Filed under Os 50 melhores discos de 2011

Os 50 Melhores Discos de 2011

.

Da lisergia eletrônica da Chillwave ao embate entre os reis da música contemporânea – Arcade Fire, Kanye West e o abatido LCD Soundsystem -, se em 2010 o ano foi de exaltações e trabalhos promovidos de maneira épica, para 2011 a calmaria foi o que acabou se estabelecendo. A valorização do Lo-Fi, o Dubstep como um ritmo mundialmente conhecido e o experimental se transformando em algo pop foram alguns dos marcos que caracterizaram o cenário musical ao longo do ano, garantindo apontamentos mais do que consistentes de como deve se movimentar a música pelos próximos anos. Passeando por diferentes campos da música é hora de elegermos os melhores discos internacionais do ano, trabalhos que marcaram o panorama musical e que aqui ocupam lugar de destaque.

.

[50-41] . [40-31] . [30-21] . [20-11] . [10-01]

___________________________________________________

Os 50 Melhores Discos Nacionais de 2011

Os 15 Melhores EPs de 2011

Os 50 melhores clipes de 2011

25 grandes estreias de 2011

Lista dos Leitores

Etiquetado , ,

Os 50 Melhores Discos de 2011 (10-01)

__________________________________________________________________________________________

.

#10. Wild Beasts
Smother (Domino)

.

O que esperar de uma banda que já havia dado tudo de si, parecendo incapaz de superar suas próprias criações? Ora, espere por um próximo disco. Quem já estava satisfeito quando em 2009 o Wild Beasts apresentou Two Dancers provavelmente deve ter se surpreendido com a mais nova evolução da banda assim que Smother foi apresentado, em maio deste ano. Sustentado por uma sonoridade muito mais voltada para a música eletrônica, o registro reverbera novas experiências, com o grupo abandonando as predisposições aos espetáculos de Vaudeville e se concentrando em todo um novo grupo de referências. O minimalismo sombrio vem diretamente da obra do compositor Steve Reich, que aliado aos experimentos do Fuck Buttons faz com que o álbum acabe recebendo um toque de inovação e originalidade. Nos versos de Hayden Thorpe (sempre marcados por um lirismo existencialista) a literatura ganha formas, com o compositor se apoiando na obra da brasileira Clarice Lispector, nos textos de Mary Shelley e todo um panteão de autores britânicos, transformando Smother em um trabalho sério, enquanto utiliza da instrumentação cerebral da obra como uma espécie de mecanismo hipnótico que lentamente absorve o ouvinte. (Resenha)

.

#09. The Rapture
In The Grace Of Your Love (DFA)

.

Embora o The Rapture tenha demorado cinco anos para sair do longo recesso implantado ao final da turnê de Pieces Of The People We Love, o tempo necessário para que o grupo nova-iorquino retornasse com um trabalho de peso similar ao clássico Echoes de 2003 foi muito maior. De fato, desde o lançamento do elogiado registro – provavelmente uma das maiores obras da década passada – que a banda (hoje um trio) não fora capaz de desenvolver um trabalho tão marcante quanto o que é proposto agora com o adulto In The Grace Of Your Love. Intensamente conectado com a cena house do começo dos anos 90 e ainda assim relacionado com o dance punk que caracterizou toda a estreia da banda, o álbum aproxima a tríade nova-iorquina de um resultado que beira a perfeição, algo evidente tanto nos versos pulsantes de Sail Away, faixa de abertura do álbum, como na calmaria que encerra o disco ao som de It Takes Time To Be A Man. Permeado por constantes hits – entre eles Children, Never Die Again e a própria faixa título – o destaque acaba ficando nas mãos de How Deep Is Your Love, uma das melhores canções do ano e grande síntese de tudo que é o presente trabalho: um misto de sintetizadores alucinados, batidas ascendentes, saxofones e refrões marcados pela facilidade, sobrando até para que algumas palmas e gritos de aleluia ecoem pelo meio. (Resenha)

.

#08. The Weeknd
House Of Balloons (Independente)

.

Contra todas e quaisquer convenções que pudessem classificar o R&B como uma fórmula datada e pensada exclusivamente para as massas, um desconhecido Abel Tesfaye surgiu em meados de março não apenas com um belo tratado sobre o gênero, mas uma das grandes obras musicais do ano. Nada de letras embriagadas por um romantismo tosco e irrelevante. Nada do ritmo enfadonho ou fórmulas instrumentais que há anos se apoderam do estilo. Na mente do produtor canadense que se apresenta sob o nome de The Weekend tudo é sujo, sombrio e sexualmente provocador. A cada instante dentro de House of Balloons somos mergulhados em um ambiente cada vez mais sufocante, samples melancólicos e um estranho toque de erotismo, como se mesmo em meio a versos carregados de pessimismo e abusos com drogas, Tesfaye ainda assim fosse capaz de encontrar a zona erógena de cada ouvinte, seduzindo e se aproveitando do espectador sem grandes esforços. (Resenha)

.

#07. Fleet Foxes
Helplessness Blues (Sub Pop)

.

Quem talvez duvidasse da genialidade de Robin Pecknold provavelmente acabou surpreso quando os acordes finais de Helplessness Blues acabaram chegando ao fim logo após uma primeira audição do mais novo álbum do Fleet Foxes. Assim como no épico tratado de 2008, o músico norte-americano e os parceiros que o acompanham conseguiram mais uma vez gerar outra formidável obra, um registro em que harmonias de vocais, uma instrumentação sublime e toda uma soma de versos geram algo inteiramente honesto e quase bucólico. Mais do que uma continuação (melhorada) das anteriores experiências musicais da banda, com o segundo álbum Pecknold aponta uma série de prováveis experimentos e novas possibilidades para o trabalho com o FF, algo visível no toque quase freak folk de The Shrine/An Argument (que ainda puxa o grupo para um ambiente próximo da música progressiva) ou mesmo na própria faixa título, que acaba aproximando o grupo do cancioneiro folk norte-americano. Independente das direções, a banda segue coberta de beleza e um primor instrumental poucas vezes observável. (Resenha)

.

#06. Fucked Up
David Comes To Life (Matador)

.

Se para você o título de ópera rock pode parecer algo assustador mediante a quantidade vergonhosa de lançamentos que fervilharam ao longo da última década – entre eles o péssimo America Idiot do Green Day, o constrangedor The Black Parade do My Chemical Romance ou mesmo o fraco The Hazards of Love do The Decemberists -, então é bem provável que David Comes To Life acabe mudando essa perspectiva. Terceiro álbum da banda canadense Fucked Up, o trabalho dividido em quatro atos acaba garantindo renovadas possibilidades ao famigerado rótulo, transformando o que seria uma simples história de amor em um dos discos mais conceituais e surpreendentes do ano. Centralizado no romance (sem final feliz) entre David Eliade e Veronica Boisson, o álbum transparece toda a maturidade do grupo canadense, que tem nos versos do líder Damian Abraham (ou Father Damian para os íntimos) e nas guitarras de Mike Haliechuk uma enorme evolução quando voltamos os olhos para The Chemistry of Common Life, segundo registro da banda lançado em 2008. Melódico, gritado e capaz de surpreender o espectador até os últimos segundos, o álbum é um caminho fácil aos que nunca desbravaram esse tipo de som, sejam as guitarras firmes e aceleradas do hardcore ou as fundamentações de qualquer ópera rock. (Resenha)

 . Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Os 50 Melhores Discos de 2011

_____________________________________________________________________________________________

.

#20. Nicolas Jaar
Space Is Only Noise (Circous Company)

.

Assim como parte das grandes estreias de 2011, o debute de Nicolas Jaar surgiu sem qualquer aviso prévio. Diferente de outras bandas que lançam uma espécie de prévia no ano antes, o jovem de 21 anos pareceu ter surgido no exato momento em que Space Is Only Noise foi lançado em 31 de janeiro deste ano, mesmo que alguns EPs e singles já circulassem com relativo destaque nas mãos de um público totalmente específico. Talvez por isso, por conta desse caráter de ineditismo e espera do desconhecido que ouvir o primeiro álbum do produtor nova-iorquino seja uma experiência incrivelmente deleitosa, estranha e rara. Em poucos minutos Jaar arrasta suavemente o espectador para um mundo de sensações marcadas pela delicadeza e um quase misticismo. Cada ruído, piano ou batida que se concentra no interior da obra invade imediatamente os ouvidos do espectador, transformando o caráter inédito do disco imediatamente. É quase possível imaginar que o músico sabe exatamente o que queremos ouvir. No fim das contas, talvez ele até saiba. (Resenha)

 .

#19. The Pains Of Being Pure At Heart
Belong (Slumberland)

.

Em um ano em que a música propagada na década de 1990 voltou à tona, saiu-se bem aquele que começou primeiro. Seguindo os mesmos passos iniciados no trabalho de 2009, os nova-iorquinos do The Pains Of Being Pure At Heart transformam o segundo registro em estúdio em uma continuação suja dos ensinamentos ministrados há dois anos, ensinamentos estes vindos de duas décadas atrás, quando My Bloody Valentine e tantos outros reforçaram o uso de guitarras marcadas por efeitos e distorções, algo que o jovem quinteto soube ministrar com total propriedade nos quase 40 minutos do recente álbum. Sujo, melódico e repleto de refrões grudentos, Belong é um delírio jovial que qualquer fanático por rock alternativo deveria conhecer. Da abertura colossal da faixa título, passando pelo romantismo doloroso de Heart in you Heartbreak e a melancolia sublime de The Body, todo se ordena em um estágio próximo da perfeição. Abram os olhos (e os ouvidos): o futuro é sujo e distorcido, e este álbum representa exatamente isso. (Resenha)

.

#18. Panda Bear
Tomboy (Paw Tracks)

.

A tarefa ingrata de superar o insuperável fez com que a mente de Noah Lennox alcançasse outro nível sob o nome de Panda Bear. Longe dos samples orgânicos que garantiram vida ao surpreendente Person Pitch de 2007, Lennox acaba cercado por um caráter muito mais criacionista, transformando as colagens de sonos e sobreposições constantes que caracterizam Tomboy em uma sequência de criações próprias e inimitáveis. Se por um lado o trabalho parece mais hermético em relação ao vasto disco anterior, por outro lado o registro abriu todo um novo mundo de possibilidades, aproximando o registro das conexões com o Animal Collective, ao mesmo tempo em que o músico opta por um universo de cores cinzas e sensações sombrias. Dentre desse ambiente distinto, Noah conseguiu captar as melhores experiências, algo facilmente identificável quando observamos Surfer’s Hymn (uma das melhores faixas do ano), Benfica e Last Night At The Jetty, canções que reforçam as velhas experiências do músico ao mesmo tempo em que entregam um artista renovado, quase inexistente até certo tempo. Panda Bear ainda é um gênio e no terreno em que caminha, dificilmente superável. (Resenha)

.


#17. The Antlers
Burst Apart (Frenchkiss)

.

Da melancolia incontrolável de Hospice para a aceitação espiritual e musical de Burst Apart, este foi o caminho percorrido por Peter Silberman e os parceiros do The Antlers ao longo dos últimos dois anos. Cada vez mais distante da loucura musicada e amargurada de 2009, o músico e os dois colegas de banda partem em busca de renovação, tanto na maneira como os novos versos são propostos como (sobretudo) a maneira como a sonoridade é conduzida ao longo do trabalho. Se antes Silberman ia da calmaria à loucura em questão de segundos, fazendo nascer um dos registros mais amargos e dolorosos da última década, hoje o artista parte em busca de sobriedade, talvez por isso a linguagem buscada dentro do presente disco foque menos no exterior do músico e mais no interior tenebroso que ele carrega, desenvolvendo um projeto que mesmo centrado em sua figura parece dialogar com os seres internos de cada ouvinte, como se as melancolias, pesadelos e medos do nova-iorquino fossem as mesmas de todos que o cercam. (Resenha)

.

#16. Atlas Sound
Parallax (4AD)

.

Bradford Cox se posicionando como um crooner de algum clube de jazz, essa é a primeira percepção de Parallax, um trabalho que para além das ironias planejadas de seu idealizador acaba revelando um pouco mais daquele que é um dos maiores gênios da música contemporânea. Mesmo distante da psicodelia shoegaze do Deerhunter (banda do qual é vocalista e o principal compositor), Cox não abandona o apelo ao uso de sons sujos e ruidosos que parecem funcionar como uma chave para a mente distorcida do músico, que mais uma vez nos surpreende com um material tão rico quanto anteriores projetos por ele elaborados. Nada caseiro – talvez um dos erros dos anteriores trabalhos lançados através do Atlas Sound -, Parallax revela um artista maduro, contando com uma produção competente e fazendo disso um mecanismo para o desenvolvimento do eficiente trabalho. Seja falando de amor ou nos conduzindo em meio ao ambiente inóspito que escapa de sua cabeça, Bradford apenas evidencia o fato de que não é mais um simples personagem do cenário alternativo, mas um dos gigantes do mundo da música. (Resenha)

. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Os 50 Melhores Discos de 2011 (30-21)

_____________________________________________________________________________________________

.

#30. Frank Ocean
Nostalgia, Ultra (Independente)

.

Enquanto todos os olhares voltados ao coletivo OFWGKTA pareciam focar na imagem do líder Tyler, The Creator, eis que surge o discreto Frank Ocean e acaba roubando para si todas as atenções. Longe das esquizofrenias que os demais parceiros do grupo parecem evidenciar e se aventurando de maneira consciente pelos campos do R&B, o rapper de 24 anos mostra ao longo de 42 minutos todos os motivos de ser uma das figuras mais comentadas do hip-hop contemporâneo. Assumidamente romântico e detentor de uma série de hits essencialmente radiofônicos – difícil desvencilhar da acessibilidade de Novacane e Strawberry Swing -, o californiano abre as portas para um dos trabalhos mais bem sucedidos do ano. Sampleando Coldplay, Radiohead e MGMT, Ocean vai aos poucos destilando todas suas dores, entregando o coração às mulheres e até discutindo o sagrado matrimônio enquanto Hotel California (dos Eagles) ecoa ao fundo. (Resenha)

.

#29. Julianna Barwick
The Magic Place (Asthmatic Kitty)

.

O que é necessário para o desenvolvimento de um bom trabalho? Solos de guitarras flamejantes, letras exploradas de maneira épica em que o lirismo é a chave para todo o registro, ou quem sabe apenas simplicidade. No caso da norte-americana Julianna Barwick foram necessários apenas voz e efeitos para que a musicista pudesse concretizar sua primeira grande obra. Com apenas estes dois elementos a nova-iorquina conseguiu criar todo um mundo de novas referências musicais, um trabalho que está além, muito além de um mero tratado de exaltações etéreas e como o próprio título aponta parece revelar um lugar mágico e talvez além da nossa própria realidade. Místico, religioso, experimental ou estranho, não importam as denominações que você tente apontar ao álbum, entre sobreposições de vozes e ruídos de uma música drone angelical, Barwick acaba reproduzindo um resultado onde a beleza se confunde com o excêntrico, reproduzindo assim um tratado da mais pura comoção. É a música New Age para os hipsters. (Resenha)

.

#28. Peaking Lights
936 (Not Not Fun)

.

Um disco para ser apreciado (ou tragado) do princípio ao fim sem interrupções. Assim é o lisérgico álbum de estreia do casal Indra Dunis e Aaron Coyes de Peaking Lights. Embalados por uma nostalgia semi-hippie que transpassa os campos da música psicodélica, dub e algumas pitadas de drone, o duo atravessa décadas e transpassa distintos terrenos musicais em busca de uma musicalidade acolhedora e quase bucólica em alguns momentos. Lo-Fi por questões técnicas (e não por uma escolha da dupla), o disco apresenta desde faixas mais curtas e amarradas em uma doce estrutura melancólica (Hey Sparrow) até canções mais extensas que de forma ou outra acabam aproximando a dupla de uma sonoridade mais eletrônica e variada (Marshmellow Yellow), transformando 936 em um dos trabalhos mais doces e completos que o ano de 2011 pode proporcionar. Deixe a correria do mundo para lá e sejam bem vindos ao espaço acolhedor que Dunis e Coyes prepararam para você. (Resenha)

.

 

#27. Neon Indian
Era Extraña (Static Tongue)

.

Alan Palomo sabia que não poderia retornar com o sucessor de Psychic Chasms plagiando as mesmas referências musicais de 2009, quando solitário cruzou programações lo-fi com colagens de sons veranis, fazendo nascer um dos melhores álbuns daquele ano. Resolvendo arriscar, o músico abandonou o lado essencialmente sintético de outrora para promover um trabalho em que surge acompanhado por uma banda, deixando o caráter eletrônico para revelar um rock lo-fi sujo e tão (ou mais) inventivo quanto em sua estreia. Visivelmente melancólico, o texano segue revelando uma série de composições em que reparte em pedaços ainda menores as dores latentes que o acompanham, fazendo nascer faixas como Hex Girlfriend, Polish Girl, Halogen (I Could Be A Shadow) e principalmente a sombria e amargurada Fallout. Houve quem não entendeu a mudança do artista, estes estão deixando de lado uma das maiores obras musicais do ano. (Resenha)

.

 

#26. Balam Acab
Wander / Wonder (Tri Angle Records)

.

Fisicamente Alec Koone é uma figura de baixa estatura e que transparece toda a timidez que carrega em apenas um olhar. Curioso observar que para Wander / Wonder, primeiro álbum do garoto sob a alcunha de Balam Acab acabamos nos deparando com uma situação completamente oposta ao aspecto físico do produtor. Mesmo imerso em um conjunto de fórmulas minimalistas e sobreposições de ruídos explorados de maneira quase silenciosa, o universo que parece se movimentar ao longo do disco acaba alcançando proporções inimagináveis. Desenvolvido de maneira minuciosa, o álbum se revela como uma espécie de passeio em um ambiente paralelo ao nosso, um tipo de panorama úmido, obscuro, mas ainda assim acolhedor – talvez reflexo das próprias sensações de Koone. Dividido entre a ambient music, incursões pela Witch House e até dubstep, o álbum se destaca por se afastar de quaisquer fórmulas óbvias, se revelando como um álbum vivo, que respira e se movimenta por si próprio. (Resenha)

. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Os 50 Melhores Discos de 2011 (40-31)

_____________________________________________________________________________________________

.

#40. The Field
Looping State Of Mind (Kompakt)

.

Se a falta de crença foi o que se estabeleceu ao término de Yesterday and Today, com Looping State Of Mind o sueco The Field (Axel Willner) conseguiu não apenas aumentar nossas expectativas como promover mais um achado do Minimal Techno contemporâneo. Afastado das redundâncias que prejudicaram sua obra em 2009, o produtor concentra ao longo de uma hora todas as brilhantes experiências musicais que lhe garantiram destaque com o poderoso From Here We Go To Sublime de 2007, trabalho que ao lado do brasileiro Gui Boratto e a obra Chromophobia garantiram amplo destaque ao gênero dentro da música eletrônica atual. Entre loopings repetidos à exaustão e batidas presas a um compasso denso, Willner segue de maneira suave nos hipnotizando com um magnânimo jogo de projeções musicais assertivas, algo que se observa tanto na abertura pulsante de Is This Power como no fechamento “brando” de Sweet Slow Baby. (Resenha)

.

#39. Sepalcure
Sepalcure (Hotflush)

.

Com a extensa popularização do dubstep ao redor do globo e a necessidade de englobar cada vez mais novas referências e possibilidades ao gênero, o que garante sustento e um resultado mais do que satisfatório ao primeiro disco da dupla Sepalcure é justamente o contrário disso. Longe de qualquer resultado deveras inventivo, o duo nova-iorquino foi encontrar reforço nas velhas experiências ressaltadas por Burial e tantos outros grandes expoentes do estilo na última década, proporcionando um trabalho sério, convincente e “tradicional”, o que por conta disso acaba garantindo para a dupla certo ar de ineditismo. Entre faixas Pencil Pimp e See Me Feel Me, Travis Stewart e Praveen Sharma (também conhecidos como Machinedrum e Braille) acabam relevando uma sucessão de músicas assertivas, aproveitando cada segundo do disco para derreter vocais, explorar novos beats e apresentar ao público um trabalho minucioso e complexo. (Resenha)

.

 

#38. Smith Westerns
Dye It Blonde (Fat Possum)

.

Quem já havia se surpreendido com o Smith Westerns quando estes apresentaram ao final de 2010 o brilhante single Weekend talvez mal fosse capaz de imaginar o que ainda estava por vir no trabalho do grupo de Chicago. Distante da anarquia assumida que a banda anunciava no primeiro disco, o quarteto apresenta um projeto marcado pelo uso de versos melódicos, guitarras sujas (e harmônicas), além de toda uma soma de elementos que apenas configuram um toque jovial e explosivo ao disco. Primeiro grande lançamento do ano, o registro parece se evidenciar ainda maior ao final de 2011, como se todas as composições da banda pudessem ser observadas de forma ainda mais madura, com o grupo mantendo lá atrás aquele toque despojado que apenas eles são capazes de promover. Se alguém procura pro um trabalho fácil, mas que não soe de maneira boba, então Dye It Blonde é a escolha mais do que coerente para isso. (Resenha)

.

#37. Death Grips
Exmilitary (Independente)

;

Tolos são os que observam o hip-hop atual como se ele ainda fosse o mesmo exaltado no começo da década passada. Entre revoluções que modificaram o gênero por completo, talvez a maior mudança seja a ressaltada dentro de Exmilitary, primeiro trabalho do trio formado por Zach Hill (Hella), MC Ride e Flatlander (Andy Morin), um álbum que parece se revolucionar a cada segundo. Sujo, intenso e sufocante o disco parece montado para perverter todas as lógicas e estratégias do gênero, promovendo uma somatória de faixas caracterizadas pela crueza dos versos e principalmente das batidas. Se a psicodelia é o que caracteriza o também excelente Black Up do Shabazz Palaces, então com o Death Grips a marca maior fica por conta do caos, mecanismo que se estabelece como maior ferramenta da trinca de integrantes e elemento fundamental para o funcionamento de todo o registro. (Resenha)

;

#36. Kurt Vile
Smoke Ring For My Halo (Matador)

.

Para Kurt Vile o ano de 2011 foi de verdadeira consagração. Não mais ícone de um número bastante específico de ouvintes, o músico circulou com amplo destaque por toda a imprensa musical, resultado talvez óbvio da maturidade musical alcançada em Smoke Ring For My Halo, quarto e mais intenso trabalho da carreira do norte-americano. Menos focado na atmosfera badroom pop que delimitava seus primeiros álbuns, o registro se afunda em um universo de experiências marcadas pela psicodelia e um lo-fi cada vez mais límpido que praticamente afasta o artista das velhas experiências que o caracterizavam. Se instrumentalmente o músico amadurece, nos versos essa constatação é ainda maior, algo facilmente observado no romantismo sincero de Baby’s Arms, na densidade quase filosófica de Jesus Fever ou até no ambiente que o cerca, como destaca na ampla Society Is My Friend. (Resenha)

. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Os Melhores Discos de 2011 (50-41)

.

Da lisergia eletrônica da Chillwave ao embate entre os reis da música contemporânea – Arcade Fire, Kanye West e o abatido LCD Soundsystem -, se em 2010 o ano foi de exaltações e trabalhos promovidos de maneira épica, para 2011 a calmaria foi o que acabou se estabelecendo. A valorização do Lo-Fi, o Dubstep como um ritmo mundialmente conhecido e o experimental se transformando em algo pop foram alguns dos marcos que caracterizaram o cenário musical ao longo do ano, garantindo apontamentos mais do que consistentes de como deve se movimentar a música pelos próximos anos. Passeando por diferentes campos da música é hora de elegermos os melhores discos internacionais do ano, trabalhos que marcaram o panorama musical e que aqui ocupam lugar de destaque.

_____________________________________________________________________________________________

.

#50. Metronomy
The English Riviera (Because Music)

.

Existe um ponto em que toda banda – na importa quão ruim ela seja – deixa de lado as referências, inspirações e redundâncias para finalmente encontrar um material de qualidade, original e próprio. Pode ser que isso se torne visível em uma música apenas, uma parte de um registro, ou quem sabe um trabalho inteiro, algo que os britânicos do Metronomy conseguiram encontrar com o lançamento de The English Riviera. Menos centrado na figura de Joseph Mount – criador e principal compositor da banda – e repassando a imagem de coletivo, o trabalho se afunda em pequenas experiências musicais reducionistas, dialogando de maneira peculiar com o minimalismo eletrônico dos anos 90. O resultado está em um trabalho conciso, maduro e carregado de verdadeiros hits, músicas como The Bay, Corinne e Everything Goes My Way marcadas por uma sonoridade “simples” conseguem se distanciar de todas as redundâncias que há décadas alimentam o cenário britânico. (Resenha)

.

#49. Iceage
New Birgade (What’s Your Rupture?)

.

É cada vez mais raro encontrar um registro que foque no punk rock sem que a banda em questão não percorra uma sonoridade muitas vezes clichê ou se embrenhando em velhos apelos à música pop. Com pouco tempo de experiência, os dinamarqueses do Iceage transformam o catastrófico New Brigade em um trabalho essencial ao gênero, sendo a resposta mais do que exata aos apelos daqueles que procuram por um trabalho cru e competente na mesma medida. Sujo e contando com 12 faixas (dissolvidas em 24 minutos), o trabalho ultrapassa os limites do punk tradicional para ressaltar (em menor escala) uma fina predisposição ao noise rock dos anos 80, passeando ainda pela sujeira controlada do garage rock e até alguns toques de Pós-Punk (imagine a obra do Joy Division triturada em enorme liquidificador).  (Resenha)

 .

#48. Ford & Lopatin
Channel Pressure (Software Records)

.

Tão dual quanto o título do projeto é o som esbanjado pela dupla Ford & Lopatin. De um lado está Joel Ford, um dos integrantes do grupo norte-americano Tigercity, banda que encontra no electropop dos anos 80 a maior fonte para suas composições. Do outro lado o gênio da ambient/experimental music, Daniel Lopatin, que entre diversos projetos se destaca pelo esquizofrênico Oneohtrix Point Never. Desse encontro tão díspar nada mais aceitável do que Channel Pressure, um trabalho que concentra o toque pegajoso e pop de um, com toda a excentricidade do outro, mobilizando assim 14 composições que parecem dar à música da década de 1980 um novo significado. Dançante e estranho na mesma medida, o trabalho vai de maneira peculiar desenvolvendo faixas como Too Much MIDI (Please Forgive Me) e Emergency Room, com o duo se embrenhando em uma sucessão de sintetizadores grudentos, versos fáceis e uma densa cortina de ruídos que acaba se estendendo por todo o trabalho. (Resenha)

 .

#47. Jamie Woon
Mirrorwiting (Polydor)

.

Se James Blake resolveu utilizar da Soul Music como um mecanismo de exposição macambúzio, tragando os espectadores para dentro de um universo de beats assíncronos sombrios e excêntricos, o conterrâneo Jamie Woon optou por garantir outro sentido ao gênero. Também relacionado com o mesmo Dubstep (ou seria pós-Dubstep) de Blake, Woon resolveu temperar cada minuto de Mirrorwiting com uma doce emanação pop e envolvente. Falando sobre amor, sexo e mulheres, o produtor vai suavemente apresentando um cardápio de ritmos e formas instrumentais acalentadas, fazendo nascer clássicos como Street, Shoulda, Night Air ou a suculenta Lady Luck. Acompanhado de ninguém menos que William Bevan – mais conhecido pelo pseudônimo de Burial -, Woon e o parceiro vão a seu próprio tempo elaborando uma série de eficazes canções, composições capazes de flertar com a música comercial, mas nunca perder a linearidade que as conduz. Quente. (Resenha)

 .

#46. Feist
Metals (Interscope)

.

Depois do sucesso estrondoso gerado pelo disco The Reminder de 2007 (ou mais especificamente pelo hit 1234), Leslie Feist não teria um caminho muito fácil a percorrer, tanto que para o quarto registro em estúdio a musicista canadense resolveu abandonar grande parte da sonoridade que havia explorado anteriormente em busca de algo verdadeiramente novo. Arriscada, a estratégia se mostrou como uma experiência verdadeiramente assertiva, afinal, bastam os minutos inicias de The Bad In Each Other, primeira música do álbum Metals, para perceber que Feist continua tão (ou mais) inventiva quanto em épocas passadas. Menos pop e embriagado por um toque de Alt. Country, o disco evidencia uma artista madura, em plena forma e capaz de arrastar o espectador para dentro de um universo extremamente melancólico e tingido de cinza, sendo o único ponto de apoio e elemento guia dentro desse estranho ambiente a voz da própria musicista. (Resenha)

. Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 4.774 other followers