Tame Impala
Psychedelic/Indie/Experimental
http://www.tameimpala.com/
Por: Cleber Facchi

O lançamento de Innerspeaker há dois anos praticamente transformou o quarteto Tame Impala em um novo fenômeno da cena alternativa e (principalmente) da recente safra de artistas orientados pela música psicodélica. Longe dos exageros que definem a carreira de outras bandas locais, como o Wolfmother e The Vines, o multi-instrumentista Kevin Parker e os parceiros de Perth, Australia deram vazão a um som muito mais amplo, original, ainda que relacionado de forma intensa com o que fora proposto desde o final da década de 1960 por veteranos do gênero. Mais do que uma bem sucedida estreia, o disco abriria as portas para o universo colorido do grupo, que ainda imerso nessa mesma proposta faz nascer agora uma aprimorada e bem resolvida sequência com o aguardado Lonerism (2012, Modular).
Esqueça as associações com MGMT ou tantas outras bandas que insistem em assumir o conceito psicodélico em suas criações, com o segundo disco dos australianos temos uma versão renovada (e moderna sem estranhezas) do mesmo som proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Ao mesmo tempo em que observamos “homenagens” ao que fora construído por Pink Floyd, Cream e artistas mais recentes como The Flaming Lips (e até My Bloody Valentine), no decorrer do álbum é notável a evolução do grupo, que se aproxima de um som muito autoral e inventivo. Logo, fica evidente que existe um abismo gigantesco entre a sonoridade proposta pelo Tame Impala e demais bandas propagadoras do som pseudo-psicodélico que aforou nos últimos anos, um abismo que os australianos pintam com guitarras melódicas que se desfazem policromáticas em nossos ouvidos.
Comparado ao antecessor Innerspeaker, o novo disco é muito mais sutil e naturalmente atrativo, se desvencilhando das guitarras diretas que definiram o projeto passado e se afundando em uma nuvem de distorções mornas e acolhedoras. Mesmo que o enquadramento seja outro, é visível ao longo do álbum a construção de músicas que parecem como uma continuação aprimorada do que fora testado no disco passado. Elephant com suas guitarras pontuais (incrementadas por nuvens de uma distorção leve) e Apocalypse Dreams exemplificam bem essa passagem, como se a banda, ciente da necessidade de evoluir, mantivesse ainda uma forte conexão com o disco passado, um prato cheio para os carentes espectadores do debut lançado há dois anos e um elemento de iniciação aos que ainda desconhecem a proposta dos australianos.
Ainda que o abuso com as drogas – “influência” confessa do grupo – sirva como base para grande parte do registro, muito do que estimula o crescimento do álbum vêm de referências maiores e curiosamente externas aos tradicionais apontamentos relacionados ao coletivo. Além das naturais confissões amorosas que se anunciam no decorrer de Why Won’t They Talk To Me? e She Just Won’t Believe Me, muito do que solidifica e amplia os horizontes do grupo no novo registro vem da necessidade em manifestar um som “pop” e “acessível”, ainda que dentro dos limites do grupo. O próprio Kevin Parker assumiu em entrevistas durante a construção do disco que gostaria que ele soasse como “Britney Spears cantando com The Flaming Lips”, algo que a banda até parece ter alcançado em músicas como Keep On Lying e Elephant, alguns dos momentos mais comerciais da obra.
Por falar nos lábios flamejantes e na herança de Wayne Coyne, à medida que nos confortamos no almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam ao longo da obra, mais percebemos o quanto a banda de Oklahoma parece influenciar e interferir na produção da obra dos australianos. Por mais que essa já fosse uma percepção bastante lógica durante a construção de Innerspeaker, é somente agora, quando nos deparamos com a maestria instrumental de faixas como Nothing That Has Happened… e Music To Walk Home By, que percebemos o quanto o grupo norte-americano está presente. Do uso apurado de samples aos constantes encaixes eletrônicos que pontuam de forma luminosa o disco, tudo cheira ao Flaming Lips, indo dos trabalhos iniciais propostos em findos dos anos 1980 aos ruídos assíncronos de Embryonics (2009).
Dotado de uma maturidade particular, o trabalho mantém até o ecoar da última faixa a proposta de um som que mesmo sério se permite hipnotizar o grande público com leveza. Por vezes soando como uma versão mais colorida dos últimos discos do Deerhunter e até mais lisérgico do que os recentes inventos do Real Estate, o álbum mantém firme a proposta de olhar para o que foi produzido no passado e retratar isso com novidade, com os pés bem fixos no presente. Logo, o resultado não poderia ser outro se não um disco que soa como o My Bloody Valentine em um dia de sol à beira mar ou a discografia do Pink Floyd traduzida de forma pop e quase dançante. Criativo e coerente com o que ecoa hoje, Lonerism parece ser um disco que será melhor compreendido em um futuro próximo, enquanto isso, nos resta apenas viajar e delirar ao som proposto pela banda.
Lonerism (2012, Modular)
Nota: 9.0
Para quem gosta de: The Flaming Lips, Pond e Deerhunter
Ouça: Elephant, Apocalypse Dreams e Why Won’t They Talk To Me?

Simplesmente, o melhor álbum lançado esse ano.
Mind Mischief é puro B-side do Abbey Road. Há muitos Beatles nesse discaço.
Mind Mischief é da melhores desse ano. É puro B-side do Abbey Road.
[...] Lonerism não é um dos melhores discos de 2012 à toa. Longe do que confortavelmente define a música psicodélica, o segundo e mais recente álbum da banda australiana Tame Impala revela um número assertivo de variações, indo do Dream Pop ao puro experimentalismo em questão de segundos. Mesmo voltado a um público bem específico, o disco se abre em diversos momentos àqueles que buscam por uma sonoridade mais leve, descompromissada e ainda assim ousada. Elephant, mais novo single da banda incorpora exatamente isso, proposta que tinge o presente clipe da canção com cores, ruídos e os mesmos inventos que controlam toda a execução do álbum. A direção do vídeo é de Yoshi Sodeoka. Confira: [...]
[...] por composições mais densas e banhadas pelo experimental, Lonerism é de longe um dos grandes registros de 2012. Ainda que capaz de passear por uma sonoridade não [...]
[...] os mesmos exageros lisérgicos que acompanham grupos como Tame Impala, em Moms o Menomena entende a música psicodelia de forma distinta, não bucólica e sempre [...]
[...] e ritmos a marca para um compósito versátil e atrativo até o último instante. Lembrando um Tame Impala menos colorido, o grupo faz da presente música um prelúdio para o single que será lançado no [...]
[...] Há quem insista em afirmar que o “rock não é mais o mesmo”. Estes não ouviram Lonerism, segundo álbum da banda australiana Tame Impala e uma conexão colorida com o mesmo rock psicodélico e “clássico” montado em princípios dos anos 1970. Por vezes raspando no Dream Pop e até assumindo os ensinamentos de bandas como The Flaming Lips, o disco concentra em uma sequência de bem elaboradas composições todas as assertivas bases do trabalho do grupo, sendo a pesada e doce Elephant uma bela síntese de tudo que ecoa pela obra. (Resenha) [...]
[...] Ariel Pink (pré-Before Today) ou Tame Impala (nos momentos mais próximos do Dream Pop em Lonerism), o produtor utiliza da soma de teclados e vocais em eco como um complemento para o que marca a [...]
[...] Instagram + LSD = Lonerism Tame Impala, Lonerism [...]
[...] Ondas Psicodélicas se fazem presentes novamente em Lonerism, segundo trabalho do Tame Impala, que desta vez encara o gênero sob outra perspectiva. O grupo traz ao álbum novos elementos, sonoridades e ideias, abusando principalmente dos sintetizadores e criando algo diferente do que havia sido mostrado anteriormente. Mas também mantém alguns aspectos de seu primeiro lançamento, como as temáticas introspectivas que continuam basicamente as mesmas. Kevin Parker está perdido em meio a um turbilhão de acontecimentos recentes e começa e se questionar sobre qual seu papel no meio de tudo isso. O recluso assumido da primeira obra se vê agora cercado de muita gente, o que leva a se questionar se as conclusões tiradas em Innespeaker ainda são validas. Se erguendo a base de decepções, solidão, conformidade, vulnerabilidade, relutância, amargura e mais uma gama de outros sentimentos negativos, o disco escancaram uma pessoa cheia de problemas em se aceitar e em achar seu lugar. Os desequilíbrio emocionais de Kevin se mostram também através das composições que navegam por mar etéreo e muito volátil, fazendo cada uma das músicas soarem de maneira diferente, adquirindo, cada uma, uma identidade muito própria. No fim das contas, Kevin parece ter encontrado a mesma reposta que encontrou em seu primeiro disco: Solitude Is Bliss. (Resenha) [...]
[...] Divertida é a lógica de quem afirma com veemência que “não se faz mais rock como antigamente”. E ainda bem que não se faz. Embora mantenham constante a aproximação com o rock psicodélico da década de 1960/70, em Lonerism o Tame Impala deu um passo além das redundâncias típicas do gênero, apresentando um trabalho que é profundamente nostálgico ao mesmo tempo em que intensamente inovador. Digno de figurar no topo de uma boa lista de clássicos do rock, o segundo álbum da banda australiana é um verdadeiro presente aos ouvidos e, provavelmente, um deleite aos ouvintes mais antigos. Em pouco mais de 50 minutos de duração Led Zeppelin se encontra com My Bloody Valentine, The Beatles fumam um baseado com Bradford Cox, tudo isso enquanto efeitos diversos surgem como uma labirintite instrumental. Estão lá pérolas da lisergia como Feels Like We Only Go Backwards, guitarras ásperas no melhor estilo rock clássico em Elephant, e até uma canção no melhor enquadramento indie dos anos 2000 (Why Won’t They Talk to Me?). Não importa a direção, a sonoridade ou a proposta: cada faixa dentro de Lonerism é um acerto garantido e uma viajem de destino incerto. (Resenha) [...]
[...] Divertida é a lógica de quem afirma com veemência que “não se faz mais rock como antigamente”. E ainda bem que não se faz. Embora mantenham constante a aproximação com o rock psicodélico da década de 1960/70, em Lonerism o Tame Impala deu um passo além das redundâncias típicas do gênero, apresentando um trabalho que é profundamente nostálgico ao mesmo tempo em que intensamente inovador. Digno de figurar no topo de uma boa lista de clássicos do rock, o segundo álbum da banda australiana é um verdadeiro presente aos ouvidos e, provavelmente, um deleite aos ouvintes mais antigos. Em pouco mais de 50 minutos de duração Led Zeppelin se encontra com My Bloody Valentine, The Beatles fumam um baseado com Bradford Cox, tudo isso enquanto efeitos diversos surgem como uma labirintite instrumental. Estão lá pérolas da lisergia como Feels Like We Only Go Backwards, guitarras ásperas no melhor estilo rock clássico em Elephant, e até uma canção no melhor enquadramento indie dos anos 2000 (Why Won’t They Talk to Me?). Não importa a direção, a sonoridade ou a proposta: cada faixa dentro de Lonerism é um acerto garantido e uma viagem de destino incerto. (Resenha) [...]
[...] se desligar das referências atuais. A medida estimula a construção de uma obra que a exemplo de Lonerism (2012) dos australianos do Tame Impala ou ainda Days (2011) do Real Estate, se relaciona abertamente [...]
[...] que não seja uma das composições mais queridas de Lonerism, Mind Mischief reforça toda a boa fase que o grupo australiano viveu no último ano. Imersa no [...]
[...] lançamento de Lonerism há alguns meses não serviu apenas para transformar o Tame Impala em uma das maiores bandas da [...]
[...] do que a versão original – como isso é possível, não sei. Lançado no ano passado, Lonerism é o segundo disco do grupo australiano e provavelmente uma das obras mais importantes da psicodelia [...]
Muito bom realmente essa banda e esse disco!!!
[...] aos moldes de Toe Cutter/Thumb Buster, que mais parece uma faixa irmã dos inventos de Lonerism (2012) do Tame Impala, ou No Spell, capaz de dar chão aos sons flutuantes e praianos do Real Estate [...]
[...] psicodelia ao ganhar uma ótima versão do Tame Impala. Grupo responsável pelo clássico imediato Lonerism (2012), os australianos mergulham a composição eternizada por Andre 3000 em um oceano leve de [...]
[…] In The Slime, no que parece ser um Toro Y Moi em câmera lenta, até a psicodelia nostálgica do Tame Impala em I Fear What I Feel, sempre em um encaminhamento cuidadoso, como se o grupo buscasse a todo o […]