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LISTA DOS LEITORES
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#10. Weezer
Pinkerton (1996, DGC)
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Logo após o sucesso alavancado pelo debut “The Blue Album”, o segundo registro do Weezer era aguardado sob muita expectativa tanto por parte do público, esperando por novas composições ao nível de Buddy Holly, quanto pela crítica, sedenta por mais algumas doses do power pop melódico e divertido que o grupo californiano havia proposto. Entretanto, ao contrário do que fora esperado, Pinkerton, segundo disco do grupo acabou recebendo fortes críticas por conta de seu conteúdo excessivamente centrado na vida do vocalista da banda, Rivers Cuomo, além de estabelecer baixíssimas vendas. A péssima recepção do álbum quase levou o grupo a encerrar suas atividades, com Cuomo afirmando que se pudesse jamais teria gravado o disco. Estranhamente, o disco foi aos poucos ganhando as atenções de um novo público, sendo posteriormente definido como o melhor álbum da carreira do Weezer. Lançado em 1996 e portando faixas como Across The Sea, Pink Triangle e Tired Of Sex, o disco é o último grande registro da banda, que logo após seu lançamento se afundou através de uma série de lançamentos pouco ou nada significantes.
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#09. Raimundos
Raimundos (1994, Banguela Records)
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Até a chegada do primeiro registro em estúdio da banda brasiliense Raimundos, a música brasileira ainda vivia daquilo que fora produzido na década de 1980, algo que foi bruscamente rompido quando os primeiros acordes de Puteiro em João Pessoa são ecoados através do raivoso debut. Trazendo a produção de Carlos Eduardo Miranda, o disco transparece muito do que tomaria a música nacional a partir daquele momento: o cruzamento de ritmos. Se por um lado era o peso do punk rock e a energia do hardcore que davam a condução necessária para o álbum se movimentar, por outro lado eram elementos vindos da cultura nordestina, como o Forró, que davam distinção ao som da banda, na época formada por Digão (guitarra), Canisso (baixo), Fred (bateria) e Rodolfo Abrantes (voz). Trazendo algumas das criações mais memoráveis do grupo – como Nega Jurema e Minha Cunhada -, o disco é o início de uma das carreiras mais bem sucedidas do rock nacional, um trabalho que seria copiado por um sem número de bandas que ainda estavam por nascer.
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#08. U2
Achtung Baby (1991, Island)
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Com o lançamento de The Joshua Tree em 1987, a parceira entre o U2 e o músico e produtor Brian Eno havia se mostrado como um encontro mais do que acertado, afinal, com o resultado exposto no registro a banda irlandesa havia se transformado em uma das grandes entidades da música naquele período. Buscando explorar novos rumos, em 1998 veio Rattle and Hum, um disco em que o quarteto se afastava de Eno e investia na produção de um som calcado no mais do mesmo. Buscando corrigir o pequeno deslize, ao final de 1990 Bono Vox e seus parceiros mais uma vez se encontraram com o produtor, atuando em conjunto para desenvolver aquele que seria um dos melhores registros da carreira do U2, Achtung Baby. Tomado pela dor da separação – The Edge havia acabado de se separar de sua ex-mulher e Vox usa do disco para discutir algumas divergências com seu pai -, o disco flui como uma grande sequência de lamentos, músicas aos moldes de Who’s Gonna Ride Your Wild Horses e One que fariam do U2 uma das bandas mais queridas do grande público.
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#07. Neutral Milk Hotel
In the Aeroplane Over the Sea (1998, Merge Records)
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Experimentações Lo-Fi, letras inspiradas no diário de Anne Frank, harmonias instrumentais insuperáveis, delírios poéticos de Jeff Mangum e orquestrações abafadas, estes são os elementos que ao serem encaixados dão formas ao belíssimo In the Aeroplane Over the Sea, obra-prima do grupo norte-americano Neutral Milk Hotel e um dos registros mais influentes das últimas décadas. Gravado inteiramente em um cômodo convertido em estúdio na casa de Jim McIntyre (baixista do The Apples in Stereo) e contando com um número ainda maior de instrumentos que seu antecessor (On Avery Island, de 1995), o segundo disco da banda de Ruston, Luisiana funciona como um grande viagem através de um universo paralelo, um lugar onde ruídos claustrofóbicos se convertem em estrondosas orquestrações e letras fantasiosas recriam personagens memoráveis. Contando com produção de Robert Schneider (um dos criadores do coletivo The Elephant 6), o registro, mesmo gravado há mais de dez anos ainda hoje parece se manifestar em uma série de outros projetos, servindo de base para aquilo que bandas como The Decemberists, Arcade Fire e diversos grupos contemporâneos desenvolvem em seus trabalhos.
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#06. Racionais MC’s
Sobrevivendo no Inferno (1997, Cosa Nostra)
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Por mais que todo o cenário voltado ao Hip-Hop no Brasil já tivesse alcançado proporções inimagináveis, se distanciando cada vez mais dos primórdios tímidos do gênero no país, apenas quando Sobrevivendo no Inferno foi lançado ao final de 1997 que o rap, puro e genuíno alcançou a crítica e as massas. Vindos de uma consistente sequência de bons discos Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e KL Jay transformariam seu quarto álbum em um dos pilares fundamentais do rap no país, materializando uma série de versos densos e ainda hoje capazes de causar o mesmo impacto e arrepio gerados na época de seu lançamento. Músicas como Tô ouvindo alguém me chamar, Capitulo 4 versículo 3 e a incomparável Diário de um detento, que traz em seus versos trechos do diário de um ex-detento da Presídio do Carandiru, todas composições que em nada ficavam atrás do que naquele período era produzido no exterior. Cruzando batidas suaves e uma instrumentação minimalista – similar ao que o Wu-Tang Clan já vinha desenvolvendo em seus registros -, o quarto disco dos Racionais MC’s é sem sombra de dúvidas o maior exemplar do rap nacional, sendo de longe um dos trabalhos mais duros, sinceros e completos da nossa música.
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#10. The Smashing Pumpkins
Siamese Dream (1993, Virgin)
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A explosão do movimento grunge no começo dos anos 90 praticamente transformou Gish, primeiro álbum do The Smashing Pumpkins em um registro descartável, praticamente abandonado, mesmo nos dias de hoje quando olhamos para 1991 em busca do que fora produzido na época. Quem, entretanto havia deixado de lado a estreia do grupo de Chicago teria uma bela surpresa dois anos mais tarde, quando Siamese Dream, segundo registro da banda viria ao mundo. “Hoje é o melhor dia que já vivi” canta Corgan no hit Today, faixa que talvez soasse como um grande resumo do que se encontrava dentro do álbum, com o músico exorcizando uma série de fantasmas do passado – como os problemas com os pais em Disarm e o fim de relacionamento em Soma – enquanto destilava suas guitarras como algum ícone dos anos 70, bebendo diretamente de grupos como Black Sabbath e Led Zeppelin, produzindo um som agressivo e único naquele período. Primeiro trabalho tocado e composto quase que inteiramente por Corgan (o que seria algo natural nos discos seguintes), Siamese Dream é um disco que ainda hoje pode ser ouvido repetidas vezes sem que soe datado ou distante do mesmo efeito causado na época de seu lançamento.
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#09. Belle and Sebastian
If You’re Feeling Sinister (1996, Jeepster Records)
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Se 1996 fosse definido em apenas uma banda, sem dúvidas Belle and Sebastian assumiriam tal função de forma justa. Logo após o lançamento de seu primeiro disco, Tigermilk (um projeto de faculdade montado por Stuart Murdoch), os escoceses haviam se consagrado e se transformado em uma das maiores sensações vindas de território britânico, sendo constantemente assediados pela mídia e donos de um grandioso número de fãs, sedentos por apresentações e novidades do grupo. Lançado cinco meses após o debut dos escoceses, If You’re Feeling Sinister dava um novo passo na carreira da banda, reforçando a criações de melodias delicadas, uma ambientação quase essencialmente acústica, além das letras joviais de Murdoch que pareciam pescar qualquer adolescente ou jovem adulto que se deparasse com tal registro. Doce, melancólico, ácido e amargurado, assim vai se movimentando o disco e suas dez singelas composições, músicas como Like Dylan in the Movies e The Stars of Track and Field que transformariam o grupo em um dos mais queridos daquela e das décadas seguintes.
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#08. Raimundos
Raimundos (1994, Banguela Records)
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Até a chegada do primeiro registro em estúdio da banda brasiliense Raimundos, a música brasileira ainda vivia daquilo que fora produzido na década de 1980, algo que foi bruscamente rompido quando os primeiros acordes de Puteiro em João Pessoa são ecoados através do raivoso debut. Trazendo a produção de Carlos Eduardo Miranda, o disco transparece muito do que tomaria a música nacional a partir daquele momento: o cruzamento de ritmos. Se por um lado era o peso do punk rock e a energia do hardcore que davam a condução necessária para o álbum se movimentar, por outro lado eram elementos vindos da cultura nordestina, como o Forró, que davam distinção ao som da banda, na época formada por Digão (guitarra), Canisso (baixo), Fred (bateria) e Rodolfo Abrantes (voz). Trazendo algumas das criações mais memoráveis do grupo – como Nega Jurema e Minha Cunhada -, o disco é o início de uma das carreiras mais bem sucedidas do rock nacional, um trabalho que seria copiado por um sem número de bandas que ainda estavam por nascer.
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#07. Pavement
Crooked Rain, Crooked Rain (1994, Matador Records)
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Enquanto boa parte dos artistas que lançaram seus trabalhos na década de 90 preferiram atacar governos, levantar questionamentos existencialistas ou lamentar sobre suas perdas do passado, Stephen Malkmus e seus parceiros do Pavement resolveram seguir por uma via própria, irônica e bem humorada. O ponto máximo desse caminho próprio está em Crooked Rain, Crooked Rain, segundo álbum do grupo californiano e registro em que a banda parece ter alcançado suas melhores melodias, harmonias instrumentais e, claro, seus melhores versos. Sempre projetadas de forma nonsense ou surreal – uma das características de Malkmus na hora de escrever suas canções -, as músicas vão aos poucos esculpindo desde críticas voltadas para bandas “rivais” (como na faixa Range Life, em que o grupo ataca o Stone Temple Pilots e o Smashing Pumpkins) até faixas sem qualquer foco ou sentido aparente, como Unfair. A banda até tira tempo para homenagear o jazzísta Dave Brubeck em 5-4 = Unity e citar o movimento Mod na faixa de encerramento Fillmore Jive, transformando o álbum em um grande mosaico musical esquizofrênico, mas capaz de fazer todo sentido.
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#06. Neutral Milk Hotel
In the Aeroplane Over the Sea (1998, Merge Records)
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Experimentações Lo-Fi, letras inspiradas no diário de Anne Frank, harmonias instrumentais insuperáveis, delírios poéticos de Jeff Mangum e orquestrações abafadas, estes são os elementos que ao serem encaixados dão formas ao belíssimo In the Aeroplane Over the Sea, obra-prima do grupo norte-americano Neutral Milk Hotel e um dos registros mais influentes das últimas décadas. Gravado inteiramente em um cômodo convertido em estúdio na casa de Jim McIntyre (baixista do The Apples in Stereo) e contando com um número ainda maior de instrumentos que seu antecessor (On Avery Island, de 1995), o segundo disco da banda de Ruston, Luisiana funciona como um grande viagem através de um universo paralelo, um lugar onde ruídos claustrofóbicos se convertem em estrondosas orquestrações e letras fantasiosas recriam personagens memoráveis. Contando com produção de Robert Schneider (um dos criadores do coletivo The Elephant 6), o registro, mesmo gravado há mais de dez anos ainda hoje parece se manifestar em uma série de outros projetos, servindo de base para aquilo que bandas como The Decemberists, Arcade Fire e diversos grupos contemporâneos desenvolvem em seus trabalhos.
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#15. Nação Zumbi
Afrociberdelia (1996, Chaos/Sony BMG)
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Depois de todos os limites traçados em seu primeiro álbum, com Afrociberdelia o Nação Zumbi partia em busca de novas experiências e cruzamentos instrumentais dentro de sua música, resultando em um disco que além de agradar a crítica se aproximou significativamente do público. Concentrando alguns dos maiores clássicos do grupo, como Macô, Maracatu Atômico e Manguetown, o registro se manifesta como uma profunda aproximação do grupo com a música psicodélica e africana (algo bem retratado logo no título do disco), trazendo desde elementos vindos do rock da década de 1970 (algo bem expresso pelas guitarras de Lúcio Maia), como toques da música jazzística de Fela Kuti. Instrumentalmente mais vasto que seu predecessor, o álbum vai aos poucos revelando elementos vindos do candomblé, dub, além de uma forte inclusão de sons eletrônicos que acabam movimentando um disco enorme, tanto em sua duração (são mais de 70 divididos em 23 faixas), como em suas referências.
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#14. Guided By Voices
Bee Thousand (1994, Scat)
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Robert Pollard sempre reclamou em entrevistas sobre o quanto gravações em estúdios profissionais e equipamentos de última geração apenas prejudicavam a “qualidade” de seus projetos, dando sempre preferência ao uso de métodos artesanais e caseiros de captação de som. Melhor exemplo disso está em Bee Thousand, sétimo registro do Guided By Voices e um trabalho que mesmo oculto em diversas camadas de chiados e ruídos inconvenientes se traduz em um verdadeiro achado, uma grande coletânea de composições que só parecem realmente funcionar embaladas em seus rótulos poluídos e inaudíveis. Em suas letras, que muitas vezes beiram o nonsense, Pollard pinta um grande retrato de suas experiências fazendo uso de LSD e outras substâncias lisérgicas, algo que acaba resultando em criações que muitas vezes soam como se compostas por uma criança ou próximas de algo essencialmente onírico, algo que posteriormente se transformaria em uma das marcas do grupo.
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#13. Pavement
Slanted and Enchanted (1992, Matador)
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Com gravações que custaram míseros 800 dólares e inicialmente distribuído através de fitas cassete produzidas artesanalmente, Slanted and Enchanted disco de estreia do Pavement é ainda hoje um dos pilares que sustentam o rock alternativo da década de 1990. Sujo e incrivelmente tosco, porém ainda assim capaz de abarcar algumas das maiores pérolas musicais lançadas no período, como Conduit For Sale! e Trigger Cut / Wounded Kite At :17, a desconfortante estreia do grupo californiano é de longe um dos registros mais importantes dos últimos 20 ou 30 anos, ainda hoje servindo como base para o que uma série de artistas, norte-americanos ou não vêm desenvolvendo. Cravejado de guitarras que parecem se chocar em todos os cantos do disco e apresentando algumas das mais belas (e estranhas) letras de Stephen Malkmus, o álbum parece delinear toda a trajetória que o Pavement viria a desenvolver naquela década, um grupo que praticamente nasceu e morreu nos anos 90.
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#12. Nirvana
In Utero (1993, DGC)
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De todo os trabalhos lançados ao longo dos anos 90, talvez nenhum deles foi encoberto por tamanha expectativa quanto In Utero, terceiro registro em estúdio do Nirvana. Lançado dois anos após o surpreendente Nevermind, o disco veio cercado pelos olhares da crítica e do público, sedentos por uma continuação daquele que imediatamente acabou se transformando em um dos marcos do rock alternativo daquele período. Cada vez mais afundado no uso de drogas e intensamente consumido por sua depressão, Kurt Cobain dava todos os sinais de que o disco jamais seria lançado, algo que quase se confirmou quando a DGC (gravadora que estava por trás da banda) irritada com os resultados da gravação do álbum e da produção de Steve Albini pediu para outro produtor (Scott Litt) desse novo acabamento ao álbum. Contra todas as péssimas expectativas, o disco acabou lançado e propôs um som tecnicamente distante do que a banda já havia produzido, se revelando como um disco tão importante quanto seu predecessor e mais um clássico na carreira do Nirvana.
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#11. Radiohead
The Bends (1995, Parlophone)
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Se por um lado Creep havia dado ao Radiohead um público extenso e certa dose de reconhecimento nos quatro cantos do planeta, por outro lado a banda acabou se transformando em um alvo fácil da crítica, que não poupou esforços em atacar o quinteto de Oxford por todos os lados, impossibilitando que Pablo Honey, primeiro disco da banda obtivesse qualquer tipo de reconhecimento. Dois anos após o lançamento de seu primeiro álbum, entretanto, a banda britânica não apenas calaria os críticos que haviam os perseguido, como se transformariam em um dos grupos mais importantes da música daquele e dos anos que ainda estavam por vir. Com produção de John Leckie e gravado no lendário Abbey Road, The Bends rompia qualquer ligação com o anterior trabalho da banda, com o grupo investindo em um som maduro, denso e calcado por algumas doses de experimentação. Conceitual e comercialmente bem aceito, o álbum traz alguns dos maiores sucessos do grupo, como High and Dry, Fake Plastic Trees e Just, faixas que ainda hoje soam atuais e brilhantes. Porém, quem já havia se surpreendido com o registro teria uma surpresa ainda maior no lançamento seguinte da banda.
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#60. Júpiter Maçã
A Sétima Efervescência (1996, Antídoto)
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Em 1996, enquanto a imprensa musical brasileira se deliciava com o lançamento de Afrociberdelia do Nação Zumbi, aguardava pelo novo álbum do Planet Hemp e ainda se satisfazia com os dois primeiros discos do Raimundos, o grande público entrava de vez no ritmo do Axé baiano. Distante deste excêntrico turbilhão e vindo diretamente de solo gaúcho, uma figura peculiar lançava ao mundo seu primeiro registro. Tão excêntrico quanto o atual panorama musical brasileiro, Júpiter Maçã (nascido Flávio Basso e ex-integrante das bandas TNT e Cascavellettes) fez de A Sétima Efervescência um trabalho antes de tudo ousado, afinal, rock psicodélico em plena década de 90 soava como um grande suicídio musical. Apenas soava, já que na prática o disco se mantém longe dos grandes clichês do gênero, concentrando uma série de verdadeiros clássicos do rock nacional, faixas como Miss Lexotan 6mg Garota, Sociedades Humanóides Fantásticas, Querida Superhist X Mr. Frog ou Um Lugar do Caralho, músicas que só poderiam escapar da mente de Júpiter Maçã.
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#59. Pulp
Different Class (1995, PolyGram)
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Enquanto o mundo parava para assistir a batalha entre Blur e Oasis, em 1995 o Pulp deixava de lado todo o universo de clichês musicais típicos daquele período e partia para a construção de um som que se desvencilhava de qualquer tipo de excesso. O resultado dessa busca por um novo rumo instrumental (e poético) acabou se traduzindo em um trabalho sério, instrumentalmente coeso e que de uma forma ou outra acabava os separando dos demais grupos do famigerado britpop. Como o próprio título do álbum já anunciava, a banda liderada por Jarvis Cocker fazia parte de uma classe diferente, algo que só foi compreendido quando as poeiras da suposta “guerra” do britpop se assentaram. Comandando uma espécie de levante popular e focando no povo britânico, Cocker faz de seus versos um verdadeiro tratado sobre o cotidiano inglês, recriando personagens tão típicos e histórias tão reais que facilmente poderiam ser confundidas com as de um singelo habitante da Londres dos anos 90 (ou de outras épocas). Distinto em suas bases, o álbum rapidamente caiu no gosto popular, sendo ainda hoje considerado como um dos maiores discos produzidos em solo britânico.
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#58. Teenage Fanclub
Bandwagonesque (1991, Creation Records)
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Quando Kurt Cobain disse que o Teenage Funclub era a melhor banda do mundo ele não estava nem um pouco errado. Como se tivesse viajado no tempo, esbarrado no noise rock dos anos 80 e aterrissado em novembro de 1991, Bandwagonesque era simplesmente o alcance da maturidade no trabalho do grupo escocês. Tão melódico quantos os melhores trabalhos do The Beach Boys, Big Star ou Neil Young, o álbum funcionou como um grande contra-ataque em relação aos críticos musicais, que não pouparam esforços em difamar o anterior trabalho do grupo, o mediano The King, um registro inteiro de covers. Primeiro grande álbum da banda pelo conceituado Creation Records, Bandwagonesque delimitaria exatamente todas as estratégias musicais que a banda de Bellshill viria a desenvolver em seus futuros trabalhos, unindo guitarras habilmente arquitetadas de forma suja, arranjos de voz excepcionalmente doces e versos que transformariam The Concept, I Don’t Know e Star Sign em verdadeiros marcos do rock britânico.
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#57. Wilco
Sumerteeth (1999, Reprise)
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Seria de se esperar que após o lamento instrumental lançado no duplo Being There, o Wilco desse em seus futuros trabalhos o mesmo tipo de continuidade ruidosa, sofrida e rebuscada exposta em seu segundo registro em estúdio, entretanto, ao lançar Sumerteeth em março de 1999, Jeff Tweedy e seus parceiros surpreenderiam ao público e principalmente à crítica mais uma vez. Límpido, recheado de novos arranjos e incontestavelmente mais amplo que o trabalho que o precede, o terceiro álbum do grupo de Illinois definiria de vez a sonoridade que acompanharia o Wilco pelos anos seguintes. Ainda que as passagens pelo country alternativo ainda se fizessem presentes, a busca do grupo parecia ser outra agora, viabilizando um tipo de som que soava grande, urbano e feito com um tipo de precisão que não parecia existir em nenhum trabalho lançado na mesma época. Pianos e teclados passeiam ao fundo das canções, enquanto a voz de Tweedy se mantém soberana, raramente sendo derrubada pelas guitarras que se fazem presentes. Extremamente melódico, o álbum serviria como um grande esboço para o que a banda desenvolveria logo em seguida com a chegada de seu quarto álbum, o clássico Yankee Hotel Foxtrot.
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#56. The Magnetic Fields
69 Love Songs (1999, Merge)
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Talvez nenhum disco lançado ao longo da década de 1990 seja tão pretensioso e surpreendente quanto 69 Love Songs do The Magnetic Fields. Como o próprio nome do disco já deixa claro logo em sua emblemática capa, trata-se de um registro extenso, dividido em três álbuns e dono de 69 composições inéditas, faixas que de uma forma ou outra falam sobre amor. Stephin Merritt, grande maestro dessa epopeia romântica da música alternativa foi buscar referências em praticamente todas as estâncias e gêneros musicais, atravessando décadas e mais décadas em busca de harmonias pop, doces e simplesmente perfeitas. Gravado ao longo de todo o mês de abril de 1999, o álbum surpreende não apenas pelo volumoso número de faixas que tomam conta de todo o registro, mas pela forma como cada uma das composições parecem ser ao mesmo tempo distantes e próximas umas das outras, faixas que mesmo tocadas por uma mesma temática, falam de coisas completamente distintas. Acompanhado de outros quatro vocalistas, Merritt fez desse disco literalmente o maior tratado amoroso musical da história da música.
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