo, como precisa aprender a lidar com todas essas transformações.

Construído em cima de “apenas” quatro faixas, o álbum traz de volta as mesmas climatizações épicas e experimentais deixadas de lado no clássico Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000), obra máxima da banda – até então. Com elementos que vão do Drone a ambiente music tradicional, o novo disco se solidifica inteiramente em uma frente de composições capazes de brincar com a instrumentação de forma inédita dentro da trajetória do grupo, proposta que não apenas deve alimentar os seguidores mais carentes do coletivo de Montreal, como deve apresentar a banda para toda uma nova geração de ouvintes – inclusive àqueles que se consideram velhos apreciadores da obra do GY!BE.

Apostando em uma sonoridade que se desvencilha a todo instante de uma proposta moderada, o novo disco é um trabalho que busca ser grande em toda sua extensão, não apenas na duração das músicas (faixas que ultrapassam sem esforço os 15 minutos), mas na multiplicidade de interferências sonoras que se concentram no interior de cada nova canção. Percorrendo uma diversidade incontestável de referências, sons, novas exaltações instrumentais e até pequenas nuances regionais (bem exploradas na faixa de abertura Mladic), ADBA é um disco que transporta o espectador para um campo de domínios inexatos, terrenos que nem mesmo o mais profundo conhecedor da obra do grupo canadense parece acostumado a visitar.

Nada tímido quando observado em proximidade ao inicial F# A# (Infinity) (1998) ou do antecessor Yanqui U.X.O., com o presente álbum a banda estabelece a execução de um tratado que brinca com as construções épicas de forma a quase representar um delineamento comercial. Ainda que os experimentos estejam bem marcados no interior de cada uma das faixas do disco – principalmente na climática canção de encerramento, Strung Like Lights At Thee Printemps Erable –, há na maneira como as guitarras se apoderam do álbum uma visível transformação. É como se a banda fosse capaz de transformar as extensas Mladic e We Drift Like Worried Fire (maiores faixas do trabalho) em criações ambientais e atrativas na mesma medida, agradando tanto aos ouvidos mais experientes, como quem se encontre com a banda pela primeira vez. Continuar lendo

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Disco: “Metz”, Metz

METZ
Rock/Indie/Alternative Rock
http://www.metzztem.com/

Por: Cleber Facchi

Existe um contraste gigantesco entre o lançamento de Attack On Memory, segundo álbum do Cloud Nothings e a recente estreia do trio canadense Metz. Enquanto Dylan Baldi representa a materialização da juventude, observando a música da década de 1990 de forma atenta e tramando um composto ruidoso que se apega ao pop de forma descompromissada, Alex Edkins, Hayden Menzies e Chris Slorach, todos na faixa dos 30 anos, tratam da mesma proposta de outra maneira. Distantes da melodia suja de bandas como Nirvana ou Dinosaur Jr e se apoiando em cima de um composto instrumental que por vezes raspa o Heavy Metal, o grupo firma a existência de um resultado sóbrio, adulto e que observa a mesma geração que tanto agrada ao jovem Baldi, porém, por outro ponto de vista.

Incorporando um nível de caos e distorção que nem mesmo o veterano J Mascis parece ser capaz de alcançar no ápice de fase You’re Living All Over Me, a tríade vai de encontro ao que serviu de base para a construção do “Lado B” do rock alternativo norte-americano. Surgem assim inevitáveis associações ao trabalho de bandas como The Jesus Lizard (os acertos com o pós-hardcore do álbum Goat estão por todos os lados), Mudhoney, Nirvana (pré-Nevermind) e até Pixies (dos versos berrados às linhas de baixo, tudo se aproxima do clássico Doolittle em uma extensão menos comercial), resultando em uma massa de ruídos claustrofóbicos que guiam o trabalho dos canadenses.

Longe de assumir a mesma exposição nostálgica que movimenta o trabalho de bandas como The Pains of Being Pure At Heart, Yuck, Wild Nothings e tantos outros apaixonados pela sonoridade cravada há duas décadas, ao entregar o primeiro disco o trio usa de tais referências como bases singelas para o que se expande de forma nítida no decorrer da obra. Dentro do mesmo universo de desconstrução que marca a obra de bandas como Male Bonding e The Men, o Metz assume tais experiências dentro de um jogo próprio de exposições instáveis, edificando a construção de um disco rápido na maneira como as guitarras, vozes e batidas tomam formas, mas imenso na forma como velhas referências se desdobram em novos percursos e encaminhamentos agressivos.

Assumidamente distantes de qualquer encaminhamento que puxe a banda aos conceitos da música Lo-Fi, o disco e as 11 faixas arquitetadas no interior dele mantém até o último instante a limpidez do áudio, feito que mais uma vez distancia o Metz das demais bandas que circulam pelo recente cenário norte-americano. A estratégia (ou simples escolha) possibilita que mesmo em momentos de pura distorção, como na faixa Get Off e até em alguns lances experimentais, estrutura presente na música –))–, seja possível captar cada mínima nuance do registro, que entre paredes imensas de ruídos, mantém constante a capacidade de presentear o ouvinte com cada nota, acorde ou particularidade vocal. A qualidade sonora do disco é tamanha que mesmo os sons intencionalmente disformes da curtinha Nausea passam despercebidos, prevalecendo a qualidade e a simetria do restante das canções. Continuar lendo

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Experimente: DIANA

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O que acontece quando os experimentos da canadense Grimes se encontram com as guitarras confortáveis e o pop descompromissado da banda Friends? A resposta é bem simples: DIANA. Com uma proposta tecnicamente simples, o trabalho do grupo formado por Carmen, Joseph e Kieran vai de encontra às reformulações que tomaram conta da Chillwave no último ano e os novos rumos da música pop em 2012. Com uma linha de baixo agrabilíssima e vocais que prendem nos ouvidos, a doce Born Again e parece ser as escolha mais indicada para conhecer o trabalho do grupo, descendentes da mesma cena canadense que hoje envolve Purity Ring, Bloody Diamonds e toda uma variedade de nomes da produção independente do Canadá.

Ora passeando pela década de 1980, ora incorporando elementos tipicamente contemporâneos, a proposta do grupo parece remodelar a música pop de forma que ela ao mesmo tempo agrade o grande público e reinvente. O trio, entretanto, mostra que também sabe experimentar e brincar com novas estratégias e possibilidades sonoras, resultado bem visível no saxofone ousado que passeia ao longo da doce e erótica Perpetual Surrender, uma espécie de aquecimento para todos os futuros inventos da banda que ainda deve apresentar nos próximos anos.

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DIANA – Born Again

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DIANA – Perpetual Surrender

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