Jessie Ware
Soul/Electronic/R&B
http://jessieware.com/
Por: Cleber Facchi

Inegável é a força de Born To Die. Estreia de Lana Del Rey, o registro esconde na variedade de sons – que vão do Hip-Hop lisérgico ao R&B Lo-Fi – uma assumida estratégia em transformar uma figura pouco carismática em um produto acessível ao grande público. Comercialmente aceito, basta uma rápida audição para perceber todos os não acertos que preenchem o trabalho, um disco que até se esforça, mas está longe de assumir as promessas feitas com o surgimento da cantora. Talvez o que Lana (ou os executivos por trás do dela) estava em busca, hoje se revela no que a inglesa Jessie Ware apresenta com o primeiro registro em carreira solo. Passeio nostálgico pelo que há de assertivo no R&B e no Soul-Pop dos anos 80/90, Devotion (2012, Universal Island/PMR) é um retrato sublime de diversas particularidades musicais e percepções estritamente confessionais da cantora, personagem que converte o álbum em uma doce e melancólica revelação sobre os próprios sentimentos.
Embora faça da devoção expressa ao longo do registro um cartão de visita ao público e aos críticos (que imediatamente se entregaram ao trabalho de Ware), há tempos a compositora circula pelo cenário musical inglês com relativo destaque. Por mais que o single Strangest Feeling (2011) tenha marcado o início da carreira da artista vinda de Brixton, foi só quando emprestou os vocais ao produtor Aaron Jerome (SBTRKT) em Right Thing to Do que a britânica de fato passou a chamar a atenção. Se o clima dançante da música tornava pública uma das faces de Jessie, ao longo do primeiro álbum particular a cantora permite que toda uma variedade de novas referências se evidencie, pontuando com acertos e acabamentos primorosos tudo aquilo que Lana Del Rey buscou explorar com o primeiro disco. Em Devotion, entretanto, a pluralidade de estilos se mistura com os sentimentos e confissões da artista, resultando em um projeto de beleza única.
Logo de cara a sequência formada pela inaugural faixa título, Wildest Moments e Running resumem com perspicácia parte do que será encontrado no restante da obra. Enquanto Devotion (a música) expõe o lado mais ponderado da cantora (e até alguns flertes com o Lo-Fi), a faixa seguinte anuncia o toque épico da obra de Ware, que apresenta com a terceira música o caráter mais pop e dançante de suas composições. Ainda que nada se repita no restante do disco, inegável é a sequência projetada por essas três faixas, com Jessie se dividindo do princípio ao fim entre músicas leves (Taking In Water e Something Inside), criações grandiosas (Night Light e Swan Song) e outras faixas intencionalmente projetadas para as pistas (Sweet Talk, 110% e Still Love Me).
Ao se transformar no objeto central da própria obra, Ware fornece subsídios para um registro construído sobre alicerces macambúzios e estranhamente atrativos. É como se ao assistirmos o desespero poético da compositora encontrássemos ali acalento para nossos próprios sofrimentos. Partindo dessa verve de confissões dolorosas, a cantora faz nascer uma sucessão de músicas que imediatamente se convertem em clássicos para os indivíduos de coração partido, algo que a saudosista Wildest Moments expõe de forma crescente, Sweet Talk incorpora de forma estranhamente dançante e Something Inside finaliza com uma candura que aconchega ao mesmo tempo em que machuca. Ainda que assume um posicionamento capaz de atrair os ouvidos mais exigentes, Ware faz crescer um projeto de natureza simples, transformando a honestidade dos versos (e voz inegavelmente atrativa) na principal ferramenta do trabalho.
Curioso notar que a estreia de Ware surge em um momento deveras oportuno para quem se aventura pelas incontáveis texturas que definem a soul music contemporâneo. Em meio ao resgate de composições perdidas da nova-iorquina Aaliyah (morta em 2001 em um acidente de avião), a crescente expansão do R&B (com a estreia de Frank Ocean sendo a principal mostra dessa “tendência”) e a extrema popularização do Hip-Hop, a artista britânica encontra nessa frente de lançamentos um espaço próprio e consequentemente atrativo. Ora entregue aos encantos jazzísticos de Sade, ora próxima do mesmo R&B dançante proclamado por Beyoncé ao longo do disco 4 (pense em uma extensão das faixas I Miss You e Love On Top), Ware estabelece um álbum que conversa com todas as divisões do público, soando complexa e comercial na mesma intensidade.
Dentro dessa proposta dicotômica, Ware e a trinca principal de produtores que a acompanham – Dave Okumu, Kid Harpoon e Julio Bashmore – fazem nascer um disco que inicialmente prende pela versatilidade pop, mas que encanta de fato pela profundidade dos temas. Honesta e capaz de converter sentimentos dolorosos em melodias e versos acessíveis, Jessie alcança um trabalho tão grandioso quanto os cerimoniais de Florence Welch, verdadeiro em oposição a qualquer tentativa de Lana Del Rey em expor seus sentimentos e maior do que qualquer necessidade redundante de algum novo nome da cena inglesa em visitar a soul music em seus variados aspectos. Jessie Ware parece confortável (de forma até sádica) em transformar suas dores em música e tudo que ela pede em troca é a devoção do espectador.
Devotion (2012, Universal Island/PMR)
Nota: 8.8
Para quem gosta de: Lana Del Rey, Beyoné e Florence and The Machine
Ouça: Wildest Moments, Sweet Talk e Still Love Me

Bem-Vinda Jessie Ware, o mundo precisa de mais artista como você.
[...] o trabalho da inglesa Jessie Ware. Responsável por uma das maiores estreias do ano – o ótimo Devotion -, a cantora faz do single Wildest Moments o maior exemplar de sua ainda curta, porém, proeminente [...]
[...] outro acabamento ao soul incorporado por nomes como Amy Winehouse, a cantora faz do disco Devotion um verdadeiro tratado de pura beleza vocal e instrumental. Facilmente um dos momentos mais [...]
Que achado! MARAVILHOSA!
Tinha que ser da Inglaterra!
Oh! Terra Abençoada!
AMANDO JESSIE WARE! *_____*
[...] pleno processo de divulgação do excelente Devotion, Jessie Ware aparece com mais uma surpreendente e apaixonada música. Em If You Love Me, a cantora [...]
[...] já estava satisfeito com o vídeo de divulgação montado para a parceria entre Jessie Ware e a dupla japonesa Benzel vai ficar ainda mais satisfeito com o que é proposto dentro do clipe [...]
[...] e os falsetes de Michael Angelakos. Agora imagine vozes femininas – em uma medida entre Grimes e Jessie Ware – ocupando essa lacuna. Imaginou? Pois é exatamente isso que você encontra em Drive You Crazy, [...]
[...] Ao final de 2011, Lana Del Rey e Azealia Banks pareciam travar um batalha em relação a quem apresentaria a melhor estreia no ano seguinte. Ninguém previu o surgimento de Jessie Ware. Longe do território das norte-americanas, a cantora e compositora britânica conseguiu transformar o grandioso Devotion em uma das estreias mais imponentes do ano, não apenas pelo uso surpreendente dos vocais – uma versão épica de Sade e Beyoncé -, mas pela sonoridade volumosa que a acompanha em cada música. Íntima de grande parte do que foi conquistado no decorrer da década de 1990 dentro do R&B e soul music, Ware usa da trama eletrônica que a cerca para garantir complemento ao primeiro álbum da carreira. Sequência de composições comerciais, o disco entrega em cada nova faixa uma possibilidade radiofônica que parece longe de ser encontrada em outros artistas do gênero. Encabeçado pelo hit Wildest Moments, o trabalho cresce, passa por instantes mais leves (Sweet Talk), cai na melancolia (Swan Song) até encerrar de forma a transformar Ware em uma das maiores vozes da atual geração. (Resenha) [...]
[...] da excelente colaboração com Jessie Ware no cover If You Love Me, a dupla japonesa Benzel se transformou em um nome de destaque na cena [...]
[...] com a cantora (morta em um acidente aéreo em 2001) em uma homenagem particular. Acompanhada por Jessie Ware, B dá continuidade ao mesmo som explorado no álbum de estreia On a Mission, de 2011, prestando [...]
[...] da cantora, resultando em um trabalho divertido e encantador. Lançado em meados de agosto, Devotion é o nome do registro de estreia da cantora e compositora britânica que é apontada como a nova [...]
[...] Ao final de 2011, Lana Del Rey e Azealia Banks pareciam travar um batalha em relação a quem apresentaria a melhor estreia no ano seguinte. Ninguém previu o surgimento de Jessie Ware. Longe do território das norte-americanas, a cantora e compositora britânica conseguiu transformar o grandioso Devotion em uma das estreias mais imponentes do ano, não apenas pelo uso surpreendente dos vocais – uma versão épica de Sade e Beyoncé -, mas pela sonoridade volumosa que a acompanha em cada música. Íntima de grande parte do que foi conquistado no decorrer da década de 1990 dentro do R&B e soul music, Ware usa da trama eletrônica que a cerca para garantir complemento ao primeiro álbum da carreira. Sequência de composições comerciais, o disco entrega em cada nova faixa uma possibilidade radiofônica que parece longe de ser encontrada em outros artistas do gênero. Encabeçado pelo hit Wildest Moments, o trabalho cresce, passa por instantes mais leves (Sweet Talk), cai na melancolia (Swan Song) até encerrar de forma a transformar Ware em uma das maiores vozes da atual geração. (Resenha) [...]
[...] do mesmo desempenho comercial firmado por Jessie Ware e os pontos mais entristecidos de Devotion. Com Anxiety Ashin quer ser pop, mas sem se desligar das referências de [...]
[...] da cantora Rihanna, Diamonds ganhou uma dose extra de beleza e sofrimento nas mãos da britânica Jessie Ware. Dona de um dos registros mais dolorosos e bem produzidos de 2012, Devotion, Ware usa dos vocais [...]
[...] se do meio do agregado de batidas densas, sons amargos e letras dolorosas que vão de Frank Ocean a Jessie Ware, Lidell transformasse o novo álbum em um convite para a [...]
[...] dos grandes lançamentos de 2012, Devotion de Jessie Ware ganha em breve uma versão especial para o público estadunidense, o que significa a [...]
[...] dono de um dos grandes discos de 2012, Long.Live.A$ap. Originalmente lançada como parte do disco Devotion (2011), a canção mantém firme a sonoridade de outrora, com a diferença de que agora o [...]
[...] vestido vermelho, Ware usa da nova canção – presente na versão norte-americana do álbum Devotion (2012) – como um ponto de transformação para o que pode ser aprimorado em breve, em um [...]
[...] (em quem a britânica tanto se inspira), ou mesmo longe de revelar o grandiosismo da conterrânea Jessie Ware, Charli XCX acerta por apenas perverter o pop e ainda assim divertir. Quase uma antítese em [...]
[...] pelos sons alcançados na década de 1990 parece se estender para além do que foi promovido em Devotion (2012), estreia da britânica. Em pleno processo de divulgação do registro, a cantora vai até [...]
[...] gênero com letargia, fazendo dos vocais arrastados um brinde à nova safra do R&B. É como se Jessie Ware e Aluna Francis transitassem por uma versão Lo-Fi do que Beyoncé alcançou no álbum 4 (2011), [...]
[…] Ware não quer saber de descanso. Em pleno processo de divulgação do álbum Devotion (2011), a cantora britânica aproveita das poucas horas livres para engatar algumas parcerias, caso […]