Killer Mike
Hip-Hop/Rap/Alternative
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Por: Cleber Facchi

Em 2012 fazer dançar é a expressão de ordem dentro do hip-hop norte-americano. Longe das esquizofrenias que se apoderaram do gênero no último ano, uma boa soma de nomes – inclusive responsáveis pelo mesmo clima caótico que se apoderou do estilo em 2011 – têm investido na construção de trabalhos mais comerciais, impactantes e com um pé firme nas pistas. Por trás dos beats quentes, nada de versos descartáveis, mas sim um conjunto de palavras fortes. Uma soma de versos ora tomadas pelo teor político, ora esboçando o cotidiano obscuro de seus anunciadores, figuras como Killer Mike, um filho da geração de rappers da década de 1990, mas que soa tão atual e necessário quanto há 20 anos.
Apresentado ao público pela primeira vez dentro do clássico Stankonia – obra máxima do OutKast –, Mike deve se transformar em uma das figuras mais comentadas do meio no decorrer dos próximos meses, tudo por conta do recente R.A.P. Music (2012, Williams Street). Mais novo e bem pontuado trabalho do artista, o álbum chega impondo um sentimento de reconhecimento tardio, afinal, com mais de seis registros lançados, este é o primeiro trabalho que tanto públic como crítica parecem finalmente ouvir com atenção a cada verso esculpido pelo norte-americano.
E não é pra menos. Com pouco mais de 45 minutos de duração, o registro rompe com boa parte das redundâncias e pseudo-originalidades que tanto definem a safra atual. Movido pelo fluxo dançante que caracteriza o trabalho de nomes como Kendrick Lamar e Schoolboy Q, Mike aproveita da sonoridade “fácil” para apresentar um surpreendente conjunto de versos sempre firmes. Um registro que contra todas as tendências e atuais preferências de produtores e rappers, soa tão original e intenso quanto foram os grandes tratados planejados há duas ou mais décadas.
Longe de grandes arranjos instrumentais ou inovações sonoras que tanto caracterizam o rap atual, Mike deixa de lado todo e qualquer aparato exagerado para se concentrar na produção de um registro simples, porém, honesto em todos os sentidos. O destaque aqui não são os pianos ou orquestrações que definem e acompanham os discos épicos de Kanye West, nada das batidas experimentais que ocupam os álbuns do Death Grips ou muito menos os versos ascendentes que costuram a discografia de Jay-Z. A sutileza e a firmeza que preenchem o registro vão de encontro ao que fora definido no final dos anos 80, absorvendo o mesmo tom sóbrio de artistas como Public Enemy, Ice Cube e tantos outros que marcaram o período.
Para quem reclama sobre a futilidade e as constantes exaltações ao luxo que tanto caracterizam o hip-hop comercial, em R.A.P. Music Mike parece romper completamente com essa lógica. As letras que fluem com o passar da obra tratam sobre sobrevivência (Don’t Die), fé (Ghetto Gospel), política (Reagan) e recortes até simples do cotidiano (Go!), prova de que mesmo dentro de assuntos já “batidos”, ainda há muito a ser explorado. Curioso notar, mas mesmo dentro dos pontos mais fortes e amargurados do trabalho há sempre a necessidade de entregar um som fácil, atraente aos ouvidos menos exigentes, prova constante da habilidade e inteligência do produtor El-P.
Há em R.A.P. Music uma formatação não ambiciosa, como se Killer Mike quisesse apenas olhar para suas origens e transformar isso em rap. O álbum parece mergulhado dentro de uma lógica própria, um terreno conhecido apenas pelo rapper e as pessoas sobre quem ele rima. A beleza e a força do registro, entretanto, estão relacionadas em como ele consegue não apenas capturar em versos esse suposto distante universo, como nos arrastar imediatamente para dentro dele.
R.A.P. Music (2012, Williams Street)
Nota: 8.5
Para quem gosta de: El-P, Public Enemy e Big K.R.I.T.
Ouça: Ghetto Gospel e Don’t Die

[...] of Cure, mais novo álbum do produtor El-P e R.A.P. Music, sexto e mais recente trabalho do rapper norte-americano Killer Mike não foram lançados quase [...]
[...] for Cure, mais novo álbum do produtor El-P e R.A.P. Music, sexto e mais recente trabalho do rapper norte-americano Killer Mike não foram lançados quase [...]
É o disco do ano……. Killer Mike me fez reviver aquele rap que me conquistou a pelo 16 anos atrás. E o mais importante é que me fez acreditar que existem ainda artistas que acreditam que ainda temos muito em evoluir e é preciso manter vivo o ‘espirito rebelde e contestador’. Parabéns ao Mike e ao El-P pela parceria. Esse disco já um clássico para época em que vivemos de ostentação e de club music.
[...] da obra se amplia a todo o momento. Embora ainda tímido perto da grandiosidade de álbuns como R.A.P. Music de Killer Mike, Blue Chips do nova-iorquino Action Bronson ou mesmo a recente obra do parceiro [...]
[...] que caracteriza tanto o trabalho de grandes expositores do gênero, como Killer Mike no ótimo R.A.P. Music, a estreia do “novato” Ab-Soul em Control System e até o genial (e pop) Habits & [...]
[...] apenas em 2012 fizeram nascer uma pluralidade de clássicos como Habits & Contradictions, 1999, R.A.P. Music ou o ainda recente e amplamente elogiado Channel, Orange de Frank Ocean – talvez o maior e [...]
[...] todos os lançamentos voltados ao hip-hop, R.A.P. Music do norte-americano Killer Mike é sem dúvidas um dos trabalhos mais importantes do ano. Sem tempo [...]
[...] firmou na década de 1990, o estadunidense mantém constante a boa forma assumida dentro do recente R.A.P. Music, disco lançado há alguns meses e um dos melhores exemplares do gênero em 2012. Mais “novo” [...]
[...] clara sobre a podridão que envolve o cenário político, Mike – responsável pelo excelente R.A.P. Music – faz de uma singela animação um retrato claro de tudo que corrompe o mundo desde princípios [...]
[...] Em 2012 o Hip-Hop voltou às origens. Dos versos descritivos de Kendrick Lamar aos encaixes com a música negra que percorrem a produção de Frank Ocean, o bom e velho Rap está de volta. Dentro desse universo de referências e constantes retornos ao passado, R.A.P. Music de Killer Mike surge como um dos exemplos mais intensos de toda essa transformação. Com versos que percorrem conteúdos políticos, críticas sociais e até a religião, o sexto registro em estúdio do rapper de Atlanta, Geórgia é facilmente o trabalho mais maduro e intenso já alcançado até hoje. Com produção de El-P, o álbum explode em rimas e batidas que praticamente espancam o ouvinte tamanha força e grandiosidade das faixas. Curioso notar que mesmo visitando o passado (em conceitos), Mike mantém firme a relação com o presente, transformando cada verso em um recorte atual sobre o cotidiano. (Resenha) [...]
[...] dos questionamentos político-sociais de Killer Mike ou das narrativas urbanas que rechearam com acerto a obra de Kendrick Lamar no último ano, A$ap [...]
[...] como Pictureplane, MSTRKRFT e Depeche Mode. O último registro em estúdio de Mike foi o ótimo R.A.P. Music, álbum que ficou em 41º na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012. Um bom [...]
[...] lisérgico e pequenas doses de nonsense. Distante do propósito obscuro de good kid, m.A.A.d city, R.A.P. Music e outros registros de peso que sustentaram a produção no último ano, o trabalho percorre um [...]