The Soft Moon
Post-Punk/Shoegaze/Cold Wave
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Por: Fernanda Blammer

Enquanto a produção musical britânica, “bem intencionada” em resgatar o pós-punk, se afundou cada vez mais em um universo de repetições e trabalhos copiosos, em solo norte-americano a invenção dentro das formas sombrias do estilo conseguiu prevalecer. Se a cidade de Nova York serviu de abrigo para que grupos como Cold Cave pudessem encontrar uma medida dançante para o gênero, outros como Crystal Stilts e A Place To Bury Strangers foram em busca de uma sonoridade menos comercial, mergulhando em um oceano e ruídos e até certo toque de psicodelia – no caso da primeira. A medida não apenas conseguiu garantir uma sobrevida ao gênero firmado há mais de três décadas, como serviu para comprovar que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado em inúmeras formas.
Curioso notar que os responsáveis por um dos projetos de maior distinção dentro do gênero venham justamente da ensolarada São Francisco, California. Com apenas três anos de carreira, o quinteto The Soft Moon chega agora ao segundo registro em estúdio, entregando um fino exemplar do pós-punk, sem jamais esbarrar em sons repetitivos e climatizações sonolentas. Sob o título de Zeros (2012, Captured Tracks), o novo álbum segue as pistas deixadas pelo grupo há dois anos, quando as guitarras firmes do autointitulado primeiro disco decidiram boa parte dos rumos agora restabelecidos. Sem tempo para respirar, da faixa de abertura It Ends, até a chegada da canção de encerramento ƨbnƎ tI – sim, uma versão espelhada inclusive musicalmente da música inicial -, o disco não cessa nem por um instante.
Por mais óbvia que seja a associação, difícil não passear pela presente obra de formulações obscuras sem lembrar imediatamente da herança deixada pelo Joy Division, principalmente dentro do ainda hoje revolucionário Unknown Pleasures (1979). Da capa minimalista em preto e branco, passando pela inexistência de uma ordem correta ao trabalho, Zeros se manifesta como uma versão reformulada do clássico, não de maneira plagiada ou vergonhosamente igual (como insistem tantos grupos britânicos), mas como uma homenagem. A própria maneira como o barulho de sprays são utilizados em She’s Lost Control voltam a se repetir em faixas como Machines ou mesmo na música que dá título ao trabalho. Como dito, não há no disco um sinal de plágio, apenas referência.
Melhor exemplo de como a banda parece seguir por um caminho bastante particular está na forma como as guitarras se solidificam faixa após faixa. Enquanto Insides expande tudo aquilo que fora projetado pela banda inglesa em uma medida dançante que por vezes remete ao The Horros do disco Primary Colours (2009), a faixa seguinte Remembering the Future usa das tradicionais linhas de baixo que corrompem o registro como um amplificador da sonoridade climática que passeia pela obra. Soma-se a isso uma constante carga de ruídos pensados de forma extensa, como um imenso curto-circuito que passeia por boa parte da obra – principalmente nos momentos mais “eletrônicos”. Referências claras, mas donas de um enquadramento sempre singular. Continuar lendo



















