Bloc Party
British/Indie Rock/Alternative
http://blocparty.com/
Por: Cleber Facchi

Desvendar o que há de mais íntimo na vida de uma pessoa na maioria dos casos se revela como um erro de proporções incalculáveis. Curioso notar que foi exatamente isso que aconteceu em 2008, quando sob o título de Intimacy o quarteto britânico Bloc Party trouxe à tona o que havia de mais íntimo, experimental e difícil em suas composições. Considerado o mais complexo e instável trabalho da banda (até agora), o disco serviu para marcar a espiral decrescente que o quarteto iria enfrentar no decorrer dos seguintes meses, tendo como ápice uma série de apresentações ruins, incluindo uma confusa passagem pelo Brasil que culminou no fatídico caso do play back no VMB daquele ano.
O péssimo desempenho do grupo praticamente os obrigou a uma pausa. Em constante produção desde meados de 2003, quando a banda foi formada, a pausa serviu para que os integrantes dessem formas a projetos há tempos acumulados ou que simplesmente pudessem descansar. Enquanto o vocalista Kele Okereke investiu em uma insossa carreira solo, o guitarrista Russell Lissack resolveu se aproximar de uma sonoridade mais pop, apresentando em 2010 o primeiro álbum do Pin Me Down (banda em parceria com a cantora inglesa Milena Mepris). Todavia, o fracasso de ambos os projetos fizeram com que o Bloc Party fosse novamente ressuscitado, e é dentro dessa maré pessimista que a banda faz nascer o quarto álbum de estúdio, o aguardado Four.
Diferente dos dois primeiros discos da banda e principalmente do experimental Intimacy, o presente tratado é um registro que valoriza o crescimento constante das guitarras e referências intencionalmente sujas. Logo que a faixa de abertura So He Begins to Lie tem início, a presença ativa da guitarra está lá, servindo de linha guia para a profusão de sons que se estendem até o encerramento do trabalho, com We’re Not Good People. Embora essa tendência já fosse clara no primeiro disco da banda (e principalmente na explosão de sons de Helicopter e Like Eating Glass) os distanciamentos melancólicos (A Weekend in the City) e eletrônicos (Intimacy) nos dois registros seguintes arrastaram a banda para um universo novo. Entretanto, quem espera por novidade terá de esperar por um novo disco ou talvez por uma real transformação na banda.
Por mais que o novo disco seja um claro regresso ao que fora testado pelo Bloc Party em idos de 2005, muito do que alimenta o álbum está nas referências posteriormente adquiridas pelo quarteto, o que contribui para a formação de um disco estranhamente similar e de quase autoplágio. Em Octopus, primeiro single do disco, vê-se claramente o quanto a banda flutua entre o rock acelerado da estreia e os encaixes eletrônicos do álbum de 2008, preferência que se estende ainda a outras diversas músicas do disco. Em Truth, por exemplo, a métrica eletrônica (que por vezes esbarra na fase solo de Okereke) serve de base para que o pós-punk climático de A Weekend in the City ganhe uma “sobrevida”. A tentativa de soar maior e diferente é naturalmente falha, afinal, em vários momentos a banda parece simplesmente repetir diversos acertos do passado de maneira pouco ou nada convincente.
Em alguma medida, Four lembra muito os primeiros trabalhos do Weezer passado o hiato pós-Pinkerton. A completa falta de direção, a necessidade em se apoiar em todos os possíveis gêneros e a incapacidade de repetir os acertos do passado tornam o trabalho do Bloc Party confuso mesmo aos velhos seguidores do quarteto – e ao que tudo indica até para os próprios integrantes do grupo, como acontece com a banda de Rivers Cuomo. Falta direção aos versos pobres (e desesperados), é falha a participação do produtor Alex Newport, e acima de tudo: falta bom senso ao quarteto. Nada explica a existência de músicas como Coliseum (um blues-rock-farofa que flerta com o Hard Rock) e V.A.L.I.S. (que bem lembra os desajustes pop do Pin Me Down).
Mesmo que a recente obra do Bloc Party até consiga enganar desavisados ou ouvintes que ainda desconhecem a totalidade da discografia do grupo, Four não consegue ocultar seus defeitos ao longo de duas ou mais audições. Longe de ao menos soar como uma tentativa de regressar aos acertos do passado, o novo disco ecoa como uma cópia dolorosa, falha e gananciosa, comprovando mais uma vez que das bandas surgidas no começo do novo século, poucas ainda conseguem manter a boa forma. Se antes havia esperança de que o grupo pudesse retornar com um possível bom disco, hoje vê-se claramente que isso está muito longe de acontecer, afinal, todo hiato é pouco para o quarteto britânico.
Four (2012, Frenchkiss)
Nota: 4.0
Para quem gosta de: Kele, Pin Me Down e Editors
Ouça: Day Four

Falta bom senso a quem escreveu isso. Todo hiato é pouco pra quem não tem bons argumentos. Essa resenha mal fala das novas composições… Por favor!
“todo hiato é pouco para o quarteto britânico.”
Melhore frase do texto. Bloc Party devia ter acabado depois do segundo disco. É simplesmente inexplicável como uma banda tão boa se transformou nisso.
Que incrível… a crítica internacional usando a expressão “2012’s most exciting guitar album” pra classificar o album do bloc party, e a “crítica indie” brasileira descendo a porrada nos caras. Em quem devo acreditar?
Acabo de terminar a terceira audição do disco e preciso concordar com o texto: Four é uma seleção de mais do mesmo que além de envergonhar os fãs da banda se apoia de forma copiosa em tudo aquilo que o Bloc Party já construiu. Tudo é forçado de maneira a repetir o que fora construído no passado. O que antes era experimentação em Intimacy (que para mim permanece como um bom disco) hoje soa de forma repetitiva e estranha. Nenhuma música dá sentido a outra, aspecto que considero muito importante na elaboração de qualquer disco. Ainda que conte com boas músicas (nem acho V.A.L.I.S. tão ruim quanto o texto aponta), Four está bem longe de corresponder aos antigos discos da banda. Um triste fim para uma banda que eu nutria grandes expectativas.
Você deve acreditar na sua opinião.
Esse cd é foda! Se o pitchfork der uma nota alta todo mundo vai mudar de ideia, né? haha
Eu gostei do disco. Claro que pela lógico do autor da resenha, minha opinião não vale porque do Bloc Party pré-”Four” só conheço os hits, então não tenho embasamento pra dizer se é autoplágio ou não. Mas também penso que se isso fosse argumento 100% válido, os Ramones deveriam ter gravado somente o debut e pendurado as guitarras. De qualquer maneira, achei que Okereke tá cantando pra caralho, tens uns riffs de guitarra bem sacados (“Octopus”) e num certo momento, até lembrei do Faith No More fase “Angel Dust” (em “3X3″). “Four” tem uma pá de boas canções, independente da total originalidade delas ou não. Questão de idiossincrasia.
Não sei se isso acontece lá fora, mas o público brasileiro é muito chato. Não conseguem discernir que um disco ruim não quer dizer que a banda seja ruim como um todo. A Weekend in The City e Silent Alarm prevalecem como dois dos registros mais importantes da última década, resultado que não se repete ao longo de Four. Divido muito que alguém consiga ouvir o disco com verdadeiro tesão mais do que duas ou três vezes. Como fiel seguidor da banda sei que este não é um bom disco, mas diferente do que o autor escreve, ainda tenho esperanças de que a banda lance um bom disco.
Para quem disse que a Pitchfork ia gostar:
http://www.pitchfork.com/reviews/albums/16944-four/
Nota: 4,9
CHUPA! Pior disco de 2012, agora calem a boca!
Maria-Vai-Com-As-Outras fica esperando pelo Pitchfork. Foda-se o Pitchfork.
Pitchfork é mesmo a verdade pra alguns…
[...] um novo álbum do Bloc Party acabou decepcionado com o resultado fraco e constrangedor do recente Four. Quarto registro em estúdio da aclamada banda inglesa, o álbum soa para além de um repeteco dos [...]
Poxa! Só sei que eu fui com uma fome danada por esse album,sempre achei adorei as experimentações que o Bloc Party fazia,achava algo muito original.Mas esse disco pra mim foi um verdadeiro balde de água fria, eu que havia gostado bastante dos albuns anteriores,me vi triste ao escutar Four, achei 3 músicas do disco boazinhas, mas nada que se comparasse a sucessos anteriores.Parece que ao fazer esse disco,havia tanto medo,que simplesmente se esqueceram de como eram, e pegaram um rock mais “generalizado” para agradar um público “em geral”, cheio de guitarras,que muitas vezes sufoca a voz do vocal. Mas acabaram desapontando aqueles fãs que escutam música por música, não só os sucessos.
O disco parece simplesmente que não se entende,não há uma conexão entre as músicas, muito diferente de Weekend in The City !A única regra é ter muita guitarra.
Uma pena, escutei o album pela primeira vez de coração aberto, de modo geral não gostei muito.Escutei pela segunda vez, e tirei três boazinhas. Escutei pela terceira vez e pensei: _ O que eles fizeram? No que eles estavam pensando?
Mas ainda tenho fé no Bloc Party, é uma banda boa, tem tudo pra brilhar, só falta se reencontrarem.
[...] A regra é clara: quando o disco é ruim, a capa também precisa ser. Bloc Party, Four [...]
[...] Diferente dos dois primeiros discos da banda e principalmente do experimental Intimacy, o presente tratado é um registro que valoriza o crescimento constante das guitarras e referências intencionalmente sujas. Logo que a faixa de abertura So He Begins to Lie tem início, a presença ativa da guitarra está lá, servindo de linha guia para a profusão de sons que se estendem até o encerramento do trabalho, com We’re Not Good People. Embora essa tendência já fosse clara no primeiro disco da banda (e principalmente na explosão de sons de Helicopter e Like Eating Glass) os distanciamentos melancólicos (A Weekend in the City) e eletrônicos (Intimacy) nos dois registros seguintes arrastaram a banda para um universo novo. Entretanto, quem espera por novidade terá de esperar por um novo disco ou talvez por uma real transformação na banda. Por mais que o novo disco seja um claro regresso ao que fora testado pelo Bloc Party em idos de 2005, muito do que alimenta o álbum está nas referências posteriormente adquiridas pelo quarteto, o que contribui para a formação de um disco estranhamente similar e de quase autoplágio. Em Octopus, primeiro single do disco, vê-se claramente o quanto a banda flutua entre o rock acelerado da estreia e os encaixes eletrônicos do álbum de 2008, preferência que se estende ainda a outras diversas músicas do disco. Em Truth, por exemplo, a métrica eletrônica (que por vezes esbarra na fase solo de Okereke) serve de base para que o pós-punk climático de A Weekend in the City ganhe uma “sobrevida”. A tentativa de soar maior e diferente é naturalmente falha, afinal, em vários momentos a banda parece simplesmente repetir diversos acertos do passado de maneira pouco ou nada convincente. (Resenha) [...]