Wampire
Lo-Fi/Psychedelic/Indie
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Por: Fernanda Blammer

Eric Phipps e o parceiro Rocky Tinder do Wampire são fanáticos por referências nostálgicas, ambientações musicais caseiras e marcas específicas do que foi construído entre 1960 e 1980. Dançando em um mistura de referências que vai da psicodelia hippie aos sintetizadores que lavaram com neon a produção musical construída há mais de três décadas, o duo de Portland, Oregon traz na fluorescência pop uma provável junção para esse jogo de elementos tão instáveis. São canções que mesmo orientadas por um fundo excêntrico, em nenhum momento se desprendem do apelo comercial e dançante.
De posse do primeiro registro em estúdio, Curiosity (2013, Polyvinil), a dupla faz do imenso quebra-cabeças um princípio básico para uma obra que se sustenta e caminha por conta própria. As referências estão por todos os lados, porém, tratadas dentro de uma linguagem particular, jovial. A psicodelia em alguns instantes parece fruto de um aficionado pelo indie rock dos anos 2000, enquanto o Synthpop se manifesta em uma camada de nostalgia não vivenciada. Uma estranha artificialidade de sons que parecem há pouco descobertos, mas que não prejudicam a execução do álbum. De certa forma, até servem para explicar a massa colorida que dá vida ao trabalho.
Enquanto a faixa de abertura do disco, The Hearse, praticamente arremessa décadas de sons e ritmos sintetizados em uma aceleração que esbarra no cômico, à medida em que o disco se desenvolve a dupla parece tirar maior proveito das próprias preferências. A adorável Spirit Forest, por exemplo, deixa nos sintetizadores bem aproveitados e guitarras que por vezes caem no R&B um encaminhamento consistente. Uma sonoridade que lida de forma confessa com o pop, mas ainda assim esbarra em contextos excêntricos como os que acompanham Ariel Pink’s Haunted Graffiti e, principalmente, John Maus, vide a aproximação com We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (2011).
Com produção assinada por Jacob Portrait (Unknown Mortal Orchestra), o trabalho mantém na obra do grupo conterrâneo uma aproximação natural. Vocais que partilham de um mesmo tratamento caseiro, guitarras que se entregam abertamente ao passado e versos capazes de lidar com o amor de forma honesta. A diferença está no ritmo. Enquanto a obra do UMO se dissolve em uma medida de calmaria que toca o lisérgico, a estreia do Wampire clama pelo excesso e a aceleração, um efeito que praticamente mergulha as composições do grupo em uma massa saturada de vozes, teclados, batidas e guitarras sem qualquer pausa aparente. Continuar lendo








