Mahmundi
Brazilian/Indie/Lo-Fi
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Por: Cleber Facchi

Marcela Vale não poderia ter escolhido um título mais coerente para o policromático primeiro registro à frente do Mahmundi quanto Efeito das Cores. Nostalgicamente voltada ao colorido, ao brilho neon e aos sons esbanjados nos anos 80, a carioca vai atrás do que Marina Lima, Rita Lee ou mesmo os primeiros álbuns do Barão Vermelho faziam questão de explorar. Um conjunto de sensações abrasileiradas, românticas e banhadas pela luz do Sol, que ao se depararem com a novidade proposta por artistas vindos da famigerada Chillwave como Toro Y Moi ou Neon Indian ganham um toque e um sabor todo original.
Embora matéria-prima, a década de 1980 para Vale não surge de maneira forçada, uma ótima resposta ao que fora proposto por boa parte das manufaturadas bandas britânicas ou norte-americanas na última década. A maneira como a cantora e multi-instrumentista desenvolve as seis agradáveis composições do álbum transmite uma constante sensação de timidez e calmaria. Há também a ampla percepção de descoberta, como se a artista – uma ex-técnica de som do Circo Voador – fosse aos poucos explorando a si própria dentro do pequeno reduto de composições que ela promove. Por fim, a pequeneza presente no trabalho, entretanto, é justamente o que o faz crescer.
Acompanhada de um experiente Lucas de Paiva – que além de dividir a produção do trabalho assume sozinho pianos, bateria, teclados, arranjos, percussão e efeito de grande parte das composições -, Vale aparece segura, mesmo que o tom tímido das faixas por vezes oculte isso. Além de Paiva, a construção do disco fica completa com a chegada do baixo de Felipe Velloso em duas das seis faixas, além dos complementos de Lucio Souza (do projeto SILVA), que ajudou a cantora na construção do primeiro aperitivo do disco, a dançante (e ritaleenesca) Desaguar, música que transporta o ouvinte para uma década de 80 diferente da que estamos acostumados a ouvir. Talvez seja esta a verdadeira.
Mesmo longe de promover qualquer tipo de revolução ou um segundo revival oitentista, o EP de seis faixas é de longe o registro nacional mais interessante e inovador que se teve notícia em 2012 – pelo menos até agora. “Gravado nos dias de sol de Janeiro a Março, no Rio de Janeiro” como anuncia a ficha técnica, o álbum esbanja em cada faixa um frescor doce e hipnótico, nada que nenhum artista atual já não tenha feito instrumentalmente, mas com certeza um resultado há tempos não alcançado em se tratando do lirismo do disco. Românticas e sinceras, as letras das canções (em sua maioria assumidas pela própria Marcela e alguns colaboradores) transmitem um sentimento jovial, levemente açucarado e acima de tudo, encantador.
Assim como proposto no EP de estreia do SILVA ou mesmo no doloroso Canções de Apartamento, do também carioca Cícero, em Efeito das Cores o elemento atrativo não está na complexidade, mas na maneira como as faixas parecem se encaixar com exatidão no cotidiano do ouvinte. É como se Mahmundi fosse aos poucos compondo uma trilha sonora leve tanto para os indivíduos tocados pela paixão (Calor do Amor) como para aqueles mergulhados na tristeza do isolamento (Se Assim Quiser), sem que para isso precise de referências forçadas ou elementos que explorem os sentimentos de maneira pretensiosa ou banal.
Efeito das Cores é um trabalho que parece orientado tanto para a melancolia sublime do fim de tarde como para as sensações hipnagógicas do amanhecer. Um registro que sintoniza o doce e o amargo em uma mesma frequência, pontuando os possíveis pequenos espaços do álbum com doses moderadas de sintetizadores lo-fi, guitarras leves e todo um toque que nos motiva a executar pequenas dancinhas preguiçosas e românticas. Marcela Vale montou o melhor cartão de visitas que um artista “iniciante” poderia desenvolver, imaginem só o que ainda está por vir.
Efeito das Cores EP (2012, Independente)
Nota: 8.5
Para quem gosta de: SILVA, Toro Y Moi e Marina Lima
Ouça: Calor do Amor, Desaguar e Se Assim Quiser

Muito bom..
Céu e Lucas Santtana que me desculpem, mas esse disco é o melhor álbum brasileiro lançado até agora.
é sim, é demais!
Muito bom.
MUITO BOM! Parabéns Marcela!
As musicas são verdadeiras viagens, muito bom.
[...] Nos poucos momentos em que se afasta da década de 1980, Marcela Vale absorve o que há de mais suave e caseiro na música contemporânea. Logo não é difícil encontrar traços decisivos daquilo que Neon Indian, Toro Y Moi e todo o conjunto de artistas integrantes da cena Chillwave vêm promovendo nesses últimos anos. Um resultado que a carioca absorve de forma criativa dentro da melancólica Quase Sempre, uma das seis composições que integram o primeiro (e adorável) trabalho da artista, Efeito das Cores. [...]
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[...] Nem bem estreou e a carioca Marcela Vale já conseguiu criar uma das faixas mais pegajosas do atual rock indie tupiniquim. Fácil sem parecer banal, simples e ainda assim rodeada pelos detalhes, Calor do Amor rompe com as amarras oitentistas que se escondem nos teclados caricatos para evidenciar um retrato honesto de tudo que ecoa na música recente – seja ela brasileira ou internacional. Marina Lima, Rita Lee, Neon Indian não importam os nomes, afinal, está tudo lá, dentro dos instantes ensolarados que definem a faixa. (Resenha) [...]
[...] “Gravado nos dias de sol de Janeiro a Março, no Rio de Janeiro”, Efeito das Cores é uma viagem nostálgica e ao mesmo tempo atual aos sons construídos na década de 1980. Mezzo Rita Lee pós-Tutti Frutti, mezzo Marina Lima brincando de Blitz, em apenas cinco faixas a carioca dança em torno de composições românticas, descompromissadas, dançantes e fáceis. Hits prontos que parecem ter viajado três ou mais décadas até chegar aos dias de hoje, conversando tanto com a Chillwave de Toro Y Moi (Felicidade) como o rock indie tupiniquim (Desaguar). Passeando pelos mesmos limites instrumentais de Silva, Marcela Valle, grande responsável pelo projeto se encontra com as batidas eletrônicas do produtor Lucas de Paiva, fortalecendo o esqueleto sonoro que dá movimento e sustentação ao disco. Dentro desse jogo de referências – antigas e recentes -, fórmulas e sons, Valle encontra um medida doce e por vezes inédita, permitindo que faixas aos moldes de Calor do Amor – uma das melhores músicas de 2012 junto de Desaguar -, Fotografe e todas as demais composições do curto álbum grudem feito chiclete nos ouvidos. A década de 1980 ainda não teve fim, ela acaba de começar. (Resenha) [...]
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