Azealia Banks
Hip-Hop/Rap/Female Vocalists
http://azealiabanks.com/splash
Por: Fernanda Blammer

Ao final de 2011 uma espécie de duelo foi travado. De um lado estava Lana Del Rey, favorita da industria musical para ocupar o espaço controlado por Adele ou qualquer outra grande representante da música pop atual. No lado oposto veio Azealia Banks, mais novo ícone da atual safra de artistas relacionados com a black music norte-americana, uma espécie de versão agressiva e menos comercial daquilo que Beyoncé ou mesmo Missy Elliot vinham promovendo em seus respectivos trabalhos. Enquanto a primeira marcou sua estreia com a chegada de Born To Die, a segunda resolveu concentrar todos os esforços em um EP rápido de quatro faixas, 1991, trabalho que chega agora e deve apontar de fato qual das duas garotas será a grande revelação musical de 2012.
Se por um lado Del Rey parece captar aquilo que ecoa nos mais diversos campos da atual fase da música alternativa – como os toques de hip-hop, a música dos anos 60, uma doce atmosfera Lo-Fi e experimentações eletrônicas -, por outro lado ela parece fazer isso de maneira artificial, como uma espécie de ser externo que descobriu recentemente tais influências e resolveu se apoderar delas. Banks por sua vez parece verdadeiramente incluída naquilo que promove, percepção que se manifesta não apenas nos versos lascivos que se formam no interior de 212, mas na gama de elementos próprios do rap norte-americano que pouco à pouco se sobrepõem com o passar das faixas lançadas por ela nos últimos meses.
Embora não precisasse de um registro físico para comprovar sua superioridade, com 1991 EP – o título é inspirado no ano em que ela nasceu – Azealia acaba não apenas ultrapassando os limites da “concorrente” como se posiciona como uma das figuras mais importantes do hip-hop atual. Mais do que um exemplar feminino do gênero, Banks parece bater de frente com nomes como A$ap Rocky, Tyler The Creator, Frank Ocean e qualquer outro que se arrisque a rimar contra ela, posição que a rapper defende em meio a um conjunto de versos sempre acelerados, batidas nitidamente próximas da música eletrônica e uma jovialidade que põe abaixo qualquer grande veterano da cena.
Em 1991 EP todos estes acertos se tornam evidentes logo na execução da faixa título, no começo do álbum, uma canção que passeia despretensiosamente por uma sonoridade mais contida e próxima do que Katy B alcançou com o disco On a Mission em 2011 – o backing vocal lembra muito de canções como Why You Always Here e Lights On. Mais do que isso, a composição mostra Banks longe da mesma explosão pop que tanto definiu 212, Bambi, NEEDSUMLUV e demais músicas apresentadas por ela nos últimos meses. É como se a rapper, ao se apresentar desprotegida do tempero pop de outrora e se revelasse por completo, uma crueza cativante que deve caracterizar os próximos lançamentos da nova-iorquina.
Sempre versátil, Banks mostra o quanto sabe dialogar com o grande público no decorrer da faixa Liquorice. Já bastante conhecida da artista, a canção garante um fecho adequado ao breve registro, trazendo de volta as velhas ligações com a eletrônica, porém em doses menores e consequentemente melhor aproveitadas do que nas gravações anteriores. A aproximação entre rap, eletrônica, R&B e pop fazem com que a rapper atinja o mesmo patamar de outras artistas como Nicki Minaj (sem a esquizofrenia) ou Rihanna (sem os versos infantis). Azealia parece não ter ocupado um espaço na música atual, mas criado sua própria brecha, deixando para trás uma série de “importantes” nomes da música pop ou mesmo alternativa.
Mesmo faltando pouco menos de um mês para o lançamento de sua primeira mixtape, Fantasea, Banks e o pequeno registro apresentado por ela já firmam as bases do que será desenvolvido pela rapper ao menos por enquanto. Jovial, o registro mantém na aceleração dos versos e das batidas a principal estratégia da nova-iorquina para prender o público, um jogo de sensações líricas e sonoras que crescem em ritmo assombroso, como se Azelia e os pouco mais de 16 minutos do presente trabalho já dessem o empurrão necessário para desestabilizar e garantir novo sentido ao rap norte-americano. Se com apenas quatro músicas ela já fez tudo isso, o que dirá o primeiro álbum.
1991 EP (2012, Intercope)
Nota: 7.8
Para quem gosta de: Santigold, M.I.A. e Missy Elliot
Ouça: 1991, Liquorice e 212

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[...] Azealia Banks já havia tomado o mundo quando lançou no ano passado o hit boca suja 212. Dividida entre o Rap e a Eletrônica da década de 1990, a rapper nova-iorquina fez de dois “simples” registros uma confirmação de sua relevância dentro do hip-hop atual. Enquanto o EP de quatro faixas 1991 abre as portas para o que vamos encontrar no próximo ano, durante lançamento do primeiro grande álbum da cantora, a mixtape Fantasea deixa fluir o lado anárquico e, naturalmente, as fundamentais colaborações da artista. Acompanhada por nomes de peso da música eletrônica como Machinedrum, Lone, AraabMuzik, Diplo e Hudson Mohawke, Banks trouxe ao público o lado divertido do rap, sem que isso soe de maneira banal ou descartável. Dona faixas grudentas e boas apresentações ao vivo – mesmo com o curto repertório -, a nova-iorquina tem todo para se transformar em um dos maiores nomes do hip-hop desta década, competindo não apenas entre as mulheres, mas contra todos os homens. (Resenha/Resenha) [...]
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