Marcado com 2011

Tycho: “Ascension”

Tycho

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Scott Hansen não para. Além de assumir a função de designer na maior parte do tempo, o norte-americano traz na função “extra” de produtor a responsabilidade de assumir as composições do Tycho, projeto de eletrônica/ambient music em plena produção desde o começo da década passada. Dono de um dos registros mais interessantes de 2011, Dive, Hansen encontra na direção de Charles Bergquist as cores e as imagens exatas para abastecer o recém-lançado clipe de Ascension, uma das 10 faixas que recheiam o último disco. Sustentado pelo mesmo cenário desértico que ilustra o álbum, o trabalho encontra no uso controlado das cores uma manifestação visual exata para a canção do produtor.

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Tycho – Ascension

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Disco: “We Invented Paris”, We Invented Paris

 We Invented Paris
Indie/Alternative/Indie Pop
http://www.weinventedparis.com

Por: Juliana Pinto

 

Tem pouco mais de um ano que o We Invented Paris (descrito pelos próprios membros como um coletivo artístico europeu, baseado na Suíça) botou o pé na estrada. Entretanto, apenas nesse curto espaço de tempo, os meninos conseguiram visitar mais de 50 cidades, fazer cerca de 70 apresentações, incluindo colaborações em shows de grandes nomes do indie pop/rock em 2011 – como o Pains Of Being Pure At Heart. Todo esse compromisso com a música se faz presente no debut da banda, lançado no final de 2011.

O diferencial do We Invented Paris é a personalidade marcante e o conteúdo singular de cada uma das faixas compostas pela banda. Todas as músicas do disco de estréia são heterogêneas e individuais, cada uma com traços próprios, que conseguem dar uma atmosfera diferente da faixa anterior. É muito difícil encontrar uma banda estreante e com pouco tempo de estrada já com tanta carga emocional e maturidade musical. Sem uma narrativa principal definida, o We Invented Paris  (o disco) consegue ser, paradoxalmente, um álbum circular, onde cada faixa se completa.

A sonoridade da banda é extremamente acessível, e surpreendentemente imediata. Dá pra notar isso logo com o primeiro single do trabalho, a polida Iceberg. O registro é cheio de momentos graciosos, suaves, que trazem uma delicadeza notável, uma sensibilidade que se destaca. Durante alguns períodos, o disco pode remeter o ouvinte aos trabalhos antigos do Death Cab For Cutie (principalmente o clássico Plans, de 2005), ao debut do Grouplove (Never Trust A Happy Song, 2011) e até mesmo ao Belong (2011), do próprio Pains Of Being Pure At Heart para quem eles abriram alguns shows.

Sendo melódico, por muitas vezes triste, o álbum se distancia do sombrio, conseguindo separar muito bem a melancolia da severidade, tratando do assunto de forma leve e elegante, ainda assim não de maneira frágil. É a dosagem perfeita. Não são muitas as bandas que conseguem agregar tantos gêneros diferentes em um só trabalho, mas o We Invented Paris executou essa missão sem qualquer dificuldade. No primeiro disco encontramos folk, indie pop, e diversos subgêneros incorporados num único e tocante registro. Violões que soam eufóricos, guitarras tímidas, batidas contagiantes, uma fórmula velha que o We Invented Paris usou de forma única e acrescentou seu charme e suas melodias que se completam.

Certas faixas têm potencial para serem pop hits, exatamente pela impressão que o We Invented Paris nos passa: a de que a música deles simplesmente flui e por isso mesmo o debut soa genuíno, um trabalho que vale a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada uma delas de um jeito diferente.

Um disco cheio de altos e baixos, que desperta múltiplas sensações. Ele parte da alegria suave e simples, como em Bubbletree, para a inquietação e a angústia, como na última faixa Silence. O We Invented Paris é um álbum de uma banda estreante já bastante à vontade, confortável dentro da sua proposta, verdadeira, criativa, detalhista, e que conseguiu produzir um bom disco, com grandes momentos.

We Invented Paris (2011,  Spectacular Spectacular)

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Grouplove, Givers e Death Cab For Cutie
Ouça: Iceberg, Public Places e A View That Almost Kills

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Disco: “A Curva Da Cintura”, Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabate

Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabate
Brazilian/African/World Music
http://www.acurvadacintura.com.br/

Por: Cleber Facchi

 

Desde que Arnaldo Antunes resolveu (involuntariamente) no começo dos anos 2000 abandonar o aspecto demasiado hermético de suas obras, produzindo então composições que mesmo não convencionais se voltavam para uma linguagem mais comercial , que toda uma riqueza de detalhes se tornaram evidentes. Distante da poesia concreta e dos experimentos que o levaram a abandonar os Titãs no começo da década de 1990, o músico paulistano vem edificando um enorme catálogo de versos e canções acessíveis, faixas que acabaram garantindo novo sentido ao trabalho em carreira solo ou mesmo nas diversas parcerias que o artista vem desenvolvendo.

Paralelo ao trabalho do compositor, o guitarrista Edgard Scandurra não se aquietou nos braços de sua antiga banda – o Ira! -, tanto que ao encerramento das atividades do grupo em meados de 2007, o músico foi rapidamente tragado para junto de uma infinidade de projetos colaborativos. Renovado, o paulistano acabou figurando com destaque e jovialidade ao lado de artistas da recente safra da música nacional, vozes como Karina Buhr e Marcelo Jeneci que contaram com o apoio essencial do veterano para a boa forma de seus recentes trabalhos.

Se ambos os artistas – amigos desde idos da década de 1980 – pareciam partilhar de uma mesma renovada percepção musical, por que não uni-los em um projeto em conjunto? Faltava ainda um elemento para que isso se concretizasse, algo que foi rapidamente solucionado após uma apresentação do músico malinês Toumani Diabate no festival Black2Black em 2010. Após uma conversa entre a tríade de músicos ao término da apresentação, ficou estabelecido a partir dali a criação de um registro musical que concentrasse as referências dos três, feito que se concretiza agora com a chegada de A Curva da Cintura (2011).

Embora sejam as referências trazidas por Diabate – renomado artista nascido na cidade de Bamko em 1965 e vencedor do Grammy 2010 de melhor álbum de World Music – a principal marca do registro, a cada nova composição proposta no decorrer do álbum é visível a participação dos três componentes do projeto. Nos versos, Antunes passeia criativo, apresentando ao lado do colega paulistano canções que exaltam justamente a atual fase como letrista. O mesmo se faz visível nas guitarras de Scandurra, que agora propõe um jogo de acordes suingados e marcados pelo regionalismo, acompanhando o toque da Kora (tipo de harpa com 21 cordas) assumida pelo parceiro malinês.

Contando com a produção de Gustavo Lenza – que já trabalhou ao lado de nomes como Céu e Curumin -, o registro de 14 faixas mimetiza o que há de novo na música popular brasileira com as óbvias referências da sonoridade africana (o disco foi todo gravado em Bamako, Mali), encontrando nas mãos do produtor paulistano uma espécie de limite ou concisão intensa entre as músicas. Cada faixa parece partilhar de uma sonoridade intimamente similar, sendo que mesmo velhas conhecidas do público brasileiro, como Muito Além, acabam mergulhadas em uma poça de renovação, acrescidas de novas texturas.

Enérgico, o registro transpassa constantemente o caráter de trabalho ao vivo – é quase possível ouvir palmas imaginárias do público ao final de cada canção -, gerando um resultado que permanece exato e satisfatório até o ecoar da última canção do disco. Mais do que um resgate da já velha aproximação entre a música brasileira e os ritmos africanos, A Curva da Cintura possibilita observarmos dois grandes personagens do rock nacional imersos em uma proposta renovada, contrapondo boa parte dos artistas do mesmo período, que ainda insistem em se manter presos ao passado.

A Curva da Cintura (2011)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Arnaldo Antunes, Curumin e Otto
Ouça: Cara, Muito Além e Ir, Mão

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Disco: “Echoes Of Silence”, The Weeknd

The Weeknd
Canadian/Electronic/R&B
http://www.the-weeknd.com/

Por: Cleber Facchi

Em se tratando da sétima arte é possível observar dois tipos bem específicos de trilogias ou franquias cinematográficas. Em maior número (e sempre figurando com mais destaque) surgem trabalhos que parecem vir em sequência de um filme bem conceituado comercialmente, uma película lucrativa e que por exigência dos estúdios acabam contando com extensões duvidosas, continuações pouco ou nada relevantes e que acabam surgindo unicamente por conta de exigências econômicas. Dentro desse grupo é possível observarmos “obras” como a trilogia Matrix ou incontáveis outras séries de filmes de horror que anualmente ganham nova continuidade.

O outro tipo de sequência cinematográfica é a composta por filmes pré-planejados e obras fechadas. Continuações como as três partes de O Senhor Dos Anéis, que acabam contando com um trabalho muito mais primoroso e movido pelo esmero de seus idealizadores – claro, nem sempre isso pode ser aplicado a todos os trabalhos do mesmo estilo. Como resultado, temos uma obra visivelmente melhor planejada, resultando em um produto visual aprazível, convincente e facilmente encaminhado para se transformar em um provável clássico.

Caso fosse estruturado como um projeto de cinema, a obra do canadense Abel Tesfaye, ou como acabou amplamente conhecido ao longo dos últimos meses, The Weeknd, faria obviamente parte desse primeiro grupo, algo que a terceira parte de sua não planejada trilogia – Echoes Of Silence (2011, Independente) – acaba por revelar. Entretanto, diferente de todas essas sequências forçadas e que crescem em virtude de um trabalho inicial bem sucedido para depois se converter em uma construção de obras vergonhosas, Tesfaye (e a obra por ele anunciada) acaba revelando um resultado claramente aceitável, fazendo parte de um terceiro grupo de criadores.

A trilogia proposta pelo produtor canadense – que se completa com House Of Balloons e Thursday – se fizesse parte do plano cinematográfico viria emoldurada pelo mesmo resultado satisfatório que trilogias como Star Wars, De Volta Para o Futuro ou O Poderoso Chefão acabaram proporcionando, películas sequenciadas que vieram do sucesso de uma obra primária, para posteriormente se transformar em grandes tratados da sétima arte. Tesfaye, assim como George Lucas, Robert Zemeckis e Francis Ford Copolla usa de sua trilogia básica como mecanismo de destaque e construção de um pequeno culto ao seu redor.

Ainda relacionado com a mesma sonoridade dos dois trabalhos anteriores, em Echoes Of Silence The Weeknd parece restabelecer a mesma mobilidade melódica que estabeleceu o destaque em todo o bem recebido primeiro disco, concentrando refrões fáceis (algo bem observado em Montreal e The Same Old Song) com uma sonoridade marcada pela intensidade das batidas e o uso de samples eficazes. O melhor exemplo da boa forma do produtor está na canção de abertura através de D.D., versão de Dirty Diana, quinto single do álbum Bad de Michael Jackson e que nas mãos de Tesfaye ganha contornos modernos e surpreendentemente ricos, ultrapassando as barreiras de um mero cover.

Menos extenso dos três álbuns, o novo disco apresenta um artista muito mais ciente de sua obra, sendo capaz de compartilhar as criações do registro com outros produtores, como Clams Casino na faixa The Fall e DropxLife em Inanition. Se em Thursday havia a falta de hits tão marcantes quanto The Morning e What You Need (clássicos do primeiro disco), agora é possível absorver um novo contingente de criações louváveis e comerciais, uma naturalidade pop e acessível que mesmo os mais de sete minutos de XO/The Host não conseguem bloquear. Tesfaye criou uma das melhores franquias musicais dos últimos anos e mesmo aqueles que não se interessam por blockbusters, acabam convencidos pelo produtor.

Echoes Of Silence (2011, XO)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Drake, Frank Ocean e Teorius Nash
Ouça: The Fall e D.D.

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Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2011

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Ressaca. Essa foi constante sensação que marcou a música nacional durante todo ano. Talvez a força de trabalhos como Feito Pra Acabar de Marcelo Jeneci ou Efêmera da paulistana Tulipa Ruiz – entre outros – tenham estabelecido certo ar de expectativa em relação à produção musical da nova década, derramando sobre o presente ano uma sensação de desgaste, certa dose de expectativa e muito cansaço, algo bem exemplificado pela falta de grandes lançamentos. Mesmo assim, ao longo de 2011 contamos com grandes discos, trabalhos que deixaram de maneia significativa um rastro na música brasileira (seja ela qual for). Para isso, selecionamos 50 registros essenciais para compreender o que foi a produção nacional no decorrer do ano, álbuns que nos proporcionaram uma sucessão de faixas memoráveis e que merecem verdadeiro destaque.

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[50-41] . [40-31] . [30-21] . [20-11] . [10-01]

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Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2011

Os 15 Melhores EPs de 2011

Os 50 melhores clipes de 2011

25 grandes estreias de 2011

Lista dos Leitores

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Frank Ocean: “4 Tears”

Responsável por um dos melhores (e mais românticos) discos de 2011, Frank Ocean deve assumir em 2012 uma posição de destaque ainda mais elevada dentro do cenário R&B norte-americano, pelo menos é que a nova música do rapper acaba transmitindo. Embora não esteja garantida no próximo lançamento de Ocean – que também deve se revezar ao lado dos parceiros do Odd Future – 4 Tears transparece todo o amadurecimento do artista, que deve circular com maior destaque ao longo dos próximos meses.

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Frank Ocean – 4 Tears

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Miojo Indie Apresenta: Apostas 2012

Por: Cleber Facchi

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Bangs
Mogi Das Cruzes, São Paulo
http://tramavirtual.uol.com.br/bangs

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Desde que o Vanguart inaugurou a onda do folk rock nacional em meados da década passada que uma infinidade de grupos vem tentando ocupar um posto próprio e de destaque dentro desse cenário, feito que nenhuma banda conseguiu estabelecer até agora. Longe dessa necessidade de auto-afirmação, o quarteto Bangs surge trilhando um caminho individual e, consequentemente, de destaque, encontrando no uso de melodias acessíveis e dotadas de certo perfume vintage a unidade instrumental necessária para figurar como um dos grandes representantes do estilo. Divididos entre Bob Dylan, Mutantes e uma fina dose de Ryan Adams, a banda – que já conta com um ótimo EP – faz um típico som que dialoga com as referências estrangeiras, porém, se mantém dialogando ativamente com a música brasileira.

Ouça:

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Gangue do Eletro
Barcarena, Pará
http://soundcloud.com/gangdoeletro

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Perdoem os fãs de Banda Uó, mas se existe um projeto que realmente sabe trabalhar o electromelody de forma madura e bem projetada, este é o grupo paraense Gang do Eletro. Sob os comandos do experiente DJ Waldo Squash (gênio por trás de um sem número de hits que por lá ecoam com evidência), o grupo já vem trilhando uma carreira de destaque pelo norte do país, circulando em festivais de renome e promovendo uma música que se divide entre o dançante e o cômico. Entre teclados coloridos, letras grudentas e batidas montadas para a dança, a banda parece desenvolver um som capaz de se relacionar calorosamente com o clima quente do verão, algo que faixas como a divertida Indiana do Pop ou Tributo a Carmen Miranda (no melhor estilo João Brasil de ser) acabam revelando.

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Ouça:

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Gaby Amarantos
Belém, Pará
http://gabyamarantos.com/

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Se os gringos têm Beyoncé e Lady Gaga, então desculpem, mas nós temos Gaby Amarantos. Diva do eletrobrega e espécie de combatente das rainhas do axé music (alguns a chamam da anti-Ivete), Amarantos conseguiu ao longo dos últimos meses um feito raro em se tratando da música tupiniquim. Ao mesmo tempo em que se prepara para se transformar no novo ícone da música pop nacional – circulando com destaque tanto em rádios como na trilha sonora de novelas -, a paraense acabou se convertendo em uma espécie de ícone cult, caindo no gosto dos moderninhos/hipsters de plantão, que encontraram na “Beyoncé do Pará” uma cantora pop e autêntica. Utilizando do hit Xirley Xarque e os Malacos da TF como música de apresentação, Amarantos prepara para o começo do ano o primeiro registro em estúdio, álbum que conta com a presença de Fernanda Takai, Thalma de Freitas e a direção artística de Carlos Eduardo Miranda.

Veja:

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Homemade Blockbuster
Curitiba, Paraná
http://homemadeblockbuster.tnb.art.br/

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Munidos de guitarras marcadas pelo suingue (pense em um Holgermenos africanizado), um toque leve de dance punk e versos grudentos que se relacionam diretamente com qualquer grupo de indie pop sueco, a banda paranaense Homemade Blockbuster parece o tipo de artista pronto para exportação. Utilizando do clipe de Heartlights como carro chefe, os curitibanos já circularam com destaque em uma série de publicações nacionais, feito mais do que justo em se tratando do competente ritmo alavancado pela banda, que encontra ainda através de faixas como Sweet Boys Sweet Girl e Dance Moves uma musicalidade acessível, porém, não óbvia. Sempre cantando em inglês e promovendo um som que funciona tanto dentro como fora das pistas, a banda deve circular com ainda mais destaque no decorrer do próximo ano.

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Veja:

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Go Spaceship
São Paulo, São Paulo
http://soundcloud.com/gospaceship

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Sabe aquele electro pop pegajoso que os gringos despejam por aqui diariamente? Pois saiba que a dupla Go Spaceship sabe como desenvolver algo do gênero, porém, ainda melhor e original. Protegidos por imensos paredões de sintetizadores, os irmãos Luciano e Ricardo partem em busca do que gente como MSTRKRFT, The Sunshine Underground, SebastiAn e tantos outros desenvolveram ao longo da última década, resultando em um produto comercial que parece destinado para as pistas. Entre excelentes remixes para gente como Yelle e Foster The People, o duo aproveita para desenvolver composições próprias, algo bem explorado em músicas como No More Lies, Reconfigurated e principalmente através do hit Bang Bang, uma dessas composições colossais e capazes de levar uma pista de dança ao extremo.

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Ouça:

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Jaloo
Belém, Pará
http://soundcloud.com/jaloo/

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É possível ressaltar dois tipos de produtores quando o assunto é remixagem. Enquanto uma primeira parcela (a maior) se atém a modificar a composição – seja ela qual for – de forma comercial e aberta ao grande público, a outra metade (a menor) parece se concentrar em deixar sua marca, proporcionando real sentido ao significado da palavra remix. O DJ paraense Jaloo é obviamente fruto desse segundo grupo, afinal, em cada uma de suas (re)criações há sempre uma marca presente, uma sonoridade que transita de maneira despretensiosa entre o electrobrega e o pop. Sempre utilizando dos ritmos locais para ressaltar a música por ele anunciada, o produtor conseguiu transformar figuras como Robyn, Amy Winehose e Rihanna em personagens típicas da música nortista brasileira, acrescentando em cada composição um tipo de especiaria musical que parece conhecida apenas por ele.

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Ouça:

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Medialunas
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
http://tramavirtual.uol.com.br/medialunas/

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De um lado as guitarras duras e sempre intensas de Andrio Maquenzi (ex-Superguidis), esboçando toda a conexão do músico com os primeiros discos do Foo Fighters ou o Sonic Youth pré-Dirty. No lado oposto, as distorções sufocantes e quase inaudíveis de Liege Milk (Loomer e Hangover), explicitando através dos pedais todo um monumental (e intransponível) conjunto de ruídos que ao se encontrar com a sonoridade proposta pelo amado gera a receita exata para o trabalho do Medialunas. Entre acordes marcados pela sujeira e guitarras que se movimentam como serras elétricas, o casal vai de maneira interessante se conectando a todos os sons exaltados ao longo da década de 1990, utilizando das letras sempre adultas de Maquenzi como um mecanismo de atualidade, evitando que a banda se anuncie única e simplesmente como uma mera cópia das guitar bands que explodiram há duas décadas.

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Ouça:

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Tereza
Niterói, Rio de Janeiro
http://www.atereza.com/

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Por mais que as anteriores criações do grupo carioca Tereza já dessem conta de explicar suficientemente todo o poderio da banda, é somente com a chegada de Onça EP, segundo grande registro do quinteto, que temos um material concreto do que o grupo pode fornecer. Fazendo um rock grandioso com letras maduras (e em português), a banda segue a todo custo se desvencilhando das armadilhas que corrompem boa parte dos grupos iniciantes, fazendo das três bem estruturadas canções do disco uma passagem para um som poderoso e nunca convencional. Longe da herança deixada pelo Los Hermanos ou de qualquer grande fenômeno do saturado rock britânico, os cariocas optam de maneira assumida por uma sonoridade e versos que são realmente deles, talvez seja por isso que ao ouvirmos músicas como Siris e Arariboia seja tão difícil não se deixar conduzir pela levada característica do quinteto.

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Veja:

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Tipo Uísque
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
http://www.tipouisque.com/

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Ao que tudo indica 2012 será o ano da consagração para o sexteto carioca Tipo Uísque. Promovendo um indie rock dançante e carregado de sintetizadores multicoloridos (esqueça o Cansei de Ser Sexy), o grupo já tem em sua agenda a presença garantida no festival Lollapalooza, em abril do próximo ano, festival que deve apresentar ao grande público do evento todo o trabalho da banda formada por Pin Boner (vocal), Line (teclados), Larissa Conforto (bateria), Joana Cid (baixo), Gabriel Salazar (guitarra) e Gabriel Ventura (guitarra). Detentores de um bem produzido EP – o dançante Afague, de cinco faixas -, o grupo parece concentrar todos os elementos necessários para passear com destaque pelo cenário alternativo brasileiro, algo que eles justificam tanto com a pegada eletrônica de Factitious como ao fazer uso de um rock repleto de boas guitarras em Eyes For Eyes.

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Veja:

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Some Community
São Paulo, São Paulo
http://www.myspace.com/somecommunity

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Depois de já ter aberto para bandas como The Pains Of Being Pure At Heart e Ariel Pink’s Hunted Graffiti, o quinteto paulistano Some Community deve conquistar ainda mais destaque no próximo ano. Fazendo um rock maduro que se afasta da pegada eletrônica que caracteriza grande parte dos grupos conterrâneos, a banda se orienta em busca de um som mais sério, condensando guitarras impregnadas por uma influência direta do Sonic Youth. No meio desse jogo de distorções límpidas (se é que isso é possível) fluem vocais melódicos e letras nada adolescentes, no meio disso um teclado despojado, garantindo certa dose de suavidade ao projeto e consequentemente uma aproximação maior com o público menos preparado. Divididos entre o pop e conceitual, a banda já parece mais do que preparada para soltar o primeiro disco.

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Veja:

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Subburbia
Curitiba, Paraná
http://soundcloud.com/subburbia

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Com uma apresentação ao vivo digna de superar bandas veteranas, além da música pegajosa que parece feita colar nos ouvidos do espectador, a curitibana Subburbia é a resposta mais acertada aos que procuram por boas somas de guitarras ruidosas e uma unidade pop que se desvencilhe dos excessos do gênero. Atentos ao que rola no cenário gringo norte-americano, o grupo é capaz de promover um noise pop despojado e que carrega nos vocais dicotômicos de Emil e Penny toda a somatória de versos bem planejados da banda. Situados em algum ponto entre a new wave obscura dos anos 80 e as distorções cacofônicas do Sleigh Bells, o grupo vai além (muito além) de um mero seguidor das tendências musicais inauguradas pelo CSS há uma década, promovendo um som que é sim dançante e despojado, mas que mantém na sobriedade entre os elementos o grande ponto de apoio de todo o projeto.

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Veja:

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YouDoMeToo
São Paulo, São Paulo
http://soundcloud.com/youdometoo

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She & Him se encontrando com as esquisitices do Cocorosie, Bright Eyes temperado com muito açúcar, Regina Spektor dissolvida em um universo pueril, assim é o trabalho da dupla paulistana YouDoMeToo. Formada por Nat de Abreu e Luna May, o projeto realça de maneira suave uma música folk cor de rosa que parece promover a trilha sonora exata para uma manhã ensolarada. Mesmo com poucas músicas – todas enquadradas em excelentes clipes –, o casal consegue em poucos segundos transportar o ouvinte para um universo mágico de sensações sempre acolhedoras. Através da voz doce de May (que segue sempre acompanhada de seu fiel parceiro) temas como amor e separação ganham um novo significado, muito mais radiante e encantador.

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Veja:

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The XX: “Open Eyes” (Demo)

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Dentre os diversos lançamentos programados para 2012 – que incluem os novos álbuns do Dirty Projectors, Animal Collective e Grizzly Bear -, um dos projetos mais aguardados para o próximo ano é o segundo trabalho em estúdio do trio britânico The XX. Ainda sem título e nem data oficial de lançamento, o disco tem na versão demo da faixa Open Eyes sua primeira amostra, que por enquanto revela uma banda ainda dotada das mesmas experiências musicais do passado – ou ainda mais minimalista.

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Cat Power: “King Rides By”

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Apresentada originalmente em 1996 através do álbum What Would the Community Think, a nova versão de King Rides By (agora com mais de sete minutos e um clipe) marca a volta de Cat Power ao meio musical. Mesmo com sua agenda de shows seguindo normalmente, desde 2006 quando apresentou o disco The Greatest que a musicista não apresenta nenhum novo disco de inéditas, feito que deve ser rompido com a chegada do próximo álbum da cantora, ainda sem data de lançamento, mas previsto para 2012.

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Os 50 Melhores Discos de 2011

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Da lisergia eletrônica da Chillwave ao embate entre os reis da música contemporânea – Arcade Fire, Kanye West e o abatido LCD Soundsystem -, se em 2010 o ano foi de exaltações e trabalhos promovidos de maneira épica, para 2011 a calmaria foi o que acabou se estabelecendo. A valorização do Lo-Fi, o Dubstep como um ritmo mundialmente conhecido e o experimental se transformando em algo pop foram alguns dos marcos que caracterizaram o cenário musical ao longo do ano, garantindo apontamentos mais do que consistentes de como deve se movimentar a música pelos próximos anos. Passeando por diferentes campos da música é hora de elegermos os melhores discos internacionais do ano, trabalhos que marcaram o panorama musical e que aqui ocupam lugar de destaque.

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[50-41] . [40-31] . [30-21] . [20-11] . [10-01]

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Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2011

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