Marcado com A Place To Bury Strangers

Disco: “Zeros”, The Soft Moon

The Soft Moon
Post-Punk/Shoegaze/Cold Wave
https://www.facebook.com/thesoftmoon

Por: Fernanda Blammer

Enquanto a produção musical britânica, “bem intencionada” em resgatar o pós-punk, se afundou cada vez mais em um universo de repetições e trabalhos copiosos, em solo norte-americano a invenção dentro das formas sombrias do estilo conseguiu prevalecer. Se a cidade de Nova York serviu de abrigo para que grupos como Cold Cave pudessem encontrar uma medida dançante para o gênero, outros como Crystal Stilts e A Place To Bury Strangers foram em busca de uma sonoridade menos comercial, mergulhando em um oceano e ruídos e até certo toque de psicodelia – no caso da primeira. A medida não apenas conseguiu garantir uma sobrevida ao gênero firmado há mais de três décadas, como serviu para comprovar que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado em inúmeras formas.

Curioso notar que os responsáveis por um dos projetos de maior distinção dentro do gênero venham justamente da ensolarada São Francisco, California. Com apenas três anos de carreira, o quinteto The Soft Moon chega agora ao segundo registro em estúdio, entregando um fino exemplar do pós-punk, sem jamais esbarrar em sons repetitivos e climatizações sonolentas. Sob o título de Zeros (2012, Captured Tracks), o novo álbum segue as pistas deixadas pelo grupo há dois anos, quando as guitarras firmes do autointitulado primeiro disco decidiram boa parte dos rumos agora restabelecidos. Sem tempo para respirar, da faixa de abertura It Ends, até a chegada da canção de encerramento ƨbnƎ tI – sim, uma versão espelhada inclusive musicalmente da música inicial -, o disco não cessa nem por um instante.

Por mais óbvia que seja a associação, difícil não passear pela presente obra de formulações obscuras sem lembrar imediatamente da herança deixada pelo Joy Division, principalmente dentro do ainda hoje revolucionário Unknown Pleasures (1979). Da capa minimalista em preto e branco, passando pela inexistência de uma ordem correta ao trabalho, Zeros se manifesta como uma versão reformulada do clássico, não de maneira plagiada ou vergonhosamente igual (como insistem tantos grupos britânicos), mas como uma homenagem. A própria maneira como o barulho de sprays são utilizados em She’s Lost Control voltam a se repetir em faixas como Machines ou mesmo na música que dá título ao trabalho. Como dito, não há no disco um sinal de plágio, apenas referência.

Melhor exemplo de como a banda parece seguir por um caminho bastante particular está na forma como as guitarras se solidificam faixa após faixa. Enquanto Insides expande tudo aquilo que fora projetado pela banda inglesa em uma medida dançante que por vezes remete ao The Horros do disco Primary Colours (2009), a faixa seguinte Remembering the Future usa das tradicionais linhas de baixo que corrompem o registro como um amplificador da sonoridade climática que passeia pela obra. Soma-se a isso uma constante carga de ruídos pensados de forma extensa, como um imenso curto-circuito que passeia por boa parte da obra – principalmente nos momentos mais “eletrônicos”. Referências claras, mas donas de um enquadramento sempre singular. Continuar lendo

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A Place To Bury Strangers: “And I’m Up”

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O recente Worship está muito longe de ser um trabalho de sucesso dentro da discografia suja da banda nova-iorquina A Place To Bury Strangers. Todavia, é graças ao álbum que temos acesso ao mais recente e um dos melhores clipes já feitos pelo grupo: And I’m Up. Utilizando de brinquedos em chamas, carrinhos de controle que atacam cachorros robóticos e bonecos de ação derretendo, o clipe define os rumos do que parece ser uma verdadeira guerra dos brinquedos. Com direção assumida por Karl Ackermann, a cada novo quadro é possível sentir o cheiro de plástico queimado, perceber o sangue e as lágrimas derramadas pelos pobres brinquedos.

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Disco: “Worship”, A Place To Bury Strangers

A Place To Bury Strangers
Noise Rock/Shoegaze/Indie Rock
https://www.facebook.com/aplacetoburystrangers

Por: Fernanda Blammer

A limpidez das formas sonoras nunca foi uma proposta clara aos grupos de rock nova-iorquinos. Desde o surgimento do The Velvet Underground na década de 1960, que as guitarras soam de maneira estridente por lá, agregando camadas de distorção bem como ruídos entalhados de forma a encantar (ou instigar) o espectador. Com o trio A Place To Bury Strangers, que nasceu na região do Brooklyn em princípios da década passada, essa mesma proposta se torna ainda mais evidente. Confessos interessados pelas formas distorcidas e sujas, a banda mantém no terceiro disco a mesma ruidosa estratégia testada há quase dez anos, proposta que define cada uma das novas composições apresentadas pelo grupo.

Donos de uma sonoridade cada vez mais “plástica” – postura assumida dentro do disco Exploding Head, de 2009 – a tríade formada por Oliver Ackermann, Dion Lunadon e Jason “Jay Space” Weilmeister faz do recente Worship (2012, Dead Oceans) uma espécie de exata continuação do que fora testado há três anos. Mesmo imersos na construção e deformação constante das formas sonoras, a banda acaba por transformar o novo álbum em um registro comercialmente acessível, proposta já testada, mas que se intensifica ativamente com o passar do presente registro.

Ao mesmo tempo em que se abre para a aproximação com novos públicos, a banda parece esquecer da boa forma assumida há alguns anos, não lembrando, inclusive, que muitas das canções e propostas testadas no atual registro já foram amplamente executadas, principalmente no homônimo disco de estreia em 2007. Como resultado os nova-iorquinos estabelecem um disco que até agrada em alguns momentos, mas nada que consiga superar o bom desempenho e a inventividade de outrora. Até quando as guitarras surgem urgentes e sujas em músicas como Leaving Tomorrow o resultado pouco satisfaz, como se a banda propusesse um álbum em que o foco está em desmotivar o ouvinte.

Essa incapacidade da banda em apresentar uma proposta renovada e se entregar às exaltações sonoras vindas de outras fontes já estava bastante visível durante a execução do álbum anterior. É como se o APTBS, ao buscar por um som mais sério e conceitual – postura assumida em 2009 com Exploding Head – deixasse de lado o brilho e a crueza jovial do registro de estreia. Mesmo que algumas faixas como You Are The One e Why I Can’t Cry Anymore até consigam cativar e arrastar o ouvinte para o mesmo universo de distorções proclamadas em 2007, aos poucos Worship se transforma em um disco cansativo e extremamente pleonástico, com o trio batendo na mesma tecla – ou nos mesmos sujos acordes – do princípio ao fim do disco. Continuar lendo

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A Place To Bury Strangers: “You Are The One”

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Desde 2009 sem apresentar nenhum novo disco completo, a banda nova-iorquina A Place To Bury Strangers prepara para o dia 26 de junho o lançamento de Workship, o terceiro e provavelmente ainda mais sujo álbum de estúdio da banda. O trabalho que será apresentado pelo selo Dead Ocean – mesmo de bandas como Akron/Family e The Tallest Man on Earth – teve recentemente o primeiro single lançado. É a faixa You Are The One, que nas mãos da dupla Matt Moroz e Tracy Maurice ganha um excelente clipe.

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A Place To Bury Strangers: “So Far Away”

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Afinal, se o Instagram faz tanto sucesso, por que não transformá-lo em uma ferramenta para gerar clipes? Foi pensando nisso que o trio nova-iorquino A Place To Bury Strangers fez nascer seu mais novo vídeo So Far Away. Utilizando de uma sequência de imagens (todas captadas através do dispositivo de compartilhamento), a banda vai construindo o interessante visual para o clipe, que através do acumulo das imagens gera a sensação de movimento.

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A Place to Bury Strangers “So Far Away” from Secretly Jag on Vimeo.

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A Place To Bury Strangers: “So Far Away”

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Responsáveis por alguns dos registros mais sujos da última década, os nova-iorquinos do A Place To Bury Strangers estão de volta com trabalho novo, quer dizer, se você já considerar sete de fevereiro como uma data bem próxima. Por enquanto nada de disco novo, apenas um EP de cinco faixas que será chamado Onwards To The Wall e como dito, só chegará ao público no ano que vem. Enquanto o trabalho não é lançado a banda resolveu presentear seus fãs com uma das composições do registro, sendo a escolhida a faixa So Far Away, mais um bem estruturado jogo de distorções e vocais abafados no melhor estilo do grupo.

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A Place To Bury Strangers – So Far Away

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Miojo Indie Mixtape “Halloween” Edition

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É tempo de escuridão, neblina por todos os lados, uivos, lendas e assombrações.  É tempo de Halloween . Para animar a popular festa – que a cada ano conta com mais adeptos no Brasil – nada melhor do que preparar uma seleção com 13 composições carregadas por uma sonoridade sombria, sintetizadores climáticos e versos soturnos que vão aos poucos nos preparando para o famigerado dia das bruxas. Preparem suas fantasias, enfeitem suas abóboras, preparem seus fones de ouvido, pois é hora de doces ou travessuras.

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#01. The Wolf – Fever Ray

Montada especialmente para a trilha sonora do filme A Garota da Capa Vermelha, The Wolf traz a sempre eficiente Karin Dreijer Andersson (uma das metades do The Knife) mostrando todo seu potencial através do elogiado projeto Fever Ray. Unindo sintetizadores carregados de efeitos e um clima essencialmente sombrio, a sueca desenvolver a faixa de abertura perfeita para esta seleção.

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#02. Heresy – Nine Inch Nails

Vinda diretamente do clássico The Downward Spiral, de 1994, Heresy é a contribuição do extinto projeto Nine Inch Nails para nossa sombria mixtape. Menos carregada pela predisposição aos sons da música Industrial, a faixa deixa Trent Reznor se locomover livremente, promovendo um tipo de som menos denso, porém muito mais climático e obscuro.

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#03. Guillotine – Death Grips

A esquizofrenia do Death Grips não poderia ficar de fora dessa seleção, logo, o single Guillotine surge como a composição perfeita para intensificar ainda mais o clima da mixtape. Repleta de sujeira  – tanto instrumental quanto lírica – a faixa surge praticamente para esmagar o ouvinte, despejando uma sequência de beats cacofônicos que seguem de maneira desordenadamente ordenada.

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#04. Such A Sad Puppy Dog – WU LYF

Um grupo que se autodenomina como World Unite Lucifer Youth Foundation não poderia ficar de fora de uma seleção de faixas carregadas de elementos sombrios e temáticas obscuras. Com Such A Sad Puppy Dog o quarteto inglês traz um misto de melancolia, uma bateria redundante e versos repetidos à exaustão. A música faz parte de Go Tell Fire to the Mountain, trabalho de estreia da banda.

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#05. The Great Pan Is Dead – Cold Cave

Lançado há alguns meses, Cherish The Light Years é o nome do segundo e mais novo álbum do projeto nova-iorquino Cold Cave. É justamente do sombrio registro que surge The Great Pan Is Dead, música carregada de sintetizadores e uma sonoridade que reverbera a boa fase do pós-punk britânico. Seguindo em ritmo sempre acelerado, a faixa deixa transparecer os marcantes vocais de Wesley Eisold.

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#06. Post Physical – Pictureplane

Unindo eletrônica, witch-house um pouco de anos 90 e Lo-Fi, o produtor norte-americano Travis Egedy conseguiu desenvolver um dos projetos mais intensos do ano, o estranho Thee Physical, segundo disco à frente do Pictureplane. Desse mesmo emaranhado de tendências surge Post Physical, uma das melhores faixas do disco e que por conta de sua tonalidade atmosférica se encaixa com perfeição dentro desta mixtape.

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#07. Broken Bone – Iceage

Tudo muito parado, sombrio e climático demais você? Então que tal uma boa saraivada de guitarras, vocais acelerados, além de uma bateria seca feita para espancar os ouvidos? Pois é isso que você terá com Broken Bone, uma das grandes composições que fazem parte de New Brigade, primeiro álbum de estúdio da banda dinamarquesa Iceage e uma das grandes estréias do ano.

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#08. Dry Ice – Pure X

Voltando para o lado mais sossegado da coletânea, é hora de tomar uma boa baforada de gelo seco na sua cara com Dry Ice, um dos grandes achados musicais de 2011. Vinda do primeiro registro em estúdio da banda texana Pure X, a faixa nos carrega através de uma maré de sons chapados, guitarras esvoaçadas e uma forte ligação com os grupos de shoegaze que explodiram ao longo dos anos 80.

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#09. Ego Death – A Place To Bury Strangers

Não se deixe enganar pela abertura sofisticada e calminha de Ego Death, quem conhece o trabalho do trio nova-iorquino A Place To Bury Strangers sabe bem que cedo ou tarde as guitarras carregadas de efeito irão aparecer. Conduzida por uma estranha força obscura, a ruidosa composição surge carregada por intensas guitarras e um clima soturno, combinando com a temática da mixtape de forma mais do que acertada.

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#10. Cemeteries – Avey Tare

Atmosférica e carregada por pequenos efeitos sinestésicos, Cemeteries consegue causar um frio na espinha quando nos deixamos conduzir por sua sonoridade ruidosa e repleta de elementos puramente ambientais. Saída diretamente de Down There, primeiro trabalho solo de Avey Tare (um dos membros do Animal Collective), a faixa vai lentamente cercando o ouvinte, nos transportando para um ambiente úmido e sombrio.

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#11. Apart – Balam Acaab

Ainda dentro da temática ambiental da mixtape, Apart nos mantém dentro do universo sombrio do outrora, com um eficiente Balam Acaab intercalando vocais remodelados, batidas assíncronas e uma fina camada de sons minimalistas carregados de excentricidade. Unindo medo e melancolia, a canção parece aos poucos sufocar o ouvinte que se vê perdido dentro do universo da faixa.

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#12. The Laughter – The Mary Onettes

Repleta de sintetizadores fúnebres e uma aura noturna, The Laughter, clássico da banda sueca The Mary Onettes transmite um aspecto de despedida, anunciando o fechamento da coletânea. Lançada originalmente em 2007 através do primeiro registro do quarteto de Jönköping, a faixa une desde pequenas doses de um Dream Pop soturno, até visíveis elementos de um pós-punk que exalta a obra do Joy Division.

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#13. Vow – Julianna Barwick

Construída inteiramente através de múltiplos recortes de voz e uma leve carga de teclados/pianos minimalistas, a canção nos puxa para um ambiente etéreo com Julianna Barwick surgindo como uma espécie de guia, nos puxando cada vez mais para dentro desse ambiente à meia luz e repleto de estranhas sensações.

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