Arquivos da Categoria: Os 100 Melhores Discos da Década de 1990

Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (05-01)

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990

LISTA DOS LEITORES

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#10. Weezer
Pinkerton (1996, DGC)

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Logo após o sucesso alavancado pelo debut “The Blue Album”, o segundo registro do Weezer era aguardado sob muita expectativa tanto por parte do público, esperando por novas composições ao nível de Buddy Holly, quanto pela crítica, sedenta por mais algumas doses do power pop melódico e divertido que o grupo californiano havia proposto. Entretanto, ao contrário do que fora esperado, Pinkerton, segundo disco do grupo acabou recebendo fortes críticas por conta de seu conteúdo excessivamente centrado na vida do vocalista da banda, Rivers Cuomo, além de estabelecer baixíssimas vendas. A péssima recepção do álbum quase levou o grupo a encerrar suas atividades, com Cuomo afirmando que se pudesse jamais teria gravado o disco. Estranhamente, o disco foi aos poucos ganhando as atenções de um novo público, sendo posteriormente definido como o melhor álbum da carreira do Weezer. Lançado em 1996 e portando faixas como Across The Sea, Pink Triangle e Tired Of Sex, o disco é o último grande registro da banda, que logo após seu lançamento se afundou através de uma série de lançamentos pouco ou nada significantes.

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#09. Raimundos
Raimundos (1994, Banguela Records)

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Até a chegada do primeiro registro em estúdio da banda brasiliense Raimundos, a música brasileira ainda vivia daquilo que fora produzido na década de 1980, algo que foi bruscamente rompido quando os primeiros acordes de Puteiro em João Pessoa são ecoados através do raivoso debut. Trazendo a produção de Carlos Eduardo Miranda, o disco transparece muito do que tomaria a música nacional a partir daquele momento: o cruzamento de ritmos. Se por um lado era o peso do punk rock e a energia do hardcore que davam a condução necessária para o álbum se movimentar, por outro lado eram elementos vindos da cultura nordestina, como o Forró, que davam distinção ao som da banda, na época formada por Digão (guitarra), Canisso (baixo), Fred (bateria) e Rodolfo Abrantes (voz). Trazendo algumas das criações mais memoráveis do grupo – como Nega Jurema e Minha Cunhada -, o disco é o início de uma das carreiras mais bem sucedidas do rock nacional, um trabalho que seria copiado por um sem número de bandas que ainda estavam por nascer.

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#08. U2
Achtung Baby (1991, Island)

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Com o lançamento de The Joshua Tree em 1987, a parceira entre o U2 e o músico e produtor Brian Eno havia se mostrado como um encontro mais do que acertado, afinal, com o resultado exposto no registro a banda irlandesa havia se transformado em uma das grandes entidades da música naquele período. Buscando explorar novos rumos, em 1998 veio Rattle and Hum, um disco em que o quarteto se afastava de Eno e investia na produção de um som calcado no mais do mesmo. Buscando corrigir o pequeno deslize, ao final de 1990 Bono Vox e seus parceiros mais uma vez se encontraram com o produtor, atuando em conjunto para desenvolver aquele que seria um dos melhores registros da carreira do U2, Achtung Baby. Tomado pela dor da separação – The Edge havia acabado de se separar de sua ex-mulher e Vox usa do disco para discutir algumas divergências com seu pai -, o disco flui como uma grande sequência de lamentos, músicas aos moldes de Who’s Gonna Ride Your Wild Horses e One que fariam do U2 uma das bandas mais queridas do grande público.

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#07. Neutral Milk Hotel
In the Aeroplane Over the Sea (1998, Merge Records)

Experimentações Lo-Fi, letras inspiradas no diário de Anne Frank, harmonias instrumentais insuperáveis, delírios poéticos de Jeff Mangum e orquestrações abafadas, estes são os elementos que ao serem encaixados dão formas ao belíssimo In the Aeroplane Over the Sea, obra-prima do grupo norte-americano Neutral Milk Hotel e um dos registros mais influentes das últimas décadas. Gravado inteiramente em um cômodo convertido em estúdio na casa de Jim McIntyre (baixista do The Apples in Stereo) e contando com um número ainda maior de instrumentos que seu antecessor (On Avery Island, de 1995), o segundo disco da banda de Ruston, Luisiana funciona como um grande viagem através de um universo paralelo, um lugar onde ruídos claustrofóbicos se convertem em estrondosas orquestrações e letras fantasiosas recriam personagens memoráveis. Contando com produção de Robert Schneider (um dos criadores do coletivo The Elephant 6), o registro, mesmo gravado há mais de dez anos ainda hoje parece se manifestar em uma série de outros projetos, servindo de base para aquilo que bandas como The Decemberists, Arcade Fire e diversos grupos contemporâneos desenvolvem em seus trabalhos.

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#06. Racionais MC’s
Sobrevivendo no Inferno (1997, Cosa Nostra)

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Por mais que todo o cenário voltado ao Hip-Hop no Brasil já tivesse alcançado proporções inimagináveis, se distanciando cada vez mais dos primórdios tímidos do gênero no país, apenas quando Sobrevivendo no Inferno foi lançado ao final de 1997 que o rap, puro e genuíno alcançou a crítica e as massas. Vindos de uma consistente sequência de bons discos Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e KL Jay transformariam seu quarto álbum em um dos pilares fundamentais do rap no país, materializando uma série de versos densos e ainda hoje capazes de causar o mesmo impacto e arrepio gerados na época de seu lançamento. Músicas como Tô ouvindo alguém me chamar, Capitulo 4 versículo 3 e a incomparável Diário de um detento, que traz em seus versos trechos do diário de um ex-detento da Presídio do Carandiru, todas composições que em nada ficavam atrás do que naquele período era produzido no exterior. Cruzando batidas suaves e uma instrumentação minimalista – similar ao que o Wu-Tang Clan já vinha desenvolvendo em seus registros -, o quarto disco dos Racionais MC’s é sem sombra de dúvidas o maior exemplar do rap nacional, sendo de longe um dos trabalhos mais duros, sinceros e completos da nossa música.

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (10-06)

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#10. The Smashing Pumpkins
Siamese Dream (1993, Virgin)

A explosão do movimento grunge no começo dos anos 90 praticamente transformou Gish, primeiro álbum do The Smashing Pumpkins em um registro descartável, praticamente abandonado, mesmo nos dias de hoje quando olhamos para 1991 em busca do que fora produzido na época. Quem, entretanto havia deixado de lado a estreia do grupo de Chicago teria uma bela surpresa dois anos mais tarde, quando Siamese Dream, segundo registro da banda viria ao mundo. “Hoje é o melhor dia que já vivi” canta Corgan no hit Today, faixa que talvez soasse como um grande resumo do que se encontrava dentro do álbum, com o músico exorcizando uma série de fantasmas do passado – como os problemas com os pais em Disarm e o fim de relacionamento em Soma – enquanto destilava suas guitarras como algum ícone dos anos 70, bebendo diretamente de grupos como Black Sabbath e Led Zeppelin, produzindo um som agressivo e único naquele período. Primeiro trabalho tocado e composto quase que inteiramente por Corgan (o que seria algo natural nos discos seguintes), Siamese Dream é um disco que ainda hoje pode ser ouvido repetidas vezes sem que soe datado ou distante do mesmo efeito causado na época de seu lançamento.

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#09. Belle and Sebastian
If You’re Feeling Sinister (1996, Jeepster Records)

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Se 1996 fosse definido em apenas uma banda, sem dúvidas Belle and Sebastian assumiriam tal função de forma justa. Logo após o lançamento de seu primeiro disco, Tigermilk (um projeto de faculdade montado por Stuart Murdoch), os escoceses haviam se consagrado e se transformado em uma das maiores sensações vindas de território britânico, sendo constantemente assediados pela mídia e donos de um grandioso número de fãs, sedentos por apresentações e novidades do grupo. Lançado cinco meses após o debut dos escoceses, If You’re Feeling Sinister dava um novo passo na carreira da banda, reforçando a criações de melodias delicadas, uma ambientação quase essencialmente acústica, além das letras joviais de Murdoch que pareciam pescar qualquer adolescente ou jovem adulto que se deparasse com tal registro. Doce, melancólico, ácido e amargurado, assim vai se movimentando o disco e suas dez singelas composições, músicas como Like Dylan in the Movies e The Stars of Track and Field que transformariam o grupo em um dos mais queridos daquela e das décadas seguintes.

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#08. Raimundos
Raimundos (1994, Banguela Records)

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Até a chegada do primeiro registro em estúdio da banda brasiliense Raimundos, a música brasileira ainda vivia daquilo que fora produzido na década de 1980, algo que foi bruscamente rompido quando os primeiros acordes de Puteiro em João Pessoa são ecoados através do raivoso debut. Trazendo a produção de Carlos Eduardo Miranda, o disco transparece muito do que tomaria a música nacional a partir daquele momento: o cruzamento de ritmos. Se por um lado era o peso do punk rock e a energia do hardcore que davam a condução necessária para o álbum se movimentar, por outro lado eram elementos vindos da cultura nordestina, como o Forró, que davam distinção ao som da banda, na época formada por Digão  (guitarra), Canisso (baixo), Fred (bateria) e Rodolfo Abrantes (voz). Trazendo algumas das criações mais memoráveis do grupo – como Nega Jurema e Minha Cunhada -, o disco é o início de uma das carreiras mais bem sucedidas do rock nacional, um trabalho que seria copiado por um sem número de bandas que ainda estavam por nascer.

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#07. Pavement
Crooked Rain, Crooked Rain (1994, Matador Records)

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Enquanto boa parte dos artistas que lançaram seus trabalhos na década de 90 preferiram atacar governos, levantar questionamentos existencialistas ou lamentar sobre suas perdas do passado, Stephen Malkmus e seus parceiros do Pavement resolveram seguir por uma via própria, irônica e bem humorada. O ponto máximo desse caminho próprio está em Crooked Rain, Crooked Rain, segundo álbum do grupo californiano e registro em que a banda parece ter alcançado suas melhores melodias, harmonias instrumentais e, claro, seus melhores versos. Sempre projetadas de forma nonsense ou surreal – uma das características de Malkmus na hora de escrever suas canções -, as músicas vão aos poucos esculpindo desde críticas voltadas para bandas “rivais” (como na faixa Range Life, em que o grupo ataca o Stone Temple Pilots e o Smashing Pumpkins) até faixas sem qualquer foco ou sentido aparente, como Unfair. A banda até tira tempo para homenagear o jazzísta Dave Brubeck em 5-4 = Unity e citar o movimento Mod na faixa de encerramento Fillmore Jive, transformando o álbum em um grande mosaico musical esquizofrênico, mas capaz de fazer todo sentido.

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#06. Neutral Milk Hotel
In the Aeroplane Over the Sea (1998, Merge Records)

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Experimentações Lo-Fi, letras inspiradas no diário de Anne Frank, harmonias instrumentais insuperáveis, delírios poéticos de Jeff Mangum e orquestrações abafadas, estes são os elementos que ao serem encaixados dão formas ao belíssimo In the Aeroplane Over the Sea, obra-prima do grupo norte-americano Neutral Milk Hotel e um dos registros mais influentes das últimas décadas. Gravado inteiramente em um cômodo convertido em estúdio na casa de Jim McIntyre (baixista do The Apples in Stereo) e contando com um número ainda maior de instrumentos que seu antecessor (On Avery Island, de 1995), o segundo disco da banda de Ruston, Luisiana funciona como um grande viagem através de um universo paralelo, um lugar onde ruídos claustrofóbicos se convertem em estrondosas orquestrações e letras fantasiosas recriam personagens memoráveis. Contando com produção de Robert Schneider (um dos criadores do coletivo The Elephant 6), o registro, mesmo gravado há mais de dez anos ainda hoje parece se manifestar em uma série de outros projetos, servindo de base para aquilo que bandas como The Decemberists, Arcade Fire e diversos grupos contemporâneos desenvolvem em seus trabalhos.

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[15-11] - [05 -01]

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (15-11)

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#15. Nação Zumbi
Afrociberdelia (1996, Chaos/Sony BMG)

Depois de todos os limites traçados em seu primeiro álbum, com Afrociberdelia o Nação Zumbi partia em busca de novas experiências e cruzamentos instrumentais dentro de sua música, resultando em um disco que além de agradar a crítica se aproximou significativamente do público. Concentrando alguns dos maiores clássicos do grupo, como Macô, Maracatu Atômico e Manguetown, o registro se manifesta como uma profunda aproximação do grupo com a música psicodélica e africana (algo bem retratado logo no título do disco), trazendo desde elementos vindos do rock da década de 1970 (algo bem expresso pelas guitarras de Lúcio Maia), como toques da música jazzística de Fela Kuti. Instrumentalmente mais vasto que seu predecessor, o álbum vai aos poucos revelando elementos vindos do candomblé, dub, além de uma forte inclusão de sons eletrônicos que acabam movimentando um disco enorme, tanto em sua duração (são mais de 70 divididos em 23 faixas), como em suas referências.

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#14. Guided By Voices
Bee Thousand (1994, Scat)

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Robert Pollard sempre reclamou em entrevistas sobre o quanto gravações em estúdios profissionais e equipamentos de última geração apenas prejudicavam a “qualidade” de seus projetos, dando sempre preferência ao uso de métodos artesanais e caseiros de captação de som. Melhor exemplo disso está em Bee Thousand, sétimo registro do Guided By Voices e um trabalho que mesmo oculto em diversas camadas de chiados e ruídos inconvenientes se traduz em um verdadeiro achado, uma grande coletânea de composições que só parecem realmente funcionar embaladas em seus rótulos poluídos e inaudíveis. Em suas letras, que muitas vezes beiram o nonsense, Pollard pinta um grande retrato de suas experiências fazendo uso de LSD e outras substâncias lisérgicas, algo que acaba resultando em criações que muitas vezes soam como se compostas por uma criança ou próximas de algo essencialmente onírico, algo que posteriormente se transformaria em uma das marcas do grupo.

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#13. Pavement
Slanted and Enchanted (1992, Matador)

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Com gravações que custaram míseros 800 dólares e inicialmente distribuído através de fitas cassete produzidas artesanalmente, Slanted and Enchanted disco de estreia do Pavement é ainda hoje um dos pilares que sustentam o rock alternativo da década de 1990. Sujo e incrivelmente tosco, porém ainda assim capaz de abarcar algumas das maiores pérolas musicais lançadas no período, como Conduit For Sale! e Trigger Cut / Wounded Kite At :17, a desconfortante estreia do grupo californiano é de longe um dos registros mais importantes dos últimos 20 ou 30 anos, ainda hoje servindo como base para o que uma série de artistas, norte-americanos ou não vêm desenvolvendo. Cravejado de guitarras que parecem se chocar em todos os cantos do disco e apresentando algumas das mais belas (e estranhas) letras de Stephen Malkmus, o álbum parece delinear toda a trajetória que o Pavement viria a desenvolver naquela década, um grupo que praticamente nasceu e morreu nos anos 90.

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#12. Nirvana
In Utero (1993, DGC)

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De todo os trabalhos lançados ao longo dos anos 90, talvez nenhum deles foi encoberto por tamanha expectativa quanto In Utero, terceiro registro em estúdio do Nirvana. Lançado dois anos após o surpreendente Nevermind, o disco veio cercado pelos olhares da crítica e do público, sedentos por uma continuação daquele que imediatamente acabou se transformando em um dos marcos do rock alternativo daquele período. Cada vez mais afundado no uso de drogas e intensamente consumido por sua depressão, Kurt Cobain dava todos os sinais de que o disco jamais seria lançado, algo que quase se confirmou quando a DGC (gravadora que estava por trás da banda) irritada com os resultados da gravação do álbum e da produção de Steve Albini pediu para outro produtor (Scott Litt) desse novo acabamento ao álbum. Contra todas as péssimas expectativas, o disco acabou lançado e propôs um som tecnicamente distante do que a banda já havia produzido, se revelando como um disco tão importante quanto seu predecessor e mais um clássico na carreira do Nirvana.

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#11. Radiohead
The Bends (1995, Parlophone)

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Se por um lado Creep havia dado ao Radiohead um público extenso e certa dose de reconhecimento nos quatro cantos do planeta, por outro lado a banda acabou se transformando em um alvo fácil da crítica, que não poupou esforços em atacar o quinteto de Oxford por todos os lados, impossibilitando que Pablo Honey, primeiro disco da banda obtivesse qualquer tipo de reconhecimento. Dois anos após o lançamento de seu primeiro álbum, entretanto, a banda britânica não apenas calaria os críticos que haviam os perseguido, como se transformariam em um dos grupos mais importantes da música daquele e dos anos que ainda estavam por vir. Com produção de John Leckie e gravado no lendário Abbey Road, The Bends rompia qualquer ligação com o anterior trabalho da banda, com o grupo investindo em um som maduro, denso e calcado por algumas doses de experimentação. Conceitual e comercialmente bem aceito, o álbum traz alguns dos maiores sucessos do grupo, como High and Dry, Fake Plastic Trees e Just, faixas que ainda hoje soam atuais e brilhantes. Porém, quem já havia se surpreendido com o registro teria uma surpresa ainda maior no lançamento seguinte da banda.

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[20-16] - [10-06]

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (20-16)

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#20. Planet Hemp
Usuário (1995, Chaos/Sony Music)

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Hardcore, rap e um discurso politizado trançado de forma ácida, estes foram os elementos que quando enca ixados deram vida ao primeiro disco da banda carioca Planet Hemp, o ainda atual e instigante Usuário. Pregando sobre a legalização da maconha e atacando de forma direta diversos setores da sociedade, o primeiro álbum do grupo criado por Marcelo D2 e Skunk (que viria a falecer em 1994, vítima da Aids) se transformaria em um marco da música brasileira da década de 1990. Em sua sonoridade carregada de distintos gêneros musicais, a banda cruzava guitarras aceleradas típicas do hardcore com as batidas e os scratches do hip-hop, trazendo um tipo de som até o presente momento inédito em solo tupiniquim. Dessa soma de incontáveis cruzamentos sonoros brotaram faixas aos moldes de Legalize Já, Mantenha o Respeito, Dig Dig Dig (Hempa) e Não Compre, Plante!, todas composições que cairiam no gosto popular e fariam do Planet Hemp um dos projetos mais polêmicos e geniais do período.

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#19. Guided By Voices
Alien Lanes (1995, Matador)

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Alien Lanes é sem dúvidas um registro raro. São 28 composições, algumas delas meras vinhetas, faixas de 30, 23 ou 19 segundos, mas que estranhamente parecem ter o mesmo peso que canções extensas e memoráveis. Por todos os lados do trabalho ecoam ruídos, as faixas chiam, alguns trechos surgem como riscados, mas por incrível que pareça, o álbum se revela como um verdadeiro achado musical, capaz de comportar uma soma insuperável de hits memoráveis. Por todos os lados explodem músicas como They’re Not Witches, As We Go Up, We Go Down e Motor Away, canções que mesmo excessivamente distintas ao que é exigido pelos padrões de uma gravadora convencional, transmitem beleza e profundidade de maneira única, algo muitas vezes quase inexplicável. Primeiro trabalho da banda pela Matador Records, Alien Lanes é ao lado de Bee Thousand (1994) um álbum que ajudou a definir o grupo norte-americano como um dos mais importantes e cultuados da década de 90, delimitando a banda como um dos símbolos da música Lo-Fi.

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#18. The Smashing Pumpkins
Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995, Virgin)

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Erroneamente confundido como um dos representantes do movimento grunge, Billy Corgan e seu The Smashing Pumpkins sempre pareceram caminhar por um caminho singular dentro do rock alternativo norte-americano. A melhor prova da distinção que sempre tomou conta da carreira do grupo está em Mellon Collie and the Infinite Sadness, um registro duplo e que soa como uma grande viagem pelo universo criado a partir dos delírios depressivos de Corgan, que para além de assumir todas as letras do disco toca praticamente todos os instrumentos do álbum, assim como assume parte da produção do mesmo. Bebendo de fontes como o rock progressivo, Heavy Metal, a música gótica e o pós-punk, o disco – que contabiliza exatas 28 composições – segue de maneira coesa até seu término, apresentando alguns dos maiores clássicos da banda, como Tonight, Tonight, Zero, 1979 e Love, todas composições que tomariam as programações televisivas e radiofônicas do período, fazendo com que o disco se transformasse em um dos álbuns duplos mais vendidos da história da música.

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#17. Weezer
Pinkerton (1996, DGC)

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Logo após o sucesso alavancado pelo debut “The Blue Album”, o segundo registro do Weezer era aguardado sob muita expectativa tanto por parte do público, esperando por novas composições ao nível de Buddy Holly, quanto pela crítica, sedenta por mais algumas doses do power pop melódico e divertido que o grupo californiano havia proposto. Entretanto, ao contrário do que fora esperado, Pinkerton, segundo disco do grupo acabou recebendo fortes críticas por conta de seu conteúdo excessivamente centrado na vida do vocalista da banda, Rivers Cuomo, além de estabelecer baixíssimas vendas. A péssima recepção do álbum quase levou o grupo a encerrar suas atividades, com Cuomo afirmando que se pudesse jamais teria gravado o disco. Estranhamente, o disco foi aos poucos ganhando as atenções de um novo público, sendo posteriormente definido como o melhor álbum da carreira do Weezer. Lançado em 1996 e portando faixas como Across The Sea, Pink Triangle e Tired Of Sex, o disco é o último grande registro da banda, que logo após seu lançamento se afundou através de uma série de lançamentos pouco ou nada significantes.

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#16. DJ Shadow
Endtroducing… (1996, Mo’ Wax)

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Os quase dez anos de carreira que se enfileiram antes da chegada de Endtroducing… seminal disco do produtor californiano Joshua Paul Davis, ou simplesmente DJ Shadow foram de extrema importância para aquilo que o norte-americano acabou desenvolvendo. Recortando trechos, sequências instrumentais inteiras, vozes, riffs e diversos elementos de músicas esquecidas das décadas de 70 e 80, Davis fez de seu debut um trabalho que se movimenta em meio a beats e colagens nostálgicas, porém ainda assim capaz de se apresentar de forma inédita, como se tudo presente dentro do álbum fosse novo, fresco e original. Essencial para o trabalho de grupos como Radiohead, Massive Attack, Girl Talk e diversos outros artistas da cena eletrônica contemporânea, a estreia de DJ Shadow funciona como um grande mosaico musical, onde cada faixa presente no registro se abre para uma nova sequência de distintos sons, pérolas como Stem/Long Stem, capaz de amarrar Love Suite do Nirvana com trechos da trilha sonora de Blade Runner.

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[25-20] - [15-11]

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (25-21)

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#25. Oasis
(What’s the Story) Morning Glory? (1995, Creation Records)

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Desde a explosão do rock britânico no começo dos anos 60 que a Inglaterra não vivia um período musical tão glorioso, quanto a manifestação gerada a partir do britpop na década de 1990. Por mais que o cenário cultural inglês dos anos 70 e 80 trouxessem importantes contribuições para o meio musical do mundo todo, somente na década seguinte que o restante do planeta converteu seus olhares para a singela ilha europeia. O Oasis por sua vez se revelaria como o maior exemplar de toda essa euforia. Bebendo descaradamente daquilo que os Stones e principalmente os Beatles haviam produzido, a dupla formada pelos irmãos Liam e Noel Gallagher fez de seu segundo disco um marco absoluto de todo o movimento musical britânico daquele período. Melódico, inundado de canções memoráveis e comercialmente arquitetado, (What’s the Story) Morning Glory? traria um composto de 12 faixas, músicas como Wonderwall, Don’t Look Back In Anger, Hey Now e Champagne Supernova que transformariam o Oasis na banda inglesa mais popular dos anos 90.

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#24. Blur
Parklife (1994, Food/SBK)

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Diferente de outros discos lançados durante a explosão do britpop, Parklife, terceiro álbum do Blur, ainda hoje se mantém como um disco atual, sendo capaz de causar o mesmo impacto que aquele gerado na época de seu lançamento, caso fosse apresentado originalmente nos dias de hoje. Depois que o segundo álbum do grupo Modern Life Is Rubbish de 1993 havia quase acabado com a carreira da banda, não vendendo praticamente nada, porém recebendo críticas exaltadas por parte da imprensa britânica, Damon Albarn e seus parceiros viram que era hora de mudar. Brincando com as tendências lançadas na década de 1960, entretanto, não fazendo disso uma cópia como fez o rival Oasis, a banda londrina transformaria Parklife em um registro melódico, cravejado de boas sequências instrumentais e letras memoráveis. Flertando com a música clássica e com as experiências harmônicas lançadas por grupos como The Zombies, este seria o disco que abriria as portas para o embate contra os irmãos Gallagher, duelo em que não restam dúvidas quem se sagrou como o grande vencedor.

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#23. Weezer
Weezer (1994, DCG)

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Depois de uma sequência de excelentes shows pelos subúrbios de Los Angeles ou mesmo em alguns pontos de destaque da cidade, já era mais do que hora do Weezer conseguir um contrato e gravar seu primeiro disco. Formada em 1992, a banda rapidamente conquistou os olhares do público jovem local, que não poupou esforços e lotar suas apresentações, transformando-os em um dos artistas mais concorridos da metrópole californiana. Foi só em 1994 que a banda conseguiu lançar seu primeiro registro em estúdio. O resultado como já era de se esperar só poderia ser um belo acerto. Tradicionalmente chamado de “The Blue Album”, a estreia do Weezer se concentra no uso de guitarras carregadas de distorção, melodias que chupam referências do Power Pop e letras extremamente acessíveis, quase todas (ou todas) centralizadas nos problemas amorosos do líder da banda, Rivers Cuomo. Por mais que o grande destaque do disco seja a agridoce Buddy Holly é através de Undone (The Sweater Song) que a banda mostra de fato todo seu poderio, montando uma composição que segue em ritmo sempre crescente e com um final épico, algo típico do rock daquele período.

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#22. Portishead
Dummy (1994, Go! Beat)

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Se Blue Lines do Massive Attack foi o álbum definiu o que seria entendido como Trip-Hop, então Dummy do Portishead foi quem popularizou o gênero e o apresentou ao resto do mundo. Diferente de outros trabalhos do estilo que já circulavam até aquele momento, a estreia do grupo de Bristol – formado por Geoff Barrow, Beth Gibbons e Adrian Utley, que embora participasse da produção do álbum só adentraria oficialmente ao grupo após o lançamento do disco – não se concentrava nas mesmas predisposições ao Hip-Hop e ao Dub, mas em um novo arsenal de sombrias e dolorosas referências. Das trilhas sonoras de filmes Noir ao Jazz sorumbático dos anos 50, por todos os cantos do registro ecoam doses monumentais de melancolia, que amarradas aos beats cacofônicos e solos de guitarras posicionados em momentos chave transformam o álbum em um registro doloroso e envolvente na mesma medida. No ano seguinte ao seu lançamento, Dummy levaria o prêmio de disco do ano no Mercury Music Prize, deixando para trás nomes como Oasis, PJ Harvey e mesmo Tricky, uma das grandes inspirações do Portishead.

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#21. Björk
Post (1995, One Little Indian)

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O que Fever Ray, CocoRosie, Planningtorock, Lady Gaga, Austra, The Knife, Goldfrapp e Dirty Projectors, todos projetos musicais consagrados têm em comum, além, claro, dos elogios da crítica e um público sempre cativo? Todos aprenderam com Björk a medida certa entre a música experimental e o pop. O ponto máximo de união de tão distintos elementos está em Post, álbum de 1995 da musicista islandesa e um dos trabalhos mais completos dos anos 90. Bebendo do Trip-Hop, música tribal, Jazz, pop radiofônico, música eletrônica e o mais puro experimentalismo, a cantora – acompanhada de importantes nomes da música alternativa/eletrônica daquele período – fez de seu terceiro álbum em carreira solo um registro completo, que rapidamente chamou as atenções da crítica e posicionou Björk como uma figura única no meio musical. Seja por brincar com a música convencional em It’s Oh So Quiet e I Miss You ou por se envolver com uma musicalidade extremamente esquizofrênica em The Modern Things, a cantora faz de cada segundo dentro do disco um acerto, abrindo possibilidades infinitas para qualquer lado que você consiga olhar.

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (55-51)

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#55. Pearl Jam
Ten (1991, Epic)

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Enquanto o Nirvana concentrava seus esforços na produção de um som que se inspirava nos grandes álbuns do punk e do rock de garagem dos anos 70 e 80, fazendo nascer em 1991 o marco Nevermind, o Pearl Jam seguia em busca de um tipo de música que mesmo similar focava em outros horizontes. Ten, primeiro álbum de estúdio da banda liderada por Eddie Vadder expõe exatamente isso, um disco que encontra suas origens no rock clássico, pendendo em vários momentos para o blues, tudo isso enquanto guitarras amarguradas e sujas no melhor estilo grunge pintam o cenário ideal para que os vocais de Vadder possam se derramar. Imediatamente aclamado pelo público e pela crítica, o álbum fez com que a desconhecida banda se transformasse em um dos maiores fenômenos do rock alternativo dos anos 90, mantendo seu reinado até hoje. Embora a banda retornasse mais tarde com uma sequência de bons lançamentos é dentro deste disco que se escondem seus maiores clássicos, músicas como Alive e Jeremy que ainda hoje soam como se fossem novas.

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#54. The Breeders
Last Splash (1993, 4AD)

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Se por um lado as crises no Pixies acabaram encerrando a carreira de uma das mais importantes bandas do rock alternativo norte-americano, por outro lado fez nascer um dos projetos mais importantes do mesmo gênero, o The Breeders. Comandado por Kim Deal, o grupo (formado em 1998) alcançaria seu ápice em 1993 com o lançamento do clássico Last Splash, trabalho que posicionava Deal como uma das maiores, se não a maior voz feminina do rock dos anos 90. Diferente daquilo que a musicista produzia em sua outra banda, com o Breeders havia a constante busca por um som mais despojado, inspirado por diversos seguimentos do mundo da música e não a fixação em um único estilo ou fórmula instrumental. Por mais que álbum não trouxesse a mesma excentricidade que Kim parecia adquirir ao lado do ex-parceiro Black Francis, por todos os lados do trabalho ecoam faixas que fecham ou pelo menos ocultam tal lacuna, algo bem exemplificado por músicas como Divine Hammer, Saints ou o clássico Cannonball, uma das faixas mais memoráveis da década.

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#53. Godspeed You! Black Emperor
F♯A♯∞ (1997, Constellation/Kranky)

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Mesmo hoje ouvir F♯A♯∞ – leia “F sharp, A sharp, Infinity” ou “Fá sustenido, Lá sustenido, Infinito” – primeiro trabalho do grupo canadense Godspeed You! Black Emperor se traduz em um verdadeiro evento. Originalmente dotado de duas faixas – quando lançado em CD o álbum trouxe uma composição inédita – e um total de quase quarenta minutos, o disco funciona como uma verdadeira trilha sonora para o apocalipse, afinal, era exatamente esta a ideia de seus idealizadores durante a construção do álbum. Sombrio e orquestrado de forma surpreendente, o disco é de longe um dos maiores exemplares do pós-rock dos anos 90, sendo capaz de sugar o ouvinte para dentro de suas reverberações densas, encaixes atmosféricos cacofônicos e sequências instrumentais puramente etéreas e soltas. A força do disco é tanta, que em alguns momentos não parece que o álbum está sendo conduzido por uma série de instrumentistas, mas na verdade está assumindo suas próprias rédeas, como se aos poucos recebesse vida própria e conduzisse seus rumos.

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#52. Yo La Tengo
I Can Hear the Heart Beating as One (1997, Matador Records)

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Quando o Yo La Tengo lançou em outubro de 1993 o delicado e sombrio Painful parecia que a banda jamais seria capaz de produzir um trabalho tão coeso quanto o elogiado registro. Dois anos depois, quando os norte-americanos lançaram ao mundo Electr-O-Pura tal constatação tornou-se ainda mais obvia, afinal, o novo álbum do grupo de New Jersey em nada se comparava ao seu predecessor. Foi só quando I Can Hear the Heart Beating as One foi lançado em abril de 97 que se pôde perceber o quanto a banda ainda podia realizar através de suas inspiradas composições. Menos climático que os trabalhos anteriores da banda, o oitavo disco do YLT era um verdadeiro mergulho em um mar de inúmeras possibilidades instrumentais, com o grupo encontrado elementos tanto na sujeira do noise rock, como na tranquilidade etérea do Dream Pop. Considerado como um dos maiores tratados do rock alternativo norte-americano, o álbum é até hoje o mais completo disco lançado pelo Yo La Tengo, que seguiu em meio a uma série de outros excelentes registros, nenhum, entretanto tão importante quanto este.

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#51 Björk
Homogenic (1997, One Little Indian)

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Ao lançar Post, seu trabalho de 1995, Björk havia encontrado a medida exata entre a música pop e o mais puro experimentalismo musical. Quando lançou Homogenic em 1997, entretanto, as escolhas da cantora e compositora islandesa estavam mais do que claras: Björk queria abraçar por completo a música pop. O resultado dessa busca por um trabalho mais comercial e acessível – claro, dentro dos próprios e excêntricos métodos da musicista – acabou resultando em um grande concentrado de hits, um trabalho que ecoa brilhantismo, fragilidade e composições extremamente pegajosas. A música eletrônica, antes apenas um flerte em suas experiências musicais, agora se transformava no grande objeto do trabalho de Björk. Basta ouvir a instável Pluto para ter uma bela noção daquilo que percorre todo o registro, com a cantora passeando por diversas tendências da música eletrônica em um curto tempo de duração. Contudo é na delicadeza e no uso de sons quase etéreos que o álbum esconde seus melhores exemplares, músicas como All Is Full Of Love, Joga e Bachelorette que estranhamente cairiam nas graças do grande público.

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[60-56] - [50-46]

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (60-56)

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#60. Júpiter Maçã
A Sétima Efervescência (1996, Antídoto)

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Em 1996, enquanto a imprensa musical brasileira se deliciava com o lançamento de Afrociberdelia do Nação Zumbi, aguardava pelo novo álbum do Planet Hemp e ainda se satisfazia com os dois primeiros discos do Raimundos, o grande público entrava de vez no ritmo do Axé baiano. Distante deste excêntrico turbilhão e vindo diretamente de solo gaúcho, uma figura peculiar lançava ao mundo seu primeiro registro. Tão excêntrico quanto o atual panorama musical brasileiro, Júpiter Maçã (nascido Flávio Basso e ex-integrante das bandas TNT e Cascavellettes) fez de A Sétima Efervescência um trabalho antes de tudo ousado, afinal, rock psicodélico em plena década de 90 soava como um grande suicídio musical. Apenas soava, já que na prática o disco se mantém longe dos grandes clichês do gênero, concentrando uma série de verdadeiros clássicos do rock nacional, faixas como Miss Lexotan 6mg Garota, Sociedades Humanóides Fantásticas, Querida Superhist X Mr. Frog ou Um Lugar do Caralho, músicas que só poderiam escapar da mente de Júpiter Maçã.

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#59. Pulp
Different Class (1995, PolyGram)

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Enquanto o mundo parava para assistir a batalha entre Blur e Oasis, em 1995 o Pulp deixava de lado todo o universo de clichês musicais típicos daquele período e partia para a construção de um som que se desvencilhava de qualquer tipo de excesso. O resultado dessa busca por um novo rumo instrumental (e poético) acabou se traduzindo em um trabalho sério, instrumentalmente coeso e que de uma forma ou outra acabava os separando dos demais grupos do famigerado britpop. Como o próprio título do álbum já anunciava, a banda liderada por Jarvis Cocker fazia parte de uma classe diferente, algo que só foi compreendido quando as poeiras da suposta “guerra” do britpop se assentaram. Comandando uma espécie de levante popular e focando no povo britânico, Cocker faz de seus versos um verdadeiro tratado sobre o cotidiano inglês, recriando personagens tão típicos e histórias tão reais que facilmente poderiam ser confundidas com as de um singelo habitante da Londres dos anos 90 (ou de outras épocas). Distinto em suas bases, o álbum rapidamente caiu no gosto popular, sendo ainda hoje considerado como um dos maiores discos produzidos em solo britânico.

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#58. Teenage Fanclub
Bandwagonesque (1991, Creation Records)

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Quando Kurt Cobain disse que o Teenage Funclub era a melhor banda do mundo ele não estava nem um pouco errado. Como se tivesse viajado no tempo, esbarrado no noise rock dos anos 80 e aterrissado em novembro de 1991, Bandwagonesque era simplesmente o alcance da maturidade no trabalho do grupo escocês. Tão melódico quantos os melhores trabalhos do The Beach Boys, Big Star ou Neil Young, o álbum funcionou como um grande contra-ataque em relação aos críticos musicais, que não pouparam esforços em difamar o anterior trabalho do grupo, o mediano The King, um registro inteiro de covers. Primeiro grande álbum da banda pelo conceituado Creation Records, Bandwagonesque delimitaria exatamente todas as estratégias musicais que a banda de Bellshill viria a desenvolver em seus futuros trabalhos, unindo guitarras habilmente arquitetadas de forma suja, arranjos de voz excepcionalmente doces e versos que transformariam The Concept, I Don’t Know e Star Sign em verdadeiros marcos do rock britânico.

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#57. Wilco
Sumerteeth (1999, Reprise)

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Seria de se esperar que após o lamento instrumental lançado no duplo Being There, o Wilco desse em seus futuros trabalhos o mesmo tipo de continuidade ruidosa, sofrida e rebuscada exposta em seu segundo registro em estúdio, entretanto, ao lançar Sumerteeth em março de 1999, Jeff Tweedy e seus parceiros surpreenderiam ao público e principalmente à crítica mais uma vez. Límpido, recheado de novos arranjos e incontestavelmente mais amplo que o trabalho que o precede, o terceiro álbum do grupo de Illinois definiria de vez a sonoridade que acompanharia o Wilco pelos anos seguintes. Ainda que as passagens pelo country alternativo ainda se fizessem presentes, a busca do grupo parecia ser outra agora, viabilizando um tipo de som que soava grande, urbano e feito com um tipo de precisão que não parecia existir em nenhum trabalho lançado na mesma época. Pianos e teclados passeiam ao fundo das canções, enquanto a voz de Tweedy se mantém soberana, raramente sendo derrubada pelas guitarras que se fazem presentes. Extremamente melódico, o álbum serviria como um grande esboço para o que a banda desenvolveria logo em seguida com a chegada de seu quarto álbum, o clássico Yankee Hotel Foxtrot.

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#56. The Magnetic Fields
69 Love Songs (1999, Merge)

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Talvez nenhum disco lançado ao longo da década de 1990 seja tão pretensioso e surpreendente quanto 69 Love Songs do The Magnetic Fields. Como o próprio nome do disco já deixa claro logo em sua emblemática capa, trata-se de um registro extenso, dividido em três álbuns e dono de 69 composições inéditas, faixas que de uma forma ou outra falam sobre amor. Stephin Merritt, grande maestro dessa epopeia romântica da música alternativa foi buscar referências em praticamente todas as estâncias e gêneros musicais, atravessando décadas e mais décadas em busca de harmonias pop, doces e simplesmente perfeitas. Gravado ao longo de todo o mês de abril de 1999, o álbum surpreende não apenas pelo volumoso número de faixas que tomam conta de todo o registro, mas pela forma como cada uma das composições parecem ser ao mesmo tempo distantes e próximas umas das outras, faixas que mesmo tocadas por uma mesma temática, falam de coisas completamente distintas. Acompanhado de outros quatro vocalistas, Merritt fez desse disco literalmente o maior tratado amoroso musical da história da música.

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[65-61] - [55-51]

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (65-61)

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#65. Elliott Smith
XO (1998, DreamWorks)

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Elliott Smith há tempos não era mais uma figura musical específica de um público limitado. A boa repercussão de Either/Or (1997), seu mais conceituado disco havia o posicionado como uma das novas vozes da música folk norte-americana. A participação do músico na cerimônia do Oscar naquele mesmo ano – defendendo a música Miss Misery, faixa composta especialmente para o filme de Gus Van Sant, O gênio Indomável (Good Will Huntinga, 1997) – havia apresentado o trabalho do cantor e compositor ao resto do mundo, transformando Smith em uma das maiores sensações musicais daquele momento. XO, primeiro trabalho do artista através do selo Dream Works, fluía como uma espécie de exata continuação daquilo que fora propagado pelo músico em seu trabalho anterior. Um álbum que mesmo intimista e tocado pela dor evidenciava suas composições em moldes quase grandiosos, músicas bem mais volumosas e recheadas por uma instrumentação diversificada. Por mais que Figure 8, seguinte lançamento de Smith fosse um bom álbum é XO aquele que seria seu último grande registro.

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#64. Raimundos
Lavô Tá Novo (1995, Warner Bros)

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Em 1995 o Raimundos era a maior banda de rock do Brasil. A mistura entre o punk, o hardcore e ritmos regionais, além das letras nada límpidas e ponderadas caíram rapidamente no gosto popular, obrigando tanto rádios como programas de TV a exibirem tudo (ou quase tudo) que o quarteto brasiliense viesse a produzir naquele momento. Depois do unânime sucesso alcançado com seu debut, o grupo encabeçado pelo vocalista Rodolfo e o guitarrista Digão partiu para a produção de seu segundo registro em estúdio, o primeiro trabalho lançado pela banda diretamente através de uma grande gravadora. Carregado de guitarras ainda mais pesadas e versos ainda mais sujos do que os apresentados em seu álbum anterior, a banda, acompanhada do produtor norte-americano Mark Dearnley (que já havia trabalhado com AC/DC e Black Sabath) só poderia alcançar um único resultado: a consagração. Logo que lançado, o registro se transformou em um campeão de vendas (o disco já vendeu mais de 500 mil cópias), fazendo com que a banda alcançasse uma posição única em solo nacional, além de servir como base para uma série de outros grupos que nasceriam a partir daquele momento.

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#63. Fugazi
Red Medicine (1995, Dischord)

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Poucas bandas são capazes de agradar tanto o público quanto a crítica de maneira tão consensual quanto o Fugazi. Logo que os primeiros trabalhos do grupo começaram a sair no começo dos anos 90, que a recepção do som proposto pelo grupo de Washington foi unânime, com a banda se transformando em um dos projetos de pós-hardcore mais elogiados do território norte-americano, sendo capaz de convergir um público extremamente amplo, indivíduos que surgem de diferentes setores da música e se encontram como iguais nas apresentações do quinteto. Embora In on the Kill Taker, terceiro trabalho da banda e registro lançado em 1993 já fosse capaz de definir muito da sonoridade do Fugazi, com Red Medicine de 1995 a banda dá um passo ainda maior em sua carreira, promovendo um disco que traz uma nova carga de experiências em seus sons. Do noise rock, passando pela música experimental até aterrissar nas reverberações do dub ou nas tonalidades do jazz, um disco que caminha em inúmeras direções, mas todas posicionadas dentro de um mesmo caminho.

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#62. Metallica
Metallica (1991, Elektra)

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Não importa o lugar do mundo em que você esteja, cedo ou tarde Enter Sandman, clássico do grupo californiano Metallica acabará tocando. A colossal composição é apenas a primeira grande música que você encontra ao ouvir o homônimo trabalho da banda lançado em agosto de 1991, ou como se convencionou chamar “The Black Album”. Por mais que o resultado alcançado em seu trabalho anterior, …And Justice for All de 1988, já tivesse agradado tanto o público, quanto a crítica, além, claro, da própria banda, James Hetfield e Lars Ulrich, grandes mentes por trás do Metallica queriam trazer um novo tipo de som ao trabalho por eles proposto. Acompanhados do produtor Bob Rock (que se transformaria em uma figura constante nos trabalhos do grupo), a banda conseguiu desenvolver um tipo de som que mesmo denso, delimitado pelas fortes guitarras de Kirk Hammett e pela bateria de Ulrich, ainda assim consegue soar de maneira radiofônica e aberta ao grande público. Como resultado, a banda se manteve no topo das paradas musicais por mais de dois anos, além de lançar um dos discos mais surpreendentes da história do Heavy Metal.

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#61. Aphex Twin
Richard D. James Album (1996, Wrap Records)

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Talvez presentear o produtor irlandês Richard David James com o título de grande gênio da música eletrônica contemporânea talvez seja algo pequeno perto do que o artista que se esconde sob o nome de Aphex Twin mereça receber. Embora passe muitas vezes desconhecido do grande público, James é de longe um dos artistas mais influentes das últimas duas décadas, levando muito de suas invenções para dentro de uma série de trabalhos de outros artistas, estejam eles ligados ao panorama eletrônico ou não. Considerado como um dos pais da Intelligent Dance Music (IDM), o produtor tem em Richard D. James Album, seu quarto registro oficial a melhor mostra de todas suas experimentações musicais, um trabalho que parece estar presente em cada um dos grandes lançamentos dos últimos dez anos, álbuns como Kid-A do Radiohead, Silent Shout do The Knife ou mesmo Sound Of Silver do LCD Soundystem. Envolvido em texturas abstratas, bips minuciosos, samplers ocasionais e uma precisão quase matemática, o álbum parece ter escapado de alguma dimensão paralela tamanha beleza e excentricidade que se esconde por entre suas construções sonoros. Em uma palavra: essencial.

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[70-66] - [60-56]

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Os 100 Melhores Discos da Década de 1990 (70-66)

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#70. Stereolab
Emperor Tomato Ketchup (1996, Duophonic/Elektra)

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Emperor Tomato Ketchup é de longe o trabalho mais experimental e ambicioso do coletivo britânico Stereolab. Jazz, música pop da década de 1960, Krautrock e toda a psicodelia dos 70, música clássica, eletrônica, funk, ambient music e incontáveis experimentações estão escondidas (e expostas) em cada segundo do meticuloso registro. A excessiva soma de diferentes ritmos e formas instrumentais, entretanto, em nada impede que o disco manifeste uma explosão de sons essencialmente pegajosos e acessíveis, fazendo com que o álbum se revele como um verdadeiro tratado conceitual, ao mesmo tempo em que é capaz de soar de maneira puramente comercial e radiofônica, totalmente acessível ao grande público. Para a construção do disco – que tem seu nome inspirado no filme Tomato Kecchappu Kôtei (1971), do diretor japonês Shuji Terayama – cerca de dez músicos se revezaram na condução de distintos instrumentos, já os vocais são todos da vocalista Lætitia Sadier, responsável por manter o único ponto de estabilidade dentro de todo o vasto tratado.

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#69. Liz Phair
Exile In Guyville (1993, Matador)

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Em um mundo dominado por marmanjos barbudos de camisa xadrez, Liz Phair surgiu quase um grito solitário em meio ao rock alternativo ao lançar seu insuperável registro Exile In Guyville. Na época com 26 anos, a cantora fez de seu primeiro trabalho em estúdio um verdadeiro marco para o “rock feminino”, apresentando ao mundo uma série de canções marcantes, faixas que falavam de amor, solidão e seus sonhos, porém longe de fazer dela uma garota frágil ou que precisasse de algum apoio masculino para se sustentar. Destilando rifes de guitarra perfeitamente encaixados, versos memoráveis (ouça Fuck and Run) e vocais mais do que agradáveis, a cantora ao lado de nomes como PJ Harvey e Kim Deal (The Breeders, Pixies) conseguiu pavimentar um caminho sólido para que uma série de outras vocalistas pudessem apresentar futuramente. Perfeito em cada uma de suas 18 canções, o álbum seria o primeiro e único grande trabalho de Phair, que nunca mais conseguiria produzir um disco tão impactante e belo quanto este.

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#68. Bonnie “Prince” Billy
I See a Darkness (1999, Palace/Domino)

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Em 1999 Will Oldham resolveu assumir de vez sua persona de Bonnie ‘Prince’ Billy, deixando de lado todas as diversas máscaras e trabalhos que já havia experimentado anteriormente. O resultado desse abandono de sua real imagem se traduz em um disco sincero, como se o músico observasse tudo de outro ponto de vista e, a partir desse momento fosse capaz de derramar todos seus lamentos e dores ao longo de um disco incrivelmente doloroso e mórbido em alguns momentos. Por todos os cantos se escondem faixas como Death To Everyone e Another Day Full Of Dread, faixas que transformariam Oldham em um dos compositores mais elogiados da nova safra do folk norte-americano. Com uma instrumentação simples, o músico concentra todos seus esforços através de seus memoráveis versos, algo que posteriormente seria repetido em outros lançamentos do artista, porém, nenhum deles tão denso quanto este, um trabalho que parece lentamente cercar o ouvinte com uma névoa soturna, carregada de pesadelos e descrença.

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#67. Happy Mondays
Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches (1990, Factory)

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Por mais que o Happy Mondays fosse um dos grupos mais queridos da cena de Manchester na segunda metade dos anos 80, ainda faltava aos britânicos um trabalho que de fato honrasse sua carreira, algo que a banda só alcançaria dez anos após suas primeiras apresentações. Acompanhados de um Paul Oakenfold entusiasmado e contando com a assistência de Steve Osborne, a banda lançaria em 1990 o viajado Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches, trabalho que para além de mostrar muito do estilo de vida do próprio grupo se revelou como um dos registros mais influentes do rock inglês em décadas. A condução funkeada das músicas, os versos hedonistas de Shaun Ryder e uma ambientação que trazia elementos da música latina, hip-hop e black music acabaram dando ao rock uma dose extra suingue, além de uma injeção de psicodelia na cena eletrônica que naquele momento começava a explodir através das festas rave. Na época, quem quer que tenha ouvido esse disco quis trazer um pouco dele para dentro de suas próprias composições.

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#66. Boards Of Canada
Music Has the Right to Children (1998, Warm/Skam)

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Mesmo passados mais de dez anos de seu lançamento Music Has the Right to Children, debut do Boards Of Canada continua sendo um trabalho tão revolucionário quanto na época de seu lançamento. Formado pelos produtores escoceses Mike Sandison e Marcus Eoin, o projeto de ambient music vinha desde o final dos anos 80 desenvolvendo uma série de apresentações por toda a Europa, bem como o lançamento de um vasto número de singles. Com seu primeiro disco, entretanto, o duo concentra todo seu aprendizado em mais de dez anos de carreira (o projeto foi formado em 1986), apresentando um registro que mesmo transbordando referências eletrônicas se revela como um registro vivo, orgânico e tomado de sentimentos. Não é fácil aceitar o álbum em uma primeira ou segundo audição, porém, à medida que o disco vai se desenvolvendo mais o ouvinte é puxado para junto das suas tonalidades propostas por seus realizadores, revelando um trabalho que parece caminhar por diferentes terrenos da música eletrônica sem necessariamente se fixar em um só.

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[75-71] - [65-61]

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