Disco: “Beacon”, Two Door Cinema Club

Two Door Cinema Club
Brisith/Indie Rock/Alternative
http://twodoorcinemaclub.com/

Por: Cleber Facchi

Two Door Cinema Club

Existe um motivo muito claro para termos gostado tanto do primeiro disco do Two Door Cinema Club: o ritmo. Por mais que as líricas acessíveis de faixas como Come Back Home e This Is The Life fossem capazes de atrair em uma primeira e despretensiosa audição, o segredo (ou a verdade) por trás de Tourist History está concentrado unicamente no fluxo instrumental dançante e nas guitarras quase suingadas que passeiam por todo o disco. Logo, não foi estranha a considerável ascensão do grupo britânico ao longo de 2011, se transformando em uma presença quase garantida nas mais variadas festas de discotecagem indie/alternativa ou mesmo em incontáveis festivais espalhados pelos quatro cantos do mundo.

A estrutura melódica e os encantamentos sonoros administrados por Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday praticamente excluíram a necessidade do ouvinte em conhecer a língua inglesa. É como se as palavras fossem meros complementos aleatórios, particularidades que dançam e existem unicamente por conta da sonoridade vigente do álbum. Da quase matemática faixa de abertura, Cigarettes in the Theatre, ao riff abrasileirado de What You Know até o leve enquadramento melancólico de Something Good Can Work, tudo flui de maneira a impressionar o público, fazendo com que mesmo os mais exigentes ouvintes se entregassem aos encantos e à dança involuntária que o trio imprimia ao longo das faixas.

Mesmo que em Beacon (2012, Kitsuné), segundo registro em estúdio da banda, a estratégia de manter o ritmo frenético em alta ainda seja a mesma, temos claramente o lançamento de um trabalho de mudanças e pequenas substituições na proposta do grupo. A sonoridade que definia a totalidade do primeiro álbum agora fica em segundo plano, com a banda aproveitando melhor as letras e assumindo o que parece ser uma postura adulta em relação ao projeto anterior. Construído inteiramente longe da casa dos britânicos – o disco foi gravado em Los Angeles, Califórnia -, do princípio ao fim no registro de 11 faixas a banda tenta se desligar da proposta adolescente do álbum passado, percepção que consome o volumoso e até sério arsenal de composições.

Por mais que as guitarras ágeis de Halliday funcionem como uma linha guia para todo o novo disco (a exemplo do que a banda promoveu no debut), uma soma de novos instrumentos surge para remodelar musicalmente a carreira da banda, que flutua entre as métricas do Foals e o pop maduro do Phoenix. Sintetizadores, naipes de metais, vozes em coro e até a bateria que se afasta do propósito eletrônico de outrora aos poucos modifica os caminhos que tornaram Tourist History ainda mais acessível. Uma estratégia que evita a banda de encarar a mesmice do segundo disco – marca de grande parte das bandas britânicas atuais -, e os encaminham para a condução de um registro volumoso, temperado por detalhes e particularidades musicais que ampliam consideravelmente os horizontes dos ingleses.

Do princípio ao fim, Beacon é um trabalho que esbanja reações ensolaradas, versos que fisgam despretensiosos e os mesmos riffs (agora aprimorados) que apresentaram o grupo em 2010. Entretanto, há no decorrer do disco uma forte aproximação da banda com o mesmo pop épico que garantiu ao Phoenix o sucesso absoluto com lançamento do Wolfgang Amadeus Phoenix em 2009. Um ponto óbvio de evolução do trio e prova de que se a banda conseguir se livrar de alguns pequenos vícios e encontrar o apoio de um produtor de fato competente – Jacknife Lee mais uma vez parece desnecessário – pode lançar um registro tão acessível e inventivo quanto os promovidos por bandas como Passion Pit e Vampire Weekend.

Beacon definitivamente não é o disco que irá salvar a sua vida ou modificá-la drasticamente, mas vai te fazer dançar de forma bem humorada por pelo menos algumas horas. Mesmo que falte ao álbum hits da mesma proporção ou grandeza similar a que envolvia I Can Talk ou What You Know, a capacidade da banda em acrescentar algo mais no decorrer do trabalho e se sobressair em relação à média dos recentes grupos britânicos já é algo que impressiona. O ritmo que tanto atraiu seguidores para o trabalho do grupo ainda está lá, apenas diferente, em processo de aprimoramento. Resta apenas torcer para que o trio não caia em desajustes e acabe esquecendo-se do bom desempenho que acumulou até aqui. Apenas ouça e, se possível, dance.

Beacon (2012, Kitsuné)

Nota: 6.5
Para quem gosta de: The Wombats, Friendly Fires e Foals
Ouça: Wake Up e Beacon

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20 comentários sobre “Disco: “Beacon”, Two Door Cinema Club

  1. 6.5 Cleber Facchi, What You Know? Ta Sleep(ing) Alone? Risos.

    Eu esperava um disco mais pro eletrônico (+ sintetizadores, + percussão eletrônica, – guitarra) e fui surpreendido, belo disco, boa resenha.

  2. C. T. disse:

    Olhem, eu nunca escutei o Two Door Cinema Club e nem mesmo uma música sequer da banda (e não estou nem aí se vocês me amaldiçoarem até a morte pelo fato de não conhecê-los direito). Porém, estou aqui para falar com relação ao texto e a nota que o Cléber atribuiu a “Beacon”. Vejam só, na crítica, o moderador do site faz elogios consideráveis ao álbum, apesar de apontar (pequenas) falhas aqui e acolá, dando a entender de que a nota será boa, contudo, nem tão alta assim. Quando observo a nota, fiquei um pouco surpreso com tamanha incoerência. No meu ponto de vista, era para o site ter, a partir do que a crítica dizia, dado uns 7 e no máximo (estourando) 7,5. Este tipo de incoerência entre texto e nota já ocorreu antes, na crítica de “Cerimonials”, do Florence + The Machine. O Miojo Indie praticamente ovacionou (isto mesmo, ovacionou) a banda, sitando a evolução na sonoridade do Florence e no amadurecimento dos líricos da vocalista. Quando termino de ler, deparo-me com um “mísero” (até porque, não foi TÃO ruim assim) 7. Olhem, se vocês do blog atribuem uma nota a determinado disco, é de extrema importância fazer uma crítica que condiga com a nota, pois isso gera uma certa indignação, e termina beirando ao absurdo. Espero que não cometam o mesmo erro novamente.

  3. Moza disse:

    Não vou expressar minha opinião sobre o disco! Mas em primeira instância olhei a nota e fiquei um pouco surpreso! Daí fui ler o texto e na medida que lia fui procurando elos do texto com a nota. Foi meio frustrante por que não consegui e se consegui, os elos eram infimos se comparados a nota!

    Essa evolução ou amadurecimento que o autor prega é parecido com o que aconteceu com o Arctic Monkeys. Lembram né?! Enfim, depois que terminei a leitura fiquei me perguntando: “Afinal, até onde o amadurecimento foi bom pra eles?” Uma nota baixa como a dada faz com que o significado de “progresso” perca o valor e seja algo superfluo ou desisteressante! Talvez se a nota dada fosse melhor, 7,0 ou 7,5 (só um exemplo) seria mais fácil de responder essa pergunta e digerir melhor a nota!!

    P.S. Concordo com o comentário acima!

  4. [...] Miojo Indie | dica: Ricardo Share this:TwitterFacebookGostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar disso. [...]

  5. Wow, elogiou tanto e deu uma nota tão baixa, como assim?

  6. [...] fonte: Miojo Indie | dica: Ricardo Share this:TwitterFacebookGostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar disso. Tags: Beacon, Miojo Indie, Two Door cinema Club [...]

  7. [...] Miojo Indie (…) a estratégia de manter o ritmo frenético em alta ainda seja a mesma, temos claramente o lançamento de um trabalho de mudanças e pequenas substituições na proposta do grupo. A sonoridade que definia a totalidade do primeiro álbum agora fica em segundo plano, com a banda aproveitando melhor as letras e assumindo o que parece ser uma postura adulta em relação ao projeto anterior. [...]

  8. [...] Beacon, segundo álbum da banda Two Door Cinema Club será lançado no dia três de setembro, entretanto, [...]

  9. Não sei o que acontece com esse pessoal. Eles tem tudo na mão: tecnologia, informação, instrumentos de ponta. E inventam de montar uma banda. Aí os irlandeses do Two Door Cinema Club – que é uma bandinha indie abaixo do razoável – tem o nome citado pela BBC como uma das apostas de 2010 e pronto, feita a cama. Se você escutou e gostou do primeiro álbum dos caras (Tourist History, 2010), te desafio a cantarolar uma estrofe desse disco. Duvido. E lá vem o segundo: Beacon, programado pra Setembro, já está por aí. O som é amarradinho, cheio de rufos frenéticos de caixa, palhetadas ágeis de guitarra e vocais que sugerem um Brandon Flowers de calça skinny, camisa xadrez e All Star surrado. Mas é uma música egoísta. Ela existe para a banda, e para o público que se encaixa na descrição do Brandon Flowers hipotético acima. Vai estar aí, pairando no ar virtual por um tempo e, suprema ironia, periga ser esquecida antes mesmo do lançamento oficial de Beacon. Depois vai sumir sem deixar vestígios. Porque não tem nada nesse disco que te faça querer apertar o repeat, ou que te persiga o dia inteiro. Um refrão, um riff, aquele gancho, aquela sacada. Nada. Será que isso é o que a descartabilidade representa hoje em dia? Um tempo atrás eu conseguia lembrar o porquê de odiar alguma banda, pelo menos.

  10. [...] pela obra do Kings Of Convenience às guitarras que flertam com o Axé no primeiro álbum do Two Door Cinema Club, tudo ecoa como novidade quando exposto por artistas que se entregam aos versos em inglês ou que [...]

  11. Matheus disse:

    Esse Carlinhos Kunde falou, falou, mas não falou nada que fez sentido, rs.

  12. Não conseguiu entender, Matheus? Reconheço que didática não é o meu forte. Mas interpretação de texto também não é a tua especialidade.

  13. [...] dançante e quase pronto para as pistas, assim é Beacon, segundo e mais novo álbum da banda britânica Two Door Cinema Club. Lançado no começo de [...]

  14. Nerilene Crisóstomo disse:

    Realmente senti falta dos sintetizadores,mas esse disco (pode ser exagero) se adentrou um pouco na temática da Chillwave. Assisti a apresentação da banda no Austin Festival (14/10) e percebi o quanto a banda amadureceu. No início, quando me interessei em ouvir o Tourist History,vi logo a pensar em uma simplória banda alternativa e altamente comercial, mas depois de escultar o álbum pela 3° vez, vi que era muito mais que um grupo á se juntar a trupe indie britânica.Vale a pena ouvir “Beacon”.

  15. [...] Uma b&%@#a brilhante descendo do teto, como ninguém pensou nisso antes? Two Door Cinema Club, Beacon [...]

  16. eduardo pepe disse:

    O disco é divertido e ensolarado, mas perde a força no meio. Varias faixas soam iguais e a produção é franquinha, o que não valoriza a unidade do disco, deixando o trabalho arrastado, mas como vocês disseram “ouça e dance”. Porém, selecione as 5 melhores que você terá TODO conteúdo e sem se arrastar.

  17. [...] #3. Kevin Baird (Two Door Cinema Club) O que lançou em 2012: Beacon [...]

  18. [...] lançamento de Beacon no último ano serviu para preparar o futuro do trio irlandês Two Door Cinema Club. Sem a mesma [...]

  19. Lucas Matos disse:

    ‘Beacon’ é um disco maravilhoso, assim como o debut. Acho meio arrogância da parte do manolo acima bater na mesa pra dizer ‘que a banda é fraca’ e que ‘o disco não tem nada que te faça apertar o repeat’, quando os mesmos estão colados nos ouvidos do mundo todo. Esses caras são uma das melhores revelações dos últimos anos, com certeza.

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