Marcado com Ariel Pink’s Haunted Graffiti

Disco: “Curiosity”, Wampire

Wampire
Lo-Fi/Psychedelic/Indie
https://www.facebook.com/wampiremusic/

 

Por: Fernanda Blammer

Wampire

Eric Phipps e o parceiro Rocky Tinder do Wampire são fanáticos por referências nostálgicas, ambientações musicais caseiras e marcas específicas do que foi construído entre 1960 e 1980. Dançando em um mistura de referências que vai da psicodelia hippie aos sintetizadores que lavaram com neon a produção musical construída há mais de três décadas, o duo de Portland, Oregon traz na fluorescência pop uma provável junção para esse jogo de elementos tão instáveis. São canções que mesmo orientadas por um fundo excêntrico, em nenhum momento se desprendem do apelo comercial e dançante.

De posse do primeiro registro em estúdio, Curiosity (2013, Polyvinil), a dupla faz do imenso quebra-cabeças um princípio básico para uma obra que se sustenta e caminha por conta própria. As referências estão por todos os lados, porém, tratadas dentro de uma linguagem particular, jovial. A psicodelia em alguns instantes parece fruto de um aficionado pelo indie rock dos anos 2000, enquanto o Synthpop se manifesta em uma camada de nostalgia não vivenciada. Uma estranha artificialidade de sons que parecem há pouco descobertos, mas que não prejudicam a execução do álbum. De certa forma, até servem para explicar a massa colorida que dá vida ao trabalho.

Enquanto a faixa de abertura do disco, The Hearse, praticamente arremessa décadas de sons e ritmos sintetizados em uma aceleração que esbarra no cômico, à medida em que o disco se desenvolve a dupla parece tirar maior proveito das próprias preferências. A adorável Spirit Forest, por exemplo, deixa nos sintetizadores bem aproveitados e guitarras que por vezes caem no R&B um encaminhamento consistente. Uma sonoridade que lida de forma confessa com o pop, mas ainda assim esbarra em contextos excêntricos como os que acompanham Ariel Pink’s Haunted Graffiti e, principalmente, John Maus, vide a aproximação com We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (2011).


Com produção assinada por Jacob Portrait (Unknown Mortal Orchestra), o trabalho mantém na obra do grupo conterrâneo uma aproximação natural. Vocais que partilham de um mesmo tratamento caseiro, guitarras que se entregam abertamente ao passado e versos capazes de lidar com o amor de forma honesta. A diferença está no ritmo. Enquanto a obra do UMO se dissolve em uma medida de calmaria que toca o lisérgico, a estreia do Wampire clama pelo excesso e a aceleração, um efeito que praticamente mergulha as composições do grupo em uma massa saturada de vozes, teclados, batidas e guitarras sem qualquer pausa aparente. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Wampire: “Spirit Forest”

Wampire

.

A presença de Jake Portrait (Unknown Mortal Orchestra) está por todos os lados de cada novo lançamento da dupla Wampire. Produtor responsável por Curiousity, trabalho de estreia da banda de Portland, o músico deixa suas marcas bem aparentes na execução de Spirit Forest, mais novo lançamento do duo. Presa em um universo de sintetizadores que acompanham a recente fase do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, ao mesmo tempo em que ecos de John Maus estão presentes em todos os cantos, a canção vai do rock psicodélico da década de 1970 aos synthpop dos anos 1980 em questão de segundos, diversificando o trabalho da dupla e carregando de maneira natural o ouvinte para um cenário fantástico, quase como uma viagem espacial.

.

Wampire – Spirit Forest

Etiquetado , , , , , , , ,

Disco: “The Flower Lane”, Ducktails

Ducktails
Indie/Lo-Fi/Psychedelic
http://ducktails.bandcamp.com/

Por: Cleber Facchi

Ducktails

Em 2011, poucos meses antes de apresentar ao público aquela que (por enquanto) é a maior obra do Real Estate, Days, o guitarrista Matt Mondanile fez de Ducktails III: Arcade Dynamics uma espécie de esboço do que estava por vir. Ou pelo menos era o que parecia na época, afinal, tão logo nos transportamos para o cenário construído no recente The Flower Lane (2013, Domino), o músico torna claro o quanto todos os esforços do passado serviram como preparativos inteligentes para o que se concretiza nas dez experimentais e nostálgicas composições que se acomodam no interior da obra. Mondanile conseguiu olhar atentamente para a década de 1980, e o que ele encontrou por lá é lindo.

Diferente de todos os outros registros em estúdio comandados pelo músico de Nova Jersey, The Flower Lane está longe de ser uma obra individual ou um possível registro solo de seu principal representante. Com uma sonoridade que contraria a resposta caseira e excessivamente suja dos lançamentos anteriores do artista, o novo álbum traz no time invejável de produtores, vozes e músicos de apoio um instrumento essencial para movimentar cada instante das composições que o cercam. Dos sintetizadores do gênio Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) ao baixo sensual de Joel Ford, das vozes complementares de Madeline Follin (Cults) ao reforço fundamental dos membros do Big Troubles, tudo se reflete como o trabalho de uma verdadeira banda.

Cercado pela inspiração e a movimentação cuidadosa de seus vários colaboradores, Mondanile solidifica com acerto a estrutura de um álbum musicalmente coeso, amarrando de forma precisa diversas pontas soltas que antes o impediam de alcançar uma obra de fato grandiosa. O que há poucos anos se anunciava como uma tentativa (falha) em proteger os deslizes solitários do músico com camadas densas de distorção, hoje se transforma em um resultado de limpidez (na medida do possível) peculiar, um espaço criativo que garante a cada acorde, harmonia ou mínima fagulha vocal a possibilidade de alcançar o ouvido do público sem qualquer tipo de bloqueio ou barreira sonora intencional.


Ainda que preso aos mesmos realces ensolarados que fizeram de It’s Real e Out Of Tune algumas das composições mais significativas do riquíssimo Days, a proposta de Mondanile com o Ducktails é completamente outra. Como dito, o novo trabalho estende as duas mãos (e talvez o corpo inteiro) para se apegar aos inventos sintetizados da década de 1980, resultado não apenas evidente nos teclados característicos que se abrem pelo disco, mas em todo o jogo instrumental que preenche a obra. A proposta estimula o clima dançante instalado em Assistant Director e até as experimentações marcadas em Sedan Magic (agraciada pelos vocais de Follin) e Under Cover, faixas que mais parecem canções perdidas de Before Today (2010), obra máxima do Ariel Pink’s Haunted Graffiti. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Grace/Confusion”, Memory Tapes

Memory Tapes
Chillwave/Electronic/Indie
https://www.facebook.com/memorytapes

Por: Cleber Facchi

http://www.windishagency.com/assets/12176/MemoryTapes_1.jpeg

Existem duas diferentes atuações de Dayve Hawk à frente do Memory Tapes. A primeira teve início em 2008, quando ainda se apresentava sob o nome de Memory Cassette estabelecia um misto entre a sonoridade caseira de velhas fitas VHS e a eletrônica cuidadosa da cena Balearic. Uma proposta necessária para o que o produtor viria a aprimorar logo no ano seguinte, quando protegido pela alcunha de Memory Tapes apresentou o nostálgico Seek Magic. Rápido – são apenas oito faixas – o disco contribuiu para alicerçar o que seria compreendido como a famigerada Chillwave, cenário/movimento acompanhado por Toro Y Moi, Neon Indian e demais amantes da eletrônica Lo-Fi.

Ainda imerso na mesma sonoridade caseira, porém incorporando um caráter menos sintético e até se apresentando com uma banda, em 2011 Hawk trouxe a público Player Piano, disco que mesmo dividindo opiniões entre os ouvintes e crítica proporcionou novidade à carreira do produtor. Agora próximo das guitarras e ainda assim atento aos encaixes eletrônicos do álbum de estreia, o norte-americano conseguiu revelar uma nova proposta ao Memory Tapes, projeto que tem no lançamento do recente Grace/Confusion (2012, Carpark) um encontro exato de todas as referências particulares alcançadas pelo músico nos últimos anos.

Como o título já aponta, o terceiro registro de Hawk se divide entre instantes dicotômicos de graça e confusão, proposta bem aplicada tanto na sonoridade – mezzo orgânica, mezzo eletrônica – como nos versos espalhados em cima dessa proposta dupla. Mesmo dotado de um número menor de faixas – seis no total -, o novo álbum é o trabalho mais extenso já lançado por Hawk, que contrário ao resultado expresso no último disco investe em composições amplas, ultrapassando facilmente os oito minutos de duração. A medida, embora confusa aos antigos ouvintes, surge como uma estratégia essencial, possibilitando que o produtor dissolva bem estes dois fluxos instrumentais em um mesmo ponto.

Além de aprimorar uma série de conceitos fundamentais já selecionados nos dois discos anteriores, em Grace/Confusion a preferência de Hawk pela psicodelia é ampliada de maneira essencial. Por vezes lembrando Ariel Pink (pré-Before Today) ou Tame Impala (nos momentos mais próximos do Dream Pop em Lonerism), o produtor utiliza da soma de teclados e vocais em eco como um complemento para o que marca a construção do disco, estabelecendo logo na faixa de abertura, Neighborhood Watch, muito do que reverbera no restante do álbum. A própria extensão ampliada das faixas possibilita isso, marca vista em Sheila e na pegajosa Thru the Field. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , ,

Disco: “Top Ten Hits of the End of the World”, Prince Rama

Prince Rama
Experimental/Lo-Fi/Psychedelic
http://princerama.tumblr.com/

Por: Fernanda Blammer

Desde que a paixão por registros conceituais tomou forma ao final da década de 1960 – passada a enorme aceitação de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), maior e mais conhecida obra dos Beatles – que a construção de álbuns de mesmo propósito se intensificou. De registros memoráveis da discografia do Pink Floyd, passando por The Beach Boys, Radiohead, Iron Maiden e até alguns nomes relacionados com a música pop, como Kelly Clarkson e My Chemical Romance, a necessidade de produzir um disco concentrado dentro de uma história ou estrutura central ainda serve de inspiração para uma infinidade de artistas.

Mesmo que não mantenha uma história linear ou constante aproximação instrumental entre as faixas, em Top Ten Hits of the End of the World (2012, Paw Tracks) a dupla nova-iorquina Prince Rama encontra um novo e bem humorado rumo para um registro de nítidos delineamentos conceituais. Espécie de coletânea de musical feita para ser apreciada durante o fim do mundo – como já é anunciado na capa de visual típico da década de 1980 -, o mais novo álbum das irmãs Taraka e Nimai Larson vai além do propósito antes pensados dentro da extensa discografia da banda, organizando o melhor e mais estruturado composto já inventado pela dupla.

Sempre entregues ao experimento e a constante transformação da música pop, com o recente álbum as irmãs parecem interessadas pela primeira vez em conversar com uma parcela maior do público, rompendo com as amarras e prováveis limites que arrastaram a condução de todos os lançamentos anteriores para formatar um trabalho ligeiramente acessível. Fácil na maneira como as vozes melódicas parecem feitas para grudar nos ouvidos, assim que Blade of Austerity abre o disco somos soterrados por uma avalanche de sintetizadores, guitarras e programações eletrônicas que substituem o tempero tribal de outrora para brincar com a dança.

Mais do que uma simples coletânea de hits, em cada nova faixa somos apresentados a uma banda diferente, pseudônimos e novas personalidades incorporadas pelas garotas do Prince Rama. Enquanto Those Who Live For Love Will Live Forever empurra o espectador para o synthpop das garotas do I.M.M.O.R.T.A.L.I.F.E., Radhamadhava revela outro caráter dos “artistas” que compõem o disco, apresentado o trabalho da também dupla Goloka, versão Árabe-Nipônica do que circula pelos trabalhos de Björk. Sobra até para o duo The Metaphysixxx apresentar a explosiva Exercise Ecstasy, um electropop típico do início década de 1990. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , ,

Ariel Pink: “Trash & Burn”

.

Enquanto uma infinidade de artistas – seja dentro do rock ou do hip-hop – insistem em resgatar o espírito e a sonoridade trilhada ao longo da década de 1990, outros como Ariel Pink foram em busca do que acabou ficando para trás no mesmo período. É o caso de Thrash & Burn, coletânea de 36 faixas que concentra boa parte dos trabalhos do músico norte-americano antes da fase Haunted Graffiti. Conjunto de quatro fitas cassete e gravações caseiras, o registro foi relançado pelo próprio músico agora, contando com uma leve “remasterização”. Quem já considerava suja a gravação de composições dentro de discos recentes como Mature Themes e Before Today talvez acabe surpreso tamanho o excesso de distorções, sons abafados e uma eterna capa de ruídos que se estendem do princípio ao fim do imenso projeto.

.

Ariel Pink – Trash & Burn

Etiquetado , , , , ,

Mac DeMarco: “Ode to Viceroy”

.

Depois do clima tropical de Freaking Out the Neighborhood, Mac DeMarco volta para mais uma sucessão de guitarras bem tramadas e vozes que fluem de maneira a acalentar o ouvinte. Menos exagerada que a canção anterior, Ode to Viceroy afasta o músico canadense da relação com o Real Estate e o aproxima em alguma medida do Ariel Pink’s Haunted Graffiti do álbum Before Today (2010), algo bem visível na maneira como a canção flutua entre o clima dos filmes pornô da década de 1980 e a psicodelia ponderada. Assim como o trabalho anterior, a canção faz parte do disco 2, trabalho que será apresentado no dia 16 de outubro e deve manter a mesma experiência sonora dos recentes singles.

.

Mac DeMarco – Ode to Viceroy

Etiquetado , , , , , , ,

Holy Shit: “You Made My Dreams Come True”

.

Antes de formar sua atual banda, o Haunted Graffiti, o norte-americano Ariel Pink esteve em uma variedade de projetos paralelos e estranhas bandas, entre eles o Holy Shit, banda formada em parceria com Matt Fishbeck atual líder e único membro fixo do grupo. Com uma proposta muito similar a que define os projetos atuais de Pink (com um óbvio acréscimo de música pop e sem todos os experimentos psicodélicos), a banda de um homem só apresenta agora uma versão reformulada da música You Made My Dreams Come True, canção lançada em uma coletânea há cinco anos e recentemente transformada para virar um single (que sai no dia cinco de novembro). Com quase oito minutos, a canção segue em ritmo dançante, passeando por alguns mínimos experimentos e realces que a tiram do óbvio a todo o instante.

.

Holy Shit – You Made My Dreams Come True

Etiquetado , , , , ,

Ariel Pink’s Haunted Graffiti: “Only in My Dreams”

.

O norte-americano Ariel Pink não é uma figura muito convencional. Melhor exemplo da esquizofrenia do músico está nas composições que ele apresenta ao longo de cada novo trabalho do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, banda que acaba de lançar o excelente Mathure Themes. Para ajudar na divulgação do álbum, o músico mostrou seu lado bem humorado e mulherengo, participando das gravações do vídeo de Only in My Dreams, a faixa mais “pop” do novo disco. Ao lado de um grupo de belas garotas, Pink se entrega a uma série de situações engraçadas (e até constrangedoras), contribuindo para o que parece um típico clássico da Sessão Da Tarde. Filmado em VHS e com um gostinho de anos 80, o vídeo conta com a direção de Travis Peterson, que já trabalhou com bandas como La Sera, Glass Candy e Vivian Girls.

.

Etiquetado , , , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 4.774 other followers