Filed under TOP #20 Brasil 2010

TOP #20 BRASIL 2010 (05-01)

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#05. Do Amor – Do Amor

Tudo bem, o disco de estreia dos cariocas da Do Amor não apresenta nada que artistas de outras gerações já não tenham feito. Sejam os Novos Baianos nos anos 70, os Paralamas do Sucesso na década de 80 ou os Raimundos pelos anos 90. Todos trafegaram por um mar de influências e colagens de outros estilos. O fato é que há um bom tempo ninguém fazia isso com tanta propriedade e qualidade quanto o quarteto do Rio. Carimbó, ritmos nordestinos, samba, reggae, axé e rock, tudo funcionando como se fosse um único estilo.

O grupo consegue nos fisgar já em sua primeira faixa, a divertida Vem me Dar, em que a levada samba rock vai nos guiando até um solo absurdo de guitarra que poderia estar facilmente em qualquer disco da banda Calypso ou de algum grupo paraense similar. As faixas suingadas e engraçadinhas vão conduzindo o ouvinte até o desfecho do trabalho.  Antes do fim, prepare-se para dançar coladinho ao som de Perdizes, sambar em Morena Russa, enlouquecer com Pepeu Baixou em Mim e arrastar a chinela ao som de Isso é Carimbó. (Resenha)

Brazilian/Alternative/Experimental
http://www.myspace.com/doamor
Ouça: Isso é Carimbó

#04. Tulipa Ruiz – Efêmera

Há tempos que um disco de estreia de alguma cantora não causava tanto rebuliço quanto o de Tulipa Ruiz. Quem acompanhou pelos sites de música, revistas especializadas ou Twitter via pouco a pouco o público e a crítica enlouquecendo em relação à Efêmera. O disco transitou entre os mais diferentes públicos, dos alternativos de plantão aos fanáticos pela MPB, e por onde tocava arrancava suspiros e frases do tipo “lindo”, “maravilhoso” e “perfeito”. De fato o primeiro trabalho da paulistana é tudo isso, se não mais.

O disco vem inspirado visivelmente pela Tropicália, como fica visível por todo o álbum, e de maneira mais latente em canções como a faixa título, Pedrinho(em que a cantora solta de vez seus vocais) e Pontual. Tulipa canta sobre o amor e seus desafetos tendo sempre como plano de fundo a cidade de São Paulo. Delicado e grandioso da primeira à última faixa, o álbum nos emociona com Só sei dançar com você, nos diverte Pontual e faz o ouvinte se declarar com Às vezes.

Brazilian/Indie/Pop
http://www.myspace.com/tuliparuiz
Ouça: Às Vezes

#03. Mombojó – Amigo do Tempo

Não é necessário relembrar a série de acontecimentos ruins que pairaram sobre o Mombojó nos últimos anos. O fato é que todos estes acontecimentos culminaram na criação de Amigo do Tempo, o terceiro e melhor disco do grupo pernambucano até agora. Denso e melancólico da primeira á última faixa o álbum é praticamente o oposto dos trabalhos anteriores do grupo, aqui a sonoridade vem triste, embora na mesma intensidade e força dos discos que o antecedem.

Ao mesmo tempo em que a obscuridade paira sobre o álbum as faixas são esperançosas, como canta Felipe S. já na abertura do trabalho: “Eu pensei em deixar você/Me livrar da dor e crescer”. A sonoridade do grupo também alcança outro patamar, cada um dos músicos consegue tirar o máximo de seus instrumentos produzindo um trabalho que preza pela excelência. O novo álbum do Mombojó demonstra um amadurecimento necessário do grupo. A banda que nos conquistou com suas faixas sempre agitadas e clima “pra cima” agora nos conquista com uma nova faceta tão intensa e marcante quanto a antiga.

Alternative/Indie/Experimental
http://www.myspace.com/mombojo
Ouça: Pa Pa Pa

#02. Holger – Sunga

Sunga une elementos do indie rock de bandas como Pavment, Broken Social Scene, Of Montreal ou I’m From Barcelona e principalmente a sonoridade afrobeat criada pelo nigeriano Fela Kuti e seus Africa ’70, elemento que caracteriza o disco.

Tudo bem que isso não é nada inovador, afinal, artistas como Vampire Weekend ou The Very Best vem explorando com qualidade a temática em seus trabalhos. O que diferencia e dá nova roupagem ao disco do Holger é aquele tradicional suingue brasileiro que nem a mais experiente banda gringa consegue superar. Se micareta fosse coisa de indie, com certeza seria o Holger quem levantaria a galera.

Se quando lançou Green Valley EP o grupo já conseguia animar o ouvinte, agora a banda amplia seus limites e produz um trabalho que esbanja carisma e estimulo, afinal é impossível ouvir Let’em Shine Below, Toothless Turtles ou Beaver (faixa que por sinal caberia com tranquilidade na trilha sonora de O Rei Leão) sem dar aquela batucada, ou contar em coro com a banda. (Resenha)

#01. Marcelo Jeneci – Feito Pra Acabar

Marcelo Jeneci com seu delicado Feito Pra Acabar era o artista que faltava para integrar a safra de novos músicos da MPB. Fortemente inspirados pela Tropicália e a Música Popular Brasileira dos anos 70 Jeneci, Tulipa Ruiz, Cidadão Instigado, Nina Becker, Silvia Machete, Céu e Cérebro Eletrônico são os responsáveis por dar voz à nova geração de músicos que nos presentearam com grandes lançamentos do gênero. Esqueça a “MPB tradicional” que toca nas rádios comerciais ou que é debatida nos “papos cabeça” em conversas de boteco. Dê espaço para que seus ouvidos tenham acesso ao que há de realmente novo na música nacional.

A pluralidade de estilos também é uma das marcas do álbum. Há traços de música sertaneja como em Pra Sonhar, rock em Copo D’Àgua, pop na divertida Café com Leite e Rosas e Tropicalismo em Jardim do Éden. Sobra espaço para que Jeneci explore ao máximo sua voz e a instrumentação do disco.

Com a faixa homônima, “Feito Pra Acabar” se encerra ao som de um épico com mais de sete minutos de duração abrindo espaço para violinos, percussão, pianos e experimentalismos. A prova que a força de Jeneci e da nova geração de músicos que compõem a famigerada Música Popular Brasileira está justamente em ousar e não ficar presa a fórmulas ou tradicionalismos musicais. (Resenha)

Brazilian/Indie Pop/Baroque Pop
http://www.myspace.com/jeneci
Ouça: Copo D’Àgua

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TOP #20 BRASIL 2010 (10-06)

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#10. A Banda de Joseph Tourton – A Banda de Joseph Tourton

Em se tratando de grupos instrumentais o primeiro vislumbre é de uma banda tocando para um público sentado e passional. Ao ouvir o trabalho de estreia d’A Banda de Joseph Tourton o sentimento é completamente outro. Seja pela vontade de pular nas canções mais explosivas do disco (Lembra o que?, 100 metros e Aquaplanagem) ou por se deixar levar pelas músicas mais leves como a faixa de abertura 16 minutos. É definitivamente um disco feito para se ouvir em pé inventando letras imaginárias para as canções instrumentais.

O grupo produz canções que se encaixariam em qualquer álbum de bandas relevantes do rock instrumental como Mogwai ou Tortoise além de agregar elementos da música nordestina, dando ao post-rock produzido pela banda uma nova roupagem e um aspecto muito mais regional e atrativo. Em geral, as canções começam tranquilas e passam a crescer no decorrer de sua execução, faixas como 100 metros são o melhor exemplo disso, iniciando numa leva de guitarras, bateria e trompete até chegar a uma finalização apoteótica. (Resenha)

Post-Rock/Experimental/Alternative Rock
http://www.myspace.com/josephtourton
Ouça: 100 metros

#09. Sabonetes – Sabonetes

Pop, não há melhor definição para o disco de estreia dos curitibanos do Sabonetes. São 11 canções embaladas por guitarras indie rock no melhor espírito Franz Ferdinand, Bloc Party e The Killers. Contudo, antes de qualquer referência é um álbum comercial, melódico, repleto de faixas pegajosas e que caberiam facilmente na programação de qualquer rádio popular. Os Sabonetes sabem tratar de sentimentos universais com facilidade transitando entre o público alternativo e popular com experiência de uma banda antiga.

As faixas Descontrolada, Quando ela tira o vestido e Hora de Partir já eram conhecidas do público em vista de seu lançamento no Descontrolada EP, lançado em 2008, onde a banda mostrava uma evolução em relação às canções lançadas anteriormente em sua página no MySpace. O álbum segue embalado por canções em ritmo animado, embora boa parte das letras venha carregada de melancolismo. O grupo consegue gerar um disco comercial muito acima do que é tocado na música pop brasileira, a única questão é: como eles ainda não estouraram?

Indie Rock/Alternative/Indie
http://www.myspace.com/sabonetes
Ouça: Quando ela tira o vestido

#08. Superguidis – Superguidis

Quando os Superguidis lançaram seu segundo disco de estúdio em 2008, muita gente reclamou do amadurecimento excessivamente rápido do grupo. As faixas engraçadinhas do álbum de estreia deram lugar a uma musicalidade séria focada em guitarras distorcidas e em uma instrumentação inspirada no rock alternativo dos anos 90. O homônimo terceiro disco dos gaúchos – ou como a banda prefere chamar: o disco dos três triângulos – vem tomado pelas guitarras possantes que se intensificaram no trabalho anterior, contudo muito mais melódicas e acessíveis.

Não se deixe enganar por Roger Waters, a faixa que abre o disco. Os pianos, o arranjo de cordas e instrumentação acústica servem apenas como introdução para a barulheira que vem a seguir. Superguidis vem repleto de canções distorcidas, riffs sujos de guitarra, além da poesia de Andrio Maquenzi como fica visível nas belíssimas Não fosse o bom humor, Visão além do alcance, As camisetas e Casablanca. O terceiro disco dos gaúchos vem apenas para comprovar que eles estão no rumo certo, maduros demais ou não, a banda sabe fazer um disco de rock como poucos.

Alternative Rock/Indie/Rock
http://www.myspace.com/superguidis
Ouça: As Camisetas

#07. Apanhador Só – Apanhador Só

Quase quatro anos se passaram desde que o grupo carioca Los Hermanos entrou em “hiato por tempo indeterminado”, gostem ou não da banda é inegável a quantidade de grupos que ainda hoje surgem inspirados pela sonoridade de Amarante, Camelo, Barba e Medina. Os gaúchos do Apanhador Só são apenas uma amostra da influência do quarteto carioca, porém limitá-los a somente isso é um erro. Em seu primeiro trabalho de estúdio o também quarteto se mune de letras criativas e instrumentação elaborada para gerar um trabalho primoroso.

O Rei, o Zé, Maria Augusta, Jesus, o pedreiro e o Coveiro, todo mundo se encontra nas canções do grupo. A instrumentação básica formada por duas guitarras, um baixo e uma bateria aos poucos vão agregando novos elementos. Sejam eles um conjunto de instrumentos de sopro ou delicados ruídos, logo a sonoridade simples da banda vai ganhando novos contornos, nos atraindo pelos seus detalhes. As canções prendem à primeira audição, lentamente obrigando o ouvinte a cantar em coro faixas como Prédio, Maria Augusta, Bem-me-leve e a empolgante Vila do Meio-dia.

Indie/Alternative/Indie Pop
http://www.myspace.com/apanhador
Ouça: Vila do Meio-Dia

#06. Garotas Suecas – Escaldante Banda

Queridinhos da crítica nacional e contando até com o reconhecimento do público estrangeiro (a banda já fez uma série de shows pelos Estados Unidos e lança o disco por um selo estrangeiro)  o Garotas Suecas só reforça a que veio com seu divertido álbum de estreia Escaldante Banda.

O disco de dez faixas passeia pelo período da Jovem Guarda, invocando os medalhões Roberto e Erasmo Carlos, Vanderléa e Ronnie Von. É possível perceber alguns toques de Soul Music no melhor estilo Tim Maia como nas faixas Ninguém Mandou ou Tudo Bem. Os teclados explorando a sonoridade surf music e os vocais melódicos remetem muito a Beach Boys. Mas acima de tudo, o batuque e a gingada só reforçam a temática brasileira explorada pelo grupo (talvez o motivo de chamar tanto a atenção dos gringos).

Diferente da invasão de bandas que anualmente surgem se dizendo inspirados pela Jovem Guarda e o rock brasileiro dos anos 60 e 70, o Garotas Suecas sabe explorar com maestria tal sonoridade em suas músicas. As letras divertidas remetem a declarações de amor como na faixa Ela (Ela me pediu para lhe dizer o quanto eu gosto dela/ E daquela dor que causa a solidão), términos de relacionamento em Banho de Bucha (Foi banho de bucha pra te enxaguar/Foi Banho de Bucha pra te deixar pra lá) ou desabafos (Pensei ter visto você usando uma coroa/ Mas deixa eu te contar: você não é tudo isso meu bem). (Resenha)

Garage Rock/Funk/Alternative
http://www.myspace.com/garotassuecas
Ouça: Ela

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TOP #20 BRASIL 2010 (15-11)

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#15. Nina Becker – Azul/Vermelho

Se uma palavra pudesse definir o som que a cantora Nina Becker expressa em seus dois discos de estreia “Azul” e “Vermelho” com certeza seria “delicadeza”.  Estranho é rotular o trabalho da cantora como “MPB”, fica parecendo uma definição tão arcaica tamanha a qualidade das canções exploradas em seus discos.

Enquanto “Vermelho” apresenta ao ouvinte algumas canções já conhecidas da cantora como De um amor em paz, do disco da Orquestra Imperial, além de uma versão para Lágrimas Negras, composição de Nelson Jacobina e Jorge Mautner, “Azul” é onde Becker aflora seus ineditismos. O tom melancólico é a principal característica de todas as faixas do disco. Os instrumentos são visivelmente apenas plano de fundo, dando espaço para que a suave voz da cantora possa brilhar. (Resenha)

Female Vocalists/Pop/Alternative
http://www.myspace.com/ninabecker
Ouça: Toc Toc

#14. Thiago Pethit – Berlin, Texas

Vindo de uma série de EPs e faixas soltas pela web o primeiro disco de estúdio do paulistano Thiago Pethit é uma ode à melancolia. Se instrumentalmente o álbum é singelo e se rodeia de instrumentação acústica e quase minimalista, as letras e composições de Pethit dão grandiosidade ao disco. As faixas são rodeadas do mais sincero sentimentalismo que se desenvolvem a partir da voz solitária do músico ou da curta participação com Hélio Flanders (Vanguart) em Forasteiro.

Além da aura folk no melhor estilo Bright Eyes ou Elliott Smith, Berlin, Texas vem repleto de elementos que remetem à sonoridade dos cabarés, como fica visível em Voix de Ville cantanda inteiramente em francês. O álbum vem repleto de canções já conhecidas do público, como Fuga Nº1 e Birdhouse, porém é no ineditismo de Mapa-Múndi, Não se Vá e outras faixas que o músico conquista seu ouvinte.

Indie/Folk/Singer-Songwriter
http://www.myspace.com/lepethitprince
Ouça: Não se Vá

#13. Cérebro Eletrônico – Deus e o Diabo no Liquidificador

Se com Pareço Moderno de 2008 o Cérebro Eletrônico se mostrava uma das bandas mais promissoras do cenário independente nacional, Deus e o Diabo no Liquidificador seu mais recente trabalho só eleva ainda mais o status e sua relevância dentro do rock brasileiro. Quando Tatá Aeroplano canta “Perdi a decência/ Ontem eu/ perdi a Noção” na faixa que abre o disco ele apresenta o sentimento e a postura que se deve ter ao ouvir o novo trabalho do grupo. Deixe sua cabeça, sua compostura e tudo para lá, afinal, para ouvir o novo álbum do grupo é preciso deixar sua mente viajar.

Viagens lisérgicas e afirmações sobre as drogas (principalmente a maconha) estão presentes em todo o trabalho, a banda, porém, consegue explorar tais temas de maneira divertida, sem que para isso precise cair nos clichês de outros artistas que se aprofundam na temática. “O Fabuloso destino do Chapeleiro Louco” é a faixa que melhor traduz tais “viagens” abrindo com “Ontem eu fumei um baseado/estava tão sozinho e tão tranquilo” somado a distorções e efeitos de guitarra que crescem e diminuem durante toda a faixa. (Resenha)

Psychedelic/Alternative/Experimental
http://www.myspace.com/cerebroeletronico
Ouça: Cama

#12. Inverness – Somewhere I Can Hear My Heart Beating

Imerso em texturas suaves de guitarras, teclados, efeitos e sons ambientes o disco fica marcado pela sutileza de tais elementos que se encaixam quase que perfeitamente nas dez faixas que compõem o trabalho. As influências da banda são claras: O experimentalismo pop do Animal Collective, os paredões de guitarras e distorções do My Bloody Valentine, Galaxie 500 e Slowdive além de uma aura de Radiohead no disco Kid A.

Menos urbano que o trabalho anterior, o também excelente Forest Fortress lançado em 2009, o novo disco da banda segue em cima de uma aura muito mais bucólica e orgânica, seja pela inserção de flautas ou pelo extenso uso de violões em boa parte das músicas. As guitarras, porém não são deixadas de lado, fato que pode ser exemplificado pelas faixas Room in Twilight (que parece ter saído de alguma banda de shoegaze rock dos anos 90) ou Life’s Echoes. (Resenha)

Experimental/Psychedelic/Shoegaze
http://www.myspace.com/invernessbrasil
Ouça: Room In Twilight

#11. Lestics – Aos Abutres

“Mordida de urso dói/ fumar dinamite dói/ brincar bem bonzinho não dói/ mas também não tem graça” assim canta Olavo Rocha em “Dorme Que Passa” terceira faixa do novo e primoroso disco do Lestics. O trabalho iniciado pelos paulistanos Umberto Sarpieri e Olavo Rocha chega ao seu quarto volume unindo com destreza folk, country, rock alternativo e por que não música pop.

Bem mais acessível e menos melancólico que o trabalhos anteriores (a banda já lançou “9 Sonhos” e “Les Tics” em 2007 e “Hoje” em 2009) “Aos Abutres” conta com canções pegajosas que tocariam facilmente em qualquer rádio. As letras são visivelmente o elemento mais marcante do disco, trabalhadas de maneira sincera e explorando desde temas existencialistas como em “Dois de Paus” (Entrou na vida tropeçando/ No cordão umbilical/ E vai seguir desgovernado/ Até a queda no final), nostalgia em “Tudo é memória” ou mesmo exaltações amorosas como na faixa de abertura “Travessia”.

Lestics é uma das poucas bandas que conseguem aplicar palavras como catapultado, aneurisma, câncer de pulmão ou cordão umbilical sem que com isso soem estranhos ou pretensiosos. (Resenha)

Indie/Folk/Alternative
http://www.myspace.com/lestics
Ouça: Dorme que Passa


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TOP #20 BRASIL 2010 (20-16)

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#20. Twinpine (s) – Niagra Falls

Ouvir ao primeiro disco de estúdio da paulistana Twinpine(s) é como fazer uma viagem aos anos 90. O som de Niagra Falls vem inspirado pelo rock alternativo de bandas como Cap’N Jazz, Mineral (principalmente do álbum The Power of Failing) e Sunny Day Real Estate, todos integrantes da cena emo noventista. Caso desconheça tais bandas, não imagine o emocore que se popularizou no início dos anos 2000 por meio de bandas como Simple Plan ou My Chemical Romance.

O Twinpine(s) aposta em guitarras sérias e melódicas além de letras e de uma sonoridade melancólica. A ausência de baixo no disco cria um constante duelo entre as guitarras tornando o som da banda sujo em diversos momentos. Mesmo cantado em inglês o álbum é acessível e de fácil absorção.
Alternative Rock/Indie/Post-Hardcore
http://www.myspace.com/twinpinesmusic
Ouça: Soda Springs

#19. Emicida – Emicídio

Na sequência de Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Por Comida, Até Que Cheguei Longe (2009), Leandro Roque de Oliveira o Emicida nos entrega sua segunda mixtape: Emicídio. As rimas intensas do trabalho anterior aqui se fazem presentes, sempre acompanhado de boas batidas e samplers certeiros. O disco conta ainda com a participação de outros rappers como Kamau e Rael da Rima em De onde cê vem e Beira de Piscina respectivamente.

Emicídio é a comprovação do rapper como um dos grandes representantes da cena hip-hip brasileira. Em um ano em que integrou a trilha sonora do filme Besouro, além de lançar o virtuoso EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também, Emicida mostra que aos poucos vai ocupando seu espaço não só no Rap, mas na musica nacional como um todo. Os versos de Beira de Piscina “Quando puder não hesite em pedir suíte presidencial/ Tua essência ninguém poda/ Aí, depois que se acostuma com a primeira classe é foda” apenas demonstram que o rapper está por cima, e Emicida merece o lugar que alcançou.

Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.myspace.com/emicida
Ouça: Rinha (Já Ouviu Falar?)

#18. Walverdes – Breakdance

Agora sim, Walverdes é uma das bandas mais injustiçadas do nosso país melhores bandas do nosso país. Como boa parte dos grupos independentes que surgiram na década de 1990 (Pelvs, Astromato, Wry e Pin Ups) a banda sempre circulou dentro do meio underground ou de um público ainda mais seleto, mesmo assim, foi o suficiente para influenciarem uma gama de bandas (principalmente gaúchas) e atrair os olhares da crítica.

A “fórmula” do grupo é bem simples: guitarras sujas em referências que vão de Black Sabbath à Nirvana, letras fáceis, o vocal agressivo de Gustavo “Mini” Bittencourt e uma bateria e baixo explosivos. A soma de todos estes fatores culmina em uma cacetada sonora única, que é a marca registrada da banda. Com Breakdance (2010) o grupo lança mais um bom disco repleto de barulheiras e faixas impactantes. (Resenha)

Alternative Rock/Power Pop/Rock
http://www.myspace.com/walverdes
Ouça: Spray

#17. Guizado – Calavera

Superar o brilhantismo de Punx, o primeiro disco do trompetista Guilherme Mendonça através do projeto Guizado é uma tarefa complicada mesmo para seu gestor. Para o segundo disco o músico se rodeou de amigos como Curumin, Karina Buhr, Céu, Régis Damasceno e Rian Baptista (ambos do Cidadão Instigado), além de soltar a voz em boa parte das faixas que compõem Calavera.

O clima jazzístico e experimental do álbum anterior ainda se faz presente, contudo esse segundo disco pende muito mais para o rock. O uso aprofundado de guitarras e bateria além dos tradicionais solos de trompete mostra um Guizado menos intimista e muito mais direto em sua sonoridade. Programações eletrônicas e o uso de efeitos digitais contribuem ainda mais para o desenvolvimento da musicalidade climática e urbana do disco.

Jazz/Experimental/Instrumental
http://www.myspace.com/guizado
Ouça: A Emanação Dos Sonhos

#16. Maquinado – Mundialmente Anônimo: O Magnético Sangramento da Existência

Em seu segundo disco solo o também guitarrista da Nação Zumbi, Lúcio Maia a.k.a. Maquinado nos entrega um disco imerso em suas tradicionais guitarras repleto de efeitos eletrônicos e psicodelia. Comparado ao trabalho anterior – O Homem Binário (2007) – Mundialmente Anônimo se mostra muito mais orgânico dando espaço ao músico se afunde em experimentalismos.

O álbum conta com duas releituras no melhor estilo Maquinado. A primeira você recebe logo de cara com a faixa Zumbi de Jorge Bem Jor. A outra é Super Homem Plus, dos conterrâneos do Mundo Livre S/A repleta de ruídos e efeitos fazendo com que a faixa pareça fruto original de Maia. O músico chama ainda Lurdez da Luz (Mamelo Sound System) para emprestar os vocais na suingada Tropeços Tropicais, um dos melhores momentos do álbum. O acerto também está nas faixas em que o músico solta sua voz como Pode Dormir e Bem Vinda ao Inferno. Um disco intenso e dançante no melhor estilo Lúcio Maia.

Psychedelic/Experimental/Alternative
http://www.myspace.com/maquinado
Ouça: Tropeços Tropicais

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TOP #20 BRAZIL 2010

Reformulações na Música Popular Brasileira, apego aos ritmos regionais, novo rock e inovação, muita inovação no cenário independente nacional. O ano de 2010 nos presenteou com uma série de novidades, sejam elas expressas através de novos grupos ou feitas pelas mãos de artistas e músicos já conhecidos do nosso meio cultural. É hora de ver o que há de melhor na música nacional deste ano através do TOP #20 BRASIL 2010.

 

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