Disco: “Halcyon”, Ellie Goulding

Ellie Goulding
Electronic/Pop/Indie Pop
http://elliegoulding.com/

Por: Fernanda Blammer

É compreensível o sucesso em torno da recente obra de Ellie Goulding. Capaz de adaptar para o público amante da música pop o que há de mais esquizofrênico e por vezes experimental na cena alternativa, a cantora londrina alcança o segundo registro em estúdio ampliando mais uma vez a mesma fórmula de resultado atrativo, radiofônico e dançante que lhe apresentou ao mundo. Menos tímido que o antecessor Lights (2010), Halcyon (2012, Polydor) aposta no mesmo pop eletrônico que alavancou a carreira a cantora no final da década passada, proposta que agora se veste com uma manta de sons conceituais, enquadramentos próximos do etéreo e mais uma multiplicidade de elementos que fazem da artista uma verdadeira máquina de adaptação.

Goulding é tudo aquilo que você quiser que ela seja. Se procura por Florence and The Machine e os versos montados de maneira crescente escondidos dentro do disco Cerimonials (2011), basta ir até a faixa My Blood para ter essa mesma recepção. Se a busca é por uma canção mais experimental e que brinque com a eletrônica de forma semi-onírica, Anything Could Happen e a perfeita adaptação do que Grimes desenvolve na faixa Genesis está aí para isso. É possível ainda encontrar ecos de Robyn (Only You), um pouco de Beyoncé do disco 4 (Dead In The Water) e até Lykke Li nos momentos mais dolorosos e aconchegantes do álbum (Joy). Uma verdadeira colcha de retalhos sonoros costurados de forma a cobrir carinhosamente o grande público.

Halcyon é um trabalho que absorve a música dos outros artistas de tantas maneiras que até quando nos deparamos com a chegada de Hanging On – grande single do trabalho de estreia do norte-americano Active Child, You Are All I See (2011) – fica a dúvida se estamos nos deparando com mais apropriação de Goulding ou se trata de um assumido cover. Por falar na canção, inegável é a capacidade da britânica em expandir todos os limites da originalmente doce criação, uma faixa que não apenas arrasta a harpa de Patrick James Grossi para as pistas, como faz nascer uma composição rival para o que existe de mais sintético no trabalho de nomes como Katy Perry e Rihanna.

Parceira de Skrillex (que deixa marcas bem visíveis no decorrer do disco), a britânica segue à sua maneira os passos do que o conjugue desenvolve dentro do brostep – a versão mastigada, totalmente dissolvida e pop do dubstep inglês. Enquanto o norte-americano converte de forma própria e comercial tudo aquilo que gigantes da eletrônica britânica vêm promovendo há mais de uma década, Goulding converte tudo aquilo que os maiores nomes do pop feminino vêm explorando ao longo dos últimos dois anos, uma continuação do mesmo resumo instrumental testado no disco anterior. Se em um passado recente a cantora queria ser La Roux, Little Boots e até Lady Gaga, hoje a proposta é outra, como se a Ellie se materializasse como um concentrado de tudo que definiu o mundo da música de 2010 até agora.

Ainda que falte surpresa ao registro (por vezes ele chega até a soar nostálgico), não há como contestar o quanto Halcyon consegue surpreender e fisgar o ouvinte. Seja pelos experimentos pop que se escondem no ritmo chapado de Halcyon ou o electropop descompromissado de Only You, cada porção do álbum se projeta de forma a grudar feito chiclete nos ouvidos do espectador. Mesmo quando brinca com um som de razões “conceituais”, como em Explosions, tudo é pensado de forma a encantar mesmo o mais exigente dos ouvintes. Dentro dessa marca da artista em planejar uma criação repleta de detalhes e versos fáceis mora de fato a grande identidade de Goulding, que mesmo pescando (ou sugando) referências consegue parecer estranhamente nova.

Contra toda a vertente de artistas que se apoiam de forma idêntica nos mesmos conceitos sonoros e poéticos, Ellie Goulding encontra “distinção” e uma formula “própria” por justamente apostar em uma diversidade de outros sons e experiências. Definitivamente um guia prático para quem passou os últimos anos sem entender ou conhecer o que acabou estabelecido dentro da música pop e do cenário alternativo. Apenas não esqueça de buscar por toda a informação original que a inglesa estuda e usa como base.

Halcyon (2012, Polydor)

Nota: 5.5
Para quem gosta de: Grimes, Florence and The Machine e Robyn
Ouça: Anything Could Happen e My Blood

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10 comentários sobre “Disco: “Halcyon”, Ellie Goulding

  1. marcos sena disse:

    Concordo com a crítica em quase tudo, mas pra que elogiar tanto e dar uma nota dessa no final?

  2. Rayssa disse:

    Não entendi a nota,elogiou o disco pra caramba na crítica pra dar uma nota contraditória…

  3. Luis disse:

    Também achei estranho. Achei que a nota fosse pelas similaridades com outros artistas, mas no final concluem que “Ellie Goulding encontra “distinção” e uma formula “própria” por justamente apostar em uma diversidade de outros sons e experiências”. Nota estranha pra esse texto, principalmente se juntar à parte em que dizem que “agrada aos mais exigentes ouvidos” e que ela “expande todos os limites” do cover do Active Child.

  4. André disse:

    Gente, o disco é bom, mas nada que vai mudar sua vida, daria um 5 ou 4. Dá pra dançar se divertir e tal, mas não um disco que você ouve e diz “meu deus que discão”

  5. Rodolfo Costa disse:

    O disco é um pouco estranho. Tem músicas boas (“Joy” é excelente), já outras são chatinhas. A impressão que eu tenho é que Ellie quis fazer um disco grandioso, mas ainda não tem capacidade para tal. Valeu a tentativa, pelo menos é uma cantora que tenta ir além.

  6. [...] da música pop que usam a experimentação eletrônica a seu favor. Dona do pegajoso e versátil Halcyon – trabalho que passeia por Grimes, Florence Welch, Robyn e uma infinidade de outros artistas [...]

  7. eduardo pepe disse:

    O texto quis dizer que Ellie não tem personalidade e apenas junta tudo que rolou no indie e pop como um robô; eficaz, mas sem alma.

  8. Lucas disse:

    Também achei a a contraditória, depois de tantos elogios ao álbum, ficou meio sem sentido. Ellie realmente suga muito do que aontece em sua volta musicalmente falando, mas faz isso de forma que realmente soa original. Eu acho lights um disco mais chatinho de se ouvir, mas acho o Halcyon incrível. N aminha opinião, é um disco grandioso sim, ao ver que ellie não é uma artista tão conhecida assim. Ela se esforça para fazer o melhor.

  9. [...] os parceiros suecos a entregar o que parece ser a melhor faixa que jamais será lançada por Ellie Goulding. Mesmo o deposito comportado de canções na primeira metade do trabalho não consegue ocultar o [...]

  10. [...] as pistas do mundo todo. Sempre acompanhado de grandes nomes da música pop, o produtor encontra em Ellie Goulding a parceria exata para transformar I Need Your Love em um verdadeiro arrasa quarteirões das pistas. [...]

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