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Assim como já fizemos anteriormente, com o ano pela metade é hora de rever o que vale à pena e merece de fato ser ouvido. Pensando nisso montamos nossa seleção com 20 Discos que você deveria ter ouvido em 2012 (até agora), um resumo com alguns dos melhores e mais importantes registros musicais que foram lançados entre janeiro e junho deste ano. Sem uma ordem de preferência – isso vai ficar para nossa lista no fim de dezembro -, selecionamos 20 títulos em ordem alfabética que trazem como única característica a relevância no cenário atual. Com diferentes gêneros e propostas diferentes, a lista conta com 10 álbuns nacionais e outra dezena de registros estrangeiros, trabalhos que independente da origem acertam pela originalidade, beleza e boa produção. Se você discorda da lista ou acha que algum disco ficou de fora, os comentários estão abertos para isso. Caso ainda não conheça alguns dos álbuns citados, corra, ainda temos meio ano pela frente para você aproveitar cada um dos discos listados.

Actress
R.I.P. (2012, Honest Jon’s)
Darren Cunningham é um herdeiro sincero dos minimalismos eletrônicos que afloraram ao longo da década de 1990. Produtor responsável pelo projeto Actress, o britânico não tardou a incluir cada uma das pequenas referências que flutuam em sua mente quando lançou em 2010 o surpreendente Splazsh. Espécie de ponto de encontro de todos os ensinamentos aplicados por Aphex Twin, Boards Of Canada e principalmente Autechre, o inglês transformou o delicado registro em uma verdadeira ode aos ruídos calculados e métricas suaves que afloraram desde a expansão da famigerada IDM, gênero musical que nas mãos do artista é esculpido de forma detalhista e sempre cuidadosa.Ainda agarrado a essa mesma necessidade de se envolver com a música dentro de um ambiente delicado e tomado por acertos matemáticos, Cunningham faz do recente R.I.P. (2012, Honest Jon’s) o segundo e talvez mais importante registro de sua curta carreira. (Resenha)
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Beach House
Bloom (2012, Sub Pop)
Se com o registro lançado há dois anos o casal se apresentava cercado por um doce ar de encerramento, como se o disco fechasse um pequeno ciclo construído pelos norte-americanos, com Bloom (2012, Sub Pop) o Beach House se abre para novos rumos e expectativas. Tão ou mais influenciados pelo tom acolhedor do último álbum, o quarto registro da banda evoca sentimentos ainda mais próximos do ouvinte, que terá nas dez composições do disco um colosso de referências leves, hipnóticas e que musicalmente se desfazem nos ouvidos do espectador. Entretanto, longe de repetirem os mesmos acertos do passado, a dupla opta por experimentar, não de forma revolucionária, mas como se estivesse preparando um novo ciclo musical próprio. (Resenha)
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Céu
Caravana Sereia Bloom (2012, Universal)
Se abrindo como uma cortina, a nuvem canábica de outrora dá passagem para que Céu caia de vez na estrada, apostando em uma temática, que como ela mesma define, pode ser compreendida como um Road Album. “Há uma estrada dentro de mim/ Não sei onde ela vai dar/ Meus olhos estão fechados/ A única testemunha que tenho é o vento na minha bochecha, sussurrando: ‘livre’”, proclama a cantora nos curtos versos (em inglês) da faixa Fffree, canção que mesmo posicionada próxima do encerramento do álbum parece anunciar toda a proposta do viajante Caravana Sereia Bloom. Terceiro disco da cantora, o registro funciona como uma densa trilha sonora para as estradas do Brasil, contando histórias e ressaltando sensações de personagens típicos desse cenário. (Resenha)
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Cloud Nothings
Attack On Memory (2012, Carpark)
Quando há um ano o primeiro registro oficial da banda comandada por Dylan Baldi começou a circular pela blogosfera, havia na sonoridade proposta pelo americano e seus irregulares parceiros um teor despretensioso, intenso e raivoso – algo típico dos adolescentes. Entre letras que falavam de amor, crescer e tantos outros temas próprios da idade do jovem de Cleveland, Ohio, um cheiro forte de juventude impregnava cada canto do registro, transformando o artista em um pequeno destaque em terra de gigantes. Contra todas as expectativas que pudessem envaidecer o jovem músico mediante o destaque conquistado ao longo dos últimos meses, Baldi reaparece agora com um novo e audacioso disco, Attack On Memory. Em pouco mais de meia hora, o cantor possibilita o nascimento de um álbum que rompe (quase) totalmente com a adolescência natural do registro anterior, encaminhando o norte-americano para um novo posto, não mais como um pequeno artista iniciante, mas agora um compositor maior, capaz de conversar com os gigantes de outrora que o cercavam. (Resenha)
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Curumin
Arrocha (2012, Vinyl Land)
Luciano Nakata, o Curumin, não está nem um pouco errado quando diz que Arrocha é um disco que “tem uma pressão” dentro dele. Parcialmente oposto do que o cantor e compositor paulistano vinha desenvolvendo com os dois elogiados Achados e Perdidos (2005) e Japan Pop Show (2008), o novo álbum se expande como um mineral resistente, de brilho raro e que parece esculpido inteiramente em cima da pressão de batidas secas. Distante das formas instrumentais e do suingue que conduzia a carreira do músico até pouco tempo, o registro se aproxima de forma natural da música eletrônica, referência que há tempos circunda a discografia do artista, mas que somente agora assume as rédeas e os experimentos do recente álbum. (Resenha)
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Death Grips
The Money Story (2012, Epic)
Caos, apenas caos. Focados nessa estrutura destrutiva Stefan Burnett (vocais), Zach Hill (produção/bateria) e Andy Morin (produção) moldaram as bases para a onda de violência instrumental que caracterizou a primeira e intensa mixtape do Death Grips, Exmilitary. Espécie de produto típico da diversificada cena que tomou conta do hip-hop norte-americano no último ano – afastando os luxos e exageros do gênero para explorar uma nova vertente do Rap -, o álbum parece resultado de um passado distante do grupo quando observado paralelamente ao novo The Money Store, primeiro disco de estúdio da “banda” e álbum que arrasta o trio para um novo patamar de referências e experimentos. Com as ideias claramente melhor organizadas, a tríade californiana deixa de lado a cacofonia sonora que se apoderava de faixas como Guillotine e Takyon (Death Yon) para tratar de uma músicas mais plásticas e possivelmente comerciais. O tom denso de outrora e a atmosfera obscura – uma espécie de sensação automática para os que viam os estranhos clipes do grupo – surgem modificados, com os três componentes (e alguns parcos colaboradores) tratando de rever cada mínimo conceito do novo álbum. (Resenha)
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Felipe Cordeiro
Kitsch Pop Cult (2012, Ná Music)
Em meio a esse panorama em expansão surge Kitsch Pop Cult (2012, Ná Music), segundo registro em estúdio do cantor e compositor paraense Felipe Cordeiro, que com olhos e ouvidos próprios de um habitante local, entrega em 10 faixas sua rica compreensão da multicolorida cena em que está inserido. Assertivo até no título, o álbum parece analisar com precisão e bom humor as diversas nuances que se materializam em Belém, amarrando desde referências aos veteranos ritmos locais, como o brega, lambada e carimbó, até a modernização eletrônica e profundamente vendável do eletromelody e das aparelhagens que o constroem.Espécie de resumo apurado do que tem acontecido na música paraense, o registro – que contou com a produção de André Abujamra – deixa clara todas suas intenções logo nos minutos iniciais. (Resenha)

Gaby Amarantos
Treme (2012, Som Livre)
Assumidamente construído para balançar qualquer estrutura, Treme (2012, Som Livre) não é apenas uma simples estreia de um novo ícone do pop nacional. Mais do que isso o álbum é uma síntese de toda a produção paraense e o esforço coletivo de uma infinidade de nomes, vozes e batidas. Acompanhada pelos (eficientes) produtores Waldo Squash e Félix Robatto, além de figuras locais como Felipe Cordeiro (em Ela Tá No Ar) e Dona Onete (em Mestiça), Amarantos utiliza do trabalho como uma porta de entrada para todo o universo que foi montado por lá, utilizando de faixas marcadas pela quentura e originalidade como um mecanismo para ingressar no ambiente pop que ela própria cultiva até o encerramento do álbum com a coreografada Faz O T – música de quando ainda fazia parte do grupo TecnoShow. (Resenha)
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Grimes
Visions (2012, 4D)
Perceptivelmente estudiosa dos ensinamentos ministrados por Björk no clássico Post, de 1995, a canadense transforma toda a experimentação de sua obra em algo tátil, acessível e incrivelmente vendável. Geidi Primes, primeiro grande trabalho da cantora explicita com propriedade todos os caminhos percorridos por Boucher, que através de singles como Rosa e Shadout Mapes mergulha em um lago de sensações místicas, pescando os vocais etéreos Siouxsie Sioux, o que há de mais volátil na Witch House, além de toda uma variedade de referências que mesmo similares parecem apenas dela. Mesmo agradável e cercado por bons hits, vê-se hoje que o primeiro trabalho de Grimes nada mais era do que um estudo, uma prévia de um registro ainda maior e mais inventivo que seria posteriormente apresentado. Menos de um ano depois de tão comentada estreia – que destacou a canadense como a responsável por uma das maiores estréias da temporada -, Boucher retorna com a segunda obra de sua ainda curta carreira, Visions, um disco que não apenas dá continuidade ao que a garota desenvolveu durante todo o ano de 2011, como abre as portas para um universo mágico de novas e ricas experiências. (Resenha)
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Japandroids
Celebration Rock (2012, Polyvinyl)
Mesmo capazes de lançar um trabalho tão forte quanto Nouns (2008) da também dupla No Age ou os esquizofrênicos registros iniciais do Deerhunter, o duo canadense construiu à frente do Japandroids uma estrutura distinta, algo que o primeiro álbum da banda, Post-Nothing (2009) revela com guitarras aceleradas e batidas sufocantemente constantes. Diferente dos trabalhos lançados naquele momento, o disco de oito rápidas faixas mantinha na necessidade de soar musicalmente fácil e acessível ao grande público o grande acerto do projeto, proposta que alcança um novo resultado com a chegada do segundo e ainda intenso disco dos norte-americanos.Talvez imperceptível, há um distanciamento imenso entre o lançamento de Post-Nothing e o recente Celebration Rock (2012, Polyvinyl). Mais do que o espaço temporal de três anos, a separação entre um trabalho e outro se manifesta em uma série de elementos por toda a obra. (Resenha)
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Lotus Plaza
Spooky Action At A Distance (2012, Kranky)
Há quem talvez não tenha percebido, mas se existe alguém que pode portar o titulo de gênio dentro da atual safra do rock alternativo, este alguém é o excêntrico Bradford Cox. Seja ao lado dos parceiros do Deerhunter ou mesmo com o particular Atlas Sound, a cada novo projeto em que se envolve, Cox deixa rastros de sua impecabilidade como compositor. Foi justamente essa mesma genialidade incontida que ocultou o primeiro álbum do parceiro e guitarrista Lockett Pundt à frente do Lotus Plaza, um projeto que mesmo com todos os esforços de Pundt acabou soando como uma fraca dissidência daquilo que Bradford vinha desenvolvendo. Os últimos três anos, entretanto, tiveram novo significado para as composições individuais do músico de Atlanta, Georgia, tanto que com a chegada de Spooky Action At A Distance o artista deixa de lado o tom de aprendizado e a timidez de outrora, para desenvolver um álbum verdadeiramente próprio, rico e muito mais amplo. (Resenha)
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Lower Dens
Nootropics (2012, Ribbon Music)
Sucessor do que hoje soa como um aprimorado estudo, o álbum Twin-Hand Movement (2010), o recente disco de apenas dez composições usa de uma herança musical apurada como ferramenta de movimento para os mais de 50 minutos que o definem. Tempo que parece se extinguir assim que os acordes iniciais de Alphabet Song tomam formas. Intencionalmente denso, o trabalho transparece o resultado de uma banda que já nasceu madura. Como projeto adulto, o que encontramos no interior do álbum são ajustes, pequenas reformulações cruciais para que faixas como Lion in Winter Pt. 1, uma mera composição dotada de sobreposições sonoras, seja capaz de manter o tom hipnótico que preenche a obra. Nootropics é um disco que valeria apenas pelos mais de sete minutos ininterruptos que unem as faixas Brains e Stem. Uma verdadeira viagem sonora por mais de cinco décadas de produção musical conduzida apenas pelas guitarras de Will Adams. Um passeio surpreendente que mergulha na vanguarda do The Velvet Underground, passa pela curta discografia do Joy Division, absorve Kevin Shields até desaguar em um resultado instrumental que emociona. (Resenha)
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Lucas Santtana
O Deus Que Devasta Mas Também Cura (2012, Dignóis)
Mesmo que o nome do compositor baiano ainda pareça intimamente relacionado com uma face “alternativa” da música e do público brasileiro, desde o lançamento do quase revolucionário Sem Nostalgia (2009) que Santtana tem se evidenciado como um dos personagens mais populares e ricos da nossa música. Espécie de resumo ou talvez conexão direta com os trabalhos iniciais do cantor, O Deus Que Devasta Mas Também Cura (2012, Dignóis), mais recente álbum do artista revela todo um novo conjunto de nuances musicais e líricas fabricadas por Lucas, que segue picotando melancolias e fundindo ritmos naquela que parece ser a mais forte obra do músico. Assumidamente confessional – boa parte do disco é focado em um término de relacionamento não recente do músico -, o sucessor do acústico disco de 2009 rompe com a fórmula de um trabalho temático, possibilitando que Santtana alcance justamente aquilo que faz dele um especialista: a mistura de ritmos. (Resenha)
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Perfume Genius
Put Your Back N 2 It (2012, Matador)
Mike Hadreas é um verdadeiro aprendiz. Vindo de Seattle, o jovem músico passou a última década dissecando todos os ensinamentos ministrados pelo habilidoso Sufjan Stevens e toda a gama de idealizadores da melancolia norte-americana (ou mesmo mundial), convertendo todo esse acumulado de experiências nas bases para o primeiro registro em estúdio de sua incipiente carreira, Learning, de 2010. De lá para cá, o compositor foi aos poucos abandonando a percepção de aprendiz para logo se transformar em um mentor (talvez de si próprio ou de uma pequena parcela de ouvintes), feito que ele reforça agora com a chegada do segundo e melhor desenvolvido trabalho da carreira. Se antes era Stevens – responsável pelos clássicos discos Illinois (2005) e Michigan (2003) – a principal base para o trabalho do músico, hoje as experiências de Hadreas talvez sejam outras, ou melhor, estejam mais bem estabelecidas. (Resenha)
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Psilosamples
Mental Surf (2012, Desmonta)
Existe algo de nostálgico na maneira como o mineiro Zé Rolê desenvolve as diversificadas composições de sua obra. Uma estranha nostalgia que absorve o que há de mais doce nas antigas cantigas de roda, na música brasileira de raiz e em referências muitas vezes esquecidas da cultura pátria. Amarrando todas essas múltiplas tonalidades em um pacote eletrônico (que jamais abandona a conexão com a estrutura orgânica), o produtor apresenta o rico Mental Surf, registro que mergulha fundo na cultura nacional, sem que para isso precise abusar de recortes clichês da nossa música ou características nacionais típicas de sons montados para a exportação. Longe do aspecto tímido que circundava o primeiro grande trabalho do artista em 2008 – o também versátil As Aventuras de Zé no Planeta Roça -, com o novo projeto o artista de Pouso Alegre, Minas Gerais faz nascer um trabalho que não apenas resgata a boa música de outras épocas, como garante novo e satisfatório sentido à ela. (Resenha)
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Rodrigo Campos
Bahia Fantástica (2012, YB Music)
Por necessidade de simplificar ou erro, há quem classifique a atual cena paulistana como um movimento único, sem repartições. Um erro. Enquanto Jeneci, Tulipa Ruiz e tantos mais se envolvem com um alinhamento brando, voltado para algo mais comercial, uma segunda vertente parece interessada em explorar um completo oposto disso. Focados em resgatar as experiências impostas pela vanguarda paulistana no começo da década de 1980, nomes como Rômulo Fróes, Thiago França construíram um pequeno cerco particular, um espaço imaterial onde colaboram, compõem e trocam influências. Também parte de toda essa “cooperativa musical”, Rodrigo Campos é o mais novo integrante do coletivo a se aventurar com o lançamento de um novo trabalho “solo”. Sob o nome de Bahia Fantástica o álbum dá um salto incrível em relação ao quase inexpressivo disco anterior, projeto que mesmo banhado pela mesma genialidade do compositor em construir crônicas e composições montadas em cima de personagens acabou devendo, como se o músico reservasse o verdadeiro ouro para o lançamento da recente obra. (Resenha)
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Sambanzo
Etiópia (2012, Independente)
Somente em 2011 o mineiro Thiago França foi responsável por dar cobertura a três grandes projetos da cena musical brasileira. Um Labirinto Em Cada Pé, do paulistano Romulo Fróes, Memórias Luso/Africanas do produtor Gui Amabis e, o mais importante deles, Metá Metá, trabalho desenvolvido ao lado dos colegas Juçara Amaral e Kiko Dannuci e registro que melhor contribuiu para dar visibilidade ao saxofonista. Ainda próximo desses mesmos colaboradores, porém livre para tomar as direções que bem entender, França, agora sob o nome de Sambanzo, apresenta um registro inteiramente marcado pelo suingue, utilizando do sax vívido que comanda para conduzir o ouvinte por entre complexos e riquíssimos campos musicais. Impregnado pelo tom volátil do samba e da gafieira, a temática calorosa da música africana e toda a multiplicidade de escolhas favorecidas pelo jazz, Etiópia apresenta Thiago França em um estado completamente oposto de qualquer possível território que o músico tenha pisado nos últimos anos – ou pelo menos tenha demonstrado em forma de registro ao público que o acompanha. (Resenha)
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Siba
Avante (2012, Independente)
Depois de apresentar dois excelentes discos que retratavam as múltiplas tonalidades da música trabalhada na Zona da Mata pernambucana – A Fuloresta do Samba de 2003 e Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar de 2007 -, Siba retorna agora com um registro parcialmente distante de suas anteriores investidas musicais, Avante. Oposto do regionalismo natural que habitava os dois anteriores projetos do músico, o recente álbum abre possibilidades para que Siba percorra um universo de guitarras leves e incursões sonoras que praticamente o transportam para idos da década de 1990, quando ainda fazia parte do grupo Mestre Ambrósio, um dos grandes e ingenuamente desconhecidos representantes do Mangue Beat. Se antes a cultura regionalista era o centro dos trabalhos de Siba, aqui ela ainda se faz presente, entretanto, posicionada como um enorme plano de fundo, não exposto em cores fortes e vibrantes, mas dentro de uma leveza em tom pastel. (Resenha)
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Single Parents
Unrest (2012, Trama/Popfuzz)
Houve um tempo, que fazer rock alternativo no Brasil era atividade para poucos e fortes. Sem o apoio das gravadoras e longe das facilidades que as redes sociais proporcionam hoje, assumir a frente de qualquer trabalho do gênero era atividade para indivíduos corajosos, personagens de vida dupla que se trancavam es escritórios durante o dia para empunhar guitarras firmes durante a noite. Desse panorama vieram algumas das mais importantes bandas que a década de 1990 pode proporcionar, nomes como Astromato, Pelvs e brincando de deus, grupos capazes de produzir um som que mesmo restrito a um público mínimo, faziam isso com destreza e vivacidade, característica que talvez falte para muitas das iniciantes bandas que nascem (e morrem) diariamente por todo o país. Em meio a tantos projetos redundantes, que insistem em beber pretensiosamente das mesmas fontes desses veteranos, estranho perceber o quanto a paulistana Single Parents mantém um aspecto de distinção em meio ao cenário nacional. Das guitarras de Fernando Dotta, passando pela bateria de Rafael Farah ao baixo de Anderson Lima, todas as faixas do recente Unrest partilham honestamente das mesmas experiências e sensações que os veteranos da cena brasileira transpiravam em seus trabalhos. (Resenha)
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The Walkmen
Heaven (2012, Fat Possum)
Musicalmente diversificada, a banda é dona de um rico senso de transformação, uma habilidade rara, visto que mesmo próximos de diversos estilo e vertentes musicais os integrantes conseguem remodelar cada canção dentro de uma fluidez própria, quase isolada, como se fossem capazes de dar uma sobrevida ao rock clássico, ao pós-punk ou quaisquer outros caminhos e sons que venham a percorrer. Com o lançamento de Heaven (2012, Fat Possum), sétimo trabalho oficial da banda, essa percepção se faz novamente visível. Espécie de sequência exata do disco anterior, Lisbon de 2010, o novo álbum arrasta o quinteto para junto do mesmo rock praiano que se dissolve nos registros recentes de grupos como Real Estate, Girls ou demais artistas responsáveis por esse som. Contudo, enquanto boa parte dos interessados nessa sonoridade viajam por um oceano que se materializa em cima de referências fundadas pelos Beach Boys, The Zombies e tantos outros anunciadores surgidos há quatro ou cinco décadas, o The Walkmen parece ir além, descendo até a música country, abraçando o pop de forma particular e até brincando com o recente cenário da música folk. (Resenha)
Veja Também: 20 discos que você deveria ter ouvido em 2011
Em 1º lugar, muito obrigado pelo esforço e trabalho de compilar a lista.
Em 2º lugar, achei a lista muito indiezinha pro meu gosto. Só 2 discos são realmente bons.
Em 3º lugar, vc pode não gostar, mas depois dê uma olhada em:
Rush – Clockwork Angels
Ladyhawke – Anxiety
Santigold – Master of Make Believe
Garbage – Not your kind of People
Asteroids Galaxy Tour – Out Of Frequency
Pepe Deluxe – Queen Of The Wave
Cranberries – Roses
James Iha – Look to the Sky
Killing Joke – MMXII
Corrosion Of Conformity – Corrosion Of Conformity
Paradise Lost – Tragic Idol
Sinead O’connor – How about i be me (and you be you)?
Slash – Apocalyptic Love
Jack White – Blunderbuss
The Cult – Weapon of Choice
Marilyn Manson – Born Villain
B.o.B – Strange Clouds
Ministry – Relapse
Diablo Swing Orchestra – Pandoras Pinata
Sopor Aeternus – Children of The Corn
Avatar – Black Waltz
Sear Bliss – Eternal Recurrence
Air – Le Voyage Dans La Lune
Scissor Sisters – Magic Hour
Florence and the Machine – MTV Unplugged
Marina and the Diamonds – Electra Heart
Eu sei que o seu texto, gosto e público é indie. Tá certo fazer essa lista assim, mas vc sabe também que indie não é um primor assim nem de música e nem de gênero musical, né? Seu texto, argumento e gosto é 10. Não existe problema com vc, mas existem MUITOS problemas com o indie. É isso que eu quero dizer.
Hahahaha, um cara que menciona Slash (!), James Iha (!!) e o acústico do Florence and The Machine (!!!) como bons discos deveria mais é ficar quieto. Gosto da valorização da música brasileira e principalmente das influências nortistas que compõem a lista. Mais uma boa seleção do Miojo Indie
Yay, estava esperando ansioso por essa lista para que eu pudesse me situar em 2012! Vou dar uma olhada nos trabalhos que eu ainda não conheço. Alguns álbuns que eu gostei muito e que não apareceram na lista foram:
All Hell, Daughn Gibson
Interstellar, Frankie Rose
Ekstasis, Julia Holter
Cheguei em casa e fui olhar minha pasta de 2012 e tirei essas aqui.
Fica aí a contribuição.
Graham Coxon - A+E
A Place To Bury Strangers - Worship
Crocodiles – Endless Flowers
Fear Factory – The Industrialist
Paloma Faith – Fall to Grace
MercyMe – The Hurt and The Healer
Bruce Springsteen – Wrecking Ball
Mars Volta – Noctourniquet
Counting Crows – Underwater Sunshine
Spiritualized – Sweet Heart Sweet Light
Norah Jones – Little Broken Hearts
Pennywise – All or Nothing
Keane – Strangeland
Silversun Pickups – Neck of the Woods
Tenacious D – Rize of the Fenix
Sigur Ros – Valtari
Ultravox – Brilliant
Melvins – Freak Puke
Men Without Hats – Love In the Age Of War
Demon Hunter – True Defiance
É impressão minha ou o Bruno Cézar tá sem repertório pra contribuir com a galera e só fica no mimimi de criticar? Deve tá baixando algo divertido da lista oficial e das contribuições agora. Mas concordo que os nacionais tão bons.
Listas guiam as pessoas. Comentários sortidos tb.
Ainda mais quando vão muito além do hypismo indie.
Diversão aí pra todos!
O fato de ser índie ou nao é irrelevante – muito embora aqui seja um blog de índie, dos bons diga-se de passagem. O que de fato importa é se a música é boa. Quanto à lista, vou olhar com carinho. Evidentemente, a lista do troglo é bem mais mainstream e, a meu ver, repletas de bandas que nao produzem nada decente há tempos (Rush, Slash, Cranbarries,etc). Na lista do ano passado, achei um trabalho magnífico – destroyer e seu kaputt. Abx
Falta bom senso pra muitos leitores entenderem que não é uma lista de discos
obrigatória, e sim, sugestões pra quem deixou passar despercebidos alguns
lançamentos relevantes deste ano.
Músicas boas e ruins existem em qualquer gênero musical, sem que pra isso
tenha alguma importância o fato dos cantores serem pouco ou muito conhecidos.
As pessoas não precisam gostar de tudo, ouvir todos os discos lançados,
mas também não precisam ser tão limitados musicalmente e ouvir sempre as
mesmas coisas. Novas descobertas fazem bem.
ótima lista!
Recomendo tb:
Hodgy Beats – Untitled EP
John Talabot – ƒin
Julia Holter – Ekstasis
The Men – Open your heart
The Shins – Port of morrow
Porcelain Raft – Strange Weekend
Tops – Tender Opposites
Discussões sobre a relevância do indie à parte, é inevitável perceber que a lista pende mais para o estilo em questão (o próprio nome do site reforça isso).
Ainda assim, acho um baita vacilo não indicar o novo do BNegão & Seletores, o “Sintoniza Lá”. Discaço, que a meu ver, está brigando pela ponta dos melhores álbuns brasileiros lançados em 2012.
Em relação aos lançamentos gringos, recomendo muito o “Blues Funeral”, do Mark Lanegan.
Achei muito boa a lista mas muito restrita a 2012 e ao que eu deveria ouvir, então vou tentar contribuir com os amigos sugerindo alguns álbuns que não entraram na lista:
Linkin Park – Hybrid Theory
Limp Bizkit – Chocolate Starfish and the Hotdog Flavored Water
Crazy Town – The Gift of Game
Charlie Brown jr – Preço Curto… Prazo Longo
[...] cada nova audição Bloom se transforma em um dos mais belos registros musicais de 2012. Quarto e mais novo disco da dupla norte-americana Beach House, o álbum afasta o duo do caráter [...]
E O JACK WHITE?????
Ótima lista! O Miojo Indie sempre acertando. Mas só acho que faltou o “Blunderbuss”, do Jack White, “Le Voyage Dans La Lune”, do Air e o “Magic Hour”, do Scissor Sisters.
Olha só: eu acho indie, como gênero, um lixo elevado a enésima potência.
Mas admito que coisas boas podem vir deste universo. Com certeza.
Eu posso até falar mal de indie aqui no miojo INDIE, mas eu sempre tento deixar claro que acho indie um LIXO, mas que o que eu consigo pegar de bom disso é muito pelo trabalho do Miojo. Acho o pessoal aqui muito competente e bom de serviço. Dos melhores blogs do gênero, na net.
Sei que pode ser contraditório achar um gênero um lixo e gostar muito de um blog sobre este gênero. Mas isso é pq o Miojo facilita a minha vida e dá uma peneirada aí nesse universo. Me poupa trabalho e traz indicações boas. Não enfatizei, mas os discos nacionais listados acima … eu ia levar uns 2 meses pra entrar em contato com eles, garimpando muito. Mas com essa lista aí … já escutei tudo. Isso é o que me atrai ao blog.
Só esclarecendo aí pra equipe, pois eu sei que manter um blog é trabalho PESADO e ocupa MUITO TEMPO, gostaria de dizer que o blog de vcs tem efeito sobre quem ama indie e também sobre quem odeia. Eu odeio, como gênero, mas as coisas boas que acabo conhecendo vem muito de indicações de vcs (que me poupam tempo e outras coisas).
No mais, contribuo aí com coisas que vcs devem odiar também, mas estamos num blog … e tudo aqui é uma troca, não é?
Thanks for sharing
[...] a acelerada Stay Useless, que bem define toda a urgência que caracteriza o registro, de longe, um dos melhores trabalhos de [...]
[...] Regis e Carolina Matos, e a faixa faz parte do disco Kitsch Pop Cult, forte candidato a figurar na lista dos melhores de fim de [...]
[...] não é um dos melhores discos de 2012 à toa. Consumido inteiramente por melodias sombrias e distorções que reformulam o Dream Pop, o [...]
Entao pq vc entra no site se acha indie um lixo? E qual o problema com o album da Floreence? Ela é a maior revelação nos ultimos anos, bobão!
meu deus, quanta bobagem!
eu entendo que a proposta geral do blog é colocar a disposição, de quem possa interessar, música legal (de qualquer gênero) que tem pouco ou nenhum espaço em mídias tradicionais ou em outros blogs de música que se dedicam a outras coisas.
“indie” é um conceito tão amplo… que discussão mais besta, viu!
mas eu na verdade vim aqui pra falar que o link do disco da Gaby Amarantos não está funfando. vocês retiraram mesmo ou ele expirou? se tiver como disponibilizar de novo…
abraços
Estou cansado de ouvir falar em Freud, Jung, Engels, Marx, intrigas intelectuais rolando em lista de discussão na Miojo Indie… Yeah, yeah, yeah… Aliás, quero só ver quem vai conseguir convencer pagodeiro a gostar de splatter metal ou Troglô a gostar de Indie…
Sabe de uma? Vou agora ouvir aquele álbum da banda desconhecida por mim que baixei por indicação da Miojo Indie, pra ver se presta mesmo… Se eu gostar, ótimo. Caso contrário, vamos adiante…
Além de todos que já estão ai… Senti falta do Motel da Banda Uó e o Tudo Tanto da Tulipa Ruiz…
Indie lixo? kkkkkkkkkkkkk, sem comentarios.
tambem nao entendi o comentario maldoso sobre o unplugged da florence + the machine, é otimo.
o troglo citou alguns bons albuns apesar do argumento sobre o indie nao fazer sentido nenhum, já que é um genero em que os artistas se importam em fazer boa musica independente se a ‘massa’ irá gostar ou nao. mas falta muita coisa na lista, algumas sugestoes:
The xx – Coexist
Yeasayer – Fragrant World
Purity Ring – Shrines
Aiden Grimshaw – Misty Eye
The Lumineers – The Lumineers
Alex Winston – King Con
Passion Pit – Gossamer
Citizens! – Here We Are
King Charles – Loveblood
Niki and the Dove – Instinct
Andrew Bird – Break It Yourself
Electric Guest – Mondo
Gossip – A Joyful Noise
Totally Enormous Extinct Dinosaurs – Trouble
Tulipa Ruiz – Tudo Tanto
COMASSIM NÃO TEM FIONA APPLE??? Enfim, aleatórios que possam estar lendo isso, acrescentem um 21º álbum à lista de downloads: “The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do” (devidamente copiado e colado, claro)
Mas o que seria “o Indie”, quais seriam os seus problemas? Ou o problema é achar que isso é um rotulo musical, quando na verdade se tratam de inúmeros artistas das mais diversas influencias fazendo isso a margem das, agora já moribundas, grandes gravadoras? É uma visão muito estreita isso, tipico de alguém que elege um disco do Rush (?!) como um dos melhores do ano.
álbuns ótimos que puxa mais para uma vertente indie rock.
Imagine Dragons – Night Visions
Two Door Cinema Club – Beacon
The Vaccines – Come Of Age.
The XX – Coexist
achei a lista bem interessante, tem álbuns realmente bons que eu conheci por aqui, mas acho ela um tanto restritiva.
ôpa! excelente post que nos instiga a participar. já falaram nos acréscimos no do jack white, no do mark lanegan, no do the xx e no da tulipa ruiz, então, como no coração do amante da boa música sempre cabe mais uns, como bonus:
Alabamas Shakes – Boys & Girls
Silva – Claridão
Chromatics Kill For Love
Então vamos lá né. A lista tá bem legal, mais senti falta dessas seguintes obras que alegraram o meu ano:
The Asteroids Galaxy Tour – Out of Frequency
Bat For Lashes – The Haunted Man
iamamiwhoami – Kin
Charlotte Sometimes – Circus Head
Paloma Faith – Fall to Grace
Estelle – All of Me (sim, eu sei que não é indie, mais o cd é incrível, e não teve a repercução que deveria).
Curumin é SENSACIONAL
Troglô, sua lista estar bem fraquinha. O novo da Sani White (agora, Santigold) é bem fraquinho, já o Garbage voltou com força, mas nada de maravilhoso, apenas competente. A mesma coisa acontece com o Marilyn Manson. A Florence fez as músicas da banda brilharem de outra forma, apesar de ter divido opniões, o disco é competente, mas a falta de material inédito impede que ele seja um destaque do ano. A Marina voltou mais pop e promissora, com um disco divertido, mas nada além muito além do que Lana Del Rey e Rihanna fazem. O único que realmente é um destaque do ano é o disco do Jack White, que estrou em disco impecável. Faltou inovação, mas não talento.
Já o miojo indie mostrou muita coisa boa. Os novos trabalhos de Céu, Rodrigo Campos, Lucas Santtana, Japandroids, Grimes e Curumin, além das ótima estreias de Felipe Cordeiro e Gaby Amarantos, garatem uma playlist indie pop muito boa