Disco: “Babel”, Mumford & Sons

Mumford & Sons
British/Folk/Alt. Country
http://www.mumfordandsons.com/

Por: Cleber Facchi

 

É curiosa a relação expressa mediante a assimilação de ritmos nacionais pelas mãos de artistas estrangeiros. Da bossa nova que se estende pela obra do Kings Of Convenience às guitarras que flertam com o Axé no primeiro álbum do Two Door Cinema Club, tudo ecoa como novidade quando exposto por artistas que se entregam aos versos em inglês ou que estejam distantes de nossa terra natal. Mais assustador do que isso é perceber o quanto o público tem hábito de apreciar todo “invento” estrangeiro que desprezamos em nossa própria cultura. Basta observar o quanto somos apaixonados pelo Funk Carioca maquiado nos primeiros discos da M.I.A., ao passo que temos completo desprezo pelo som que ecoa nos morros do Rio de Janeiro. Ou talvez pela forma como fechamos os ouvidos para o technobrega, ritmo nacional ainda recente, mas que logo se transformará no novo lago criativo de uma infinidade de aclamados artistas estrangeiros.

E o que dizer da música sertaneja? Gênero muitas vezes expresso em meio a cusparadas pelos “intelectuais” e ouvintes de gosto “evoluído”, mas que há décadas circula com louvor na cena estrangeira e principalmente pelo público alternativo. Você pode até negar e pular o texto, mas o que é o trabalho de bandas como My Morning Jacket, Bon Iver, Band Of Horses, Wilco e tantos outros grupos se não uma representação atual do mesmo cancioneiro de raíz fundamentado há várias décadas? Existe até quem insista em brincar com uma variável mais pop e comercial dessa proposta, estrutura que o quarteto britânico Mumford & Sons bem representa em uma versão particular (e quase constrangedora) do mesmo sertanejo universitário tão desprezado pelos sempre entendidos ouvintes.

Esperneie, critique e se faça de entendido circulando por aí com seu iPod como se compreendesse de forma absoluta tudo sobre o Country Alternativo. Corra, conte para seus amigos o quanto o grupo inglês é uma fina (e moderna) representação dos tempos de glória da música country de raíz, bluegrass e outros termos tradicionais que se estabeleceram desde idos da década de 1940. Entretanto, saiba que você nada mais tem em mãos do que uma extensão estrangeira do mesmo som “reformulado” que artistas brasileiros como Maria Cecília e Rodolfo e tantos outros insistem em incorporar em suas populares obras. Da maneira como a instrumentação é nitidamente encaixada pelo trabalho à forma como os vocais passeiam suntuosos pelo disco, tudo se sustenta como uma obra de produção impecável, mas de resultado duvidoso e visivelmente programado.

Aclamada de forma quase imediata (principalmente pelo público), a banda conseguiu no bem planejado jogo de composições melancólicas e de acabamento bucólico que definem o disco Sigh No More (2009) esconder uma trama que de tão básica constrange. Com Babel (2012, Island/Glassnote), mais novo registro em estúdio do grupo as mesmas estrutura instrumentais e poéticas voltam a se repetir, com a banda mais uma vez se mantendo em um meio termo entre o rock alternativo manifesto na década de 1990 e o country “tradicional” firmado mesmo antes da existência de outros estilos musicais. O recente álbum, entretanto, não consegue esconder os limites do quarteto, que de tão previsível, revela logo em uma primeira audição a mesma base de versos e sons que há três anos os fizeram nítidos “salvadores do country alternativo”.

Tudo se resume a três elementos bem simples no decorrer do disco: o banjo quase infantil que enfeita as canções, os vocais sobrepostos de forma “encantadora” que estão em todas as faixas do disco e as letras chorosas, costuradas pela quase tradicional base das rimas “amor” e “dor”. Até aí nada muito diferente do que tantas duplas sertanejas já não tenham improvisado em solo brasileiro, ou quem sabe até uma versão Country do mesmo toque sorumbático que passa pela discografia do Coldplay. De fato, quanto mais tempo passamos dentro do “gigantesco” trabalho, mais percebemos o quanto ele soa como uma versão interiorana dos lamentos chorosos enaltecidos por Chris Martin. É quase possível visualizar o vocalista da banda londrina desfilando com um volumoso chapéu de Cowboy enquanto os demais parceiros se dividem na execução de instrumentos rudimentares no melhor estilo desenho animado do Pica-Pau.

Praticamente tudo soa estranho na maneira como Mumford e “seus filhos” tentam se apropriar de ritmos não genuínos (nesse caso os explorados em solo norte-americano) como se tudo fosse parte de uma rica e regular projeção que há décadas circula na música britânica. Falta distinção e sobram versos por vezes bobos, como os que se anunciam em músicas como I Will Wait ou Lovers’ Eyes, atributos que mesmo as mais inusitadas bandas em feiras agropecuárias pelo país conseguem representar com maior propriedade e comoção. Mesmo com toda a deselegância e incapacidade de produzir algo próprio, original e de fato atrativo, o Mumford & Sons acerta pelo menos em uma coisa: o título do álbum. Afinal, nada mais justo do que nomear um trabalho que tenta ser grandioso, como o título de uma imensa construção fadada a desabar.

Sente raiva do vizinho que acaba de levantar o volume na música nova do Michel Teló? Morre de vergonha daquele tio que insiste em comprar o DVD da Paula Fernandes? Desculpe, pois ouvindo Babel você faz exatamente a mesma coisa, apenas substituindo as velhas rimas em português por “ricas” frases em inglês.

Babel (2012, Island/Glassnote)

Nota: 2.0
Para quem gosta de: My Morning Jacket, Paula Fernandes e Michel Teló
Ouça: I Will Wait

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31 comentários sobre “Disco: “Babel”, Mumford & Sons

  1. Thais Andrade disse:

    Isso vindo de alguém que deu 8.3 ao álbum do Vanguart, talvez a banda mais desafinada do cenário hoje. Sinto certo desgosto seu já anterior, com relação à banda, talvez até uma ‘raivinha’. sendo assim sua resenha não chega nem próximo a algo sério.

  2. André Luis disse:

    “Sente raiva do vizinho que acaba de levantar o volume na música nova do Michel Teló? Morre de vergonha daquele tio que insiste em comprar o DVD da Paula Fernandes? Desculpe, pois ouvindo Babel você faz exatamente a mesma coisa, apenas substituindo as velhas rimas em português por “ricas” frases em inglês.”

    Estava conversando isso ontem mesmo com um amigo. Mumford & Sons é o sertanejo universitário dos gringos. Nunca entendi o suposto amor e devoção que as pessoas tem por eles desde o primeiro disco da banda. Pra mim eles sempre foram uma cópia do My Morning Jacket. Não sei quem postou isso no twitter mas define bem o trabalho dos caras: “Quem nasceu para Mumford & Sons, nunca será Fleet Foxes”.

  3. anonimo disse:

    Hahaha, nem li a crítica (não ouvi o álbum), mas é bem isso aí mesmo

  4. leca_rock@hotmail.com disse:

    Quanto ódio no seu coração.

  5. vinicio disse:

    Ouvi no Saturday Night Life e achei bem fraca mesmo.

  6. Marlon disse:

    O disco não é tão ruim assim. Está no mesmo nível do primeiro e do próximo que vier.

  7. PH disse:

    Banda “famosa” com primeiro disco aclamado + novo disco = resenha que desce a lenha no Miojo Indie. The Killers, Vaccines, Mumford… previsível!

  8. Pedro disse:

    Olha, eu nem conheço a banda, mas uma review que compara Bon Iver com sertanejo universitário não tem que ser levada a sério.

  9. Paula disse:

    Pedro, tô até agora tentando entender onde ele compara Bon Iver com sertanejo universitário, acho que você quem leu errado. O que ele disse foi o contrário, o texto entende o sertanejo de raíz como algo positivo, mas reclama do “sertanejo universitário gringo”, que no caso é este disco do Mumford & Sons (que por sinal é bem fraquinho rssrss).
    Se bem conheço o Miojo Indie e principalmente os textos aqui postados o Cléber jamais criticaria Bon Iver, ainda mais depois de ter posto o disco como o melhor do último ano na lista dos 50 melhores de 2011, disque eu eu amo muito por sinal

  10. vinicios disse:

    Ouvi ontem o disco durante a tarde toda e achei bem fraquinho. Parece que todas as músicas são iguais, em vários momentos eu parei pra ver se não tava ouvindo a mesma música repetida. Como o texto diz lembra MUITO coldplay, principalmente nas músicas mais pop, como I will wait. Prefiro Fleet Foxes

  11. Ana Ferreira disse:

    Comparações e mais comparações… É muito fácil associar o trabalho de um artista com o de outros artistas. Esta crítica me pareceu um tanto quanto tendenciosa, já que não aponta argumentos suficientes sobre o disco em tese. Ao invés disso, preferiu comparar uma coisa a outra. Descartaram a possibilidade de falar sobre a singularidade do trabalho do Mumford & Sons, e minuciar de maneira objetiva este disco, que não é “surpreendente”, mas que também não tem nada a ver com Michel Teló ou Paula Fernandes… Por favor, né!

  12. gabriel disse:

    passei só pra concordar com o autor da crítica, abs

  13. Wesleis disse:

    O que aconteceu com este site? Parace que acordaram em um dia ruim e foram dando notas aleatórias. 2,0 para M&S é foda.

  14. Danilo Moraes disse:

    É o latino o Critico? Pq só falou merda, desculpa!

  15. Nossa, esse aí ouviu I Will Wait e julgou o álbum inteiro. Chamar isso de resenha seria um elogio, vamos chamar de “Opinião equivocada de um hipster”.. eu teria vergonha de publicar isso, mas enfim..

  16. Thiago B disse:

    Pode achar o disco horroroso, a banda fraca, porem acho um equivoco comparar com o sertanejo universitario. Esse novo sertanejo baseia-se em versos rasos procurando rimas faceis e refroes repetitivos e pegajosos com conotacao sexual na maoria das vezes.

    As letras geralmente sao sobre homens babacas queixando da mulher que nao lhe da atencao ou que a largou. Quando nao eh sobre um cara convencido que e pegador que se quer mostra como se faz. Tem excecões………poucas

    Paula Fernandes é um pop/mpb travestido de sertanejo.

  17. paulotfilho disse:

    Mumford & Sons é a primeira banda a emplacar seis faixas concorrentes no famoso Hot 100 da Billboard desde os Beatles há 48 anos. http://www.nme.com/news/mumford-and-sons/66501

  18. C.T disse:

    Sinceramente, eu não sei como o Mumford & Sons conseguiu tamanha façanha ao lançar aquele debut de 2009. No meu ponto de vista, a banda é fofinha demais e não faz músicas sérias. Não vou ficar aqui julgando o segundo CD do grupo, pois eu não o escutei, mas a banda, nos aspectos gerais, não é lá essas coisas. Julgando “Sigh No More”, de fato, algumas letras são bem amadurecidas (como Winter Winds), mas não é aquela coisa 100% original (e sem falar no ja comentado bandolin, que me irrita).Também, a letras são fofinhas demais, mas demais MESMO, e também as canções sempre abordam temas muito clichês. Outra coisa são o Noah And The Whale, que, apesar de fofinhos e de não serem lá essas coisas, fazem canções com letras bem diferentes. Agora, mesmo que o Mumford And Sons esteja fazendo muito sucesso nos EUA, é preciso levar em consideração que o público leigo, por não ter um conhecimento amadurecido com relação à musicalidade, não vai ficar ligando se as canções são originais, se a letra é fofinha ou nojenta… Não! Eles querem somente ESCUTAR e nada mais (digo isso pq eu ja fui assim e tenho certa vergonha desse meu passado). No mais, caro leito, quero deixar claro que nunca ligo se um artista é ruim quando faz sucesso e é excelente quando é desconhecido, porém, eu fico extremamente revoltado quando um(a) cantor(a) ou uma banda rebaixa a qualidade do seu som justamente para fazer algo mais acessível e ganhar dinheiro.

  19. João Paulo disse:

    As críticas não deveriam ser feitas por quem tem experiência e prática do assunto? Se alguém não entende de aeronaves ela não pode escrever uma crítica sobre um avião. Por que ela não sabe de nada sobre isso. Muito fraco esse autor, não possui nenhum termo técnico para tratar de música, senso comum e ignorante.

  20. Eliel Brandão disse:

    Ridícula essa resenha, sem mais.

  21. Cristiane Queiroz disse:

    Você poderia até comparar Mumford & Sons com Michel Teló e Paula Fernandes, tudo bem, contanto com que tudo fosse baseado em argumentos consistentes, não em uma crítica equivocada, comparando Michel Teló, um “cantor” que nem deve compor suas músicas, de quatro acordes que se repetem a música inteira, algo cru, vazio; com uma banda que, pode não ser inovadora, mas com certeza, sabe produzir um som de qualidade, e tem a sua originalidade. O que eu também não entendo é o fato de que, se uma banda mantém a sua identidade, ela é criticada por não inovar, mas quando trazem algo novo e diferente, também são criticadas, por não ser tão bom quanto antes e perderem sua identidade…
    Essa resenha não pode ser considerada crítica.

  22. disse:

    Como o Thiago já falou aí em cima, vc pode criticar o disco do Mumford & Sons (M&S), mas, pelo que conheço do sertanejo universitário, a comparação não se sustenta, sendo totalmente inadequada. O resenhista (Cleber) que não me leve a mal, mas não é a primeira vez que vejo isso: quem leu a resenha do cd do Cícero e viu a remissão ao Chico Buarque, outra comparação completamente inadequada, sabe do que eu estou falando.

    Foram poucas as vezes que consegui escutar o Sigh No More de cabo a rabo, porque achava muito repetitivo. Era a mesma formulazinha e pronto. Mas acho que conseguiria mais vezes, se as letras fossem do gabarito de Joni Mitchell, Nick Drake, Tom Waits ou, num nível maior ainda, Leonard Cohen ou Bob Dylan (ou Laura Marling, pra citar algm mais recente). Com o Babel a mesma coisa vem ocorrendo e até agora só consegui ouvir o cd completo uma única vez.

    Quanto às letras do M&S, vc percebe um esforço, vc vê que não escrevem coisas à Lady Gaga, Nicky Minaj, Maroon 5…. mas, se não é algo do tipo (1)”pirou minha cabeça e o coração, feito bola de sabão”, é aquilo de (2)”como uma flor de verão, ilumina a escuridão, me aquece o coração”. Claro que o segundo é melhor que primeiro, mas o segundo não chega aos pés de um “Subia na montanha / Não como anda um corpo / Mas um sentimento/…E pela porta de trás / Da casa vazia eu ingressaria / e te veria confusa por me ver / Chegando assim mil dias antes de te conhecer” (Chico Buarque – Valsa Brasileira).

    O sertanejo universitário tá no nível dos versos do primeiro tipo – (1). As coisas que o M&S escrevem estão no nível (2), às vezes um pouquinho melhor, às vezes um pouquinho pior. Não tem como comparar os versos de “The Cave”, de “Babel”, de “I Gave You All” e mesmo das mais bobinhas “I Will Wait” ou “Lover of the Light” com estas pérolas do sertanejo universitário: “Eu tô ficando doce que nem caramelo / tô tirando onda de camaro amarelo” (Munhoz e Mariano) ou “sábado na balada / a galera começou a dançar/ e passou a menina mais linda / tomei coragem e comecei a falar / delícia, delícia…” (Michel Teló) ou “Eu quero ser ao teu lado / Encontro inesperado / O arrepio de um beijo bom” (Paula Fernandez) ou “Pra onde foi você, flor? / Com seu perfume de amor/ O que que eu fiz de ruim? / Eu não achei outra flor / Com a beleza e a cor / Que tem você pra mim” (Jorge e Mateus) ou ainda “”Vai se entregar pra mim / Como a primeira vez / Vai delirar de amor / Sentir o meu calor / Vai me pertencer” (Paula Fernandes).

    O mesmo se diga das melodias que o M&S compõe, que, por certo, são superiores ao sertanejo universitário, tanto no apuro da composição em si, como nos arranjos, mais complexos. Há críticas, claro. Eu, p.ex., acho que em Babel houve alguns erros de produção e mixagem, o banjo e o piano ÀS VEZES são mal colocados mesmo, mas nào acho que seja nada tão grave assim (particularmente, detesto algumas coisas que ficaram bem à la country americano, mas isso é gosto pessoal mesmo). O mais grave pra mim é a repetição, a mesma fórmula, aquela mesma coisinha, até mesmo nas letras, que se limitam a uma tradução similar de sentimentos e temas – de novo, o mesmo problema do cd anterior. Pra mim, o grande atrativo e diferencial da banda é a voz rouca do Marcus e a intepretação que ele imprime nas músicas (com bastante sentimento). A banda não se sustentaria sem a voz dele e escuto as músicas da banda especialmente por causa do Marcus (adorei que eles andam cantando The Boxer, do Simon e do Garfunkel)… Outro diferencial ainda, a meu ver, é o grande introsamento da banda, que me parece perceptível tanto nos cds como nos shows e que não é coisa comum a todas as bandas. Por conta desse introsamento, existe uma força por trás das música (eu sei que isso é muito abstrato, mas é difícil de explicar mesmo, hehehe).

    Enfim, ambos cds do M&S têm bastantes defeitos, mas não há fundamentos para sustentar a comparação com o sertanejo universitário, seja nas melodias, como nas letras ou na “atitude”. Só porque eles têm uma vibe na música country e fazem músicas mais pops e pegajosas e com letras mais fáceis, não dá pra dizer que são “sertanejo universitário”. Seria o mesmo que dizer que Leonard Cohen é emo, porque fez inúmeras letras bastante melancólicas, depressivas, emocionais, com alto tom confessional (sim, já vi gente dizendo essa besteira enorme).

  23. Rafael Belaro disse:

    Por favor, comparar MUMFORD & SONS com sertanejo universitário é um erro.
    ELES SÃO MUITO, MUITO PIORES!

    Até Michel Teló é melhor, puta bandinha ruim. Melhor de tudo é ver os hipsterezinhos desesperados por contrariar a bandinha merda deles.

  24. [...] britânica há mais de uma década. Acústico e agradável sem cair nos exageros pretensiosos do Mumford & Sons, o projeto até soaria atrativo se não fosse pelo excesso de referências copiosas que o [...]

  25. [...] #01. Mumford & Sons Babel (Island/Glassnote) É curiosa a relação expressa mediante a assimilação de ritmos nacionais pelas mãos de artistas estrangeiros. Da bossa nova que se estende pela obra do Kings Of Convenience às guitarras que flertam com o Axé no primeiro álbum do Two Door Cinema Club, tudo ecoa como novidade quando exposto por artistas que se entregam aos versos em inglês ou que estejam distantes de nossa terra natal. Mais assustador do que isso é perceber o quanto o público tem hábito de apreciar todo “invento” estrangeiro que desprezamos em nossa própria cultura. Basta observar o quanto somos apaixonados pelo Funk Carioca maquiado nos primeiros discos da M.I.A., ao passo que temos completo desprezo pelo som que ecoa nos morros do Rio de Janeiro. E o que dizer da música sertaneja? Gênero muitas vezes expresso em meio a cusparadas pelos “intelectuais” e ouvintes de gosto “evoluído”, mas que há décadas circula com louvor na cena estrangeira e principalmente pelo público alternativo. Você pode até negar e pular o texto, mas o que é o trabalho de bandas como My Morning Jacket, Bon Iver, Band Of Horses, Wilco e tantos outros grupos se não uma representação atual do mesmo cancioneiro de raíz fundamentado há várias décadas? Existe até quem insista em brincar com uma variável mais pop e comercial dessa proposta, estrutura que o quarteto britânico Mumford & Sons bem representa em uma versão particular (e quase constrangedora) do mesmo sertanejo universitário tão desprezado pelos sempre entendidos ouvintes. Esperneie, critique e se faça de entendido circulando por aí com seu iPod como se compreendesse de forma absoluta tudo sobre o Country Alternativo. Corra, conte para seus amigos o quanto o grupo inglês é uma fina (e moderna) representação dos tempos de glória da música country de raíz, bluegrass e outros termos tradicionais que se estabeleceram desde idos da década de 1940. Entretanto, saiba que você nada mais tem em mãos do que uma extensão estrangeira do mesmo som “reformulado” que artistas brasileiros como Maria Cecília e Rodolfo, Michel Teló e tantos outros insistem em incorporar em suas populares obras. Da maneira como a instrumentação é nitidamente encaixada pelo trabalho à forma como os vocais passeiam suntuosos pelo disco, tudo se sustenta como uma obra de produção impecável, mas de resultado duvidoso e visivelmente programado.(Resenha) [...]

  26. eduardo pepe disse:

    Achei interessante a comparação. É bom para refletir. Não ouvi o disco, mas será que eles faz um um folk pop tão ruim assim. Ele se baseiam em Bob Dylan, então se eles “são” Luan Santanna, Bob Dylan é Zezé Dicamargo e Luciano? Acho que essas comparações além de polêmicas, são radicais demais. Quanto ódio, calma.

  27. Wally disse:

    ˜As críticas não deveriam ser feitas por quem tem experiência e prática do assunto? Se alguém não entende de aeronaves ela não pode escrever uma crítica sobre um avião. Por que ela não sabe de nada sobre isso. (…)”

    SE assim fosse, não haveria jornalismo cultural, e muito menos crítica de arte, seja ela qual for.
    Fora outra questão: pegando o exemplo da música, que é do que esse post trata, quem disse que um músico necessariamente saberia criticar melhor que Cleber Facchi, o autor do texto? Os caras da Fresno ou um David Guetta da vida saberia comentar com mais propriedade sobre esse disco? Provavelmente não.
    Seguindo esse raciocínio, pra criticar Mumford & Sons, seria preciso o sujeito conhecer a fundo música folk americana, a importância do banjo nesse estilo, métrica sertaneja, as origens do sertanejo universitário e mais uma porrada de assuntos correlatos… Caia na real, João Paulo. Se pra ti, o argumento de Cleber é fraco, ou teu, pra falar desse post, é pior ainda…

    [obs: nem conheço o trabalho do Mumford & Sons. Mas depois desse texto, quero ver essa semelhança entre sertanejo universitário brasileiro e a banda]

  28. Ademir disse:

    Band Of Horses é massa…

  29. Eliézer disse:

    Mumford & Suckers.

  30. Jhennyffe disse:

    Caramba, só pode ser zoa né!

  31. Letícia disse:

    Comparar Mumford com sertanejo universitário é ridículo! Mumford tem letras de um nível cultural altíssimo e inspiradoras, onde isso se compara com FUGIDINHA?
    Acho melhor vc rever seus conceitos, uma coisa é sertanejo universitário, outra é FOLK.

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