Marcado com Banda Uó

Banda Uó: “Gringo”

Banda Uó

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Banda Uó

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Arthur Warren e Gustavo Suzuki conseguiram expressar com bom humor e muitas cores o que caracteriza a proposta da Banda Uó. Responsáveis pela direção do mais novo vídeo do trio goiano, Gringo, a dupla arremessa David Sabbag, Matheus Carrilho e Mel Gonçalves para um cenário carregado pelo mesmo exagero visual que compõem as roupas da tríade em suas apresentações. Segundo vídeo relacionado ao primeiro álbum da banda – o bem humorado Motel -, Gringo é facilmente o melhor registro visual já apresentado pela banda, que utiliza das imagens como um complemento para o mistro de hip-hop, technobrega e pop que se espalha ao longo da faixa.

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Miojo Indie Mixtape “Tropical” Edition

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Prepare a caipirinha, a salada de frutas, a camisa com estampa floral e, principalmente, não se esqueça da boa música. É chegada a hora de revivermos uma das mixtapes mais baixadas do Miojo Indie: a Tropical Edition. Depois da bem sucedida edição do último ano – que contou com nomes como João Brasil, Drunk Disco e Two Door Cinema Club – voltamos com mais uma sequência de composições ensolaradas, quentes e prontas para te fazer dançar. Diferente da edição anterior, a nova coletânea traz uma seleção de músicas lançadas nos últimos meses e todas de artistas nacionais. Prepare-se para uma passagem pelo Axé, Electrobrega, Pop e eletrônica no melhor estilo tropical. Quem quiser conta com uma prévia da mixtape ao final do post ou pode baixar no link em sequência:

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#01. Dead Lover’s Twisted Heart – Apocalipse do Amor

Se há pouco mais de dois anos a preferência por uma sonoridade mais fria e de fortes conexões com o folk estadunidense era o que definia as composições da banda mineira Dead Lover`s Twisted Heart, com a chegada do EP Lóvi tudo se transformou. Saem as letras em inglês, chegam os versos perfumados pelo calor da língua portuguesa, marca que se anuncia logo na faixa de abertura do pequeno disco: Apocalipse do Amor. Flertando com a guitarrada paraense e os ritmos mais quentes da música latina, a canção bem humorada justifica todos os acertos e novos rumos que o grupo deve percorrer daqui pra frente.

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#02. Mahmundi – Calor do Amor

Facilmente uma das melhores músicas nacionais de 2012, Calor do Amor transporta o ouvinte para o universo de sensações nostálgicas que definiram a década de 1980 e consequentemente representam todo o universo da carioca Mahmundi. Ora lembrando Marina Lima, ora se aproximando da chillwave que passeia pelo trabalho de nomes como Toro Y Moi e Washed Out, a canção – parte do EP Efeito das Cores – cresce de forma visível, impregnando os ouvintes com uma verve de sintetizadores, batidas eletrônicas e vozes que parecem prontas para acalentar todo e qualquer espectador.

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#03. Bonde do Rolê – Baby Don’t Deny It

Gravada originalmente por Robertinho do Recife, Baby Doll De Nylon ganhou um versão remodelada e ainda mais tropical nas mãos do Bonde do Rolê. Parte do segundo e mais novo álbum da banda, Tropical/Bacanal, a canção atrai em virtude dos versos remodelados (em inglês), além da presença mais do que necessária de Caetano Veloso no refrão da música. Leve e descompromissada, a faixa acerta pelo uso apurado dos sintetizadores (estabelecendo as bases da faixa), bem como das guitarras suingadas que incorporam os ritmos e referências latinas de maneira sempre dançante e leve.

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#04. Aíla – Proposta Indecente (Jaloo Remix)

Com o primeiro registro em estúdio, a cantora e compositora paraense Aíla conseguiu dar novo sentido ao que flutua na música nortista. Livre das climatizações do Melody, Electrobrega e outros ritmos locais, a artista faz de Trelelê um ótimo exemplar da música pop recente. Entretanto, foi só a música cair nas mãos do produtor conterrâneo, Jaloo que o resultado acabou cuidadosamente pervertido. Pronta para as pistas, Proposta Indecente (que conta com a presença da veterana Dona Onette) ganha uma dose extra de batidas, teclados e todo um colorido acabamento que a engrandecem ainda mais.

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#05. Lucas Santtana – Ela é Belém

Em O Deus Que Devasta Mas Também Cura, Lucas Santtana conseguiu dividir o trabalho em duas frentes distintas. De um lado faixas lamuriosas, próximas da música erudita e realces que o aproximam da MPB convencional. No outro oposto o calor, o ritmo quente e o uso adequado dos versos dentro de um contexto comercial e quase pop. Parte desse segundo grupo, Ela É Belém torna pública toda a transformação do músico, que consegue em pouco mais de quatro minutos amarrar uma infinidade de referências que há tempos ditam os rumos de suas composições.

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#06. Siba – A Bagaceira

Avante é um trabalho que inicialmente causa estranheza aos velhos seguidores do pernambucano Siba. Quem estava habituado aos inventos do cantor e compositor ao lado da Fuloresta, deve ter se surpreendido quando no começo do ano o músico largou toda a orquestra que acompanhava para mergulhar em um disco mais próximo do rock. Embora acompanhado pelas guitarras durante toda a extensão, o álbum mantém firma a leveza e a construção das faixas , resultado bem exemplificado na maneira como o cantor entrega A Bagaceira, uma síntese apurada de tudo que é desenvolvido no decorrer do novo disco.

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#07. Tereza – Eu Não Brigo

Mantendo o mesmo clima ensolarado que o grupo carioca já vinha explorando nos demais lançamentos – como no clipe de Vamos Sair Para Dançar e no EP entregue em 2011 -, Eu Não Brigo se transformando na música tema para um dia de sol à beira mar. Flutuando entre os sintetizadores da carioca Mahmundi e o clima ameno do novo disco do Lemonade, a canção é um prato cheio para quem busca por uma música leve e descompromissada. Arquitetada de forma crescente, a faixa vai aos poucos substituindo as batidas sintéticas do trabalho por um volumoso e atrativo refrão, marca que define boa parte das canções presentes no disco Vem Ser Artista Aqui Fora.

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#08. Nina Becker e Marcelo Callado – Marco Zero

Nina Becker e Marcelo Callado foram até idos da década de 1970 para encontrar as bases que definem a ensolarada Marco Zero. Por vezes se materializando como uma herança dos Novos Baianos, e em alguns instantes lembrando um pouco de Rita Lee (dos primeiros discos em fase solo), a canção explode em guitarras, pianos e batidas que criam toda a cama de texturas instrumentais para a voz marcante de Becker. Momento mais entusiasmado (e distinto) do disco Gambito Budapeste, a faixa mantém no tom radiofônico um resultado que pode ser explorado em uma próxima parceria do casal.

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#09. Gretchen – Conga Conga Conga (Boss In Drama Remix)

Antes de brincar com a eletrônica e o pop em Pure Gold, Boss In Drama foi responsável por uma série de notáveis remixes, habilidade que ele volta a esboçar agora com a divertida e dançante versão do clássico Conga, de ninguém menos que Gretchen. Com um toque de electro pop e um tempero tropical extra, a canção parece pronta para animar qualquer baladinha. Além da música que aparece agora remodelada, a faixa vem acompanhada de um vídeo, registro este que torna visível toda a habilidade da cantora em brincar com o próprio corpo, além de evidenciar por que é ainda hoje conhecida como a “Rainha do Rebolado”.

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#10. Leo Justi – Gaitero

Quem pensava que a expansão do electrobrega e dos ritmos nortistas pudessem ocultar a força do funk carioca talvez se impressione com o bom resultado assumido pelo produtor carioca Leo Justi. Unindo funk, gaitas de blues e os mesmos experimentos eletrônicos que caracterizam o mais recente lançamento do mineiro Psilosamples, Mental Surf, Justi transforma Gaitero em uma das melhores e mais divertidas músicas de 2012. O Baile Funk e todos os elementos da cultura dos morros reconfigurado para as massas – mais uma vez.

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#11. Banda Uó – Búzios do Coração

Depois de brincar com o electrobrega de maneira pop e pegajosa, ao lançar o primeiro registro oficial, Motel, o trio goiano Banda Uó resolveu investir em uma variedade de novos ritmos e sonoridades. Entre passagens pelo sertanejo, o brega e a eletrônica, o destaque fica por conta de Búzios do Coração, canção que mergulha de maneira melancólica (e bem humorada) no axé característico da década de 1990. Com um clima litorâneo, a canção funciona como a trilha sonora para um passeio solitário à beira mar.

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#12. Gaby Amarantos – Mestiça

Longe dos acertos com a música pop que tanto definem a primeira metade de Treme, estreia da cantora e compositora paraense Gaby Amarantos, Mestiça encaminha o registro para outra vertente. Mais original composição de todo o trabalho, a faixa traz na colaboração com Dona Onette (de novo ela) o lado mais conceitual e relacionado às origens da sonoridade paraense. Com guitarras que passeiam pelos ritmos típicos da música local e batidas que brincam com o tribal, Mestiça abre passagem para o que deve redefinir a carreira de Amarantos em um futuro próximo.

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#13. Felipe Cordeiro – Fim de Festa

De todos os grandes (e pequenos) nomes que definem a música paraense atual, Felipe Cordeiro é o que melhor parece compreender e traduzir a essência de todo esse universo. Figura garantida em boa parte dos registros lançados nos últimos meses e que tem uma relação com a música paraense, o guitarrista faz do mais novo álbum em carreira solo, Kitsch Pop Cult, um concentrado de todas as referências que há tempos circulam pelo norte do país. Em Fim de Festa (fecho perfeito para nossa mixtape), Cordeiro revela uma variedade de detalhes que unem o passado e o presente da sonoridade que o inspira de forma significativa e tropical.

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Baixe agora nossas outras mixtapes

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Disco: “Motel”, Banda Uó

Banda Uó
Brazilian/Electronic/Pop
https://www.facebook.com/BandaUO

Por: Cleber Facchi

Carlos Nascimento em um furtivo lance de pura (e confusa) opinião cunhou a máxima: “nós já fomos mais inteligentes”. Prefiro acreditar que nunca fomos tão humorados. Em um cenário cada vez mais comandado pela instantaneidade das redes sociais, em que cada post surge temperado por uma dose de bom humor, ironia ou simples manifestação de melancolias pessoais – diga-se “dor de corno” -, a presença da tríade goiana Banda Uó surge de maneira necessária para a produção da trilha sonora que define o período. Esqueça o preconceito de quem se prende a um único gênero ou sonoridade, assim como o cardápio plural de sons que escorre ao longo do disco Motel (2012, Deck), primeiro álbum do grupo, diversas são as tendências que pintam e definem o cenário recente, sejam elas passageiras ou constantes.

Aproveitando enquanto todos os holofotes seguem apontados para o trio, Davi Sabbag, Mateus Carrilho e Candy Mel prosseguem com a construção do mesmo som que definiu o EP Me Emoldurei De Presente Pra Te Ter, registro que ao ser lançado no último ano se transformou em um verdadeiro fenômeno de público e crítica – um efeito cada vez mais raro hoje. Parcialmente afastados das tradicionais versões que tanto trouxeram destaque ao trabalho do grupo (e criavam uma relação com o que de fato define parte da cultura do electrobrega), o trio aposta na construção de músicas próprias. Uma preferência que inicialmente causa desconforto a quem estava acostumado com os anteriores e cômicos reinventos da banda, mas uma transformação de fato necessária para o resultado final do disco e as visíveis evoluções dos três componentes.

Cada vez mais distantes da roupagem voltada ao electrobrega que tanto definiu os primeiros lançamentos da banda, em Motel o acerto do trio (e da produção de Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot do Bonde do Rolê) está na capacidade de olhar com bom humor para uma série de outras referências “conceituais” que flutuam na música nacional. Do sertanejo universitário que se manifesta em Cowboy e Chorei ao axé-pop que explode com Búzios do Coração, o que garante dinamismo e sustento ao disco se baseia na miscelânea de fórmulas e preferências instrumentais humoradas, trazendo nos teclados vintage que preenchem o registro uma constante relação com as premissas do trabalho anterior.

Ao ouvir o disco esqueça a geração de bandas que se formaram apoiadas nos ensinamentos (e no culto) ao trabalho do quarteto Los Hermanos ou ainda no rock indie de grupos como The Strokes. Na estreia da Banda Uó os preceitos são obviamente outros, muito mais lascivos, descarados e por sua vez brasileiros. Do romantismo sacana que preenche a obra (e o bigode) do cantor Latino no ápice da década de 1990, ao toque sensual e dançante que acompanhou o trabalho de grupos como É o Tchan até princípios da década passada, tudo se movimenta de forma quente e estritamente comercial, reflexo que preenche a quase totalidade do álbum. Até quando o exagero é visível, como em Malandro (uma bela tradução dos campeonatos de som automotivo que acontecem no interior país), tudo conta com um sentido próprio e necessário para a execução do disco. Continuar lendo

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Banda Uó: “Motel”

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Depois de muita espera, shows por boa parte do país e um bem produzido EP – Me Emoldurei De Presente Pra Te Ter -, o trio goiano Banda Uó lança o aguardado primeiro disco: Motel. Com 12 composições (e uma faixa bônus), o registro deve mostrar (ou não) se a tríade atende às expectativas geradas com os anteriores lançamentos ou se foi apenas um fenômeno passageiro. Além das já conhecidas Malandro e Faz Uó – que comentamos anteriormente – o disco entrega uma seleção de outras músicas que para além do technobrega trazem uma nova variedade de ritmos a carreira do grupo. Abaixo você vê duas faixas do novo disco, mas pode ouvir o restante na playlist na página do Youtube da banda.

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Banda Uó: “Malandro”

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A eletrônica toma conta da mais nova música do trio goiano Banda Uó. Prestes a lançar o primeiro disco da carreira, o grupo mostra com a inédita Malandro que uma série de novos rumos podem ser encontrados no decorrer de Motel, trabalho que será lançado oficialmente no dia quatro de setembro pela Deck Disc. Dançante e por vezes absorvendo elementos do Reggae, a canção perverte tudo o que o grupo promoveu no decorrer do EP Me Emoldurei De Presente Pra Te Ter, disquinho lançado no ano passado e um dos trabalhos mais divertidos de 2011. A nova faixa chega para somar com a também animada Faz Uó, apresentada em clipe em meados de julho.

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Disco: “Tropical/Bacanal”, Bonde do Rolê

Bonde do Rolê
Brazilian/Electronic/Funk
https://www.facebook.com/bondedorole

Por: Cleber Facchi

O Bonde do Rolê parece ter surgido como um resultado quase natural da época em que foi criado. Enquanto o funk carioca lentamente deixava as periferias para se transformar em um som elitizado e de apelo internacional – vide o bom desempenho da rapper M.I.A. com o disco Kala (2005) -, a procura por bandas de exportação que repetissem os acertos do fenômeno Cansei de Ser Sexy faria com que uma infinidade de artistas voltassem seus esforços para a construção de um trabalho que atendesse as demandas estrangeiras. Até a explosão do Orkut naquele momento parecia servir de “inspiração” ao surgimento do trio curitibano, que não tardou em nomear o primeiro disco com o cômico título de With Laser, uma “homenagem” ao fenômeno que se apoderava de boa parte das comunidades da rede social.

Por conta desse resultado alicerçado em cima de elementos típicos de uma época, pensar na existência do novo disco da banda formada por Rodrigo Gorky, Pedro D’Eyrot e Laura Taylor (Marina Vello deixou a banda em 2007) soe de forma incompatível com o que musicalmente ecoa na cena nacional ou mesmo estrangeira. A tríade, entretanto, sabe bem disso, tanto que ao longo de Tropical/Bacanal (2012, Mad Decent) o grupo e o produtor norte-americano Diplo encontram um caminho novo, apoiando os versos irônicos de outrora em uma sonoridade caliente que lentamente deixa o Funk em um segundo ou talvez até em um terceiro plano.

Com uma produção naturalmente assertiva e uma diversidade sonora que supera em termos de qualidade o primeiro disco, o segundo trabalholentamente se acomoda no que hoje caracteriza o universo pop em seus múltiplos aspectos. Sai o Orkut, entra o Facebook. As imagens de divulgação antes em resolução máxima, agora aparecem instagramadas. O funk, por sua vez, dá lugar ao electrobrega e toda uma variedade de outros ritmos e preferências musicais. Do princípio ao fecho do novo disco um caleidoscópio de cores e sensações renovadas se apoderam da produção do grupo, proposta que redefine tanto os versos como as batidas mais abertas e consequentemente dinâmicas do presente álbum.

Como o título aponta, Tropical/Bacanal se dissolve em referências tomadas por um clima muito mais abrasileirado, com o trio seguindo de forma aprimorada o mesmo enquadramento da faixa Tieta – um axé-pop do primeiro disco. Partindo desse princípio, o Bonde estabelece uma coerente relação com a presença tropical que se apodera do indie nacional, dialogando abertamente com o que Do Amor (Pucko), Holger (Baby Don’t Deny It) e Banda Uó (Kanye) vêm desenvolvendo em seus respectivos trabalhos. Mesmo que faltem versos tão sujos quanto os que movimentaram “clássicos” como Marina do Bairro, a fluidez pop de músicas como Bang e Baby Don’t Deny It (regravação de Baby Doll de Nylon com participação de Caetano Veloso e Poolside) garantem um resultado seguro ao disco. Continuar lendo

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Banda Uó: “Faz Uó”

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Faz Uó, mais nova música do trio goiano Banda Uó já vinha circulando pela rede há algum tempo. Agora, depois de muita espera finalmente temos o resultado final desta que é a primeira composição inédita do grupo desde o lançamento do ótimo Me Emoldurei De Presente Pra Te Ter EP em 2011. Com direção do próprio Mateus Carrilho, um dos membros da banda, a canção acerta pelo ritmo despojado e a letra que em poucos instantes gruda nos ouvidos. Apoiada no mesmo technobrega que catapultou as iniciais criações da banda, a música estará no primeiro álbum oficial do trio goiano, Motel, trabalho que será lançado pela Deck Disc em setembro. Faz uó!

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Disco: “Treme”, Gaby Amarantos

Gaby Amarantos
Brazilian/Electrobrega/Pop
http://gabyamarantos.com/

Por: Cleber Facchi

Provavelmente a maior carência do cenário musical independente ou mesmo no circuito comercial seja o surgimento de uma musa de peso e que alcance todas as parcelas do público. Uma figura que caminhe tanto pelas elites, nichos e demais classes sem preconceitos. Faltava alguém que ocupasse o mesmo papel que Beyoncé conseguiu estabelecer em solo norte-americano (e posteriormente nos demais cantos do mundo), quando se transformou em um ícone tanto aos fanáticos por música pop, como para o público alternativo, algo que se revela na ampla aceitação do último álbum da cantora e que aponta uma lacuna bastante visível no panorama brasileiro.

Mais do que uma personagem, talvez faltasse um estilo musical que captasse isso. Uma sonoridade que fosse inédita, não discriminada, compreendida, cativante e aceita por todos – ou quase todos. E que ritmo melhor indicado do que o electrobrega para cumprir isso? Cada vez mais próximo do grande público e observado como um gênero cult por outros, o genuíno estilo paraense foi ao longo dos últimos dois anos melhor aproveitado, ganhando um enquadramento mais pop por conta de nomes como Valdo Squash (da Gangue do Eletro), comicidade pelo trabalho de DJ Cremoso e até uma bem sucedida aproximação com o indie, produto da inventividade do trio goiano Banda Uó.

Ainda assim faltava um nome, uma ponta-de-lança que representasse toda essa fluência de novos artistas, sons e referências construídas nesses últimos anos. Logo, ninguém seria melhor indicada para cumprir esse papel do que Gaby Aamarantos. Banhada pelo apelo popular, adorada pela crítica e cultuada pelo público alternativo, a cantora vinda diretamente da capital paraense, Belém, parece agregar todos os valores para ocupar esse posto, resultado mais do que óbvio em vista do sucesso da faixa Xirley, única composição de destaque da artista até o momento, mas que fez com que boa parte dos ouvidos e olhares fossem direcionados para o território amazônico em uma tentativa de desvendar o que musicalmente acontecia por lá.

Assumidamente construído para balançar qualquer estrutura, Treme (2012, Som Livre) não é apenas uma simples estreia de um novo ícone do pop nacional. Mais do que isso o álbum é uma síntese de toda a produção paraense e o esforço coletivo de uma infinidade de nomes, vozes e batidas. Acompanhada pelos (eficientes) produtores Waldo Squash e Félix Robatto, além de figuras locais como Felipe Cordeiro (em Ela Tá No Ar) e Dona Onete (em Mestiça), Amarantos utiliza do trabalho como uma porta de entrada para todo o universo que foi montado por lá, utilizando de faixas marcadas pela quentura e originalidade como um mecanismo para ingressar no ambiente pop que ela própria cultiva até o encerramento do álbum com a coreografada Faz O T – música de quando ainda fazia parte do grupo TecnoShow. Continuar lendo

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Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2011 (40-31)

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#40. Banda Uó
Me Emoldurei de Presente Para Te Ter EP (Avalanche Tropical)

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Por mais que você tenha tentado se desvencilhar, em algum momento ao longo do ano qualquer canção da Banda UÓ deve ter tocado perto de você. Destaque em grande parte das publicações de todo o país, o trio goiano soube como poucos como promover hits pegajosos que funcionam tanto dentro como fora das pistas. Entre versões bem humoradas e calorosas para músicas de Willow Smith e Two Door Cinema Club, a banda transformou o EP Me Emoldurei de Presente Para Te Ter em uma espécie de prelúdio para a invasão do Electrobrega/Technobrega que deve tomar conta da música brasileira nos próximos anos – se é que isso já não está valendo. Com produção de Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot do Bonde do Rolê, o álbum de cinco faixas passeia tanto pelo romantismo exagerado de O Gosto Amargo Do Perfume como por uma versão comicamente projetada de Foi Você Quem Trouxe, da ex-dupla sertaneja Edson e Hudson. Tropical. (Resenha)

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#39. Mundo Livre S/A
As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa (Independente)

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Já era tempo de Fred 04 e os parceiros do Mundo Livre S/A apresentarem um novo material. Desde 2004 sem nenhum novo registro oficial o grupo pernambucano transforma o quente As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa em uma espécie de grande apanhado do que foi a produção da banda nas duas últimas (ou três) décadas. O ritmo ainda é o mesmo daquele esbanjado no começo dos anos 90, quando a banda apresentou Samba Esquema Noise, já os versos, estes dialogam com o presente. Dos personagens peculiares montados por 04, aos versos que ressaltam aspectos típicos do presente momento (como em Ela é Indie e Cabocopyleft), a banda distribui uma soma bem explorada de faixas, composições que se conectam diretamente ao clássico Por Pouco (2000), mas que acabam buscando por uma fórmula própria, cômica e sempre suingada. (Resenha)

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#38. Burro Morto
Baptista Virou Máquina (Independente)

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Primeiro álbum nacional a surgir com destaque em 2011, Baptista Virou Máquina marca um profundo amadurecimento não apenas na carreira do grupo paraibano Burro Morto, mas na cena instrumental brasileira como um todo. Sem medo de arriscar, o trabalho explora tanto possibilidades marcadas pela psicodelia nacional da década de 1970, como a conexão com a música africana, o jazz, além de um fundo de pós-rock dos anos 90 que parece preencher as quase inexistentes rachaduras do trabalho. Inventivo, o registro vai aos poucos deixando o aspecto orgânico da obra para transformar as composições da banda em um acoplado de referências sintéticas quase robóticas, algo que talvez justifique a transformação do personagem central do registro ao longo de toda a execução do trabalho. Preciso e vasto na mesma medida, o álbum é a escolha certa aos que pretendem se desvencilhar das mesmices ou excessos que muitas vezes tomam conta do gênero. Ouça, e se deixe transformar e máquina também. (Resenha)

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#37. Autoramas
Música Crocante (Coqueiro Verde)

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É admirável que uma banda como o Autoramas com quase 15 anos de carreira ainda não tenha diminuído a potência e a energia de suas composições. Melhor e mais consistente exemplo disso está em Música Crocante, trabalho que sucede o comercial projeto acústico desenvolvido em parceria com a MTV Brasil, transportando o trio carioca para o mesmo universo de guitarradas e distorções que foram lançadas no começo da década passada. Pegajoso e dotado de uma raiva controlada, o trabalho permite que Gabriel Thomaz, Bacalhau e Flávia Couri se aventurem em meio a um conjunto de músicas visivelmente marcadas pelo rock de garagem dos anos 70/80, além das velhas conexões da banda com os ritmos da jovem guarda – em um nível bem menor do que fora explorado no último registro de inéditas da banda. (Resenha)

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#36. Mopho
Volume 3 (Independente)

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Foram necessários mais de dez anos para que a banda alagoana Mopho pudesse retornar com um trabalho tão completo, belo e místico quanto o anunciado por eles no começo dos anos 2000. Mergulhado nas mesmas referências que proporcionaram destaque ao trabalho do grupo há uma década, Volume 3 apresenta uma banda renovada, ainda sob os comandos do líder João Paulo, porém orientada dentro de uma estrutura muito mais melódica e envolvente. Se em épocas passadas Não Mande Flores e Nada Vai Mudar pareciam ser os grandes pontos de acessibilidade ao trabalho do grupo, agora a banda evidencia um registro inteiramente radiofônico, um trabalho em que vocais cantaroláveis e uma instrumentação primorosa acabam ditando todas as regras. Mesmo dialogando com o presente, o álbum poderia facilmente ser lançado há quatro ou cinco décadas, sendo provavelmente um adversário de peso aos inventivos Mutantes. (Resenha)

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Os 15 Melhores EPs de 2011

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Muitas vezes subestimados, quando não descartados, em 2011 os EPs tiveram um significado mais do que marcante para o cenário musical – principalmente o brasileiro. Com a ideia de disco inteiro cada vez mais sendo abandonada, alguns artistas resolveram investir pesado em um mínimo conjunto de composições, feito que os pequenos Extended Plays reforçaram de maneira surpreendente ao longo do ano. Para valorizar este tipo de mídia selecionamos 15 trabalhos que de fato fizeram a diferença no decorrer do ano, sejam eles nacionais ou estrangeiros, discos que em poucos minutos de duração conseguiram evidenciar todo o poderio de determinados artistas.

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