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Enquanto uma infinidade de artistas – seja dentro do rock ou do hip-hop – insistem em resgatar o espírito e a sonoridade trilhada ao longo da década de 1990, outros como Ariel Pink foram em busca do que acabou ficando para trás no mesmo período. É o caso de Thrash & Burn, coletânea de 36 faixas que concentra boa parte dos trabalhos do músico norte-americano antes da fase Haunted Graffiti. Conjunto de quatro fitas cassete e gravações caseiras, o registro foi relançado pelo próprio músico agora, contando com uma leve “remasterização”. Quem já considerava suja a gravação de composições dentro de discos recentes como Mature Themes e Before Today talvez acabe surpreso tamanho o excesso de distorções, sons abafados e uma eterna capa de ruídos que se estendem do princípio ao fim do imenso projeto.
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Ariel Pink – Trash & Burn

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Antes de formar sua atual banda, o Haunted Graffiti, o norte-americano Ariel Pink esteve em uma variedade de projetos paralelos e estranhas bandas, entre eles o Holy Shit, banda formada em parceria com Matt Fishbeck atual líder e único membro fixo do grupo. Com uma proposta muito similar a que define os projetos atuais de Pink (com um óbvio acréscimo de música pop e sem todos os experimentos psicodélicos), a banda de um homem só apresenta agora uma versão reformulada da música You Made My Dreams Come True, canção lançada em uma coletânea há cinco anos e recentemente transformada para virar um single (que sai no dia cinco de novembro). Com quase oito minutos, a canção segue em ritmo dançante, passeando por alguns mínimos experimentos e realces que a tiram do óbvio a todo o instante.
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Holy Shit – You Made My Dreams Come True
Ariel Pink’s Haunted Graffiti
Lo-Fi/Indie/Psychedelic Pop
http://www.arielpink.com/
Por: Cleber Facchi

Diferente de uma boa parcela de bandas e artistas jovens, Ariel Rosenberg – ou Ariel Pink como a maioria o conhece – precisou de mais de dez anos para aperfeiçoar uma fórmula musical e uma sonoridade de fato própria. Embora venha desde a segunda metade da década de 1990 se aventurando na construção de uma infinidade de registros caseiros e experimentais, foi só quando lançou o pop e esquizofrênico Before Today em 2010 que o músico realmente foi apresentado ao público. Ouvintes que encontraram nas invenções do álbum todo o conjunto de referências que tanto sintetizam a complexa obra de Pink, naquele instante dissolvida em uma tonalidade mais ampla, quase capaz de dialogar com as massas – como o hit Round And Round chegou bem perto de alcançar.
Ao mesmo tempo em que explora um tratado sonoro acessível e até comercial dependendo do ponto de vista, Rosenberg definiu um trabalho que brinca com os riscos. Embora fosse naturalmente voltado para a uma estrutura mais pop e melódica, o álbum em nenhum instante se desprende dos experimentos que acompanham o músico desde os primeiros trabalhos no começo dos anos 2000. Dentro dessa proposta diversificada, com o norte-americano transitando tanto por vias fáceis como outras mais complexas, Rosenberg e os sempre mutáveis parceiros de banda encontraram o acerto instrumental que mais uma vez se repete no recente Mature Themes (2012, 4AD), novo álbum do Ariel Pink’s Haunted Graffiti e prova incontestável da durabilidade que acompanha a tão almejada fórmula da recente fase do músico.
A exemplo do que a dupla Beach House alcançou com o lançamento do clássico Teen Dream em 2010 e posteriormente resultou no florescimento do ótimo Bloom, com o novo disco Pink extrapola os limites dos acertos e fórmulas previamente estabelecidas para mais uma vez inovar. Embora se concentre nas mesmas preferências testadas há dois anos, o novo disco se conecta diretamente aos primeiros inventos do cantor, quando álbuns como House Arrest (2002) e The Doldrums (2004) pareciam meros esboços perto da grandiosidade que hoje delimita a obra do norte-americano. Dentro dessa proposta, o artista californiano faz crescer um trabalho tão anárquico quanto em outras épocas, tendência visível não apenas na psicodelia pop que perfuma o álbum, mas na infinidade de samples, ruídos e novas temáticas que lentamente se revelam com o passar da obra.
Muito mais “eletrônico” que o trabalho passado, Mature Themes incorpora uma série de peças que incluem sintetizadores matemáticos, vozes robóticas que remetem ao Kraftwerk (basta ouvir Symphony of the Nymph) e até inclusões sonoras que dialogam com o Hip-Hop, como fica definido em Is This The Best Spot?. Dentro dessa proposta de quebras constantes e reformulações necessárias, Rosenberg faz com que a fórmula alcançada no último disco seja aproveitada de forma inédita. É como se o músico acrescentasse uma dose extra de inovação ao já competente catálogo de sons organizado por ele, impedindo que o novo disco funcione como uma mera continuação, mas como uma sequência de sons ainda mais assertivos do que o resultado exposto há dois anos. Continuar lendo

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Passados dois anos desde o lançamento do disco Before Today – em nossa humilde opinião o melhor álbum de 2010 -, Ariel Pink e os parceiros do Haunted Graffiti estão de volta com novo trabalho. Trata-se do álbum Mature Themes, registro que será lançado oficialmente no dia 20 de agosto e deve manter as mesmas experiências voltadas ao pop lo-fi que tanto marcaram o disco anterior. Primeira composição a ser apresentada do novo trabalho é Baby, o doloroso cover da canção lançada pela dupla Donnie & Joe Emerson em 1979, mas que parece perfeitamente encaixada nos vocais e na sonoridade nostálgica que define o trabalho da banda.
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Ariel Pink’s Haunted Graffiti - Baby