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Experimente: Kogoi

Kogoi

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A curitibana Homemade Blockbuster tinha tudo para se transformar em uma das grandes novidades do rock nacional. Tinha, antes de encerrar as atividades. Com contrato assinado com a DeckDisc e um possível primeiro disco a caminho, seus integrantes resolveram assumir novos rumos. Entretanto, o seguidor do quarteto paranaense tem um bom motivo para não ficar triste, visto que boa parte dos antigos integrantes (com exceção do guitarrista André França, agora no Copacabana Club) continuam a alimentar um novo projeto: O Kogoi. Orientado por uma sonoridade menos acelerada que a imposta no antigo grupo, a nova banda traz na presença dos sintetizadores e elementos caricatos da década de 1980 boa parte dos elementos que abastecem as poucas, porém cativantes músicas do novo projeto.

Com quatro músicas em mãos – Sarajevo, Babauno, Foolish Laughs e Restless Of Mature Candy -, a nova banda segue apostando nos versos em inglês, trazendo na sonoridade uma clara relação com a Chillwave e os sons hipnagógicos da música norte-americana. Misto de Toro Y Moi com Lemonade, o projeto comandado por Lucas Chan, Marcelo Fiedler e Netos Salas expande a relação com as pistas, fortificando no uso dos sintetizadores e batidas calculadas um exercício curioso para o que movimenta cada faixa do novo projeto.

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Sarajevo

Babauno


Foolish Laughs

Restless Of Mature Candy

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Experimente: Carne Doce

Carne Doce

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Somos uma banda de Goiânia, criada por um casal”, você não precisa saber além disso para se encantar pelo projeto da dupla Carne Doce. Sustentados por referências que vão dor rock nacional da década de 1970, passando pelo clima brega-chique dos anos 1980 até estacionar nos experimentos da música recente, Salma Jô e o parceiro Macloys encontram em Dos Namorados EP um exercício de confissões diversas. São declarações – românticas ou não – que circulam de forma natural pelo cotidiano do dupla. Um simples “bom dia”, carícias, uma briga, tapas e beijos. Tudo em um ambiente que parece desvendado por completo apenas pelo casal.

Carne Doce

Poderia ser Pepeu e Baby, Rita e Roberto ou o casal Letuce, mas não é. Trata-se de algo que pertence apenas à jovem dupla, consciente de cada mínima porção de esquizofrenia (poética e instrumental) que se esparrama pela obra. Quem acompanha o trabalho de Tulipa Ruiz e Céu não vai encontrar qualquer dificuldade em transitar pela curiosa obra de seis faixas. Enquanto as guitarras soam como qualquer composição abençoada pelos membros do Cidadão Instigado, os vocais dançam por entre épocas sem jamais se fixar em nada. Experimento em prol de um invento pop, caseiro como a dupla aponta, mas que lentamente se aproxima da realidade do ouvinte – esteja ele acompanhado ou não.

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Carne Doce – Dos Namorados EP

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Experimente: Glue Trip

Glue Trip

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Samba, Dream Pop, Dub e uma pitada de fim de tarde que tende inevitavelmente à Chillwave. Com todos estes elementos a dupla paraibana de João Pessoa, Glue Trip faz nascer um dos projetos mais curiosos da recente produção nacional. Aos comandos dos mascarados Lucas Moura e Felipe Augusto, a banda encontra uma relação curiosa com aquilo que Peaking Lights e Toro Y Moi vêm desenvolvendo há alguns anos em suas próprias obras. São canções mergulhadas em reverberações nostálgicas, acordes simples e melodias de vozes que praticamente se convertem em instrumento. Longe de parecer como um pastiche dos exageros psicodélicos que banham a música estrangeira, o projeto segue de forma decidida em uma linha autoral, algo como João Gilberto em um diálogo à beira mar com Chaz Bundick.

Glue Trip
Com poucas composições em catálogo, o duo firma na relação com os versos melancólicos (sempre em inglês) uma relação muito próxima com o que ocupa a cena carioca recente. Faixas que discutem saudade, abandono e memórias recentes enquanto um plano sonoro de realces artesanais cresce preguiçoso ao fundo. Se há poucos meses a timidez de faixas como Júlio e Tropikaoss pareciam abastecer o trabalho de Moura e Augusto, bastam os instantes iniciais de Elbow Pain e La Edad Del Futuro para prever uma maturidade que parece construída aos poucos, sem esforço e certa dose de lisergia.

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Glue Trip – Elbow Pain

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Glue Trip – La Edad Del Futuro

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Experimente: Madrid

Por: Cleber Facchi

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Estranheza é provavelmente a inicial e principal sensação de quem passeia pelas naturalmente raras composições da dupla Madrid. Formado por Marina Vello (ex-Bonde do Rolê) e Adriano Cintra (Ex-Cansei de Ser Sexy), o ainda recente projeto soa como tudo, menos como um resultado provável do que seria uma natural relação musical entre os dois artistas. Lembrados por seus projetos passados, um voltado ao funk carioca e outro ao electropop, a dupla se distancia completamente de qualquer possibilidade tradicional que tanto definiu suas respectivas carreiras em outras épocas, proposta que marca com seriedade cada fração das novas invenções do emblemático e curioso duo.

Com passagens honestas pelo jazz, folk e até por alguns referenciais melancólicos que inundaram os anos 80 – a aproximação com o Echo & the Bunnymen é constante -, a dupla projeta de forma sutil um arsenal de composições marcadas pelas nuances acinzentadas. Trazendo no uso dos pianos e outros elementos acústicos a principal base para o trabalho, a parceria arrasta de maneira quase involuntária o ouvinte para panorama lamurioso, um lugar onde faixas como Sad Song e Let Go Of Me possam crescer e se expandir livremente. Funcionando como uma espécie de versão adulta do que o Agridoce já vem desenvolvendo, o projeto mostra que no universo sombrio criado por Cintra e Vello, incontáveis sensações ainda podem ser encontradas, mesmo que a estranheza ainda permaneça como a principal delas.

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Experimente: DIANA

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O que acontece quando os experimentos da canadense Grimes se encontram com as guitarras confortáveis e o pop descompromissado da banda Friends? A resposta é bem simples: DIANA. Com uma proposta tecnicamente simples, o trabalho do grupo formado por Carmen, Joseph e Kieran vai de encontra às reformulações que tomaram conta da Chillwave no último ano e os novos rumos da música pop em 2012. Com uma linha de baixo agrabilíssima e vocais que prendem nos ouvidos, a doce Born Again e parece ser as escolha mais indicada para conhecer o trabalho do grupo, descendentes da mesma cena canadense que hoje envolve Purity Ring, Bloody Diamonds e toda uma variedade de nomes da produção independente do Canadá.

Ora passeando pela década de 1980, ora incorporando elementos tipicamente contemporâneos, a proposta do grupo parece remodelar a música pop de forma que ela ao mesmo tempo agrade o grande público e reinvente. O trio, entretanto, mostra que também sabe experimentar e brincar com novas estratégias e possibilidades sonoras, resultado bem visível no saxofone ousado que passeia ao longo da doce e erótica Perpetual Surrender, uma espécie de aquecimento para todos os futuros inventos da banda que ainda deve apresentar nos próximos anos.

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DIANA – Born Again

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DIANA – Perpetual Surrender

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Experimente: O Terno

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Não há uma década que não tenha sido tão reaproveitada, copiada e desrespeitosamente revista musicalmente quanto a de 1960. De grandes metrópoles à cidadezinhas, vai sempre existir um grupinho fanático por Beatles, The Doors, Rolling Stones e The Who, três ou quatro amigos interessados na mesma sonoridade que aflorou naqueles anos. Fanáticos que cedo ou tarde resolvem montar uma banda influenciada por esse nostálgico tipo de som. Entretanto, o que seria algo genial na cabeça dos garotos, acaba se revelando como um eterno mais do mesmo, afinal, são raras as bandas capazes de ir além das influências arquitetadas naqueles tempos e trazer algo de verdadeiramente novo para os dias de hoje. Estranho notar, mas é exatamente com isso que lida a banda paulistana O Terno, que ao brincar com os clichês marcados do rock clássico e da tropicália encontram uma mistura cômica e capaz de atrair mesmo os mais exigentes ouvintes.

Descaradamente influenciados por Beatles, Os Mutantes, Caetano Veloso e tantos outros que escreveram seus nomes naquele período, o grupo formado por Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme “Peixe” (baixo) e Victor Chaves (bateria) olha para o passado, mas sem esquecer de manter os pés bem fixos no presente, resultando em uma sonoridade que atravessa décadas e acaba por soar estranhamente renovada em nossos ouvidos. Próximos de lançar o primeiro disco de estúdio, a banda dá uma mostra do que será encontrado no registro graças ao clipe de 66, faixa que dá nome ao álbum – que será lançado em junho – e deixa firme a questão: “Me diz meu Deus o que é que eu vou cantar? Se até cantar sobre ‘me diz meu Deus o que é que eu vou cantar’ já foi cantado por alguém?”

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Experimente: Onagra Claudique

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Lembra do que você sentiu quando ouviu pela primeira vez o álbum de estreia da banda norte-americana Fleet Foxes em 2008? Ou quem sabe o primeiro disco do Bon Iver? É mais ou menos isso que você irá sentir ao se deparar com a primeira obra do grupo paulistano Onagra Claudique. Fazendo um misto de indie pop e folk com a música bucólica que tomou conta do Brasil em princípios da década de 1970, a banda nos conduz a um mundo de sonhos, melancolias e sutilezas, algo facilmente observado na soma de ruídos suaves e doces sensações que se apoderam do EP de três faixas A Hora e Vez de Onagra Claudique, o primeiro trabalho da banda composta por Roger Valença e Diego Scalada.

 

Delicadíssimo, o registro conta com a produção de Fabio Pinczowski e Mauro Motoki, membros do Ludov e experientes artesãos quando o assunto é conduzir qualquer música com sutileza e emoção, algo que se revela em cada uma das composições do álbum e também das letras agradáveis do pequeno disco. Com um confortável clima matinal, o trabalho parece ser a escolha mais acertada para um passeio pelo campo ou mesmo para quem deseja estabelecer um contraste com a soma de prédios cinzas de qualquer cidade grande. Provavelmente é a melhor resposta para o que teria acontecido se Justin Vernon (Bon Iver) se este resolvesse se encontrar com o Clube da Esquina.

Pois mesmo com a cortina assim
A luz vai trespassar
As frestas e os vãos, enfim
É hora de acordar”

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Experimente: Dive

Por: Fernanda Blammer

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De todas as bandas que já surgiram – e ainda vão surgir – em 2012, poucas conseguem soar tão inventivas, melódicas e intensas quanto a nova-iorquina Dive. Inicialmente pensada como um projeto paralelo do guitarrista do Beach Fossils, Zachary Cole Smith, o grupo parece tomar formas que vão muito além dos limites tradicionais que tanto caracterizam o rock alternativo norte-americano. Inundados por referências que vão muito além do rock lo-fi e soando como uma versão apurada da anterior banda de Smith, o grupo investe em um som ameno, porém, encantador, ora lembrando o Real Estate do álbum Days, ora o The Pains Of Being Pure At Heart do álbum de estreia. Há também uma soma de referências particulares, próprias apenas da banda e do conjunto de músicas lançadas nos últimos meses.

 

Com versos cantaroláveis, coros de vocais brandos e guitarras que se inspiram claramente no rock suave da década de 1960, a banda trouxe uma série de ótimas músicas, entre elas How Long Have You Known?, Sometime e Corvails, todas partidárias dessa mesma sonoridade agradável. Por vezes provando da psicodelia e até brincando com uma variante próxima do noise pop, a banda parece dar todas as pistas de que um álbum grandioso está por vir, afinal, mesmo nos momentos menos intensos ou nas canções mais frágeis há sempre a mesma delicadeza e beleza dos grandes hits propostos pelo grupo.

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Dive – How Long Have You Known?

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Dive – Sometime

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Experimente: Nana

Por: Cleber Facchi

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Um dos aspectos mais interessantes da nova safra de projetos relacionados à Música Popular Brasileira está na maneira como estes jovens representantes exploram de maneira renovada e graciosa cada mínima referência musical do passado. Próxima da leveza e do despojo proposto na música brasileira da década de 1960, a baiana Nana faz nascer um composto musical ensolarado, dotado de pequenas nuances coloridas e uma suavidade que passeia doce pelo samba como pela bossa nova em seus dias mais ensolarados. Dona de um simpático EP – Expressionismo Alemão -, a cantora transforma a delicada voz que carrega em um instrumento, uma chave que destranca as portas de um ambiente brando, rodeado de cores e delicadas sensações.

Além da óbvia aproximação com os sons nacionais, parte fundamental do que resulta na beleza musical da baiana vem de referências estrangeiras impregnadas por um doce som hipnótico. Camadas de Belle and Sebastian se encontram com um mar de referências instrumentais típicas dos mais delicados grupos escandinavos – de Club 8 ao Kings Of Convenience -, resultando em criações como O Céu de Estocolmo, I Can’t Fall In Love e Aniversário, que invadem os ouvidos do espectador com uma suavidade totalmente encantadora. Dotada de um clima matinal, a obra de Nana parece ser a criação exata para acalentar os corações mais sofridos, ou amolecer os indivíduos de coração mais bruto.

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Experimente: Baleia

Por: Cleber Facchi

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O indie rock, o brega e o eletrônico, elementos cada vez mais presentes na produção independente nacional parecem não se abrigar no interior do grupo carioca Baleia. Nadando contra a maré, o imenso projeto composto de sete integrantes parece se acomodar em águas nostálgicas, incorporando elementos do jazz, pitadas de bossa nova e doces camadas de um pop vintage e revigorante. Lembrando em diversos momentos os franceses do Novele Vague em seus melhores momentos e sempre cantando em inglês, o projeto concentra em três vocalistas boa parte do peso de suas canções, algo que o toque agradabilíssimo da suave Killing Cupids ilustra com perfeição.

Além da produção impecável de composições próprias, o septeto aproveita para investir em alguns covers, entre eles a sedutora What Goes Around Comes Around, uma das grandes músicas que esboçam a boa fase de Justin Timberlake e que nas mãos (e vozes) do grupo se converte em uma criação dançante e despojada, dialogando de maneira fervorosa com as composições típicas das montadas para os clubes de jazz dos anos 40 e 50. Embora ainda não disponha de nenhum registro oficial, a banda prepara para março um primeiro EP, registro que deve contar com o mesmo ritmo fervilhante que se evidencia nas atuais composições do grupo.

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