King Tuff
Garage Rock/Psychedelic/Lo-Fi
http://www.myspace.com/kingtuff
Por: Cleber Facchi

Pouco antes de voltar à ativa com o Dinosaur Jr em meados de 2005, J Mascis, guitarrista, vocalista e principal responsável pela banda de Amherst, Massachusetts resolveu arriscar e investir em um novo grupo. Cercado por uma soma de jovens músicos, o artista deu vida ao assertivo e cru Witch, projeto calcado em cima das referências típicas do stoner rock e dos primórdios do Heavy Metal, algo que os dois álbuns – Witch (2006) e Paralyzed (2008) – comprovaram com blocos sujos de distorção e influências que bebiam tanto dos primeiros discos do Black Sabath como dos grandes representantes do rock alternativo que surgiram ao longo da década de 1990.
Com Mascis assumindo de maneira competente a bateria, coube ao jovem Kyle Thomas cuidar das guitarras e do vocal que definiriam os dois trabalhos da ainda hoje “ativa” banda. Uma contribuição que não apenas engrandeceu o projeto, como serviu para apresentar de vez a força do até então desconhecido artista. Quase quatro anos depois de lançado o último disco da paralela banda de Vermont, chega a vez de Thomas mostrar de fato à que veio, se estabelecendo como a principal engrenagem que movimenta todo o primeiro disco à frente de seu novo grupo, o King Tuff.
Feito o competente registro de estreia da tríade de Portland, Oregon Unknown Mortal Orchestra, a primeira obra do grupo de Massachusetts chega mergulhada em uma dose de guitarras e reverberações nostálgicas, algo que as aproximações com o rock clássico e a psicodelia típica da década de 1970 ecoam por todos os cantos do trabalho. Com um toque de lo-fi em cada pequena porção do trabalho, o disco se desmancha em brandas emanações caseiras, tudo isso enquanto uma soma ascendente de guitarras e letras temperado por belos coros de vozes vão construindo e solidificando as bases do registro.
Dotado de uma natureza melódica, o homônimo disco – lançado pelo selo Sub Pop – se afasta de qualquer possível experimentação ou complexidade exagerada, com a banda propondo a criação de um registro que se abre para os mais distintos públicos. Assim como fez o Free Energy em 2010 – com o lançamento do divertidíssimo Stuck on Nothing – em King Tuff (o disco) a banda e, principalmente, Thomas parecem brincar com os clichês, logo, a postura “sexo, drogas e rock’n’roll” que permeia todo o trabalho, possibilita uma série de assertivas composições, além de um retrato cômico que caracteriza inclusive as fotos de divulgação ou as próprias apresentações do grupo.
O bom humor que banha as canções, bem como a sonoridade fácil que ecoa pelas faixas possibilita que uma sequência de grandes hits seja elaborada no interior do disco. É possível encontrar desde músicas mais “pesadas” como Anthem e Bad Thing, que valorizam as guitarras de maneira a fisgar o grande público, até criações mais amenas, músicas como a doce e romântica Unusual World ou a pop Baby Just Break. Independente da métrica a ordem é sempre a mesma, com o grupo se apoiando em vocais leves, letras extremamente pegajosas e todo um conjunto de atributos que definem um verdadeiro disco de música pop, aqui moldado de forma inteligente e naturalmente dinâmica.
De espírito despretensioso e delimitado pela honestidade das formas sonoras e dos versos, o álbum se abre a inúmeras possibilidades, comprovando de maneira despojada, sempre enérgica e voluntariamente clichê que muitas vezes basta simplicidade para encontrar o acerto de uma obra. Longe da seriedade que tanto caracteriza o trabalho de artistas como The Black Keys, Jack White ou Wolfmother, o King Tuff mostra que o bom humor ainda é a resposta mais coerente para a criação de qualquer grande disco que aposte no rock clássico, característica que movimenta de maneira mais do que inteligente cada mínima fração desta que é uma das maiores e mais interessantes estreias do ano.
King Tuff (2012, Sub Pop)
Nota: 8.0
Para quem gosta de: Unknown Mortal Orchestra, Dinosaur Jr e Free Energy
Ouça: Alone & Stoned, Bad Thing e Stranger

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